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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

"Bye bye Baby"

Essi Silva, 03.02.10

 

 

Encontramo-nos no epicentro dum tornado  - [que quando passa por nós leva (quase) tudo] - ao qual temos vindo a chamar Crise Ecónómica.

A esse tornado juntem um sismo que equivalha à crise política e um marmoto - a crise social.

Combinando estes desastres naturais (no nosso caso provocados esmagadoramente pela classe política) não admira que cada vez mais portugueses abandonem o país.

Globalização, chamam uns, agravada pela abertura das fronteiras intra-UE.

Dos que saem, não se sabe quantos voltam.

 

O problema envolve a massa de jovens que abandonam um país carente do seu apoio já que muitos são tão qualificados, que poderiam dar um contributo importantíssimo ao país. Só que nós por cá não os queremos, nem tampouco temos condições que equivalham às qualificações destes.

 

Alguns dados mais preocupantes

 

O número de cidadãos de nacionalidade portuguesa na Suiça passou de 173.278 (em 2004) para 196.186 (em 2008). Depois temos o caso da vizinha Espanha, na qual o número de portugueses residentes passou de 71 mil para 136 mil entre 2004 e 2008. Termino com o exemplo do Reino Unido: o número de cidadãos nascidos em Portugal passou de 68 mil para 83 mil entre 2004 e 2008.

Em 2005, cerca de 20% dos licenciados saíam de Portugal.

Mais de 100 licenciados abandonam Portugal todos os meses. O número peca por defeito, admite o próprio presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), já que os dados só contabilizam quem estava registado nos centros de emprego e comunicou que ia partir. Milhares de outros tomam a mesma decisão sem avisar.

 

Estou certa que tal como eu devem conhecer amigos, que depois de anos a estudar, partiram para países nos quais não são preteridos por candidatos menos qualificados que eles - (e viva o Novas Oportunidades!).

 

Apesar da culpa não ser só do desemprego, (até porque nos anos 90, Portugal vivia um período de crescimento o que não obstou à emigração), também o diferencial de rendimento entre os portugueses em comparação com o dos outros europeus justificará a situação.

Será de admirar então, que o presidente da Comissão de Especialidade de Fluxos Migratórios, Manuel Beja, julgue que é preciso recuar até à década de 1960 para encontrar uma vaga de emigração tão grande em Portugal?

 

Quando irão os nossos governantes perceber, que estão prejudicar o país de amanhã retirando aos jovens as condições para cá permanecerem?

Nota de rodapé: se quiserem conhecer algumas experiências dos nossos "cérebros que fugiram" consultem o blog Mind This GAP (Graduados Abandonam Portugal)

 

2 comentários

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    Essi Silva 04.02.2010

    Ricardo, vamos lá analisar o que eu disse. No post lês algo que afirme peremptoriamente que o problema é a qualificação demasiada da população? Não. Porque o problema não é causado por esse factor. Mais ou menos qualificadas, as pessoas não têm emprego (factor 1) nem têm salários decentes ao ponto de conseguirem fzer face às despesas correntes (factor 2).
    Ainda bem que aqueles jovens que fogem do país têm uma formação académica sólida, já que se não o tivessem não só seria difícil encontrar emprego cá, como seria complicado fazê-lo lá fora.
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