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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

QUEM É QUE FICARÁ ALEGRE?

João Lemos Esteves, 10.01.10

 

Manuel Alegre será o candidato presidencial apoiado pelo PS. Com fortes (e reais) probabilidades de congregar o apoio da esquerda: o BE, através de Louçã, já se mostrou loucamente entusiasmado com tal cenário; o PCP, devido à posição assumida por Jerónimo de Sousa aquando do "Congresso das Esquerdas" (na fase anti-socratista de Alegre) vai ter de engolir mais um sapo.

 

Ontem, em entrevista ao Expresso, Alegre matou qualquer dúvida que pudesse subsistir. Oficiosamente, foi um ensaio de tiro de partida da campanha presidencial. Porquê neste momento, que não é - convenhamos - o timing mais feliz ou desejável para o candidato da esquerda? A entrevista de ontem resulta mais de uma ´necessidade do que um desejo, uma intenção de Alegre. Este sentiu-se na obrigação, face à catadupa de nomes que surgiram entretanto ( até Guilherme d'Oiveira Martins, pasme-se) lançados por militantes socialistas próximos de Sócrates, de reafirmar a sua posição: le será candidato, ficando o PS com o ónus de o apoiar ou não. Mais do que uma crítica a Cavaco, a entrevista vale sobretudo por ser um recado ao PS e a Sócrates. 

 

Dito isto, a entrevista pode ser resumida em três pontos:

1. - Transmite uma mensagem com duplo destinatário. Quando Alegre refere - com amplo destaque dado pelo jornal - que Cavaco "não resiste à tentação de governar" critic ao Presidente, mas mais importante tranquiliza Sócrates de que ele , se for eleito, não terá essa tentação. Tranquiliza o líder do seu partido de que sabe distinguir o poder executivo do poder moderador que cabe ao Presidente da República. Não tentará substituir o Governo, nem colocar obstáculos á sua actuação;

 

2. - Passados quase cinco anos, conclui-se que Alegre virou o disco e continua a tocar o mesmo. Ou seja, o discurso é rigorosamente o mesmo, agitando-se o fantasma do tropismo de Cavaco Silva para governar. O perigo da sua intromissão nas competências do Governo. Pequena diferença: agora, já sabemos como é Cavaco no exercício das funções de Presidente da República.  E Alegre, antes das legislativas, afirmou que o Presidente não se poderia abster de intervir na vida política nacional... E não foi Alegre que defendeu a função de PR, enquanto último reduto de intervenção cívica, para travar a deriva neo-liberal, como, por exemplo, no caso da privatização das águas?

 

3. - Alegre vai utilizar nos próximos meses, até à exaustão, a ameaça da reconstituição do centro-direita a partir de Belém, tendo Cavaco como principal mentor e estratega. ISto é, vai puxar Cavaco para a luta partidária - aparecendo Alegre como o senador poeta, uma emanação da história e cultura portuguesas. Oxalá os portugueses tenham memória e se lembrem dos ziguezagues políticos de Alegre...

 

Concluindo, se Sócrates pensa que conseguirá domesticar Alegre, tendo-o em Belém, creio que vive num grande equívoco. Até porque tendo o apoio do BE e do PC, a oposição que mais desgaste tem provocado no Governo, Alegre terá de descolar do PS de qualquer forma. Afinal de contas, não há almoços grátis.... 

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