Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
Imigração, responsabilidade e prosperidade

A temática da imigração em Portugal não é exclusiva aos partidos de esquerda representados no hemiciclo e quem pensa o contrário, alinha e concorda com a actual política irresponsável neste domínio. Sempre fomos um país exportador de imigrantes e que participou activamente na construção de muitas sociedades, dando um forte contributo para a interculturalidade presente em muitos espaços.

 

No entanto temos hoje uma política inconsciente de “porta quase escancarada” para todos os que aqui se pretendem fixar ou que estão apenas de passagem em território nacional.

O país precisa do ponto de vista económico e também social, da vinda de imigrantes com o intuito de tornarem a sociedade portuguesa cada vez mais “aberta ao mundo” e contribuindo também, para uma riqueza de recursos que só o “melting pot” proporciona.

Contudo a inoperacionalidade que tem pautado a acção governativa neste domínio tem de acabar. Não existe um acompanhamento efectivo sobre quem entra, quem sai, como entra e como sai, o que pretende fazer, de onde veio e para onde vai. O SEF é hoje uma estrutura que funciona mal, não estando também as forças policiais e os serviços de informações aptos a lidar com esta enorme missão, pela clara falta de meios e de apoio governativo. Neste como em outros casos, não basta a solidariedade e as palavras “amigas” do Ministro Rui Pereira apelando à abnegação dos agentes no terreno. São precisos mais meios e investimentos concretos e eficazes, não só para regular o fluxo de imigração, como para apoiar cabalmente todos aqueles que precisam de ajuda.

É necessário acompanhar mais de perto este fenómeno deixando “a porta aberta” a quem vier por bem, a quem realmente precise por questões humanitárias e a quem pretenda construir o seu futuro trabalhando dignamente em Portugal.

Ao contrário do que dizia Sócrates, eu acredito que os imigrantes podem contribuir para que Portugal se torne num país mais justo, mais rico e mais próspero.



uma psicose de Luís Nogueira às 16:44
link directo | psicomentar

7 comentários:
De André Machado a 18 de Novembro de 2008 às 17:53
O escasso tempo de que disponho impossibilita-me um comentário desenvolvido ao tema sobre o qual versa o post do Luis Nogueira. No entanto não posso deixar de concordar com o Luis, quando afirma que a temática da imigração não é exclusiva dos partidos de esquerda. Partidos, esses, que advogam para si, o papel de defensores dos imigrantes, frustrados e ostracizados por toda a sociedade.

A Direita tem uma palavra importante a dizer e é com as posições dos partidos mais situados neste espectro que me revejo.
A imigração tem, obviamente, um carácter positivo, na medida em que a economia cresce, também, com o contributo de todos aqueles que não sendo de cá, trabalham por cá.
Por outro lado, temos de ter em consideração, alguns problemas sociais que advêm da entrada indiscriminada de imigrantes, nomeadamente, de imigrantes ilegais, para os quais Portugal continua a ser uma porta de entrada no espaço europeu.

Os tempos em que vivemos levantam muitas questões, mas, principalmente, trazem muitos desafios. A imigração e a integração desses imigrantes constitui, sem dúvida, uma temática que deve ser amplamente discutida e lançada na opinião pública.


De Paulo Colaço a 19 de Novembro de 2008 às 09:47
Este é um tema fascinante.
Não tenho soluções diferentes das do Luís.
É preciso dotar de meios as autoridades (policiais e e outras) que lidam com os imigrantes, com a segurança social e justiça para que três realidades coexistam:
a) Portugal como Estado que acolhe tão bem como foi acolhido no passado por outras nações amigas
b) Portugal como Estado que integra e trata todos com igual dignidade humana
c) Portugal como Estado que acautela equilíbrios sociais e a segurança interna


De Nélson Faria a 19 de Novembro de 2008 às 09:53
Eu não consigo ver uma discussão sobre imigração sem recorrer a uma citação de Paulo Portas: Rigor na entrada, humanismo na integração.

Desconsiderar aqueles que procuram o nosso País em busca de vida é falta de humanidade; ignorar que a entrada maciça de pessoas numa sociedade, que sem integração se tornam "enxertos sociais", é desprezar a realidade.

Nem o mundo é o local feliz onde todos vivemos felizes e em harmonia (esquerda), nem os imigrantes são portadores de doenças e de infelicidade (direita).

São pessoas, que dando oportunidade, fazem falta e são uma mais valia, colmatando falhas de mercado.

|

De Paulo Colaço a 19 de Novembro de 2008 às 09:57
Eu sempre gostei dessa frase "portista" mas receio bem que o "rigor" de que ele fala é um apetite pela política da porta fechada.

|

De Nélson Faria a 19 de Novembro de 2008 às 10:12
Pois, lá o que a frase quer dizer para ele são coisas dele eheheheheheh

Entretanto, não sei se de propósito ou não, mas ontem foi, ou deveria ter sido, divulgado um relatório da UE sobre o tema.

Nele pode-se ler a livre circulação dos trabalhadores dos mais recentes estados membros não provocou, per si, o aumento do desemprego ou uma quebra salarial nos países de acolhimento.

Não tenho tempo para procurar o link para o relatório, fiquem com a notícia de outro grande site para "pescar" informação: a rádio renascença.

http://www.rr.pt/informacaoDetalhe.aspx?ContentId=267240&AreaId=11&SubAreaId=23&ZoneId=11




De Nélson Faria a 19 de Novembro de 2008 às 10:15
E já que falei nisso, a RR tem também uma coisa fantástica: todos os dias, ao final do dia, envia-nos um jornalito gratuito que faz a súmula das últimas 24 horas. Para quem trabalha dá jêto... infelizmente como ontem tive um dia de loucos, só hoje ao ler o Página 1 de ontem vi a notícia sobre o "supra" citado relatório lol

É só botar o vosso mail e passam a receber o Página 1, free of charge

http://www.pagina1.pt/


De Bruno Ribeiro a 24 de Novembro de 2008 às 16:40
É com pena que chego tarde a esta discussão porque acho o tema interessante e o post do Pereirinha tá bem esgalhado!

Portugal não pode prescindir da imigração. Infelizmente, hoje em dia, os portugueses dão-se ao luxo de não fazerem determinados trabalhos e deixam isso para quem vem de fora.

Agora, é importante ponderar, por um lado, o porquê desta situação e, por outro, saber se ela nos será benéfica ou prejudicial.

Penso que o nosso país tem uma taxa de desemprego natural elevadíssima e isso é sempre negativo, tendo em conta que o país atravessa dificuldades e a própria Seguraça Social está em ruptura.

Assim, é necessário trabalhar a montante, criando as condições sociais, nomeadamente no que ao mundo do Trabalho diz respeito, para que os imigrantes sejam integrados de acordo com os interesses da nação e não de forma a contribuirem para "dar cabo" do mercado às mão de patrões interesseiros e sedentos de lucro fácil.


Comentar post

Notícias
Psico-Social

Psico-Destaques
Psicóticos
Arquivo

Leituras
tags
Subscrever feeds
Disclaimer
1- As declarações aqui pres-tadas são da exclusiva respon-sabilidade do respectivo autor.
2 - O Psicolaranja não se responsabiliza pelas declarações de terceiros produzidas neste espaço de debate.
3 - Quaisquer declarações produzidas que constituam ou possam constituir crime de qualquer natureza ou que, por qualquer motivo, possam ser consideradas ofensivas ao bom nome ou integridade de alguém pertencente ou não a este Blog são da exclusiva responsabilida-de de quem as produz, reser-vando-se o Conselho Editorial do Psicolaranja o direito de eliminar o comentário no caso de tais declarações se traduzirem por si só ou por indiciação, na prática de um ilícito criminal ou de outra natureza.