Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Aí está ele

Portugal está a investir na tecnologia, colocando-a à disposição das crianças.

 

Os programas “e.escolinha” e “e.escola” tornam, para a grande maioria dos alunos,muito mais simples o acesso a um computador e à Internet.

 

Isso deixa-me naturalmente satisfeita.

 

Mas  o que valem estas medidas de dita simplificação e democratização de recursos quando a sua tradução na vida das pessoas fica sempre muito longe do brilho das suas apresentações?

 

Valem, parece-me a mim, muito pouco.

 

Afinal e porque estamos a falar de alunos do 1º ciclo, os professores e os pais tiveram algum tipo de formação para trabalhar com o " Magalhães"?

 

Todas as escolas estão equipadas de forma a  permitir um trabalho sem constrangimentos com este computador, no contexto de sala da aula?

 

O "Magalhães" começou a ser distribuído dispondo de um controlo parental?

 

Não.

 

Sim,é bonito. E é para todos.

 

Mas para que serve?

 

Qual a sua relação com o programa escolar?

 

De que forma potencia nos alunos o desenvolvimento de técnicas de estudo e de aprendizagem?

 

Qual o seu papel na motivação dos alunos em aprender os conteúdos escolares?

 

Não sei.

 

Preocupo-me com este facilitismo embrulhado na mais requintada propaganda em que o Governo é especialista.

 

Preocupo-me com o preço, que nós gerações futuras, teremos de pagar por medidas que pela falta de meios e formação, nunca se conseguem assumir como um efectivo veículo de tranformação dos problemas existentes.

 

Preocupo-me.



uma psicose de Elisabete Oliveira às 15:51
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40 comentários:
De Tânia Martins a 25 de Setembro de 2008 às 18:44
Cara Elisabete,

estava para escrever sobre este tema, mas ainda bem que adiantaste serviço ;) está um grande post.
Para ser sincera sou adepta do ensino tradicional (chamem-me o que quiserem). Acho importantíssimo introduzir as crianças ao fenómeno tecnológico que hoje impera sobre o mundo, mas ainda não me conformo com o abandono dos livros em função da tecnologia (embora saiba que mais tarde ou mais cedo irá acontecer).

As crianças poderão eventualmente interessar-se mais pelas aulas por ter à sua frente um "brinquedo" e isso poderá estimular. A forma de ensinar nestas idades funciona muito com jogos e actividades que estimulam as crianças, mas há muito mais para além de brincar: há a pedagogia eficiente, que não sei (também) até que ponto poderá ser rigorosa com estes equipamentos.

Uma coisa é certa, o governo anda a desfilar na passerelle com esta medida. O que me preocupa é que muito mais além do interesse público, vejo o interesse privado.

Quanto ao preço que poderemos vir a pagar, parece-me que será caro. Parece que todas as boas medidas tomadas neste país acabam por ser mal investidas e mal geridas. E vejo que concordas comigo pelas tuas afirmações. Nunca há a preparação para nada, vem como bomba e quando chega ao limite explode.

Mas enfim, servirá certamente para o senhor PM enunciar nos seus discursos tudo o que se fez neste governo!


De Nuno Bastos a 25 de Setembro de 2008 às 19:56
Subscrevo inteiramente a opinião partilhada pela Elizabete e pela Tânia.

E para quem tem dúvidas sobre a inocência dos conteúdos ao dispor da nossa mocidade, vale a pena ver:

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={A5B1F8E8-835E-44CB-BB5B-DA1F837EF3AF}


De Magalhães a 25 de Setembro de 2008 às 20:07
Pelo amor de Deus!

O Magalhães é uma inovação positiva na sociedade portuguesa. E deve ser admitido. Claro que há uma maquina de propaganda forte deste governo... e daí? Ha neste, como havia em anteriores e haverá nos futuros.

Agora acreditar que tem custos futuros?

Elisabete que tal proibir o uso da internet em Portugal ou limitar o acesso à yahoo, como em cuba ou a partes da web, como na China? Afinal tem custos futuros.

E que tal não ensinar a ler? E nem obrigar a ir à escola... era assim antigamente. As pessoas não sabiam ler nem escrever. Já viu se começassem a saber ler ou escrever, os custos futuros que podia ter??

Isso era reservado a poucos. Provavelmente havia umas elisabetes há altura que pensava que tinha custos futuros. Tem um custo: o Progresso.

Eu não sou socialistas mas admito que o magalhães é uma medida positiva na educação, tal como foi o ensino do inglês no 1º ciclo, introduzido pelo anterior governo.

Discordo e entristece-me que assim pense.


De Guilherme Diaz-Bérrio a 25 de Setembro de 2008 às 20:39
As inovações que o "Magalhães" introduz são... bem estou a tentar ver se lembro de alguma...

Vejamos:
Os componentes principais são todos... de fabricantes estrangeiros (notavelmente, o processador INTEL). Discos, placas de rede...tudo high tech. Estrangeiro.

Ah já sei! A montagem é a inovação. Não...esperem... a JP Sá Couto já montava este tipo de "tecnologias" (portáteis Tsunami, no caso em questão).

Será então que o dito portátil é uma mera manobra de marketing político? Nahhh... é mais um subsidio dos contribuintes ao já fabricante de portáteis JP Sá Couto e à Intel, que ganha a guerra com mais um país a utilizar o seu "Classmate"!

Mas, indo à educação:
500 por cento de acordo Tânia!
A confusão do "progresso" aqui é engraçada. não é com computadores que criamos matemáticos e físicos. É ao contrário: é com matemáticos e físicos que se criam computadores!
E convenhamos, o ensino português anda uma miséria. No outro dia descobri que agora se ensina "etno-matemática".

Para quem pergunta "etno-quê?!", é muito simples:
A matemática é relativa à cultura. Tem que se compreender as "condicionantes culturais e sociais" de cada povo na "sua" matemática... presumo eu que 2+2 são 22 ou 4, consoante a cultura...

A minha pergunta é: anda tudo doido?

Ensine-se como deve de ser, por amor de deus! Decorar a tabuada, ter de apanhar com história e português, nunca fez mal a ninguém!

Este "eduquez" (termo que um professor do ISEG, Nuno Crato, usa para descrever o descalabro actual) vai-nos custar muito caro...


De Luís Nogueira a 25 de Setembro de 2008 às 20:54
Vejamos, caro Magalhães. O seu semelhante mais informatizado, pode de facto, ser considerado como uma boa medida por parte deste governo. Uma em cem, não estamos mal.

No entanto, existem pelo menos três observações, lógicas e legitimas, que podem ser apontadas a este vértice do “amor pela educação” ou do “choque tecnológico”, se quiser.

A primeira observação remete-nos para o já famoso “controlo parental”, face aos conteúdos dos “magalhães” dos filhos. Será que vai existir? Sinceramente duvido. E acreditar no pleno contrário, depois de 8 horas de trabalho diário será versar sobre uma utopia, com todas as consequências que daí advêm.

A segunda leva-nos até à utilidade escolar destes computadores. Serão para jogos, brincadeiras ou para complementar as aulas e a curiosidade dos alunos? Já todos fomos crianças e poucos ou nenhum de nós, preferiam fazer os tpc a poder brincar e rir com o amigo da carteira ao lado.

A terceira e última nota vai para a organização deste projecto do executivo socialista, que atribuí “canas de pesca, a quem não sabe pescar” e de uma forma puramente irresponsável.

Por fim reconheço, que este “comment” me pode custar as mais variadas criticas. Mas respondo muito rapidamente seguinte.

Sócrates resolveu seguir o modelo do computador intel aplicado aos países sub desenvolvidos, ao invés de seguir o modelo Finlandês. Aí os “Magalhães” estão na escola e foram introduzidos progressivamente, não de uma forma abrupta, perturbando o sistema de ensino.

Claro que eleitoralmente e em termos de propaganda, resultou em cheio. Mas no final do ano, veremos os resultados e caso seja necessário, reconhecerei que estou errado. Veremos…


De Luis Melo a 25 de Setembro de 2008 às 20:55
Transcrevo aqui o que escrevi no meu blog:

Sócrates, em mais uma manobra de marketing, distribuiu milhares de computadores montados em Portugal (e não, criados em Portugal) pelas crianças das escolas do 1º ciclo. O Magalhães é um computador que tem vários programas educativos, acesso á internet e jogos. Servirá, segundo o PM para "info-integrar as crianças".

No Telejornal da RTP ouvi:

Jornalista - "Então Maria, o que descobriste hoje de manhã no Magalhães?"

Maria (10 anos) - "Fui á internet e estive a jogar alguns dos jogos"

É para isto que vão servir os computadores... bendito plano tecnológico. Mas há mais, o Governo vai gastar cerca de 80 M€ nos Magalhães... será que é por isso que baixou a ASE (Acção Social Escolar)?

Não entendo as estratégias, as políticas, as ideias deste Governo liderado por José Socrates. Que política é esta? É a política da "oferta do frigorífico" dos novos tempos?


De Nuno Bastos a 25 de Setembro de 2008 às 20:56
Caro Magalhães,

Em que medida é que o Magalhães é uma "medida positiva na educação"?

Digamos que essa frase é um pouco vaga...


De Magalhães a 25 de Setembro de 2008 às 21:03
"O próprio ler já é grave. Começa-se a soletrar, passa-se a folhear O Primo Basílio e daí é um passo até ao desagregar da família"- Não se ensine a ler!

E que tal falarem sobre:

"na nova fábrica de computadores projectada pela multinacional Intel e pela portuguesa JP Sá Couto, em Matosinhos, vai permitir criar cerca de mil novos postos de trabalho" - Que chatice, né?

"O Net-Mamma é um software nacional e permite efectuar um controlo parental de eficaz. Trata-se de um programa invisível, que funciona sem que a criança se aperceba. Os pais podem ver as conversas no Messenger, perceber os hábitos de navegação e os interesses de pesquisa nos motores de busca. Também é possível impor limites horários para a utilização de programas e fazer todo este controlo em utilizadores diferentes no mesmo computador" - Que chatice, né?

"a embalagem de cartão do "Magalhães", fabricada na Micropack, em Santa Maria de Lamas" - Que chatice, né?

Este post da Elisabete é de pura demagogia. E todos sabem, tão bem quanto eu, que muitos destes meninos já tinham computador em casa... e nunca ninguém falou no controlo parental.

Mas para quem tanto defende esta teoria da malvadez do magalhães, "partam-se os lápis - sem controlo parental, um lápis pode desenhar coisas que eu sei lá.."




De Magalhães a 25 de Setembro de 2008 às 21:18
Nuno Bastos, permita-me perguntar: para além do que lê nos jornais, conhece o Magalhães? Mas conhece mesmo?

Repare:

- Existe no portatil um software para a Matemática, Língua Portuguesa, Estudo do Meio, iniciação ao Inglês, entre outros.

- Aumento exponencial de fontes disponíveis para à distância de um clique, como acesso a bibliotecas, p.ex. Vizualização de mapas e imagens indisponiveis nas escolas mas acessiveis na net.

- O computador vem com uma cópia da Diciopédia.

- os pais têm a possibilidade de filtrar o acesso a aplicações, software e sítios da Internet. Podem ainda definir em que período do dia os filhos acedem à Internet - se o problema é o controlo, que definam horas em que estão com eles, ou é muito chato ter horas para estar com os filhos?

Por fim, não li uma noticia de um miudo que não tenha ficado muito feliz, de um professor que criticasse. Aliás as unicas criticas estão na blogosfera e comunicação social.... da oposição.


De Carlos a 25 de Setembro de 2008 às 22:42
Óbvio que o portátil per si, é uma manobra publicitária. Agora, custa-me a acreditar que gente bem educada não veja benefícios em crianças usarem computadores!! E pergunto que idade tinham quando usaram pela primeira vez um computador?


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