Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
Um Apelo à Razão

 

À medida que a crise perdura e se alastra, governos por toda a Europa apressam-se a cortar nas despesas. Que o leitor não tenha ilusões que os cortes vão afectar os sectores verdadeiramente responsáveis pelo despesismo irresponsável. Não, não são as gratificações sociais insustentáveis que nos endividaram que vão ser afectadas. Como já tive oportunidade de criticar, o PS foi eleito para fazer o trabalho que a direita ‘neoliberal’ não pode fazer por falta de credenciais socialistas mas o populismo socrático – incontestado pela estrutura PS – nem o sentido de estado necessário à sustentabilidade do país, tem.

 

Não, por toda a Europa a tendência é a mesma, os cortes vão afectar sectores que em nada contribuem para o despesismo imparável mas que eleitoralmente são menos ‘problemáticos’. Um deles é a defesa. Por muito que admire Merkel e Cameron, a decisão de reduzir dramaticamente o orçamento da defesa é uma medida de puro eleitoralismo. A Europa já está em termos mundiais abaixo da média de gastos em defesa e os novos cortes revelam desprezo por um sector que é estratégico para a soberania e continuidade do Estado. O termo ‘estratégico’ deveria ser apreendido pelos políticos como exigência de coerência e planeamento de longo prazo e não como sacrificável a curto prazo.

Gastos relacionados com o sector da Defesa são um investimento nacional. A diplomacia Portuguesa foi crucial para a independência de Timor-Leste mas se a marinha e o exército para lá não tivessem sido mobilizados será que Portugal teria a presença económica que tem actualmente? Provavelmente não.

 

 

O que Portugal precisa

 

 

Se houver uma crise na Guiné-Bissau e Portugal não puder enviar uma fragata como aconteceu nos anos 90, será que a UE concorda em deixar a Portugal a organização das cimeiras UE-África?

 

Portugal precisa de mais investimento em Defesa. Precisamos de um terceiro submarino de modo a preservarmos a nossa dissuasão militar – se não tivermos um submarino em permanente actividade, esta praticamente não existe – precisamos de uma fragata adicional para garantir a permanência de duas em alto mar em simultâneo – relembro que temos a 11ª maior ZEE do mundo – e precisamos de um navio multi-funções para podermos intervir com meios logísticos em caso de catástrofes naturais ou situações de emergência nas nossas áreas de interesse nacional.

Escrevo sobre esta matéria porque já conheço o nosso PM assim como o nosso Ministro da Defesa. O primeiro sempre se apressa a repetir as tácticas políticas de outros países, o segundo deve ao primeiro o seu cargo.

 

Já aqui tive a oportunidade de expressar o meu cepticismo – para usar um eufemismo – nesta equipa. Resta-me apelar à razão para que numa altura crítica o governo – e a oposição… – não cedam a pressões eleitoralistas e compreendam que tal como demora uma década a adquirir um vaso de guerra, também demora uma década penar sem um.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 00:26
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Domingo, 15 de Novembro de 2009
Os Cães Ladram e a Caravana Passa

                

            O autor deste post já previamente fez uma declaração de interesse em relação ao novo Ministro da Defesa (MdD), para condenar a escolha de uma personalidade que nada de positivo tem a trazer a um sector difícil e debilitado.

 

                Recentemente, chegou ao conhecimento público o desentendimento entre o Estado Helénico e o Grupo TKMS, que estava encarregue da construção de quatro vasos de guerra submersíveis de ataque, diesel.

 

 

                Gostaria o autor de questionar o já referido Ministro, para saber se o Estado Português tem a intenção de aproveitar a oportunidade, para adquirir – ou pelo menos licitar – um terceiro submarino, para a Armada Portuguesa - já que o construtor terá interesse em vendê-los a preço reduzido.

 

 

                Para aqueles que não estejam cientes, um terceiro submarino seria importante pois são necessários três exemplares do mesmo tipo de vaso de guerra, para manter um em acção permanentemente, de acordo com a actual doutrina operacional – daí que a anterior dotação de submarinos da Armada numerasse três. Acrescente-se ainda que os submarinos Gregos são da mesma classe dos dois que Portugal encomendou à mesma firma Germânica.

 

 

                Claro que a julgar pelas primeiras declarações do novo Ministro, as intrigas políticas que envolvem o governo, parecem ter precedência sobre as suas próprias responsabilidades num Ministério com o qual estava à partida, tão bem familiarizado…

 

 

                Assim, não será fatalista mas sim realista, manter as expectativas baixas, pois a este passo o país ficará mesmo a ver navios…

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 23:37
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
NÃO!

 

 

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa não é um Príncipe Perfeito.

 

 

Sim, a sua comuncação com o povo é astuta, e algumas das suas medidas políticas até tiveram o seu quê de coragem e inteligência.

 

No entanto, um governo e o seu líder não respondem por algumas medidas mas pelo seu todo. Se Pombal apenas respondesse pela perseguição aos Távoras, ele hoje seria um monstro. Se ele apenas respondesse pela determinação pós terramoto, ele seria um herói. Daí que a avaliação de um governo exija equilíbrio. O 1º governo Sócrates foi, nesta avaliação, medíocre.

 

Muitas das reformas que prometeu não foram concretizadas e outras foram mal concretizadas (de que serve a imposição de uma avaliação aos professores se esta não é minimamente meritocrática?...). Isto já para nem falar das condições históricas de que este governo usufruiu para concretizar reformas.

 

É também falacioso falar de choques tecnológicos e energias renováveis quando tudo é feito à custa do endividamento público. Igualmente, a reforma da segurança social, como o endividamento, é apenas empurrar os problemas estruturais do país para a geração vindoura – com a agravante dos juros.

 

Neste novo governo, vemos porque Sócrates não é um bom príncipe. A escolha de Augusto Santos Silva para a pasta da defesa seria cómica se não fosse gritantemente irresponsável.

Um líder tem o direito de ser duro, exigente até mesmo cruel mas nunca displicente com o supremo interesse nacional. Atribuir a pasta da defesa, um ministério estratégico do estado, a uma pessoa sem experiência, sem qualificações e sem sentido de estado, é uma vergonha e é também revelador da partidarização do regime.

 

Aquilo que Sócrates não compreende é que o Estado vem antes do regime, e que só depois deste último é que vêm os partidos. O PM por outro lado, trata o governo como um feudo. Augusto Santos Silva é um primo da mesma linhagem aristocrática do PM, que foi desagradável para com a linhagem rival, quando o Duque Sócrates não podia ser. Agora, o primo Santos Silva é recompensado com um feudo próprio pois os seus serviços não podem ser desaproveitados. Pouco interessa se o agora conde Santos Silva tem competência de gestão do condado que lhe foi atribuído.

 

Augusto Santos Silva não é uma pessoa de diálogo e o facciosismo que transpira certamente impedirá que procure consensos em matérias sensíveis como a política de defesa ou mesmo a política externa, aonde o Ministério da Defesa também é importante.

 

Daí que, sem vincular o colectivo do blog, os signatários deste post repudiam esta nomeação, considerando que Augusto Santos Silva não tem as características políticas ou humanas, para dirigir as Forças Armadas Portuguesas.

 

 

Abaixo links para as iniciativas encetadas neste sentido:

 

Petição         http://www.peticao.com.pt/demissao-santos-silva

Causa FB    http://apps.facebook.com/causes/381482/2143486?m=7f359208

 

 

por Miguel Nunes Silva, Guilherme Diaz-Bérrio, Rui Cepeda e Paulo Colaço.

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 10:12
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