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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Mérito Aonde Ele é Devido

Miguel Nunes Silva, 07.06.11

Luís Amado é infelizmente um dos rostos dos governos Sócrates. Um dos ministros mais populares, um dos poucos resistentes às remodelações e um dos que desempenhou bem o seu cargo, mas um ministro Sócrates.

Não se pode dizer que Luís Amado foi um Ministro da Defesa ou um Ministro dos Negócios Estrangeiros extraordinário mas certamente que esteve à altura do cargo.

 

Aquilo que mais o distingue dos seus vários colegas no Conselho de Ministros foi a sua recusa em deixar-se levar pela deriva populista de Sócrates e restantes correligionários. Este seu sentido de Estado revelou-se quando decidiu avançar com o dossier dos submarinos por exemplo. Ainda que a táctica de usar as práticas obscuras do processo de aquisição como contra-peso retórico contra a direita tenha sido eleitoralista – quer tenha sido ideia de Sócrates ou Amado – a verdade é que resultou em prol do país.

 

Amado, não seguindo o exemplo do seu superior hierárquico, teve a coragem para enfrentar crises e polémicas sem recorrer à mentira ou à demagogia. Assim procedeu no caso dos voos da CIA e mais recentemente aquando do início da dita ‘primavera Árabe’ – quando sozinho apareceu diante das câmaras para defender uma posição de cautela e anti-voluntarista Europeia para com os levantamentos no mundo Árabe.

Referir as cimeiras UE-África, UE-Brasil, Tratado de Lisboa, Cimeira da NATO ou eleição para o Conselho de Segurança como mérito seu seria ir longe demais. Como MNE, estes eventos foram circunstanciais. E não nos podemos esquecer que os MNEs são geralmente personalidades populares devido à sua imunidade natural a controvérsias e politiquices nacionais.

 

Há ainda um outro aspecto a referir: a sua independência do PM Sócrates que o levou a fazer declarações contraditórias com a linha oficial e fraudulenta da máquina de propaganda Socialista.

 

Amado seria excelente se tivesse implementado uma doutrina operacional e estratégica, tanto para a Defesa como para os Negócios Estrangeiros. Cabe respectivamente às chefias militares e aos diplomatas obedecer a ordens, cabe aos políticos justificá-las no longo prazo. Ora ainda que Amado não tenha cometido um qualquer erro gravoso, a verdade é que a prossecução da diplomacia económica de Portugal foi feita por todas as embaixadas, sem grandes critérios ou prioridades visíveis. A verdade é que a mesma falta de prioridades garantiu aquisições desnecessárias de equipamento para o Exército. Mas nestes pontos, Amado não foge à regra de todos os demais MNEs e MdDs.

 

Apesar de tudo, seria sensato que um novo governo inclusivo e de união nacional ponderasse seriamente manter Amado no governo. Seria um gesto magnânimo em relação a uma esquerda debilitada e condenada a longos anos de oposição e revelaria o sentido de Estado de alguém que aprecia a continuidade daqueles que puseram o interesse nacional acima de tudo. Se não como MNE por ser um cargo de demasiado valor político, porque não novamente na Defesa?

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