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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

O que faz falta é acreditar a malta

Rui Pinto Reis, 06.02.20

Vivemos num país de fascistas de algibeira e teóricos de esquerda. Continuamos agarrados ao arquétipo que nos passaram e professamos as ideologias que, na teoria, nos parecem mais bonitas. O problema do país é estrutural. Falta coluna, falta conhecimento e, sobretudo, falta coragem.

Em Portugal a democracia é vazia, os partidos são hipócritas. Apregoam mensagens, vendem o que não têm e prometem cumprir o que não querem alcançar. A clivagem entre a esquerda e a direita é antiga. Desactualizada, até. Nos dias que correm, ninguém quer viver sem Estado Social, nem há uma alma que possa olhar para a Venezuela e dizer que o socialismo é que é o caminho. Neste admirável mundo novo, a esquerda usa iPhones que custam mais de dois ordenados mínimos e a direita reclama pela falta de investimento público.

Os tempos mudaram, as mensagens não. A política não se actualizou à velocidade dos tempos e os políticos ainda não entenderam que, aquilo que a era moderna nos roubou foi o direito ao esquecimento. As hipocrisias outrora esquecidas, agora ficam para sempre inertes no ciber-espaço e só aguardam que alguém as vá lá desinquietar.

Estes espectros, vultos do passado, não assombram só o presente de alguns. Assustam a população e afectam a democracia. Prova disso é a abstenção. Ao contrário do que se diz, as pessoas não deixam de votar por desinteresse. A não comparência dos votantes aos actos eleitorais é por descrença na política. Sobretudo, pelos actores que tem apresentado. A tradicional direita, sofre mais, porque a esquerda é mais barulhenta e sabe seduzir os jovens, faz acreditar os inocentes e aproveita esses votos para ir respirando.

Não somos um país de esquerda. As sucessivas vitórias dos partidos que a representam, não passam de derrotas do outro lado por falta de comparência. À direita falta garra e afirmação, falta pujança e coragem, falta, sobretudo, saber construir uma mensagem sólida para o seu eleitorado.

Vivemos no imediatismo do like, a comunicação política deixou de ser coesa e informada. Os políticos não percebem a falta de match que têm com o eleitor e acham que é por a direita estar velha e gorda. Não é! A direita partidária tornou-se uma influencer vegan que não dispensa um bom bife. Quem vota sabe. O povo é sereno, mas não é burro.

Já do lado do eleitorado, esta dificuldade dos partidos em "sair do armário", repercute-se numa direita, outrora homem vigoroso e hoje beata, menina de colégio, que faz gossips mas nunca dá a cara. É uma maioria silenciosa que prefere arcar com a lividez da submissão a viver com o rubor da luta e da afirmação.

O que a direita precisa não é de se refundar nem de renascer, não é de se encontrar nem achar novas bandeiras. O que a direita precisa é de soltar amarras e quebrar tabus linguísticos. 

Precisa de um líder, formado na sociedade civil, com carreira e provas dadas que diga o que todos pensamos, sem medo que lhe chamem seja o que for, porque quem está do lado da verdade nunca poderá ter medo. 

Até que este lider nato, a quem as pessoas reconheçam defeitos e virtudes apareça, questionem-se: iam a um nutricionista gordo?

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