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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Querido, mudei Portugal!

Beatriz Ferreira, 18.11.09

 

País multicultural, Portugal encontra as suas raízes e tradições em espaços geográficos distintos, constituindo-se fruto de uma amálgama de gentes dispersas pelos quatro continentes.
 
Cedo encontrámos no exterior o refúgio das nossas ambições: ora por extravasarem o nosso pequenino território, ora por aqui não encontrarmos os meios necessários para lhes dar forma concreta “made in Portugal”.
 
A nossa História foi constantemente carimbada pelo desejo tremendo de contactar com estrangeiro. Um desejo tão profundo e desesperado que transformou esta pacata gente pescadora e guardadora de rebanhos, em meninos guerreiros e marinheiros.
 
Por outro lado, passámos a ver nos outros países a nossa própria salvação e acomodámo-nos à ideia da chegada futura de uma ajuda externa que nos resolverá todos os problemas existências. Confiámos e confiamos o nosso futuro em “gente de confiança”, que consideramos mais capaz de dar a volta ao país do que nós próprios, portugueses de gema.
 
Os Descobrimentos foi um projecto de conquistas de terra alheia para satisfazer uma sociedade sedenta de aventura, dinheiro e fé. Partimos pelo Grande Azul, em direcção a lugar nenhum, confiando a nossa sorte aos astros e marés porque acreditávamos que a Solução estava do outro lado do Mundo.
 
Seguiram-se muitos outros projectos transfronteiriços, esperando sempre que os Outros (os loiros e altos) viessem cá dar uma mãozinha às lusas almas que, desgraçadas e isoladas na fase atlântica da Europa, embrulhadas em tão negro fado, nunca conseguiram dar a volta ao barco sozinhas.
 
CEE, UE, Euro, Expo 98, Volkswagen, Euro 2004, Formula 1, Rali Lisboa-Dakar, turismo no Algarve, Deco, Luís Filipe Scolari, Joe Berardo, Bill Gates, MIT…
 
Estamos a fazer ciência em português, mas para toda a gente, estamos a inventar americanices e como não percebem, tudo lhes parece chinês. A pontualidade raramente é suíça, o trabalho é para inglês ver e depois, vemo-nos gregos no final. Bebemos italianas, ninguém vive à grande e à francesa, já não guardamos dinheiro como um judeu, regateamos todos os dias os preços como um cigano e trabalhamos que nem mouros. Apesar de toda esta internacionalização dos dizeres populares, quando as coisas correm mal, é feito à portuguesa.
 
Fazendo eu parte da nova geração de alma lusitana, questiono-me onde para o orgulho e o brio que tivemos em tempos longínquos, quando plantamos a primeira bandeira portuguesa lá por terras do Mondego. Como foi possível termos tido tanto trabalho em procurar pelo Mundo fora melhores oportunidades, se não nos demos primeiro ao trabalho de as criar em Portugal. Como é que fomos capaz de confiar em nós mesmos, construir um barco e partir, mas não tivemos coragem de ficar.
 
A Solução para os males da sociedade portuguesa está em nós mesmos. Necessitamos voltar a confiar em nós e nesta juventude da qual me orgulho de fazer parte. Quando quisemos estudar, fomos trabalhar para isso. Quando quisemos ser independentes, batemos o pé e dissemos chega. Queríamos trabalho numa empresa, criamos a nossa própria empresa.
 
Agora, quero um futuro melhor e chegou a altura dos jovens portugueses reclamarem para si os louros da sustentação de um país incrédulo, desanimado e apático.
 

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