Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Está na hora de pedir Perdão
O Papa Bento XVI vai pela primeira vez aos Estados Unidos da América.
Vai visitar uma América que recentemente se viu escandalizada com o caso do Reverendo/Pastor/whatever/já reformado Wright, mentor espiritual de Barak Obama. Vai visitar uma América onde vai condenar a tortura. Vai visitar uma América que tem as mais recentes medidas de segurança para proteger o representante de Deus na terra. Vai discurssar nas Nações Unidas.
Vai visitar uma América que tem visto vir a lume cerca de 10 mil padres católicos pedófilos em casos chocantes que têm vindo a ser ESCANDALOSAMENTE encobertos pela hierarquia eclesiástica. Uma América que já viu mais de mil milhões de euros em indemnizações para as vitimas. Uma América onde as Dioceses têm apólices de seguros com coberturas para crimes desta natureza. Uma América onde ainda há uma semana foi desmantelado um culto que incluía crianças...

Eu vejo ou oiço o Bill Maher todas as semanas. É divertido. É reaccionário. Mas há coisas que diz que me deixam chocado. Mas vejam isto (2:59), que me deixou extremamente incomodado. Mas tem razão? Parece que sim...



Desejo sinceramente que a Igreja Católica não espere anos para pedir Perdão a todas as vítimas. E que também se tenha a verdadeira noção que não é apenas na América que estas porcarias se passam...

Eu sou Católico. Andei na Catequese. Não vou à Missa. Falo com Deus todos os dias.

uma psicose de jfd às 09:25
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68 comentários:
De Paulo Colaço a 14 de Abril de 2008 às 11:19
Há apenas uma coisa mais chocante que a violação: a violação de menores.

Os culpados devem ser exemplarmente punidos, segundo as normas do nosso Estado de Direito. Sejam padres, políticos, militares, homens de família, pilares da sociedade, maníacos, chefes de escuteiros, patrões, professores, auxiliares de acção educativa, jovens, familiares, etc.

E que sejam igualmente punidos todos os que, sabendo da propensão para, sobretudo, pedofilia, dos seus próximos, nada façam que os impeça de praticar o hediondo crime.

Ocultar e/ou facilitar o crime é igualmente crime. Negligenciar a possibilidade de crime é-o também.

Não creio, no entanto, que se deva englobar toda uma instituição na acusação.

Punir o justo pelo pecador é uma forma de crime.

Com todas as suas chocantes contradições, a Igreja Católica é uma das instituições que mais faz pelo Bem no Mundo.

Só mais uma nota: quem disse que o Papa é "o" representante de deus no Mundo? Será, eventualmente, "um" representante de deus no Mundo.


De jfd a 14 de Abril de 2008 às 12:48
Diz a minha Igreja, diz a minha Fé.

Atenção que quando digo que parece que tem razão, é na astuta analogia que faz à hipocrisia dos EUA.
Afinal se falhas na tua hipoteca, podes ir para a cadeia, se falhas em milhares de hipotecas és safo com ajuda do Tesouro.

Se tens um culto com centenas de seguidores e têm sexo com crianças, são criminalizados.
Se tens uma religião com milhões de seguidores e têm sexo com crianças, as coisas mudam de figura.


De Nélson Faria a 14 de Abril de 2008 às 13:49
Não tenho qualquer tipo de apreço pelo protagonista e acho as acusações boas para a piada fácil mas mau exemplo.

A Igreja não é só falta de pagamento de hipotecas e abuso de menores: fazem muito trabalho na sociedade e, particularmente a católica apostólica romana, tem uma implantanção muito forte em zonas onde a mão do Estado não tem presença. É devido ao seu trabalho social que tiveram direito a um regime distinto de pagamento das hipotecas.

Na questão das seitas: uma coisa é a seita defender e professar o casamento e\ou relações sexuais com menores de idade; outra é ter, entre os seus, pessoas que abusaram de crianças. Daí serem as pessoas as acusadas e não toda uma Fé.

Dá para rir, dá para brincar, mas são questões não sérias. Só comédia.


De jfd a 14 de Abril de 2008 às 14:27
O post vai muito mais para lá do exemplo.
Não se esgota nem se justifica aí a minha posição nem sequer ilustra! Apenas acompanha.

A questão da falta de pagamento de hipotecas é uma alusão à crise latente do sub prime. Nada tem que ver com a Igreja. Utilizei, parafraseando, como metáfora.

Já o Paulo falou no bem, tu também falas no bem.
Ora a minha contradição, luta interna, whatever está aí... Afinal, o facto de se fazer milhões de bem, faz com que desviemos o olhar de 1 (que seja) mal?
Faz com que não possamos apontar o que está errado?
Mantemos os olhos fechados? Bem fechados? Até quando?
A Inquisição, a Escravidão, a II Grande Guerra, agora a Pedofilia.
Até quando?

Não acham que algo está errado quando a primeira coisa que nos ocorre é justificar com o oposto? Não se encerra nesse argumentário uma tremenda hipocrisia?


De Nélson Faria a 14 de Abril de 2008 às 14:40
Eu pensava que estavam (tu e o menino da TV) a referirem-se ao regime excepcional para o pagamento de hipotecas da Igreja nos EUA.

Não me parece hipocrisia... eu sou agnóstico, mas não suporto que cada vez que erros individuais surgem no seio da Igreja se queira rotular todos os seus agentes da mesma forma.

A inquisição e a pedofilia nada têm a ver: a inquisção foi um erro da Igreja; a pedofilia é um erro de alguns dos seus agentes. Não generalizemos nem deixemos a confusão instalar-se.


De Tânia Martins a 14 de Abril de 2008 às 14:47
Jorginho acho o teu post muito bom. Acho o comentário do Paulo fantástico. No entanto, a minha opinião sobre a instituição em causa é sempre muito controversa, pois trata-se de uma instituição que zela mais pelos bens materiais do que pelos bens espirituais. Tal como o Paulo diz não tem de haver distinção de julgamento, todos são julgados com as normas do Estado de Direito.

“fazem muito trabalho na sociedade e, particularmente a católica apostólica romana, tem uma implantação muito forte em zonas onde a mão do Estado não tem presença.”

Pois Né, esse para mim é o problema! A implantação que a Igreja continua a ter nos nossos dias ainda é muito significativa e para mim não há erro maior do que misturar o espiritual com o temporal. Será caso para dizer, cada macaco no seu galho. Mas enfim, tenho consciência que o que faz com que a Igreja tenha todo este poder é a aprovação por parte da comunidade e quanto às mentalidades não há nada a fazer, pelo menos a curto prazo.


De jfd a 14 de Abril de 2008 às 14:50
Não conheço esse regime de hipotecas nem sei do que falas... E o “menino da TV” é bem explicito e claro naquilo que diz.

Pus tudo no mesmo saco por uma simples razão.
Apartir do momento em que chegam ordens do Vaticano, desde meados da década de 90 para abafar ao máximo todos os casos, e há conivência das autoridades da hierarquia para o que se passa e não se faz nada de concreto para que pare, então há um conluio para o facto. Uma passividade e complacência que se tornam unas quando a preocupação maior é salvar a honra de uma instituição, e não das suas vitimas.
Acho que sou claro naquilo que aqui digo, e não há nada nas entrelinhas... Penso ser um pouco estranho discordar disto com o argumento de que uma pessoa não faz a corporação, quando é a corporação que defende os mal feitores da mesma...


De Nélson Faria a 14 de Abril de 2008 às 18:25
Acho que não percebeste o que disse Tânia: a Igreja está muito implantada graças a todo um trabalho social que é inegável.

Há muito mais na Igreja do que influência política e o segredo da sua força é exactamente o trabalho social.

JFD, se não sabias ficas a saber que há um regime excepcional para as hipotecas e que eu penso que era a isso que ele se referia.

A Igreja dos EUA tentou encobrir; a Igreja do Vaticano nomeou investigadores especiais e já 5 paróquias estão ou estiveram perto da falência por força das indemnizações a serem pagas.

Alguém defende que se feche a Casa Pia pelo que tem acontecido lá desde há 20 ou 30 anos? Não, porque a falha é dos indivíduos (uma minoria), não da Instituição ou da sua Visão.


De jfd a 14 de Abril de 2008 às 20:51
Obrigado pela informação Né.
Fica exposto o teu ponto de vista. Penso que não te consegui explicar o meu. Tenho pena, seria interessante o debate.


De Tiago Sousa Dias a 14 de Abril de 2008 às 21:46
É triste o facto. É triste a forma como é exposto. A mensagem passa como manteiga quente, mas o assunto em causa leva-me a repugnar a forma, não o conteúdo.


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