Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
"A guerra” nas estradas portuguesas

 

Cento e sessenta e três pessoas morreram nas estradas portuguesas entre 15 de Julho e 15 de Setembro, mais três que em igual período do ano passado, revelou hoje a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

 
Estes são dados sobre os quais devemos reflectir profundamente. Todos nós conhecemos alguns “ases” do volante e certamente, já cometemos ou conhecemos alguém que já tenha cometido infracções ao código da estrada, por mais pequenas que sejam.
 
Penso que não existe uma verdadeira política rodoviária em Portugal, pois a que existe, está alicerçada na repressão da multa por parte das autoridades, sobre os demais condutores. Contudo devemos questionar, se os portugueses são agressivos na sua condução? Ou serão as estradas que na sua generalidade não estão em condições?
 
E mais. Para quê comercializar um automóvel que atinge os 300km/h, se a velocidade máxima permitida por lei nas estradas é de 120 km/h? Afinal, resume-se tudo a uma questão de civismo ou estamos perante uma gigantesca hipocrisia?


uma psicose de Luís Nogueira às 21:22
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19 comentários:
De Luis Melo a 17 de Setembro de 2008 às 22:20
Esta é uma questão que me suscita interesse. Fico impressionado com a quantidade de gente que morre nas estradas portuguesas.

Impressiona-me verificar que quase toda a gente se revolta com a guerra no Iraque. "A morte dos inocentes", "os soldados coitados, que morrem pela ganância de um chefe de estado", etc. "Tudo seria evitável".

E nós? e nós?!! Será que ninguém sofre ou se revolta com a quantidade de mortos (alguns, diria mesmo, assassinatos !!) nas estradas deste país? Não... "isso é normal e inevitável".

A maioria das mortes dão-se em vias rápidas, IC, IP e AE. Quem já andou em vias desse nível "lá fora", pode confirmar que as nossas até estão bem desenhadas e sinalizadas.

Por isso, o problema é só um: a mentalidade.


De Guilherme Parada Ramos a 17 de Setembro de 2008 às 22:26
bem... os numeros sao, realmente, assustadores.

o problema da nossa policia é a caça a multa. Ouvi dizer que cada esquadra/corporação tem direito a 20% dos lucros referentes às multas.

Em vez de se pôr um carro-patrulha na berma da estrada para EVITAR e REDUZIR, porque o mal não pode ser remediado.

Quanto a esses brinquedos de 330km/h... podem sempre ser utilizados nas auto-estradas do interior. estão desertas... lol


De João Marques a 17 de Setembro de 2008 às 22:38
Os brinquedos devem dar aquilo que puderem dar. 300, 400, 500, é aí que o estado não se deve meter.
Na Alemanha conduz-se a 300 em algumas auto-estradas e não se vêem os resultados cá da vila.
Por muito que nos custe, não é na velocidade dos carros que o estado deve intervir. O livre arbítrio do Homem não deve fazer parte do capital do Estado.
Como não deve dizer quanto sal tem a comida, ou a quantas horas de sol nos devemos expor.
São perigos é certo, mas não se combatem com arrobas de proibições.

A aposta deve ser na formação e na prevenção. Só um povo muito mal educado é que conduz com tão pouco civismo na estrada.


De Guilherme Parada Ramos a 17 de Setembro de 2008 às 22:54
Perigos. A exposição excessiva ao Sol é um perigo. O sal em excesso na comida, é perigoso. Mas perigoso para o próprio. Um brinquedo de 300 km/h é perigoso para todos.

Portugal não tem condições para auto-estradas cujo limite máximo de velocidade sejam os 300 km/h. É loucura. E sabemos que o PSD não é a favor das grandes obras públicas, e faz muito bem.

Isso seria o TGV rodoviário. Para quê alcatroar mais este país? Tudo é alcatrão. E o património cultural? Turístico?

A medida está, certamente, na prevenção e na intrevenção antes do acontecimento. Antes da multa.

Vale a pena pensar nisto.


De Nélson Faria a 17 de Setembro de 2008 às 23:34
TGV rodoviário é uma brilhante expressão, Guilherme. :)

Ainda que não concorde contigo, é um óptimo sound bite. Genial!

Eu centraria esforços no mesmo local que o João Marques: ensino condigno e fiscalização recorrente.

Esta história de se dar a carta e conduzir "o resto da vida" já era...




De João Marques a 17 de Setembro de 2008 às 23:50
Um carro que dê 300 não é mais perigoso do que um que dê 120. E eu não disse que se ande a essa velocidade, o que eu disse é que o estado não se deve meter na regulação das velocidades máximas da "maquinaria". Um povo bem educado sabe que por muito rápido que seja o seu carro, isso não é condição bastante para soltar a rédea aos cavalos e desrespeitar as restantes pessoas.
Quantos Bentley, Aston Martin e outros vemos lá fora (e mesmo cá dentro), nas estradas nacionais, urbanas e auto-estradas e nem 1/4 dos acidentes acontecem. Não é nas máquinas que está o problema é no Homem. E o Homem não se resolve por lei como Portugal tão bem demonstra.


De Guilherme Parada Ramos a 17 de Setembro de 2008 às 23:51
Apostar na formação rodoviária? Isso é impraticável. Neste país é, pelo menos. Tantos trabalhadores licenciados nas universidades, que saem de lá sem saber nada. E também nas escolas. Ainda por mais com este método facilitista que se presencia no Secundário.

Há que apostar nas campanhas de sensibilização e no reforço ao patrulhamento nas auto-estradas. Uma viatura policial à berma da estrada é suficiente para pregar o pé no travão.

Daí já não sei. Hoje em dia, basta ser-se da Ordem dos Advogados ou um magistrado, para o sr. agente da lei fechar os olhos. A isto é que se chama passar o cartão.


De Guilherme Diaz-Bérrio a 18 de Setembro de 2008 às 00:12
200% de acordo com o João Marques, mas apenas queria fazer uma nota:

Originalmente, os limites de velocidade (que começaram nos anos 70 nos EUA/Alemanha e foram depois "exportados"), não foram inicialmente feitos para "proteger" mas sim para forçar o parque automóvel a poupar combustível (estávamos em pleno auge do primeiro choque petrolífero ).

Dá que pensar na boa vontade do "legislador" ;)


De Guilherme Parada Ramos a 18 de Setembro de 2008 às 00:30
"Quantos Bentley, Aston Martin e outros vemos lá fora (e mesmo cá dentro), nas estradas nacionais, urbanas e auto-estradas e nem 1/4 dos acidentes acontecem. Não é nas máquinas que está o problema é no Homem. E o Homem não se resolve por lei como Portugal tão bem demonstra."

Como sabes que nem 1/4 dos acidentes são causados por automóveis top 10? A máquina tem muita responsabilidade no problema. Se o teu carro não se aguenta aos 150, tens de andar aos 12 (que é a velocidade máxima em Portugal, e uma velocidade segura, até). Se o teu carro atinge os 250 km/h, andas a 180, 200.

O homem sempre foi inconsciente. O carro ainda é um objecto que, apesar de familiar, é perigoso. Mas não é dizendo que o problema está no homem que se resolve a questão. As escolas de consução são instituições privadas. Como poderá o Estado controlar a formação rodoviária?

Tantos acidentes que são causados por falta de revisão do veículo. E não é só nos velhos, porque os novos carros têm muitas falhas no sistema electrónico, e o carro fica todo maluco. Mudanças automáticas: outra. As máquinas são tão imperfeitas...

Acham normal uma pessoa ir aos 150 km/h, e vem um carro da polícia "à paisana" mandar parar a viatura? Depois do mal estar feito?

Sinceramente, não sei. Não sei como se há de prevenir os acidentes na estrada...


De Irina Martins a 18 de Setembro de 2008 às 01:41
Deveria ser uma questão de civismo mas este sentimento ainda não existe entre toda a sociedade portuguesa, tanto nesta matéria como em tantas outras de grande importância...
Mas a falta deste sentimento não é o único motivo para que os acidentes aconteçam, a titulo de exemplo temos o Algarve (que é uma realidade que me é bastante próxima), temos um país com o maior número de Km's de autoestrada de toda a União Europeia, contudo temos o Algarve que é atravessado por duas estradas, a N125 e a via do Infante, e qual delas a que está em pior estado, ora são lombas atrás de lombas, ora são buracos descomunais. Para o habitante sazonal isto é péssimo, mas para nós que cá estamos a tempo inteiro e que moramos numa ponta e trabalhamos noutra é um autêntico filme de terror diário.
Quero assim com tudo isto dizer que o problema não passa só pelo civismo e as campanhas de prevenção, mas também pela requalificação de grande parte das estradas locais. Porque sei que estradas más não existem só por cá (porque até moro numa zona privilegiada) mas sim em todo o país...


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