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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

A juventude está preparada para o futuro?

Rui C Pinto, 28.11.10

Estamos no dia de encerramento do XXI Congresso da JSD em Coimbra. Os delegados já votaram e dentro de poucas horas a estrutura empossará um novo presidente. Foram dois dias de intenso debate. Muita discussão política num pavilhão sempre cheio e de portas abertas a todos quantos quiseram ouvir a mensagem política. E apenas isto é substancial. A forma transparente e aberta como a JSD debate a sua estrutura e as suas propostas para o país contrasta com uma aparente indiferença por parte dos media.

 

Em dois dias de Congresso houve muita disputa entre duas candidaturas à CPN. Duarte Marques e Carlos Reis mostraram estar à altura do desafio. De facto, a qualidade das intervenções dos dois candidatos mostrou-se abissal em relação aos restantes oradores que durante duas noites subiram ao púlpito. Ressalva seja feita às intervenções de Ricardo Serqueira e Bruno Coimbra, candidatos a Secretário Geral pela lista de Carlos Reis e Duarte Marques, respectivamente. O Congresso pareceu resolvido desde o primeiro momento a favor do candidato Duarte Marques. Mas, desde o início, ambos os candidatos tinham garantido apoios galvanizados.

 

Carlos Reis surge em Coimbra com uma campanha montada ao pormenor e cuidada no material de propaganda. A comunicação da sua candidatura recorre a meios diversos, desde os outdoors que instalou pela cidade de Coimbra, ao material de propaganda distribuído pelos delegados. Por outro lado, Duarte Marques aposta numa atitude de proximidade aos militantes. Esta é, de facto, uma diferença palpável. Há o candidato Carlos Reis e há o Duarte. O discurso de Duarte é mais combativo e emotivo, Carlos Reis mais frio e pausado. É notória a agressividade com que Carlos Reis é muitas vezes recebido no púlpito, e é notável que essa agressividade não se traduza em apoios. O crescendo da tónica de confronto e agressividade nos discursos dos delegados parece galvanizar mais os apoiantes de Duarte Marques. O debate é contaminado, no congresso, pela campanha feita nas redes sociais, onde a candidatura de Carlos Reis é acusada de abusos no ataque a Duarte Marques.

 

Independentemente da questão interna e do confronto entre máquinas de campanha de ambas as candidaturas, realça a qualidade do discurso e a apresentação de propostas que muitas vezes se completam, como na questão do desemprego jovem ou da aposta na formação e qualificação dos jovens. Carlos Reis empunhou bandeiras como o combate aos falsos recibos verdes e a defesa da JSD no debate de questões fracturantes como a adopção de crianças por casais homossexuais ou o testamento vital. Por outro lado, Duarte Marques assume como questão fracturante o Desemprego Jovem, e confirma que será a linha de combate da sua acção política em caso de vitória. Faz bandeira sua a aposta na formação política dos jovens e a qualificação da estrutura de meios profissionais de comunicação com a dotação de ferramentas ao dispor de secções e distritais. Este seu discurso é absolutamente coerente com a sua proposta mais polémica: o voto aos 16 anos, como consequência da dotação dos jovens de formação e competências políticas, resultante da aproximação das estruturas dos partidos aos jovens sub18.

 

Esta proposta é tão inteligente quanto receada. Arrisco a dizer que esta proposta é uma prova de força de Duarte Marques, na medida em que cria resistência na estrutura do partido, já que a responsabiliza pela aproximação aos jovens e à sua formação nas escolas e nos movimentos associativos. É sem dúvida, uma proposta que não reúne consenso. Na minha opinião é uma proposta arrojada, motivadora, exigente e dinamizadora para o futuro da JSD e da sua afirmação junto dos jovens.

 

A verdade é que, independentemente do resultado eleitoral desta tarde, a JSD se mostra ao país à altura do desafio que tem pela frente, com propostas e com motivação combativa.

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