Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
World Press Photo 2010

 

Esta fotografia de Jodi Beiber, repórter sul-africano, fez a capa da Time em Agosto de 2010. Retrata Bibi Aisha, afegã de 18 anos, vítima de uma mutilação protagonizada pelo marido que não tolerou o regresso da mulher para junto da família, em fuga dos seus maus tratos.

 

A mim, o que esta foto me diz é que ainda há muito para fazer no que à defesa dos direitos humanos diz respeito. Diz-me que precisamos, de quando em vez, de nos lembrar destas pessoas que, por todo o mundo, são feridas na sua dignidade e concentrar um pouco das nossas atenções nestas realidades. Diz-me que a comunidade internacional está focada, e bem, na recuperação das economias e no combate à crise, mas que há um mundo para além dos números e dos euros / dólares: há um mundo em que os valores civilizacionais mais básicos são esmagados pela intolerância, pelo fundamentalismo, pela violência.



uma psicose de André S. Machado às 11:55
editado por Psico-Administrador em 11/12/2015 às 17:37
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11 comentários:
De jfd a 11 de Fevereiro de 2011 às 14:01
E que sugeres que seja feito André?


De Bruno Ribeiro a 11 de Fevereiro de 2011 às 16:24
Jorge, isso é pergunta pa um milhão de dólares ;)


De Inês Tavares a 11 de Fevereiro de 2011 às 17:27
Quando se pensa que o Afeganistão já foi povoado por Mazda Iasnis e por Budistas e agora tem a charia, em que os homens compram a mulher( e a propriedade não pode ausentar-se...), é de fugir .

Mais uma prova que o iluminismo estava bem errado quando dizia que a humanidade estava em progresso contínuo.

Notícia: o islão não está tão seguro: há povos iranianos, que querem volltar ao mazdeismo -curdos, persas e até afegãos.


De António Miranda a 11 de Fevereiro de 2011 às 19:58
Este é um dos melhores posts que já vi neste blog. Parabéns.

Fazem falta mais momentos de reflexão como este, e a questão aqui levantada tem toda a legitimidade, o que não se consegue perceber é a falta de comentários, o que certamente levaria a uma discussão interesante.

Mas para começar aqui vai:

- É claro que os valores civilizacionais não têm fronteiras, religiões ou ideologias politicas. Quem pensa que o atraso de alguns países se deve a estas razões está enganado. Foi aqui referido o iluminismo, que vai buscar o racionalismo grego e faz dele a sua bandeira. claro que foi logo destruido pelo romantismo, uma vez que já na época não fazia sentido nenhum falar de racionalidade sem falar de emotividade humana. Podemos também ver que dependendo dos regimes e dos déspotas que os lideram, que existe uma constante troca de valores, subversão de alguns e aparecimento de outros, mas de qualquer forma podemos agradecer aos iluministas um dos maiores feitos da humanidade, algo que nós chamamos de "declaração universal dos direitos humanos", que começou justamente com o que eles chamaram "declaração dos direitos do homem e do cidadão".

Podemos também referir que já antes do racionalismo grego, antes da republica e dos valores judaico-critãos em quais toda a nossa sociedade ocidental se baseia existiam sociedades para as quais era normal o que nós hoje chamamos de liberdade individual, uma mistura entre racionalismo e a emotividade natural do ser humano. Se aqui juntarmos o contributo fundamental de Freud, no dominio do inconsciente e a sua importancia para o ser humano, vemos que eles não eram tão diferentes na forma de pensar, comparados connosco.

Portanto o que aqui se pode concluir é que as sociedades são o produto da sua educação, mais as rupturas fundamentais que se vão operando ao longo do tempo.
Logo, temos que condenar veemente todos e quaisquer abusos ao ser humano por parte das organizações ou estados.

Voltando ao post, parace-me que esta situação se mantém devido ao dinheiro. tudo gira em volta do dinheiro. Por mais sansões que a Europa ou os Estados Unidos apliquem aos países desrespeitadores, estas serão sempre influenciadas pelos pareceres económicos em cima da mesa, logo nunca nenhuma será verdadeiramente direccionada para solucionar os problemas.

Nós (cidadãos comuns) no mundo acidental somos os que temos verdadeiramente o poder em relação a esta situações, mas permanecemos calados porque enquanto não nos faltarem os bens básicos (e até os luxos e exageros) que todos os dias desperdiçamos, não pensamos sequer o que isso poderá custar ás pessoas dos países em que eles são produzidos.

Esta é uma batalha dificil, apartidária, direccionada para um objectivo maior, mas que continuamente nos recusamos a travar.


De IT a 11 de Fevereiro de 2011 às 21:23
Lamento que pense que a declaração dos direitos do homem seja de 'invenção' iluminista, ou que a Grécia antiga seja o início da civilização.

Deixo 2 links de vídeos (o 2º é em parsi) para não ser chata e mandar ler a enciclopédia iraniana, ou pior ou Zend Avesta -o persa antigo é difícil mesmo para os persas actuais; ou um interessante romance histórico feito a partir das tradições avestânicas (pode procurar e comprar on line «The Saga of the Aryans»)

É verdade que nós na Europa deixamos de ter contacto com a civilização iraniana através dos programas escolares

http://www.youtube.com/watch?v=I6z8Ri3f7B8&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=AtetliSd3Xo&feature=related

É um mundo muito interessante que estou a redescobrir.


De Anónimo a 11 de Fevereiro de 2011 às 21:25
Esqueci-me: era bom que Portugal fosse governado de acordo com os princípios de Ciro. Certo?

Muito diferente da ética/praxis republicana socilista e laica


De Anónimo a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:00
A declaração dos Direitos dos homens e dos cidadãos foi o resultado do processo revolucionário que aconteceu em França em finais de 1700. Esta resolução teve por base as ideias da revolução Americana, mais os principios socráticos que os iluministas defendiam (claro que tudo isto se deve ao desenvolvimento das variadas ciencias, e por isso ao aperecimento de muitas respostas para perguntas seculares).
Esta revolução foi uma revolução burguesa, direccionada para o liberalismo e abrangendo so uma pequena parte da população, mas ninguém pode dizer que não teve um papel decisivo em toda a Europa e até no mundo, uma vez mostrou ás populações, nomeadamente aos burgueses, que se podiam libertar do absolutirmo régio e poderiam desenvolver os seus negócios com muito maior liberdade e sem pagar as taxas absurdas a que até a data estavam sujeitos.
Claro que a revolução Francesa descambou em despotismo e ditadura, com o aparecimento de Napoleão, mas o impacto que as ideias da revolução Francesa trouxeram ao mundo foi enorme.

Mas esta nem é uma discussão para aqui, era só para contextualizar.

A reflexão que temos que fazer é se queremos, ou poderemos continuar a viver acima dos nossas possibilidades, e não estou a falar de endividadamento, mas sim do abuso, da usurpação e do roubo que estamos a infligir aos países mais pobres do mundo para que continuemos a viver a nossa vida como a conhecemos.
O fosso entre países ricos e países pobres está a aumentar, muito embora a maior parte das reservas de matérias primas se encontrem nestes países.
Continuamos a apoiar governos nesses países que correspondem ás nossas necessidades económicas, com um total desrespeito pelas pessoas dos proprios países.
Acho que não posso , e agora a titulo pessoal, condenar os nossos lideres neste sentido, visto que sofrem a mesma pressão que os outros países desenvolvidos, e portanto, temos que concorrer com eles.

A fórmula mágica que tem que se discutir é a que nos permita desenvolver os países mais pobres, para podermos ter um mundo mais justo. Um mundo mais justo é um mundo mais instruido, onde as barbáries descritas neste post sejam mais dificeis de acontecer.
É dificil, claro que é, mas isso não significa que todo e qualquer cidadão não se dedique a essa tarefa (nem que seja 5 minutos por semana).

Esta não é uma discussão politica, esta tem que ser uma discussão de toda a população, todos os agentes de uma sociedade deveriam perder algum tempo a pensar em como melhorar o mundo.
É talvez a mais nobre das tarefas que alguma vez teremos que desenvolver em nosso vida, algo que seja mais elevado do que o bem estar próprio, uma abstracção que nos permita ver as coisas como elas são e como elas poderiam ser.

Se calhar até deveria de haver aulas sobre cidadania na escola obrigatória, hã??

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De jfd a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:02
António Miranda?

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De IT a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:33
Alguém que não entende parsi, nem inglês e não foi estudar os links. continua com a velha retórica -desactualizada- de que a civilização começa na revolução francesa e com o iluminismo.

foi por isso que a célebre constituição europeia foi chumbada -não é que os broncos do costume diziam a Europa era a descendente das ideias da revolução francesa. A seguir ainda vem o encómio ao meu 'primo' Tião (+ conhecido por Marquês de Pombal) LOl!


De António Miranda a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:57
Não consigo compreender a fixação de onde começa ou não a civilização. Este post não tem nada a ver com isso, e eu nunca disse que a civilização começo num lado ou no outro.
O que disse foi que os valores da Revolução franscesa, os valores do racionalismo grego e os valores do judaico-cristianismo moldaram a nossa civilização de uma forma brutal.
Todas estas mudanças representam quebras nos paradigmas existentes anteriormente e avanços civilizacionais importante para o que hoje nos consideramos.

Não entremos numa discussão de onde começou a civilização, porque isso nos iria transportar até á pré-história, ás primeiras experiencias de dominar plantas e animais, ás primeiras linguas escritas em placas de adobe, ou mesmo mais antigo, ou até á homonização e humanização do ser humano.

Esta discussão tem a ver com a disparidade cultural entre os vários países, e se nós podemos fazer alguma coisa, respeitando tradições, soberanias e sem imposição do nosso modo de vida.

E não, nenhuma pessoa gosta de ser chicoteada, maltratada e ignorada (excepto alguns que dai retiram prazer). Esta discussão prende-se como o nosso modo de vida afecta de forma negativa os países mais pobre e o que podemos fazer para melhorar a situação.

Para estas questões ainda não vi qualquer comentário.

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De jfd a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:58
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