Sábado, 3 de Outubro de 2009
Manifesto Anti "Comunicadores"

Muitos há que depois da derrota de Manuela Ferreira Leite nas legislativas do passado Setembro, defendem que ainda que a "mensagem estivesse correcta" a sua "comunicação" ao público Português falhou.

 

 

Não é preciso no entanto, falar no presente. Desde há muitos anos que muitos quadros social-democratas seguem embevecidos a ascenção política de Paulo Portas, admirando as suas capacidades de "comunicação".

Muitos há que defendem que no PSD, Portas há muito que teria chegado a PM.

Esses muitos porém, preferem esquecer-se do custo dos dons de oratória e retórica combinados com a dose certa de demagogia.

 

Por um lado a liderança carismática e unipessoal levou ao exílio de vários dissidentes (PND, desfiliações recentes) e por outro, o CDS é incapaz de substituir Portas e dele se encontra dependente.

Finalmente e mais importante, é fácil para Portas subir nas intenções de voto, defendendo baixas generalizadas de impostos, pulso firme na justiça e demais promessas estéreis.

 

O custo de recorrer a demagogos é a dependência política e o desgoverno irresponsável que deles decorre. É o cair nas políticas-projecto, no deslumbramento e megalomanias.

 

Não aos comunicadores!

 

Não aos populistas!

 

 

Que os Portugueses se libertem do seu reflexo pavloviano de bater palminhas a quem quer que lhes balance uma bugiganga brilhante à frente dos olhos.

 

Que os Portugueses se libertem do sebastianismo e imaturidade cívica que os impediu de escolher o possível em detrimento do sonho no passado dia 27 de Setembro.

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:26
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10 comentários:
De GC a 4 de Outubro de 2009 às 05:05
Relativamente às propostas de PP, não as apelidaria de estéreis... talvez de denominadores comuns para todos nós.

Até porque nem são estéreis...

Deixo aqui um linha de reflexão: Mas que raio de país é este, em que 80% das empresas, dependem da fuga aos impostos para manter a sua sustentabilidade?

Isto é, milhares de postos de trabalho dependem da fuga de impostos das empresas. Caso contrário fecham.

E com desemprego na rua, como sabemos, as ajudas sociais têm de aumentar. E desta feita sem receita a suportar.... bonito hein?

Cmps,


De Rui Cepeda a 4 de Outubro de 2009 às 15:02
O estilo de Paulo Portas não resultaria de forma alguma se ele fosse o líder do PSD ou PS... Em primeiro, e como foi dito, grande parte das suas propostas politicas são demagógicas! Segundo porque ia estar muito mais vulnerável e em vez de jogar ao ataque iria passar a ter que se defender muito mais.

Na minha opinião PP desempenha muitíssimo bem a sua função no PP e é sem duvida um sucesso, que ao ser imitado ou transposto para o PSD seria um fracasso estrondoso!


De Rui Cepeda a 5 de Outubro de 2009 às 17:54
"Um príncipe não tem, nestes casos a latitude de que o filósofo dispõe: não pode permitir-se ser diferente em demasiados pontos ao mesmo tempo, ..."
in Memorias de Adriano

Paulo Portas sabe falar do que as pessoas querem ouvir, coisas concretas e tangíveis. Quantos portugueses é que já viram um orçamento de estado ou sabem o que quer dizer divida pública?


De nunodc a 6 de Outubro de 2009 às 10:34
Miguel,

Defendo, como sabes a honestidade e transparência.

O facto é que, por muito idóneo que alguém possa ser, se não sabe passar a mensagem, não vai nunca a algum lado. MFL não foi talhada para ser líder, mas é honesta - e ainda bem, por isso a apoio.

O facto é que a grande maioria dos votantes vota sem qualquer apoio ideológico, baseando-se apenas no que ouvem - e aqui é fulcral ser bom comunicador.

Portas é dos melhores políticos que temos, assim como Sócrates. É bem provável que Portas fosse/tivesse sido PM caso estivesse no PSD, sim.

Não digo que seja bom ou mau, é a realidade. A questão é apenas: o que podemos nós fazer para mudar isso..?



De Miguel Nunes Silva a 6 de Outubro de 2009 às 11:11
Nuno,


Se nós vamos sempre à procura de "comunicadores" então contratemos a Júlia Pinheiro...

As sociedades civilizadas votam de acordo com ideias, não imagem.

Esta é que é a verdade e isto reflecte o atraso de mentalidade dos Portugueses.


De jfd a 6 de Outubro de 2009 às 11:21
Miguel comentário um nada injusto não pensas?
O espírito do comentário anterior não teria como resultado uma Júlia Pinheiro, um Goucha ou um Hermano .
Posso compreender o teu lirismo, mas respondendo curto e grosso também te posso dizer wake up and smell the coffee :P


De Diogo Agostinho a 6 de Outubro de 2009 às 11:21
Atraso dos portugueses? Caro Miguel, compreendo o ponto de vista, mas não concordo.

Os portugueses não são nada atrasados. Aliás, os portugueses percebem bem o que os rodeia.

A questão que colocas aqui é demasiado importante. E leva-nos para o conceito de liderança e de equipa.

E por mais voltas que dês, que chames atrasados a quem segue alguém que lhes chega ao coração ou à razão, um líder político tem e deve ser um bom comunicador! É essencial. E é essencial para chegar às pessoas. E sim, deve ser uma pessoa séria e também bom comunicador. São raros bem sei. Mas existem. Hoje vivemos numa sociedade de informação dominada pela comunicação, numa sociedade aberta, e quem não e adaptar a esta sociedade está fora da corrida. Manuela Ferreira Leite tinha a melhor mensagem? Se calhar, em parte...mas a sua campanha foi para baixo, negativa, e os portugueses não lhe deram o voto muito por isso.

E o sonho é uma condição essencial na política! Eleva a motivação que bem nos falta.

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De jfd a 6 de Outubro de 2009 às 11:23
Fantástico como este comentário tem a marca DG!

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De Miguel Nunes Silva a 6 de Outubro de 2009 às 11:37
JFD, Diogo,


Compreedo o que querem dizer mas não consigo deixar de pensar que cada vez mais são os media que controlam o país.

Que cada vez mais são os media que controlam os políticos e não o contrário...

O que é um bom líder afinal?
Alguém que parece bem na TV?


Isto tudo faz-me lembrar do célebre debate Kennedy-Nixon.

As pessoas que ouviram Nixon pela rádio, que ouviram as palavras e nelas pensaram, declararam-no vencedor.

Aqueles que o viram na TV, não sendo ele tão fotogénico ou à vontade como Kennedy, declararam Kennedy o vencedor.


Enfim, aparências e mais aparências.

É cada vez mais a percepção que conta e não a realidade.


Não me parece o rumo certo para um país...


De Rui Cepeda a 7 de Outubro de 2009 às 03:25
Comunicação, imagem, conteúdo... falaram aqui sobre isso, mas eu gostava de acrescentar preconceito. Preconceito foi a base da estratégia do PSD, o preconceito que MFL é uma pessoa séria, ao contrário de Sócrates. No entanto não houve reacção quando o PS foi buscar um bom trunfo ao baú de preconceitos português, falta de esperança!!! MFL nos governos que passou nunca deixou marca enquanto optimista ou visionária relativa ao futuro... E como foi dito, o povo necessita esperança e nesse sentido em vez de dizer que era contra o TGV, podia dizer que era a favor da requalificação das linhas actuais e com o dinheiro que sobra ia investir no ensino! Em vez de questionar o novo aeroporto podia ter sugerido Portela + 1 e com o dinheiro que sobra aumentar a comparticipação do Cialis! Falhou a comunicação! Na forma e conteúdo! Se MFL tivesse melhor comunicação e sem negar nenhum dos princípios que a norteiam, a esta altura podíamos estar todos mais descansados com o futuro do pais...
Como também acho que faltaram trunfos na campanha do PSD, por exemplo, quando o partido começou a descer, ou seja a partir da ida á Madeira, e se viu que o escutasgate não pegou era necessária uma reacção marcante (pela positiva!)... por exemplo avançar com o nome dos principais ministros e encostar o Sócrates á parede com a história do novo governo, novos ministros! Podia ter sido um excelente golpe, sem trair princípios e mais ainda, seguindo a linha da verdade e transparência! Peço desculpa por abusar da vossa paciência com um comentário tão longo...


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