Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011
Estes gregos estão doidos... (2)

Os rumores não são novos mas agora são acrescidos desta notícia:

 

O PM Grego decidiu substituir as chefias militares.

 

Mas já no início do ano circulavam rumores de golpe militar na Grécia.

 

 

 

Pode ser que tudo isto não passe de especulação mediática mas se a Grécia não está a seguir o caminho da Argentina, vou ali e já venho.

 

Pode ser que a UE e o artigo 7º do Tratado da UE consigam travar tais instintos autoritários mas o facto de eles lá estarem já diz muito sobre toda esta história...

 

 

(Papandreou = Nappadeuro)


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uma psicose de Miguel Nunes Silva às 21:10
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
"A questão Alemã"

 

 

Muito se tem dito sobre a obrigação moral da Alemanha pagar a crise, e respectivos bailouts, sem protestar. Recentemente, decidiu juntar-se mais um argumento: a Alemanha benificiou com o Euro, foram os juros baixos que pagaram a reunificação, esses mesmos juros que colocaram os paises periféricos na falência, logo eles devem pagar a crise. In a nutshell, a culpa dos nossos males é deles, e da reunificação deles.

 

A minha primeira reacção, instintiva, quando leio este tipo de argumentos oscila entre clamar "barbaridade" e mandar as pessoas que professam tais barbaridades ler um livro ou dois de história. A segunda reacção é a que se segue: se as pessoas não vão aos livros de História, e se ficam por demagogia germanofóbica, venho eu trazer o livro às pessoas.

 

Antes de mais, temos de enderessar duas questões. A primeira é da que, todos lucraram com o Euro. Sem excepção. Se se pode dizer que o Euro potenciou exportações alemãs para o resto da Europa, também é verdade que o resto da Europa, em especial o Club Med (Portugal, Espanha, Grécia, neste caso) ganharam um enorme almoço gratis. Com o Euro deixaram de se financiar a 15 por ano ano, para se financiarem a uma confortavel taxa "germanica" de 3 a 4 por cento. E isto apenas foi possível porque, quando o euro foi criado, todos os financiadores julgaram que haveria uma garantia implicita alemã. Se estes meninos não pagassem a conta, a Mãe Germanica pagaria. Isto para dizer que o argumento, "eles têm de salvar o Euro porque foram os mais benificiados com ele" está gasto e errado. Eles já exportavam. Quem ganhou um Boom (que foi gerido de forma desastrosa por estes países) foi o Club Med.

 

A segunda questão a enderessar é a de que a Alemanha é, sempre foi, e continuará a ser no horizonte previsivel, o maior contribuinte liquido para a UE. Já aqui escrevi sobre isso: nos últimos 60 anos, fruto da "divída moral" por causa de Segunda Guerra Mundial, os Alemães não só pagaram a União como raramente protestaram (ao contrário dos segundos contribuintes liquidos, o Reino Unido, que tanto protestou que ganhou o "Cheque Inglês", durante o tempo da Senhora Tatcher, ou a França que é o maior recepiente liquido da Politica Agricola Comum). 

 

Agora o argumento que considero profundamente errado (retirado da caixa de comentários do Psico): 

saiu-lhes do pêlo? claro que sim. às custas da manutenção artificial de uma taxa de juro baixa que foi a desgraça para os pigs como se viu. para beneficiar um sofreram outros com o seu mau comportamento.

 

(...)

 

Mas lembro-me que a Alemanha queria impor, e bem, instituições sólidas europeias mas as suas estavam a falhar e teve que sobreviver financiando o leste com dívida pública a taxas mais baixas neste momento em que já não captava investimento.

 

(...)

 

Ora mesmo em cima do acontecimento a Alemanha através da célebre ditadura do marco, manteve taxas altas que de facto atraiam capital muito necessário para a dura reunificação.

 

Vamos lá aqui esclarecer uma coisa: a reunificação alemã custou, liquido, 1.3 mil milhões de euros ao Estado Alemão. Não estou a falar de "capital", ou "investimento", ou de "taxas de juro". Estou a falar aos cofres do Estado Alemão, ao contribuinte alemão, seja sob a forma de impostos, contribuições para a segurança social ou dívida pública. Estamos a falar de 40 por cento da sua economia, num esforço que durou de 1990 a 2005. 

 

Inicialmente o plano era financiar tudo com Dívida Pública Alemã, mas em 1992 o Bundensbank (o Banco Central Alemão, e o mais ortodoxo e duro do mundo desenvolvido) começou a protestar. É preciso ter em conta o contexto: Weimar deixou uma Memória Institucional muito dura nas autoridades monetárias alemãs. Eles são "inflacionófobicos". O Bundensbank fez duas exigências, que o Governo Federal seguiu: financiar a reunificação com impostos, e que ia aumentar as taxas de juro para conter a inflação. Apenas metade do valor exigido pela renificação veio pela emissão de dívida pública. O remanescente veio de uma politica orçamental extremamente austera: aumentos de impostos, redução da idade da reforma, aumento das contribuições, redução da despesa. O povo alemão mordeu a bala fiscal para se reunificar.

 

O papel do Marco Alemão não é o que se pinta. O Marco Alemão não era forma de financiamento. O Marco Alemão era a moeda mais estavel e menos inflacionária da OCDE. Facto do qual não só o Bundensbank se orgulhava, como se recusava a abdicar um milimetro que fosse. Quando foi criado, em 1979, o European Rate Mechanism (ERM), ele foi criado com um objectivo: preparar uma potêncial moeda única, reduzir a inflação e aumentar a estabilidade de alguns países (estamos em pleno choque petrolifero). O ERM foi na pratica ligar as moedas ao Marco, não para financiar a reunificação (estão a reparar nas datas?), mas sim porque o Marco era a moeda mais estavel e com a taxa de inflação mais baixa. 

 

A Alemanha não sobe as taxas de juro para atrair Capital (eles são ricos em Capital e tinha divisas e já na altura um excedente da Balança Comercial), mas sim para colocar um travão à inflação fruto da reunificação. (O Reino Unido sofre, no processo, porque em vez de reavaliar a moeda, no ERM, decide insistir na paridade, em 1992, até que quebrou sob o ataque de Soros. Um erro comum do Reino Unido: moedas fortes de mais.)

 

Não só isso, como, o Marco é sacrificado para garantir a reunificação. Para os mais desmemoreados, França e o Reino Únido são contra a reunificação. É segredo aberto que Miterrand tenta bloquear, e pede a Gorbatchev que a vete. Kohl só garante o apoio quando se compremete a uma União Monetária, sacrificando o DM.

 

Argumentar que foi depois o Euro, e a política de baixos juros do BCE, que ajudou a Alemanha é não ter em atenção o ciclo de taxas de juro. As taxas, há entrada do Euro, eram de 2%. E de 1999 a 2001 elas estão a subir. É apenas em 2001 que elas descem. Não para ajudar a Alemanha mas sim porque dois aviões bateram em duas torres e o mundo entrou em panico, aka, o 11 de Setembro. Depois, de 2003 a 2008, o BCE está, constantemente a subir taxas, de 1% para 3.25%. Se isto é uma política de descer os juros para ajudar a Alemanha, peço desculpa a expressão, mas eu "vou ali e já venho". 

 

O problema do Euro foi que não se contava com um pequeno pormenor: que os países do Sul actuassem como crianças. Quem se lembra do na altura governador do Banco de Portugal - Vitor Constancio - a dizer que "a dívida não era problema, Portugal era agora comparavel à Florida, endividem-se à vontade" (citação livre)? Aqui reside a responsabilidade, não na mitica (e não existente) política de juros baixos para financiar a reunificação alemã.

 

E aqui reside o problema intelectual dos alemães. Para eles o problema não é pagar ou ajudar. A última sondagem do Der Spiegel mostra mesmo isso. O problema deles, que lhes causa alguma perplexidade, é por um lado estarem a ver que estão a atirar dinheiro para um buraco negro, e em segundo lugar verem que os povos do Sul não estão dispostos a sacrificios para sairem da crise, e preferem culpar a Alemanha. Um povo que passou 15 anos a comer balas de impostos, moderação salarial, trabalhar mais, menos segurança social e de recessões sucessivas para se reunificar não entende esta postura.

 

Eu confesso que também não entendo, e partilho do pensamento Alemão.

 

Não é legitimo, politica ou financeiramente, continuar a lançar argumentos como este e outros (apelando à memória da Segunda Guerra Mundial) para forçar os Alemães a pagar. Não há discussão produtiva, ou negociação, que vá a bom porto assim.  



uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 12:22
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