Domingo, 14 de Setembro de 2008
Coligação!

Fiquei espantado com a análise dos acontecimentos de Carlos Magno & companhia, no programa Contraditório da Antena 1.

Segundo o mesmo, Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite estão em coligação para o derrube deste Governo Socialista. Cavaco Silva já se terá apercebido do fim do prazo de validade de Sócrates, e finalmente há alguém no PSD com quem Cavaco pode contar. Daí as últimas acções por parte do nosso PR; quem imaginaria a troca de argumentos com o Ministro da Administração Interna.
Fez-se-me luz. Não veio de dentro, mas veio de fora. Mas pronto, fez-se luz!
É excelente para a nossa Presidente. Mas poderá ser muito danoso para o nosso Presidente, pois a esquerda poder-se-á unir para combater proximamente este Primeiro Ministro sombra, como continuaram divagando no programa referido... Será caso para se dizer que se tratará de um derradeiro sacrifico político a bem da Nação? A bem do PSD? Como poderá o PS contra atacar?
Cavaco Silva nunca me enganou; Grande Presidente da República, não dá ponto sem nó!!!

: esperançado!
: Paz Pão!

uma psicose de jfd às 14:13
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12 comentários:
De jfd a 14 de Setembro de 2008 às 14:28
Noutra nota, esteve muito bem MFL aquando da marcação da conferência de imprensa sobre o voto dos emigrantes.
Desconheço o conteúdo (mas soube da importância, pois pode ser decisivo esse circulo eleitoral no ganho ou não de maioria absoluta!!!), mas aprecio a coerência da forma. Mesmo discordando. Mas em mim já está a ter um determinado efeito positivo. Oxalá tenha em muitas mais pessoas...
Até teve um momento Scolari ; "Não é para isso que cá estou!" Quando interpelada sobre o Ministro da Administração Interna. Autismo dirão uns, seta para baixo deu-lhe o Diário Económico, eu torci o nariz, mas confesso que esta rigidês e arrogância, como já confessei antes, me agradam em quem tem de liderar.
Quem tem de liderar manda. Não é mandado.


De jfd a 14 de Setembro de 2008 às 14:40
Mas isto não é tudo alegrias! Pois o veto do Presidente da Republica à lei do divórcio é algo que me deixa triste. Cavaco é Presidente de todos os Portugueses. E não apenas dos que pensam como ele, ou como MFL e as suas infelizes declarações sobre a família
O conservadorismo de Cavaco está explicito no sitio da Presidência. E estou para ver como ficarão nesta história os deputados do PSD.


De Alberto Fernandes a 14 de Setembro de 2008 às 16:24
O Carlos Magno tem uma imaginação fértil. Cavaco, líder da oposição na sombra? Não me parece... Mesmo nada. Todos conhecemos a folha de serviços de Cavaco enquanto político, e todos sabemos, em primeiro lugar, que é um homem de palavra, e em segundo que vai cumprir o seu mandato (e bem, digo eu) atendendo aos poderes que a Constituição lhe reserva e à sua leitura dos mesmos. E isso está longe de ser um novo "Mário Soares", que chegou a fazer um congresso contra o Governo. Cavaco não podia deixar de responder às declarações do MAI, assim como não poderia deixar de lançar novo aviso em relação ao estatuto político-administrativo dos Açores, não me parece que tenham sido atitudes de ataque ao Governo, até porque o PSD (mal a meu ver) está a favor do estatuto.
E depois, formar uma coligação com Ferreira Leite, também é daquelas ideias que estão fora da realidade. Ele quando foi PM sabe bem o que foi Governar com o líder da oposição instalado no Palácio de Belém, ainda por cima tendo o beneplácito da comunicação social. E também não deveria assumir esse papel. A oposição somos nós! O Presidente não é, nem deve ser, o líder de uma frente de batalha contra o Governo, não é para isso para que foi eleito, nem é esse o papel que a Constituição lhe reserva. Tivemos foi um péssimo exemplo de exercício dos poderes presidenciais com Soares, que espero, não faça escola.

P.s.- quanto a questão do divórcio apoio plenamente o veto de Cavaco, e acho que o PSD também o deveria fazer. Então agora um cônjuge bate no outro durante 10 anos, amanhã pede o divórcio, é-lho concedido, e nenhum tribunal pode avaliar o grau de culpa desse cônjuge e assim penalizá-lo? E trata-se aqui de um conceito jurídico de culpa, não de um conceito emocional ou psicológico. Que retrocesso jurídico e social é este?


De jfd a 14 de Setembro de 2008 às 16:39
Caro Alberto lúcido comentário o teu. Atenção que os senhores da rádio falavam de estratégia política, e eu segui-lhes o rasto.

Quanto ao exemplo que utilizas no tema do veto, esse exemplo foi muito utilizado por estes dias. É-me estranho. A violência doméstica não é um crime público? Porque não haveria de a vítima querer-se separar do agressor? Dizia alguém também na rádio que 90% das vezes quem pede o divórcio é a vitima, e este é-lhe negado pelo agressor. Não entendo essa linha de pensamento. Só a entendo no enquadramento de defender o indefensável! Não tenho nada que ver com a geração de Abril possa. Xô com isso tudo que nos puxa para o retrocesso como sociedade.


De João Marques a 14 de Setembro de 2008 às 19:22
O problema é que sem queixa não há crime, isto é, sem chegar ao conhecimento das autoridades nada acontece.
Ora, e infelizmente, na maior parte dos casos de violência doméstica, a denúncia é a excepção. Tem havido avanços positivos, mas ainda hoje muito burgo existe onde a lógica do "Sebastião" impera.
Assim sendo, quando exista um desses casos e o agressor queira proteger-se patrimonialmente dos efeitos do divórcio culposo pode pura e simplesmente apresentar como causa de divórcio a sua vontade, safando-se assim do processo crime.
O cônjuge agredido é duplamente prejudicado, pela violência que sofre e pela degradação patrimonial que aconteça.


De Alberto Fernandes a 14 de Setembro de 2008 às 20:16
E há um aspecto que o João Marques não referiu, JFD. Se um cônjuge (a vítima) der início a um processo de divórcio litigioso, bem pode o cônjuge-agressor opor-se mas não adianta porque o juiz irá decretá-lo, a posição do cônjuge-agressor não releva, obviamente havendo prova contra ele. E não seria por desaparecer o divórcio com culpa que nesses casos o cônjuge-vítima iria mais rapidamente pedi-lo. De acordo com vários especialistas clínicos, a vítima tem, muitas vezes, um comportamento complacente para com o agressor, esperando sempre que ele se emende.
Ora, o divórcio como a lei o concebe hoje não traduz nenhum obstáculo para que um cônjuge-vítima saia desse casamento. Quanto a mim o que irá acontecer, se esta proposta for avante, é que o crime vai compensar.


De Luis Melo a 14 de Setembro de 2008 às 21:37
Só posso dizer uma coisa: Não confundam Cavaco Silva com Jorge Sampaio ou Mário Soares. Cavaco, que eu saiba, tem carácter, tem principios. Nunca faria este "jogo" que aqui falam


De jfd a 14 de Setembro de 2008 às 23:14
Exactamente Luis Melo! Na mouche !!!

ps - estou-me a rir imenso com o contra informação; invocam sosias do Nobre Guedes que andam por aí faz imenso tempo LOL


De jfd a 14 de Setembro de 2008 às 23:14
Alberto, podias explicar um pouco melhor?


De Alberto Fernandes a 15 de Setembro de 2008 às 00:36
O divórcio pode ser por mútuo consentimento ou litigioso. No divórcio litigioso há uma violação culposa dos deveres conjugais de um ou de ambos os cônjuges. Como deveres conjugais a lei e a doutrina consagram o dever de cooperação, de assistência, de fidelidade, de respeito mútuo, etc. No caso de violência dentro do casamento, há uma violação culposa e reiterada dos deveres conjugais, já para não falar que essa conduta preenche um tipo de crime. O juiz, na sentença que decreta o divórcio vai considerar um dos cônjuges culpados e isso vai-lhe trazer prejuízos na partilha (que se dá necessariamente com a dissolução do casamento). O que me preocupa com esta mudança da lei, não é a questão criminal (o cônjuge-agressor tem uma conduta que preenche um tipo de crime e terá de responder por isso), mas o facto de deixar de existir divórcio baseado na culpa, porque quando o juiz decreta o divórcio e declara um dos cônjuges como culpado, além das consequências a nível da partilha, há aqui uma censura social que impende sobre esse (ex)cônjuge, há uma forte advertência sobre essa pessoa, ela não sai incolume do processo de divórcio. E este ponto para mim é que é essencial. Já se se terminar com o divórcio litigioso, baseado na culpa, isso não vai acontecer, vai-se tudo resolver com papéis, sem a formalidade do tribunal e sem essa forte censura social. Daí que eu diga que o "crime compensa". E daí que eu diga também que não vejo como é que o regime actual prejudica os cônjuges-vítimas.
E nós temos estado a falar do caso extremo, que é a violência dentro do casamento, mas pode haver uma série de outros casos em que são outros os deveres conjugais violados, e o cônjuge-culpado sai do casamento alegremente assobiando para o lado.
Espero ter clarificado melhor o meu ponto de vista, mas se não, cá estou para tentar mais uma vez.


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