Quarta-feira, 9 de Março de 2011
"A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor"

 

... já escrevia a pena do Padre António Vieira.

 

A tomada de posse de um Presidente da República é um momento de especial solenidade. A cerimónia está programada ao minuto e há regras de protocolo fundamentais. Alguns dirão que é uma questão de forma, mas a forma e o simbolismo têm o seu valor, especialmente em política. Mesmo que as atitudes não representem qualquer mensagem política, não deixam de demonstrar o nível de consideração que os intervenientes sustentam entre si.

 

Hoje, lamentavelmente, assistimos a uma profunda falta de respeito e consideração pelo Presidente da República. Mário Soares, convidado, não se dignou cumprimentar o Presidente, numa omissão bem representativa de antigos rancores e ressentimentos. Os deputados do Bloco de Esquerda adoptaram a mesma postura, sendo o único grupo parlamentar ausente, numa demonstração clara do respeito que cultivam pelas instituições e pelas escolhas democráticas do povo. A estes juntaram-se muitos deputados do Partido Socialista, num gesto que apenas lhes fica mal, face ao discurso da "cooperação institucional" que tanto gostam de cultivar.

 

No meio de tudo isto, mais uma vez surge José Sócrates como protagonista. Começou por sorrir (apenas uma vez) durante o discurso, logo no momento em que Cavaco Silva se referiu à juventude. Revelador, não? Mas o mais flagrante foi o total desprezo pela sessão de cumprimentos, a que chegou atrasado por ter estado a falar aos jornalistas.

 

Tudo isto vale o que vale: pouco. Cavaco Silva tomou posse e fez um discurso memorável, centrado na realidade substantiva do país e assumindo, desde já, a magistratura activa com que se comprometeu. Com elevação. Com educação. Isso, de facto, é o mais importante.



uma psicose de André S. Machado às 21:30
editado por Psico-Administrador em 11/12/2015 às 17:32
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33 comentários:
De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 09:28
Diplomacia e protocolo, em muitos casos não passa de pura hipocrisia.É preferível duas pessoas que se detestam não se cumprimentarem que darem um "bacalhau mal cheiroso".
Alguém se lembra da tomada de posse de Mário Soares no seu primeiro mandato? Eu lembro para quem não sabe! Soares e Eanes não se entendiam muito bem. Na tomada de posse de Soares, Eanes abandonou S. Bento sem cumprimentar Soares. Algum mal veio ao mundo por isso?
Quanto ao discurso de Cavaco, podem arranjar adjectivos os adjectivos que quiserem. Para mim , um só! Retórica!

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De Essi Silva a 10 de Março de 2011 às 10:27
Pois, mas ao que parece falta de Educação é patente registada dos socialistas. Também Carrilho virou costas quando Carmona o quis cumprimentar nas Autárquicas.
Quanto a Eanes, foi tão mau como Soares. Se outros não o censurarem, censuro eu.
Mas de facto, tem mais razão Cavaco para não dirigir palavra a Soares, que o contrário.

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De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 09:34
Ah! esqueci-me de um aparte sobre boa educação. O comportamento rasca da geração dos deolindos que fizeram uma excelente representação do que é boa educação!


De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 10:27
Com muita amizade e viva a hipocrisia. O respeitinho é muito bonito.

http://fotos.sapo.pt/claudiodscarvalho/fotos/?uid=goLr0aq9624TaEajNRza

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De Essi Silva a 10 de Março de 2011 às 10:33
Ai é? Então porque é que o Governo português não recebeu o Dalai Lama?
Pois...
Um PR normal não teria felicitado o presidente tunisino?! Claro que sim. Até porque diplomaticamente temos relações com os países do Magreb.

E já agora, acha que a postura deveria ser diferente com a eleição do Eduardo dos Santos???

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De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 11:14
Um jovem diplomata, em diálogo com um colega mais velho, revelava o seu inconformismo. A situação económica do país era complexa, os índices nacionais de crescimento e bem-estar, se bem que em progressão, revelavam uma distância, ainda significativa, face aos dos nossos parceiros. Olhando retrospectivamente, tudo parecia indicar que uma qualquer "sina" nos condenava a esta permanente "décalage". E, contudo, olhando para o nosso passado, Portugal "partira" bem:

- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental.

O embaixador sorriu, benévolo e sábio, ao responder ao seu jovem colaborador:
- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.

- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?

- Nós descendemos dos que ficaram por aqui...

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De Essi Silva a 10 de Março de 2011 às 13:53
Caro David,
Antes de mais, até percebo a sua simpatia com Soares.
Quando foi altura de dar o corpo pelo país, fugiu.
Se os maus são os que ficaram, então quem tomava conta da nossa terra?
Os espanhóis???
E os reis que não foram na aventura mas a dirigiram? São menos respeitáveis?

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De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 12:58
A razão do meu link é servir de contraponto para aqueles que criticam o governo português pelas relações que Portugal tem com ditaduras como a da Líbia e da Venezuela quando essas relações são do interesse nacional. Comércio/negócios.

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De Essi Silva a 10 de Março de 2011 às 13:20
Mas estar a dar felicitações é bem diferente de se ser amigo de um ditador. Tremendamente diferente.

Eu também critiquei a posição do nosso Governo à altura em relação ao Iraque. Mas enfim.

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De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 18:28
"Antes de mais, até percebo a sua simpatia com Soares"

Entre Soares e Cavaco, prefiro o primeiro.


De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 18:30
Se alguém lutou pela democracia em Portugal antes do 25 de Abril foi Soares. Cavaco estava acomodado e a ficha dele na PIDE assim o atesta.

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De Essi Silva a 10 de Março de 2011 às 19:19
Eu não falei do 25 de Abril. Falei de coragem e de patriotismo.
E claro que Soares lutou pelo 25 de Abril. Echeu-lhe bem os bolsos...
Riquinho que até fugiu à guerra.
Agora vai-me dizer que ter uma ficha limpa da PIDE é mau?!
Credo!!!
Olhe, eu acho que está um pouco enganado com a realidade, porque os ricos, são os socialistas. Ex: Soares, Alegre, Sampaio. É irónico como aqueles que nunca tiveram de trabalhar verdadeiramente na vida, são aqueles que mais defendem os trabalhadores e a classe social. Tem piada, pois tem.

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De David Soeiro a 10 de Março de 2011 às 19:53
"Antes de mais, até percebo a sua simpatia com Soares.
Quando foi altura de dar o corpo pelo país, fugiu."

Como foi que disse?????

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De Essi Silva a 10 de Março de 2011 às 21:18
Soares esteve preso 12 vezes até ser exilado.
Fala duma guerra colonial onde nunca foi combatente (salvo erro, mas estou certa que se estiver de facto em erro, me corrigirá com provas)....

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De David Soeiro a 11 de Março de 2011 às 08:55
Quando a guerra colonial se iniciou em 1961, Mário Soares estava perto do 40 anos. Nessa ocasião ele já era quase um velho para ser alistado e aos quarenta anos estava dispensado de cumprir o serviço militar.Primeiro era mobilizada a carne fresca (os jovens) para o canhão e só por ultimo as velhas carcaças se tal fosse necessário. Com tanto jovem que havia naquela altura, ( a média era de mais de cinco filhos por casal, pelo menos nos meios rurais de onde sou originário. Para sua informação, os meus pais tiveram onze filhos e na minha aldeia não era a família mais numerosa, e os abonos de família ou eram pequenos ou então as famílias não tinham direito a recebe-los) não havia problemas em recrutar militares. Eu fui alistado para o serviço militar em 1972 e ainda fui a Angola. Onze anos depois, e não havia falta de jovens para abastecer os contingentes. Os que eram mais velhos, na maior parte dos casos, eram licenciados que adiaram o serviço militar para terminarem a sua licenciatura.
Voltando à vaca fria: Mário Soares dificilmente seria mobilizado. Só em casos muito extremos é que o seria. Espero tê-la esclarecido acerca de alguma eventual dúvida.


De Essi Silva a 11 de Março de 2011 às 11:19
Então vamos por partes.
Soares era velho demais para a guerra em África, mas também não foi à Índia. Porquê?
Ah, atrasou a recruta para se licenciar? Pooois, olhe, eu venho de outro país em que os miúdos fazem o contrário. Atrasam a licenciatura por causa da recruta. Chama-se a isso patriotismo. Coisa que muitos dos milicianos que conheço têm, porque reconhecem que a guerra foi dura mas não se arrependem de a terem vivido.
Imagine o que seria para os britânicos, fazerem revoluções de cada vez que foram morrer como tordos para a guerra... E eles até foram muito mais vezes que nós.
Mas olhe, o Estado Novo foi mau, a guerra colonial foi um buraco negro mas pelo menos o Sr. esteve a defender território português. Não é bem o caso da Primeira República, em que censuravam o Rei, mas os governantes ganhavam por cada cabeça que mandavam para o gás e para as trincheiras! Como se fossemos gado.
Mas isso não era mau pois não?
E se me vem dizer que devíamos ter largado logo as colónias, eu pergunto porque é que há tantos angolanos, moçambicanos, guineenses, etc. a procurarem uma segunda oportunidade no país colonialista.


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