Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
Qual é a porta?

O Plano de Salvamento financeiro, proposto pela Administração Bush, foi chumbado pela Câmara dos Representantes.

A maior oposição surgiu da bancada republicana, onde metade dos representantes votou contra.

A campanha de McCain acusa Obama de ser o responsável pelo chumbo do plano.

O resultado fez mergulhar o Dow Jones mais de 400 pontos.
 

E agora?


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uma psicose de Margarida Balseiro Lopes às 03:06
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17 comentários:
De José Pedro Salgado a 30 de Setembro de 2008 às 10:17
O Dow mergulhou mais de 700 pontos (e quase 800, se não me engano).

Antes de se saber a posição do Congresso sobre o plano de Bush, haviam protestos nas ruas sobre a ineficácia do mesmo por salvar as instituições mas não os pequenos devedores.

Agora é que vamos ver se o devíamos ter feito.

Sendo a favor que era do plano, confesso-me curioso para ver como vai o capitalismo comportar-se neste cenário.

É que sempre o tive como dado adquirido, nunca o vi ser testado "à séria".


De Filipe de Arede Nunes a 30 de Setembro de 2008 às 10:34
Confesso que estou preocupado com a crise do sistema financeiro mundial.

Como muito bem se tem por aí dito - e embora eu não seja a pessoa mais indicada para repetir, creio ser importante - o sistema financeiro baseia-se numa convenção e na confiança.

Ora, confiança parece existir cada vez menos, e a convenção parece estar a ser posta em causa.

Hoje em dia vivemos numa sociedade de tal forma taylorista que corremos o risco de, por inabilidade funcional, perecermos enquanto organização social.

O que será de nós, de todo o sistema financeiro colapsar de um momento para o outro? De que valerá o dinheiro? De que valerão as nossas fúteis profissões, que apenas na base desta convenção se revestem de utilidade?

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes


De Guilherme Diaz-Bérrio a 30 de Setembro de 2008 às 10:40
Tecnicamente foram 770 pontos no Dow Jones, mas isso é um mero promenor ;)

Há saída? Há! E tem estado sempre à frente do nariz (e muitos tem sido bastante verbais sobre a mesma). Segue um pequeno "road map":

Atirar dinheiro ao problema não é a solução. Não contando com os 700 mil milhões de dólares do Bailout, já foram "atirados" 1,5 biliões de dólares pela Reserva Federal. São 10% do PIB dos EUA! O problema base do raciocinio era este: atira-se dinheiro até os preços dos activos que estão a corroer os balanços dos bancos recuperarem, para níveis que sejam sustentáveis para os seus balanços. O problema é que só daqui a 10 anos é que isso vai acontecer! (ver um gráfico que dispensa grandes explicações aqui - http://sublegelibertas.wordpress.com/2008/09/29/porque-e-que-o-plano-paulson-vai-falhar/).

O "ataque cardiaco" que todos falam nos mercados de crédito deu-se aquando da falencia da Lehman Brothers, quando se viu um buraco de 110 mil milhões no balanço. Basicamente, eles estavam a preçar mal os seus activos. A questão surgiu: quem mais tem este problema? A pergunta deixa de ser "quem é liquido?" e passa a ser "quem é solvente?". E o mercado pura e simplesmente deixa de funcionar!

A única maneira de desbloquear o "impasse" é colocar as cartas na mesa - e admitir que uma parte do sector bancário norte-americano é de facto insolvente.

O Estado entra com injecções de capital. Em troca, pede acções preferênciais no mesmo valor. Isto torna a coisa mais "simples": não é o contribuinte a investir, é o contribuinte a servir de agente para uma troca - o dinheiro dos accionistas entra para dentro das contas. Depois, segura-se a dívida senior (a primeira na linha de recepção aquando duma falência, e exactamente aquela que ficou "branca" quando viu a Lehman Brothers) a um nível perto dos 80 centimos. Isto significa cerca de 20% de "hair cut" a serem reduzidos na divida (ou seja, por cada dólar emprestado podem receber de volta 80, o que é o normal que divida senior recebe em caso de falência! o problema foi que na Lehman, receberam 12 centimos por cada dolar emprestado).

Divida junior permanece em risco. Há uma lição a ensinar aqui: divida junior (em especial de curto prazo, a grande causa da alavancagem excessiva dos bancos) é arriscada. Com esta medida, o "premio de risco" deste tipo de dívida sobe, para os actuais e futuros "gigantes". Pensem num "imposto" que o mercado impõe ao tamanho. Quanto maior, mais "imposto". Isto levantará capital suficiente para "desalavancar" estes balanços.

Em vez de termos empresas que, por cada 40 ou 60 dólares que têm, 49 a 59 são emprestados, passamos a ter empresas em que por cada 10 dólares apenas 9 são emprestados.

O próximo passo é limpar a casa. Assumir as perdas e usar o que seja na gíria o esquema "good bank/bad bank": todos os activos que estavam a corroer os balanços são retirados para uma nova holding (o "bad bank"), e o que sobra (o "good bank"), passa a ter um balanço possível de gerir sem um buraco negro. Deste modo, o interesse privado volta a ressurgir: dado que toda a gente sabe onde anda o lixo (no "bad bank"), passa a haver ofertas pelo "good bank" (quem não quer ser dono da Goldman Sachs ou da Morgan Stantley? Consigo pensar em 4 ou 5 bancos europeus e asiáticos que se matavam para ter a oportunidade!). Assim o Estado sai de cena, vendendo as suas acções preferenciais (a probabilidade de as vender com lucro é muito muito alta).
Sobra o "bad bank". O problema daquele lixo nunca foi falta de compradores. Muitos especuladores estavam interessados. O problema era que não estavam dispostos a pagar "prémios" de 50 ou 70% aos bancos, e estes não podiam vender a preços "verdadeiros", porque senão faliam. Havendo o "bad bank", está lá tudo à mostra para nos próximos anos haver propostas de especuladores (e haverá quem estará disposto ao risco, é por isso que os especuladores recomendam-se para o bom funcionamento do mercado).



De Guilherme Diaz-Bérrio a 30 de Setembro de 2008 às 10:45
Resta a Europa! O Trichet fala hj às 17h (embora não apostaria numa descida das taxas de juro). Se o plano que foi chumbado fosse para frente, as taxas de juro iriam subir (mais oferta de obrigações face à procura = preço desce = taxas de juro sobem) e iria colocar o dólar sobre uma enorme pressão, dólar esse que só tem sido agarrado devido aos esforços do BCE, Banco do Japão, Banco da Russia, Banco da China e os Bancos do Golfo Pérsico. Não teriam força para aguentar a pressão, e ficariam acorrentados à espada da inflação a 2 digitos.

Seguindo o plano acima, o mercado de credito de curto prazo desbloqueia porque já se sabe quem tem o quê. O BCE cumpriu muito bem o seu papel nesta crise: aguentou o dólar comprando reservas e fazendo "swaps", não baixou as taxas de juro, pelo que, dada a corrida às obrigações europeias, as taxas de longo prazo estão mais baixas, dando espaço para a consolidação de balanços de empresas e familias para o longo prazo (se tivesse baixo as taxas, estaria na mesma situação da Fed: taxas de longo prazo a subir ao mesmo tempo que as taxas de curto prazo rebentam com a tensão). Restou apenas ao BCE fazer a gestão de liquidez. E ai reside a diferença: os EUA têm um problema de solvência, a UE tem um problema de liquidez! (vejam as tabelas aqui para perceberem: http://sublegelibertas.wordpress.com/2008/09/29/europa-vive-com-tempo-emprestado-a-sequela/).

Com os mercados desbloqueados, os bancos grandes podem agora reconsolidar os balanços, e os que não conseguirem temporariamente continuam a dispor das facilidades de liquidez criadas em Agosto de 2007. Os pequenos que possam falhar - e note-se que a Fortis, no big picture do BCE não era um evento "sistémico" - deverão ser tratados caso a caso, da mesma forma que os americanos (comentário acima).


De Guilherme Diaz-Bérrio a 30 de Setembro de 2008 às 11:10
Já agora, um ultimo apontamento:
Este plano acima descrito não tem nada de "inovador". É o "modelo nórdico", considerado o exemplo de como lidar com uma crise bancária sistémica, originada por uma bolha de crédito e imobiliário [para os que gostam de história, ver a Suécia e a Finlândia de 1992 a 1996, o tempo que eles demoraram a recuperar para os níveis de preços que tinham ou a Coreia do Sul em 1998/2001 para um exemplo mais "market oriented" mas com a correspondente "violência" no ajustamento].

O modelo que Paulson ia usar é conhecido como a "doutrina Japonesa" e foi usado em apenas 7 de 42 crises bancárias (México, Rep. Checa, Jamaica, Japão, Bolivia, Paraguai e Malasia), com resultados maus para a economia e para o contribuinte (demoraram todos cerca de 10 anos a recuperar os estragos).

Pto, agora vou parar de monopolizar a caixa de comentários LOL


De Filipe de Arede Nunes a 30 de Setembro de 2008 às 11:57
Guilherme,

Acho sinceramente que és um tipo porreiro. Gosto de ler o que escreves e acho que fazes um esforço para explicar aqui à malta o que se passa.

No entanto tenho de ser honesto: não percebi nada do que escreveste.

Talvez o problema seja meu. O único gajo que consigo entender sobre este assunto é o Camilo que fala na RTPN .

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

PS: Esclarece-me só uma dúvida: a injecção de dinheiro é feita contra o pagamento desse dinheiro com uma taxa de juro? Certo?


De Guilherme Diaz-Bérrio a 30 de Setembro de 2008 às 13:01
LOL eu bem tento simplificar isto, mas estou a ver que está dificil...

Ok, vamos tentar uma abordagem diferente.

Imagina que tens uma empresa de compra e venda de berlindes! A tua empresa de 10 mil euros de capital. O mercado de berlindes está óptimo. Aquilo sobe a 10 por cento ao ano e cada berlinde custa hj 1000 euros (nota de rodapé: eu criei as condições para que o mercado de berlindes subisse mas ignora por um momento isso). E tu pensas "Ganda negócio... com 10 mil euros eu compro 10 berlindes e ganho 10% ao ano! Excelente". Compras 10 berlindes: capital próprio 10 mil euros e activo 10 berlindes a 1000 cada um.
Mas tu depois pensas assim: "epá... se eu conseguisse comprar mais berlindes é que era bom... se isto rebentar ali o Guilherme segura o barco! Ele faz sempre isso!". Olhas e vês que podes pedir dinheiro a outros psicoticos com uma taxa de juro muito baixa no curto prazo(depois agradeces-me). Quando eles te pedirem, tu pagas dívida com dívida e continuas a jogar. E pensas: "lindo...ora bem, 10 mil euros... se eu pedir mais 90 mil euros, consigo comprar mais 90 berlindes!". E assim fazes.
Agora tens: 10 mil euros teus, 90 mil euros de passivo (dívida de curto prazo) e 100 mil euros de activo (100 berlindes a 1000 cada).
Passa um ano e os teus berlindes valorizaram. Agora valem 1100 cada um. E tu pensas "Porreiro, fiz 100 euros por berlinde, são 100 berlindes, logo dupliquei o meu dinheiro...tenho 10 mil euros". E heis que pensas outra vez "Pera ai... se eu voltar a meter estes 10 mil euros e fizer a coisa outra vez, posso comprar mais 100 berlindes. Se correr mal, ali o Guilherme agarra... não há problema".
Ficas agora com 20 mil euros de capital, 180 mil euros de divida e 200 mil euros em berlindes. Por ano podes fazer 20000 euros, porque os berlindes tendem a crescer 10%.

Agora, imagina tu, que os berlindes eram uma bolha (eu andei a brincar com os juros, e induzi muita gente a pensar como tu). E que eles começam a cair. Vamos ser simpáticos. Cairam 1%. Ora 1% de 200 mil euros são 2 mil. E tu pensas, "Ai, perdi 10% do meu dinheiro, mas calma...isto vai parar, deixa cá mexer um pouco na contabilidade". E os berlindes continuam a descer. Imagina que já vão em 5%. Contas feitas já perdeste 5% de 200 mil euros, ou seja, limpaste 10 mil euros da tua conta. Andas a brincar com a contabilidade para ninguém reparar mas na prática já perdeste 50% do teu dinheiro.

E tu pensas "Vá...calma...ok vou vender isto... há quem compre!". Opps, não há. É que os berlindes hj valem 1045, e tecnicamente o preço oferecido é menos - porque a malta do psico sabe que os berlindes vêm por ai abaixo - mas tu queres vender os berlindes a um valor não muito longe de 1100. Mas só te oferecem 1000 ou 950. Bem, mas a esse preço tu perdes tudo. Estás "insolvente".

Ai tu vens a correr "Guilherme Guilherme tou lixado... tenho aqui os berlindes e ninguém mos vende" e eu digo-te "Ok, estás a perder quanto?" e tu "Epah, 1000 euros por trimestre, daqui a nada fecho portas!" e eu respondo "Ok Ok, dá cá uns berlindes, toma lá os 1000 euros e aguenta-te ai". E assim passa um ano: tu vais-me dando berlindes em troca de dinheiro...mas os berlindes estão temporáreamente na minha mão. Tecnicamente são teus. Logo, continuas com problemas.

Ok, pelo meio, o Paulo, a Margarida e o Né repararam no que se passava e perceberam o que se estava a passar com a tramoia dos berlindes. Ninguém te empresta mais dinheiro! Estás contra a parede...

Ao que eu vou a um psico congresso pedir: "dêem-me lá uns 20 mil euros para eu tratar ali do rapaz coitado, senão é o fim do mundo como o conhecemos". Mas eles não comem: ou não gostam da ideia, ou não têm dinheiro ou simplesmente já fizeram o 2+2=4.

(continua)


De Guilherme Diaz-Bérrio a 30 de Setembro de 2008 às 13:07
Qual a solução? Bem, a tua empresa tem 20 mil euros de capital e 180 mil euros de credores (alavanca, 1-10).
O valor de mercado dela é 40 mil euros, por exemplo. Então chega eu e digo: Ok, acabou a brincadeira. Toma lá 40 mil euros, e dá-me as acções todas. Ok, o teu balanço agora tem 60 mil euros e 180 mil euros de dívida (entretanto os accionistas, tu incluido estão a arder, mas a tua alavanca diminuiu para 1-3). Eu quero apagar o fogo definitivamente, e pego na tua divida. dos 180 mil, 100 mil são divida de curto prazo não segura (malta que tb não compreendeu bem o conceito de RISCO). Ok, esses eu não garanto: estão por vossa conta. Sobram os 80 mil de divida segura. Eu faço um air cut de 20%, ou seja, essa divida passa a 64 mil euros. Os 16 vão para capital.
Tens agora: 74 mil euros de capital, 64 mil euros de divida que tem de ser cumprida e 100 mil euros de malta que pode arder. ratio de alavanca: 1-2 (saudável, para empresas não financeiras, se forem bancos podem ir até aos 10, mas isso é fora do exemplo).
OK. Eu pego no raio dos teus berlindes e coloco-as numa outra empresa. Ai o Salgado pensa: "hum, berlindes baratos... deixa cá tentar a sorte!". É especulador: se perder perdeu, se ganhou, bom para ele. Mas, sem os berlindes e com tudo reestruturado, tu até tens um bom negócio. E ali o JFD e o Diogo adoravam comprar-te. Eu digo "quem dá mais" e ele pagam-me, por exemplo, 50 mil euros. Porquê? Porque já não tens os berlindes a estorvar e a tua divida foi reestruturada. És agora um grande negócio.
Eu começo a sair pela esquerda baixa: meti 40, ganhei 50. Os accionistas e credores junior pensam: noutra não me meto tão cedo, e tu pensas "para a próxima já sei: o Guilherme não é assim tão simpático!".

Percebes agora?

Chama à empresa do comment Fannie Mae, AIG, Goldman Sachs, etc, etc, metes bastantes zeros nos valores e uns mecanismos um pouco complexos e ai tens a trapalhada...

Mais que isto não sei se consigo. Bem vindo ao mundo da alta finança! ;)


De Filipe de Arede Nunes a 30 de Setembro de 2008 às 13:49
Guilherme,

Quero agradecer-te a paciência pela explicação.

Vamos então ver se eu compreendi: nesta situação, quem sai então a ganhar?

É que se a empresa se mantém em funcionamento, mas à custa dos "credores não seguros", não seria mais positivo para estes "credores não seguros" que a empresa fosse à falência? É que numa perspectiva simplesmente aritmética, todos estes credores - equacionando que não existem aqui garantias reais e que estão todos no mesmo patamar - concorreriam para o activo restante?

Em que beneficia o mercado com a manutenção artificial destas empresas?

O que nos garante que no futuro, a contabilidade e a gestão criativa não vai continuar a fazer vitimas?

Achas possível um crescimento económico sustentando a nível mundial sem a existência destas alavancagens ?

Os mercados não são infinitos. É possível conviver sem recessões? É possível ganhar dinheiro sem que alguém perca?

Guilherme,

Se tiveres tempo, paciência e se achares que alguma destas coisas faz sentido, agradecia que continuasses a ser nosso professor.

Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes


De Guilherme Diaz-Bérrio a 30 de Setembro de 2008 às 14:07
Bem, aqui a questão não vai ser quem ganha. Eu fiz a intervenção de modo a garantir que o dinheiro que usei (os contribuintes) não ficou em risco. O resto é com vocês.

Estaremos sempre vulneráveis a brincadeiras criativas. Mas sejamos honestos: capitalismo sem falências é como religião sem pecado... não funciona muito bem pois não?

O que é que está a tornar isto tão doloroso? O tamanho das instituições. (no "teu" caso dos berlindes, estavas alavancado num ratio de 1 para 10, o que estava a criar um efeito lupa e a impedir que o mercado funcionasse porque tinhas lá os berlindes). Eu apenas removo o lixo da equação e coloca as cartas na mesa: o lixo está "ali", agora decidam lá o preço. Este menino (a tua empresa de berlindes) já não leva o sistema abaixo. Quem pagou? os accionistas e os credores juniores. O problema não é uma empresa ser "segura" por divida junior, é ela ter noção dos limites e os credores têm de impor uma taxa de acordo com o risco. Maior o tamanho maior o risco maior o desincentivo a "grande demais para falhar". Esta lógica falha porque eu desci as taxas e criei a bolha dos berlindes.
Eu apenas tenho que repor a informação no mercado e fazer "reiniciar". O resto é com o mercado.

Se tivesses dinheiro não gostavas de ser dono da Goldman Sachs? Bem, eu digo-te já, se tivesse pagava. O problema é este: 73 mil milhões de "lixo tóxico" com preços errados. Não quero aquilo nem morto. Agora, se o estado entrar, reestruturar (e repara que ele usa o dinheiro dos contribuintes como fundo de maneio, não é a fundo perdido, é para poder "transferir" o dinheiro dos accionistas para dentro da empresa), ai a Goldman é um grande negócio. Com ratios próximos do 1 para 10, consigo contar alguns bancos que não só podem como quase que se matam para a comprar ao estado: UBS, HSBC, Deutshe Bank, Mitsubishi Bank, só para dizer alguns.

O lixo é colocado a público num holding. Fica marcado ao preço real (que deve andar a 10 a 20 cêntimos, quando nos balanços está marcado "contabilisticamente" a 70/80 cêntimos). A 10 cêntimos à compradores, não havia era a 70!

O resto é deixar a correcção seguir o seu curso... mas ai já não tens um problema de "meltdown" do sistema. Os mecanismos de protecção foram restaurados (à força, mas foram).


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