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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Era Melhor Não Deixar Ferver

Miguel Nunes Silva, 02.11.10

Parece ser o actual zeitgeist o facto de os líderes já não terem tempo para planeamento. Quem pode culpar os Americanos com eleições à porta e

duas guerras em mãos? Ou os Europeus, com crises financeiras gravíssimas? Ou os asiáticos, ocupados com a gestão da sua própria ascenção?

 

Talvez por isto as tensões no Médio-Oriente não atraiam as atenções até ser demasiado tarde. Mas não é razoável que depois de elas rebentarem, a 'comunidade [ocidental] internacional' venha de imediato tentar pôr água na fervura com cessares-fogo às três pancadas, como é habitual.

 

A UNIFIL, força da ONU no Líbano, da qual Portugal faz parte, nunca foi eficaz. Muitos culpam o seu mandato cujas regras de beligerância não permitem o uso da força mas na verdade, que países estariam dispostos a serem parte activa do conflito? No entanto, a UNIFIL poderia perfeitamente ser útil através da monitorização independente. Infelizmente, até isto parece ser uma exigência demasiado alta para aquela força. Passo a explicar: depois da guerra de 2006 entre o Hezbollah e Israel, a UNIFIL mobilizou para a zona de fronteira para impedir mais escaladas de tensão entre as duas forças. No entanto, o perigo actualmente vem de longe da zona de fronteira pois o Hezbollah, longe de ter sido desarmado, reequipou-se com mais e melhor poder de fogo do que nunca e possui agora bases na fronteira com a Síria que lhe permitem bombardear Israel de muito longa distância. A UNIFIL não acompanhou e continua na fronteira com Israel, tendo perdido qualquer relevância.

 

Juntemos a isto o conflito sectário iminente no Líbano, aonde o Hezbollah e seus aliados têm agora a capacidade de usurpar o poder através da força, o que poderá acontecer quando a ONU divulgar um relatório que poderá implicar o 'partido de Deus' no assassinato de um ex-PM. Adicionemos ainda as tensões em torno de novas descobertas de gás natural e petróleo em águas internacionais no Mediterrâneo oriental e um Congresso Americano dominado pelo partido Republicano favorável a Israel.

 

Finalmente, fica o aviso: Israel prometeu que em caso de bombardeamento de Tel-Aviv, a retaliação não se faria contra o Hezbollah mas contra Damasco.

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