Sábado, 30 de Janeiro de 2010
A questão copo meio cheio ou meio vazio...

 

Eu sou dos que gosta de pensar que o copo está meio cheio, mas com toda a franqueza vou começando a vê-lo esvaziar... Abro os jornais e olho para um desemprego de dois dígitos; Na rádio ouço falar de falência nacional, na grécia e no défice histórico; Na televisão vejo imagens de significativas manifestações das mais variadas classes profissionais; Ligo-me à net e leio que o Conselho de Estado está convocado para debater a situação política nacional.

No meio de tudo isto, pergunto-me como aqui chegámos. Mais que isso questiono-me como os que nos conduziram até aqui ainda lá estão!

 

Não demoro muito a chegar a uma conclusão: Se é verdade que Sócrates e o PS simbolizam esta política falhada, também é inequívoco que algo falhou na oposição.

Sou do entendimento que Manuela Ferreira Leite prestou um serviço notável ao PSD e, sobretudo, ao país. A sua liderança política diferenciou-se pelo carácter, pelos princípios e pelas visões e propostas estratégicas acérrimamente defendidas. O reconhecimento do seu contributo tardará, mas certamente não faltará. "Depois de mim virá quem bem de mim dirá"... Sábias palavras, as do povo.

Todavia, e sem prejuízo para o notável resultado nas europeias e autárquicas, algo de errado se passa no PSD quando não é governo hoje, depois de um mandato falhado como foi o do PS.

 

Aqui chegados, aproximamo-nos de mais umas eleições para a liderança do partido e o muito que já foi escrito por estes lados só será ultrapassado pelo muito mais que se seguirá, tenho a certeza. Também aqui, infelizmente, começo a ver o copo meio vazio e a esvaziar...

Pela profunda admiração, consideração e estima que tenho pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa não escondo que gostava de o ver entrar na corrida. Acho, muito francamente, que seria a pessoa mais bem colocada para agregar o partido. Contudo, também não escondo a minha desilusão face às "ponderações de ponderação" e à proposta da solução de unidade ou de candidatura única (num partido como o PSD uma candidatura única chegaria a ser, creio eu, mau sinal). Considero que uma candidatura do professor traria um interessante e útil debate para o seio do partido. Não se tendo concretizado fica esta nota, justificada pela visibilidade que teve todo o processo de "ponderações".

Quanto a Castanheira Barros pouco ou nada posso dizer. Não conheço o seu projecto político e nem sequer tive oportunidade de alguma vez o ouvir.

Pedro Passos Coelho é tema recorrente por estas bandas... Não gostei das suas atitudes durante as campanhas e acho que a lógica de oposição interna, em momento eleitoral crucial, foi um obstáculo significativo à afirmação da actual liderança. No entanto, não destilo o ódio que alguns cultivam perante a figura de Passos Coelho, antes reconheço-lhe a coerência, quanto mais não seja. Partilho, todavia, as reservas de muitos quanto à substância de uma imagem que, sem sombra de dúvidas, Passos conseguiu construir, com mérito.

Quanto a Aguiar-Branco ou Rangel não passam de possibilidades. Sobre estes remeto-me para a lúcida visão do Diogo Agostinho: Um líder é aquele que tem vontade de liderar e que assume a defesa da sua visão e do seu projecto político, independente e livre.

 

Porém, não é só uma questão de liderança que afecta o PSD de hoje. É antes uma questão de substância e de conteúdo programático ou ideológico, como queiram. É também uma questão de afirmação junto da população. É, no fundo, uma questão de identidade.

Claro está que a liderança está intimamente ligada a este desafio: Parte, sobretudo, do líder que surgirá das próximas directas reconstruir essa identidade e, mais importante, aproximar os militantes dessa mesma ideia.

 

O país precisa, hoje mais do que nunca, de uma oposição forte e credível: Uma oposição liderada por quem se assume como a verdadeira alternativa.

Eu continuo a acreditar no PSD e, em especial, nos seus militantes, meus companheiros. Acredito que o copo que hoje vejo meio vazio possa voltar a ver meio cheio. É esta a minha esperança.



uma psicose de André S. Machado às 04:02
link directo | psicomentar

10 comentários:
De Ricardo Campelo de Magalhães a 1 de Fevereiro de 2010 às 03:16
Sócrates promete o facilitismo.
Se o queremos tirar de lá, temos de começar pelo povo.
É fundamental educar o povo para não acreditar no estilo do 1ºM, que esse não é o caminho, e os resultados a que essa má escolha pode levar.
Falhar neste processo é garantir a eleição de um "sucessor natural" que continue as suas políticas (José Seguro?), com as consequência de agravar a situação do país!


De António Carmona Mendes a 1 de Fevereiro de 2010 às 15:14
André Machado, excelente post.

Apenas discordo quando dizes que "sem prejuízo para o notável resultado nas europeias e autárquicas".

Como sabes, e estando o poder socialista instalado no meu Distrito, temos acesso a determinadas informações "previlegiadas".

Em Maio fontes socialistas garantiam-me: "temos de garantir que o tal Rangel ganhe, senão nas legislativas perdemos"

De facto, e se analisarmos devidamente, o que aconteceria se o Vital Moreira conseguisse por uma questão mágica vencer?

A escolha da Dra Manuela Ferreira Leite para candidata a PM seria posta em causa! A "malta socialista" tinha medo que o PSD avançasse com o seu nº 2 (na época de Verão não haveria tempo para congressos e mudança de lideres). Na opinião "socialista" o nº 2 do PSD era indiscutivelmente mais forte que a líder.

Para além disso uma derrota nas europeias poderia justificar a mudança de forma a estilo de José Sócrates.

Para além disso uma "vitória" nas europeias do PSD não significava rigorosamente nada, sobretudo se não descolasse dos 30%, o que se veio a verificar. A vitória do PPE estava assegurada no hemiciclo europeu, e um resultado por mais negativo que fosse para o PS, garantia o exílio dourado de algumas figuras.

O que se seguiu?
Sócrates mudou de estilo, o PSD afundou-se sem liderança, mas com demasiados cromos a mexer no futuro do Partido, com a ilusão de que o poder poderia estar próximo. Estas negociações fizeram com que o PSD tenha hoje uma "excelente" bancada parlamentar. Isto para além da derrota mais que esperada a 27 de Setembro. Também no meu Distrito sofri com estas estratégias, dificultando um rumo que vinha sendo delineado desde há 3 anos.

Em Castelo Branco trabalhamos nas bases. Pela primeira vez desde 1991 conseguimos uma vitória distrital numa eleição de âmbito nacional (europeias de 7 de Junho), contando para tal com o imenso empenho da nossa candidata Distrital, a jovem Ana Rita Calmeiro.

Legislativas:
Num cenário de 5 deputados o PS consegui 4 e 2005 (4-1). Com as políticas socialistas de desprezo pelo interior baixámos em 2009 para 4 deputados no círculo distrital. O objectivo estava traçado 2-2, com hipóteses de vitória (contra uma lista socialista encabeçada pelo próprio José Sócrates e onde se incluem vários membros do Governo). Qual o brinde com que a Comissão Política Nacional envia para o Distrito?
Vindo dos Açores, o Dr. Carlos Costa Neves! Toda a estratégia ruiu. Muitos militantes esmoreceram e indicaram que não iriam fazer campanha para as Legislativas, ainda para mais porque por essa altura o Dr. Costa Neves aparecia nas notícias como o Ex-Ministro da Agricultura de Pedro Santana Lopes responsável pelo caso dos sobreiros "Portucale".

Reunidos decidimos que acima de tudo estava o Partido e o nosso brio enquanto sociais-democratas! Se era 2-2 o objectivo teria de ser alcançado, nem que para tal não houvesse refeições, horas de sono, etc. Para além disso, o pai do nosso rumo, Carlos São Martinho, Presidente da Distrital e que ia em 2º lugar nas listas, seria o prejudicado pois se não trabalhássemos, era ele que ficava apeado, uma vez que o cabeça de lista já estava em São Bento.

Lutamos e conseguimos à tangente o 2-2 (garanto que sem intromissão negativa da Nacional o 2-2 seria confortável e não teria sido necessário deixar as tropas exaustas).

Autárquicas:
Com as tropas exaustas, os objectivos tiveram de ser reajustados. A prioridade passou a ser garantir as 4 Câmaras que já tínhamos (Covilhã e Fundão, cidades que apesar de socialistas no voto têm à frente 2 grandes autarcas sociais-democratas, e Oleiros e Vila de Rei, onde a população é maioritariamente social-democrata).

Tivemos de deixar cair os objectivos que tínhamos para Belmonte e Vila Velha de Rodão, onde queríamos cimentar as secções locais com uma campanha agressiva e aguerrida, e abdicar de uma possível vitória em Penamacor.

O objectivo parecia claro. Tínhamos de concentrar todos os esforços na Vila da Sertã, capital do Pinhal. Após os bons resultados nas europeias e legislativas, aliados ao facto de termos um candidato conciliador, podíamos acreditar na vitória.



De jfd a 1 de Fevereiro de 2010 às 15:24
É um texto interessante, mas o que me diz? Nada.
Pedes André;

O país precisa, hoje mais do que nunca, de uma oposição forte e credível: Uma oposição liderada por quem se assume como a verdadeira alternativa.

E tal irá acontecer porque;

Eu continuo a acreditar no PSD e, em especial, nos seus militantes, meus companheiros. Acredito que o copo que hoje vejo meio vazio possa voltar a ver meio cheio. É esta a minha esperança.

Eu sou sempre a favor de mensagens de esperança e de mudança.
Mas o teu texto, não sabe nem a uma nem a outra.
Parece-me o timido texto de alguém que envergonhadamente pede acção a quem não age mas ao mesmo tempo glorifica a mesma não acção;

Todavia, e sem prejuízo para o notável resultado nas europeias e autárquicas, algo de errado se passa no PSD quando não é governo hoje, depois de um mandato falhado como foi o do PS

Notável?
Mas andam todos a beber da mesma àgua?
Está tudo com palas nos olhos?
Quer dizer, eu discuto com amigos meus que Portugal não é a Grécia. Mas tenho de engolir a seco e aceitar os argumentos, e pergunto sempre o mesmo;
E onde está o PSD?
Onde esteve?
Onde vai estar?

E depois tenho de levar (salvo seja) com isto;

Todavia, e sem prejuízo para o notável resultado nas europeias e autárquicas, algo de errado se passa no PSD quando não é governo hoje, depois de um mandato falhado como foi o do PS

Parece que ficaram com medo de criticar. De dizer o que pensam. De exigir mais e melhor.
Não somos nós que devemos à CPN, é ela que nos deve. Um melhor PSD e um melhor Portugal.
Agora estes textos que não são carne nem são peixe, meu caro André, como todo o respeito que sabes que tenho por ti, não ajudam nem levam a lado nenhum.

Precisamos de acção. De pessoas a decidir, a apontar o que está mal e a propor soluções.
E não te enganes sobre quem está contigo a falar, sou eu o Jorge, o Obamaníaco de referência por aqui. Mas é bonito quando é étereo para os outros...
Posso ter mil copos meio cheios, mil copos meio vazios, a porcaria vai continuar igual.

Não te ataco a ti André mas ataco a passividade que transpira do que aqui escreveste e que tantos outros estão também a fazer questão de utilizar...


De António Carmona Mendes a 1 de Fevereiro de 2010 às 15:28
Mais quinze dias loucos, e agradeço à jota da capital de Distrito que fez as malas para a Sertã (com isto levámos a maior abada de sempre em Castelo Branco 8-1) e a 11 de Outubro lá tivemos grande vitória na Sertã, com maiorias absolutas e conquistas de freguesias emblemáticas aos socialistas.

Dia 12 de Outubro o ciclo estava fechado. Vitória nas europeias. Empate nas legislativas, Sócrates ganhou Portugal mas não ganhou na sua própria casa :), e vitória nas autárquicas com aumento do nº de Câmaras no Distrito (apenas Portalegre nos acompanhou nas autárquicas - mantiveram as Câmaras que tinham e conquistaram Arronches).

E a nível financeiro? Dinheiro da Nacional pouco mais que zero... e porquê? o importante era reforçar a imagem da Dra. Manuela Ferreira Leite com outdoors por todo o País. Essa campanha custou 60% da totalidade dos custos de campanha... Ninguém questiona os seus responsáveis? Em Castelo Branco compramos outdoors para as autárquicas próprios, pois a empresa que geriu os outdoors do nossa querida líder queria mais dinheiro pelo seu aluguer por mais 15 dias que se nós optássemos pela aquisição de novos! Ninguém questionou isto também, não é?

É por tudo isto que digo que a Dra. Manuela Ferreira Leite certamente não ficará na história do País, sendo certo que ficará na história do PSD, com direito a fotografia na escadaria de São Caetano à Lapa (a propósito vejam lá se metem a do Dr. Luís Filipe Menezes também) e a memória de ter sido a primeira mulher Presidente do Partido.

Quanto ao futuro, espero que a Dra. saia da liderança do Partido antes do PSD indicar a personalidade que ocupará o cargo de Governador do Banco de Portugal, ou será que há gente que não percebeu ainda que estas histórias de congressos extraordinários é para empatar as coisas até tal data!!!


De António Carmona Mendes a 1 de Fevereiro de 2010 às 15:32
Bem, infelizmente levei com uma interrupção pelo meio da minha avaliação de 2009 em Castelo Branco.

Mas foi sem dúvida uma boa interrupção!

Quanto ao Ricardo Campelo Magalhães tenho a dizer que António José Seguro não é José Sócrates Pinto de Sousa, acredita. Tenho a infelicidade de conhecer um e a felicidade de conhecer outro , os seus passados, percursos e capacidades ;)


De André S. Machado a 1 de Fevereiro de 2010 às 19:06
Ricardo,

Penso que não é uma questão de "educação do povo".
Se é verdade que foi Sócrates, com as políticas erradas do seu Governo, que conduziu o país para a difícil situação em que se encontra, não é menos verdade que se o PS se mantém no poder é porque há algo de muito errado da nossa parte, da parte do PSD, na transmissão da sua mensagem.

Estamos, desde 27 de Setembro, com uma liderança a prazo, que em nada beneficia essa necessidade de uma mensagem alternativa. Há que começar exactamente por aí: Por um debate franco e aberto sobre o que queremos para o PSD, para chegarmos ao que queremos para o país.

Quanto a António José Seguro, considero que não está perto de ser mais um José Sócrates. Estou, na larga maioria das vezes, do lado oposto ao de Seguro, mas reconheço-lhe coerência e verticalidade na defesa das suas posições.
Mas questões de sucessão são com o PS... Acho que Seguro é um adversário bem mais temível que qualquer outro da "linha" de Sócrates, até porque, de certa forma, representa uma outra sensibilidade dentro do PS.


De André S. Machado a 1 de Fevereiro de 2010 às 19:41
Carmona,

É sempre um prazer contar com a tua presença na nossa caixa de comentários.

Fazes uma análise interessante e que, confesso, me põe a pensar e a ver as coisas de forma diferente. Não te acompanho nas críticas tão acérrimas a esta direcção, mas concordo com grande parte do que escreves e acredito no que nos revelas, porque te reconheço a franqueza, a frontalidade e a elevação que sempre demonstraste.

Europeias:
1. Nunca tinha colocado as coisas como as expuseste. De facto, a derrota de Vital nestas eleições justificou muita coisa que se veio a revelar como vantagem para as legislativas, nomeadamente aquela súbita transformação do "animal feroz";
2. Em Castelo Branco parece-me que as coisas correram muito bem: Imenso mérito, como referiste, para a Ana Rita Calmeiro e, permito-me acrescentar, muito mérito teu. Destaco aquele conselho distrital a que tive o prazer de assistir, que conjugou um momento eleitoral interno com uma acção de campanha da JSD, em concreto, com o "Liga-te à Europa". A intervenção do Pedro Passos Coelho, há que reconhecer, também deu uma visibilidade importante ao evento.

Legislativas:
1. O resultado de Castelo Branco foi aquele que mais alegria me deu, numa noite de desilusão nacional. Vencer a Sócrates em eleição directa é qualquer coisa!
2. O Dr. Carlos São Martinho foi, de facto, pelo que sei, grande responsável para estratégia vencedora num distrito que não é fácil, em eleições nacionais. Acompanho-te no seu reconhecimento;
3. Concordo que a indicação do Dr. Carlos Costa Neves foi, no mínimo, infeliz. Sem prejuízo para todo o seu mérito e relevância política, é alguém que sempre foi identificado com os Açores e pouco ou nada o liga ao distrito de Castelo Branco. Sou um crítico deste tipo de atitudes e, na altura, também me foi difícil de compreender a escolha.

Autárquicas:
1. Mantenho que os resultados, no panorama nacional, não foram maus. Não foram óptimos (ou deverei escrever ótimos, segundo o novo acordo ortográfico?), é certo, mas conseguimos manter câmaras importantes e continuar a ser a maior força autárquica nacional.
2. Quanto a Castelo Branco, nem me atrevo a questionar o que quer que seja que tenhas escrito. Conheces bem a realidade do distrito e acredito firmemente em cada linha que aqui nos deixaste. A derrota em Castelo Branco, por esperada que fosse, foi difícil pelos números. Para mim, pessoalmente, a derrota estrondosa em Idanha significa, como sabes, um desânimo especial. Na globalidade, no entanto, conseguimos bons resultados. Novamente, muito méritos dos presidentes distritais, PSD e JSD.

Mantenho que Manuela Ferreira Leite ficará na história porque a sua atitude e carácter marcou uma diferença que, ainda que não seja ainda reconhecida, não tardará a sê-lo. É verdade que cometeu erros: A não inclusão de Pedro Passos ou Miguel Relvas nas listas à AR foi um erro; A inclusão de António Preto ou Lopes da Costa foi uma mancha na imagem de credibilidade que se estava a construir; A indicação de Costa Neves para Castelo Branco ou de Bacelar para Faro... Não é menos certo, porém, que a sua campanha marcou pela diferença. Talvez por isso não venceu e será, agora, o momento para reflectir essas atitudes.

No fundo, o que quero significar com o meu post é que muito embora haja méritos e conquistas importantes de MFL, a sua liderança está gasta, aliás, há mais tempo que o desejável. Por isso, é o momento de abrir o debate sério e elevado para os militantes e dar-lhes a oportunidade de escolher rumos alternativos para o partido: Só assim, unidos após essa discussão, poderemos olhar para o país como o grande objectivo.


De André S. Machado a 1 de Fevereiro de 2010 às 20:07
Jorge,

Acredita que não é a passividade que me conduz nas linhas que vou escrevendo. Antes é desilusão com o estado de coisas no PSD mas que, por traços de personalidade, se alia a uma minha esperança no partido e nos seus militantes.
Tenho pena que o meu texto não te tenha dito nada, mas aceito a crítica, porque cada um tem as suas preferências estilísticas ou substanciais. Somos diferentes, na observação e na crítica, mas ainda bem que o somos.

Acredita que eu não quero glorificar a não acção, antes pelo contrário: Sou crítico das "ponderações de ponderação" do Prof. Rebelo de Sousa e não acredito em candidaturas em nome de outros que não aquele que se apresenta a votos. Peço acção aos militantes, nossos companheiros, e não o peço envergonhadamente. Por isso mesmo escrevi que há que dar valor a quem se apresenta às claras como o faz Pedro Passos: Posso ter um universo de críticas contra ele, que não tenho (tenho algumas, que já escrevi), mas a falta de coerência, coragem, persistência, estratégia ou firmeza não consigo nem ninguém poderá invocar.

Apontas-me medo da crítica. Tenho de o recusar. O facto de considerar os resultados das europeias e autárquicas satisfatórios e, nalguns casos, notáveis, é sinal de receio? De quem? Como escreves, e bem, é a CPN que nos deve o seu melhor para o partido e para o país. Era só o que faltava inibir-me a mim próprio de criticar, quando acho que o devo fazer. Quando acontecer sou o primeiro a bater com a porta e a deixar-me destas coisas.
Aceito todos os comentários, mas tenho de recusar esse apontamento, Jorge: Não exerço qualquer função no PSD ou JSD (local, distrital ou nacional), pelo que não estou comprometido a qualquer liderança ou a quem quer que seja.

"Precisamos de acção. De pessoas a decidir, a apontar o que está mal e a propor soluções."
Não posso concordar mais contigo! É a isso mesmo que quero chegar com o meu post: Esta liderança, mesmo com méritos, está gasta e a prazo. Isso não é saudável para o PSD e para o país. Precisamos de uma oposição forte, numa realidade política nacional nova. Essa oposição apenas surgirá com um PSD liderante, coeso e unido internamente. Unidade e coesão, essas, que apenas serão alcançadas com a reflexão que se impõe, por estes dias. É responsabilidade de cada um de nós, acrescida naqueles que se apresentam para nos liderar.

|

De jfd a 2 de Fevereiro de 2010 às 06:52
Meu caro André, li o teu comentário com muita atenção e claro que aceito as criticas às minhas criticas e também verifico que não posso colocar "todos" no mesmo saco. Não te quis implicar em nada directamente, mas todos nós e como tu tão bem terminas temos a responsabilidade no presente e no futuro.
Obrigado pelo tempo passado nesta conversa que sinceramente acredito que só nos faz crescer politicamente !

Quanto à desilusão de que falas, claro que a esperança é excelente, mas sem algo da tua parte que faça activamente mudar o cenário, estarás sempre dependente dos outros! Das suas decisões e dos seus vaips ". Sozinhos não mudamos nada? Será? Não sei. Mas temos o direito à indignação e de expor dentro do razoável o que achamos que deverá ser, e evoluir a partir daí.
Mas temos é de o fazer. E o mais difícil é quando estamos cabisbaixos e desiludos com a máquina e com as pessoas. Mas talvez seja a melhor oportunidade.

|

De André S. Machado a 2 de Fevereiro de 2010 às 21:26
Jorge,

Sem dúvida quem este tipo de reflexões nos fazem crescer politicamente. O importante é atentar nos argumentos que cada um apresenta e nas ideias que têm do e para o partido.
Se calhar, por isso é que ando meio desiludido: Quando o necessário é um debate aberto sobre o futuro do PSD e, em especial, sobre a substância e a forma da mensagem que o partido quer fazer passar, andamos a discutir nomes e pouco mais que isso.

Concordo que a esperança no futuro só se materializará com uma atitude pró-activa da massa militante. Nesse aspecto, estamos em total convergência.
Falta é motivar essa pró-actividade. Neste sentido, são sempre de louvar iniciativas como a de Pedro Santana Lopes. Acho que se justifica um congresso extraordinário, a esta altura. Claro está que a sua utilidade dependerá muito do uso que lhe for dado pelas principais figuras.

O momento eleitoral que se avizinha é um momento crucial na nossa história, pelo momento que o partido vive.
Também aqui as directas apenas servirão para alguma coisa se a campanha que as precederá for utilizada para pensar e discutir o PSD.


Comentar post

Notícias
Psico-Social

Psico-Destaques
Psicóticos
Arquivo

Leituras
tags
Subscrever feeds
Disclaimer
1- As declarações aqui pres-tadas são da exclusiva respon-sabilidade do respectivo autor.
2 - O Psicolaranja não se responsabiliza pelas declarações de terceiros produzidas neste espaço de debate.
3 - Quaisquer declarações produzidas que constituam ou possam constituir crime de qualquer natureza ou que, por qualquer motivo, possam ser consideradas ofensivas ao bom nome ou integridade de alguém pertencente ou não a este Blog são da exclusiva responsabilida-de de quem as produz, reser-vando-se o Conselho Editorial do Psicolaranja o direito de eliminar o comentário no caso de tais declarações se traduzirem por si só ou por indiciação, na prática de um ilícito criminal ou de outra natureza.