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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Este Bloco não faz falta!

Rui C Pinto, 14.02.11

 

Moção de censura ou frete político? Será a atitude política mais atabalhoada da história do Bloco de Esquerda? Ou é o melhor dos males?

 

 

Louçã agendou uma moção de censura ao governo depois de desafiar o Primeiro-Ministro a apresentar uma de confiança. O que quer isto dizer? Ou Sócrates apresenta uma moção de confiança por forma a legitimar o seu governo, ou o Bloco de Esquerda apresenta uma moção de censura para fazer o mesmo? Só assim se explica que o Bloco apresente uma moção contra o PCP. Se a esquerda quisesse efectivamente derrubar o governo, teria de consertar uma posição comum, por forma a pressionar a direita ao seu timing político. Louçã sabe que o momento não é oportuno ao PSD e pretende, pura e simplesmente, reclamar a si a contestação ao governo após uma campanha eleitoral que colou demasiado os dirigentes bloquistas ao Partido Socialista.

 

Esta moção é, portanto, um grito de independência do Bloco de Esquerda em relação ao Partido Socialista, e pouco tem que ver com a situação do país. O Bloco de Esquerda mostra, mais uma vez, a linha de construção da sua identidade, que é feita por oposição ao Partido Socialista e que é geradora de instabilidade política na governação do país, na medida em que a sua expressão eleitoral se traduz numa força de contestação e de bloqueio no Parlamento. Ter 10% de votos convertidos numa força de instabilidade é catastrófico para o país. Se a estes 10% somarmos os 7-8% do PCP, chegamos a um número insuportável.

 

É urgente que ocorra uma mudança de liderança e de mentalidade no Bloco de Esquerda, sob pena da ingovernabilidade do país. Se ocorrerem eleições este ano em Portugal, em que a direita não consiga reunir uma maioria absoluta, Portugal perderá mais uma década de estabilidade política e desenvolvimento económico. Isto é mais do que o suficiente para se refletir sobre uma reforma eleitoral que altere o número de deputados e a sua fórmula de distribuição, por forma a promover maiorias parlamentares (não que as maiorias sejam necessárias para a governabilidade de um país, não o são noutros países, mas o Bloco de Esquerda e o PCP já deram provas de que não são parte da solução governativa e da estabilidade política do país. O país não se pode dar ao luxo de ter mais de 15% de representantes numa cacofonia de protesto no Parlamento).

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