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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

O Senhor do Poder

Essi Silva, 13.05.10

 

Chamem-me esquisita, chamem-me freak, ou picuinhas. Chamem-me o quiserem. Mas leiam até ao fim, ouçam as pessoas e reflictam sobre o que queremos para este país.

 

Sou uma enorme fã do Senhor dos Anéis (os livros, não os filmes per se). Qualquer tipo de literatura com monstros terríveis e árvores que falam, com elfos e outros que tais, é geralmente levada na desportiva como fantasiosa.

Tolkien tem, no entanto, algo mais profundo. Uma mensagem implícita ao Homem - quando se quer o poder pelo poder, a humanidade de uma pessoa dissipa-se levando à existência de espectros, que fazem o que for preciso para ter mais poder e para servir o poder. Não pelo povo, não por causas nobres, mas sim pelo poder.


 

E é por aqui que começo. O poder pelo poder.


 

Há muito que acredito que Passos Coelho é uma versão PSD de Sócrates. Os seus discursos e ideias começam a não passar de promessas vãs. E é este o meu partido - um partido com um líder arrogante, que pouco está a cumprir do que prometeu e que está a fazer exactamente aquilo que condenava que os outros faziam.

 

Acredito que o PSD quando elegeu Passos Coelho esperava uma mudança, a esperança de voltarmos ao poder e impedirmos este país de se tornar numa Angola. Numa Angola com um punhado de milionários e uma população esfomeada. Mas termos um líder só para ganhar eleições dará lugar a uma democracia estilo Sócrates, sendo que hoje não consigo mais saber se de uma forma pior ou um pouco melhor.


 

Tête-à-tête


 

Tenho nos últimos tempos vindo a conversar com amigos, alguns jovens, outros nem tanto. Desiludidos com o PSD, desiludidos com Passos Coelho, desiludidos com um futuro que ameaça deixa-los sem alternativa senão partir de um país que amam.

A minha avó ontem disse-me que era altura de se desfiliar. 36 anos de PSD, duma mulher que já viu muita coisa, que já conheceu muitas pessoas e que já viveu uma vida inteira de histórias. Mas onde é que há espaço para acreditar? Onde é que nos sobra espaço quando à custa de deixarmos o PS apodrecer, deixamo-los tomar decisões com consequências brutais sobre um povo, nomeadamente ao subir os impostos?

Não passámos já o suficiente?


 

Necessidades

 

 

Acredito que Portugal há muito que vem a viver acima daquilo que pode. A subida dos impostos é, portanto, inevitável. Mas, não pode ser uma medida desprovida de cortes noutras áreas. Os portugueses precisam se saber que não são os únicos a pagar pelas irresponsabilidades do Governo, por políticas frustradas e fundos mal canalizados.

Subir impostos sem afastar completamente a ideia de obras públicas, sem cortar nas despesas do Estado, seja a nível das despesas dos nossos Governantes, deputados e chefes de Estado, será somente um grão de areia no deserto. Mas um grão de areia que custa às famílias portuguesas, cada vez mais endividadas e empobrecidas, e mais especialmente àqueles que têm trabalhadores para pagar, empregos que mal permitem sustentar-se quanto mais a uma família, ou àqueles que formados não conseguem arranjar emprego que lhes permita sobreviver, quanto mais viver.


 

Marcação cerrada


 

Passos Coelho tinha-nos prometido uma marcação cerrada a Sócrates. Agora vejo uma parelha de espectros ao estilo de Tolkien a telefonarem um ao outro.

O país pode estar no fundo do poço, o próximo governo pode ser do PSD, o PS pode estar neste momento a enterrar-se. Mas, política de alinhamento de um candidato que se afirmava indignado com o papel fraco, medíocre, do seu partido aquando a liderança de MFL, é que não.

Na altura, Passos Coelho tinha afirmado que o PSD tinha que bater com o pé para que as medidas do Governo fossem mais duras. Mas o PSD não bateu com o pé. O PSD alinhou-se. E agora o Governo atira-nos poeira para os olhos com políticas de estabilidade e crescimento medíocres e insuficientes para fazer face à crise.

Onde está o PSD da oposição? Onde está o PSd que não deixava que o CDS/PP tivesse margem de manobra?

 

 

João Almeida, Secretário-geral do CDS: Na AR, o PSD e o Governo discutem a crise como se tivessem perspectivas diferentes. Fora juntam-se para aumentar os impostos.


 

Espaço

 

Estou desiludida com o PSD. Não o nego. Estou desiludida com um Presidente da República que sabe o que se passa e não é mais duro, eventualmente por se preocupar com uma eventual reeleição.

Estou desiludida com Passos Coelho que não bate o pé ao Governo e não o obriga (qual ajuda, qual quê? Acham mesmo que os socialistas se quisessem não tinham ouvido os melhores especialistas e tomado medidas sérias antes?) a ser mais drástico, mais REALISTA.

 

Porque no fundo precisamos de realismo. Precisamos de dar aos jovens que estudam uma razão para ficarem. Precisamos de conseguir dar aos seus pais uma forma de ajudarem nos estudos dos filhos. De que serve um país com infra-estruturas para a qualificação, se só os ricos podem estudar? É que bolsas de estudo são fenomenais e as bolsas do Estado também. Mas estudar numa universidade é muito mais que propinas.

E no fim, precisamos que estes jovens tenham onde ficar, tenham o direito a um espaço onde viver (estou a falar daqueles que não são de etnias "protegidas"), e condições para criar uma família e assim poderem continuar o sangue luso.

 

3 comentários

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    Essi Silva 13.05.2010

    1. Uma vez mais acusas e não demonstras. Decides atacar aquilo que te pergunto. Ora uma vez mais referencio-me para o post , se me permites.

    Continuo a não perceber aquilo que não percebes. Não tenho visto nada a mudar. Política de alinhamento? Ok mudou. Mas não é para melhor. Então, não era isso que PPC criticava?

    Impor medidas ao Governo em relação ao PEC? Até porque a actual CPN não estava a fazê-lo nem nada.
    Nem sequer são medidas suficientes...

    2. Guilherme é fácil fazer o que aqui fazes. Pois quem te ler toma isto por verdade, mas infelizmente é incorrecto. Está escrito dito e feito. Sentido de estado antes não é o mesmo que agora. O contexto de antes não é o mesmo do presente. O que foi já não é.
    Mas como sempre, basta colocar um modelo, ignorar as variáveis que não nos dão jeito ou que consideramos desnecessárias à partida e analisar a coisa como nos dá jeito.

    - Oh Jorge, então o PPC não sabia o que tinha pela frente? Até parece o sócrates. "ah e tal eu não sabia que o défice estava tão mal! senão não tinha prometido o que prometi..."

    3. Ouvir as pessoas é o mais importante é o que mais interessa. Mas nem as pessoas que eu oiço nem as que tu ouves representam o eleitorado. No mínimo dos mínimos representamos pessoas com cultura, privilegiadas e enquadradas na sociedade. Não me arrogo a dizer que represento o povo por estar no meu círculo de amigos que eu escolhi e que partilham das minhas ideias.

    - Jorge, tu seriamente julgas que eu tenho um punhado de amigos e que só me estava a referir aos meus amigos? Eu falo com a mãe do meu namorado, que não tem a cultura que tu tens, ou o enquadramento na sociedade. Falo com pessoas enquanto espero pelo autocarro. Velhotes de Odivelas, muito longe de apartamentos em condomínios privados ou de uma licenciatura.

    4. Exacta vivamos acorrentados a erros do passado com medo de no presente mudar o futuro.

    - e aprender com os erros, não? lol
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    jfd 13.05.2010

    Teremos de discordar. Não te posso dizer mais nada estás de ideias feitas.
    Desejamos o mesmo, isso já é bom.
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