Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
De Tio Diogo a Freitas nas manifs...

 

Ontem Diogo Freitas do Amaral deu uma entrevista a Judite de Sousa.

 

Voltou a falar de Camarate e abriu de novo o debate.

Assumiu que foi convidado por Sá Carneiro para ser candidato em 1980 a PR e por Almeida Santos para ser Primeiro-Ministro a seguir a Mário Soares.

 

Freitas do Amaral confessou, entre elogios ao Governo de Sócrates, que quando foi, como independente, ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros no Governo de José Sócrates, recebeu «insultos» por escrito, «amigos» cortaram relações e «pessoas da família (primos e tios) nunca mais falaram» com ele.

 

Falou ainda do seu antigo CDS, afirmando que hoje «é um partido bastante apagado» e que o seu actual líder, Paulo Portas, «quase não se ouve».

 

Congratulou-se por ter sido a única pessoa que perdeu umas eleições com 49% dos votos.

 

O que pensar deste homem? Do seu percurso? Foi uma desilusão?



uma psicose de Diogo Agostinho às 11:37
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6 comentários:
De Luís Nogueira a 24 de Outubro de 2008 às 12:26
Respondendo às 3 perguntas. Acho que Freitas do Amaral está de alguma forma, a tentar fazer as pazes com o seu passado político. Outra coisa não seria de esperar, perante o percurso marcante que teve na política portuguesa. Será que a sua nomeação para um cargo ministerial de um governo socialista foi uma desilusão? No meu entender foi.


De Luis Melo a 24 de Outubro de 2008 às 15:05
Vou reproduzir aqui, partes do que escrevi no meu blog acerca da entrevista de Freitas:

[...]Freitas do Amaral disse na RTP que não estava arrependido de ter pedido maioria absoluta para o PS em 2005. Segundo ele, todos concordam que Sócrates tem sido melhor do que seria Pedro Santana Lopes. Eu não concordo!! Santana governou melhor nos 4 meses em que foi PM[...]

[...] Freitas disse ainda algo que me fez rir: "O governo teve o azar de, quando ia começar a distribuir a riqueza, caiu-lhe a crise internacional em cima". Ora Sr. Professor!! Ia começar a distribuir riqueza? mas qual riqueza? a riqueza criada por centenas de milhares de desempregados? E azar? Teve foi sorte, porque assim pode desculpar o seu mau desempenho com a crise internacional[...]

O tio Diogo (mais parece avô) desiludiu-me muito nesta última década: a re-edição do governo PS-CDS (qual saudade dos idos 70 e 80); a posição anti-americana marcadíssima e violenta; a crítica ao partido que fez dele o político que foi... e muito mais.

Pensar eu, que em 1986 andei na campanha eleitoral para o eleger... enfim, tenho a desculpa de na altura ser criança e não saber o que fazia...


De Luis Melo a 24 de Outubro de 2008 às 15:08
Mas por mais que queira esquecer, não me safo das fotografias com o chapéu de palha (tipo Alberto João) com uma fita a dizer "Freitas Presidente"... :)


De Paulo Colaço a 24 de Outubro de 2008 às 15:17
Subscrevo o Luís: Freitas está a tentar fazer as pazes com o seu passado e com as pessoas.

Gosto muito da figura de Freitas do Amaral.
Atenção, eu disse “a figura”. Ou seja, é uma personagem da política sobre a qual sempre me agradou falar.
No início muito bem, agora nada bem.

Freitas foi a primeira (e única) pessoa da política por quem chorei.
Era este o enquadramento: eu tinha 10 anos e estive envolvido a fundo na sua campanha presidencial (em Rio Maior). A derrota pesou-me muito.
Para piorar, o hino da campanha de Soares era cantado pelo Rui Veloso, a quem achava que nunca ia perdoar (coisas que cachopo. Passou rápido).

Depois disso, as voltas e vira-voltas da vida apanharam Freitas sempre com um pé no ar, ou seja, com pouca estabilidade e centro de gravidade pouco seguro.
Talvez por isso não tenha conseguido resistir às ofertas matreiras que lhe foram fazendo alguns amigos de circunstância.

A coligação PSD/PS para o levar a presidente da AG/ONU, a chegada a Ministro do PS, a posição que alcançou na faculdade de Direito da Nova, o activismo na Regionalização, etc.

Acho que a história lhe fechou a porta na cara, com estrondo. No entanto, abriu-lhe muitas janelas. Aquelas que talvez merecesse, mas não pelo percurso dos últimos anos…

É com pena minha que o melhor nome de sempre do CDS não tenha querido para si um destaque semelhante. Adriano Moreira merecia muito mais que Freitas.


De Diogo Agostinho a 24 de Outubro de 2008 às 15:56
Tens toda a razão Colaço.

Adriano Moreira foi uma pessoa que Portugal não soube aproveitar. E hoje com mais de 80 anos contínua a ser um homem extremamente lúcido.

Ontem considerou que o estado em que o mundo se encontra tem um nome: Anarquia madura.

Impressionante a visão deste homem.

Já Freitas foi a esperança de muitos, e a desilusão que o Colaço falou extendeu-se a muitos portugueses. Oiço muitas vezes que o País teria ido mais longe se tivesse tido Freitas e Cavaco no Poder. Soares foi de longe um entrave ao total desenvolvimento do País.

Mas depois, de chegar a Presidente da Assembleia das Nações Unidas, nunca pensei que Freitas conseguisse entrar para um Governo, ainda mais Socialista. Desiludiu quem nele acreditou, tinha-lhe ficado tão bem continuar a ser uma voz com impacto e manter a postura de Senador. Hoje se calhar tinha mais amigos e menos desgostos familiares...


De Frederico Carvalho a 24 de Outubro de 2008 às 16:11
Ontem vi com atenção a entrevista.
Sinceramente, achei senão a melhor, concerteza uma das melhores entrevistas que a Judite de Sousa já fez, tambem graças ao avontade do convidado.

1) Respondeu a todas as perguntas sem grandes rodeios
2) Deu aos espectadores rebuçados históricos sobre situações políticas vividas
3) Está com optima memória e boa cabeça.

Bom, no geral, eu gostei bastante.

O que me faz confusão é como é que as pessoas com Freitas do Amaral, ou Almeida Santos que já escreveram longos livros sobre a história politica, conseguem reproduzir conversas, às vezes em discurso directo.
Levam bloco de notas para as reuniões, ou andavam com microfones ao peito :)

Não deixa de ser engraçado ler, a sua versão da história.

No final deixo uma nota de consideração pessoal pela forma como ele se auto-intitula na política: centrista


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