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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Ensino: uma questão de valor acrescentado?

PsicoConvidado, 12.12.12

No passado dia 3 de Dezembro, o Financial Times (FT) publicou o seu “2012 ranking of European business schools” com as 80 melhores. Para Portugal, as novidades são, efectivamente, boas: a Universidade Nova de Lisboa vê a sua “School of Business and Economics” subir ao 29º lugar (em 2009 ocupava a 73ª posição!), enquanto que a Escola homónima da Universidade Católica de Lisboa sobe ao 32º lugar (em 2009 estava em 62º lugar), e a Universidade do Porto vê a sua “Business School” (PBS) entrar no ranking pela primeira vez, directamente para o 61º lugar!

Estas três instituições e Portugal vêem ainda serem-lhes dedicadas duas páginas, que destacam o facto de aquelas instituições prosperarem mesmo apesar da crise. “Riding out the storm” é o sugestivo título do enfoque, onde ficamos a saber que as propinas para um curso de mestrado (de 3 semestres), na Nova ou na Católica, se fixam entre €7000 e €9000, bastante aquém dos €33000 que custa o “Lisbon MBA” e longe dos €20000 do “Magellan MBA” da PBS – sem dúvida preços muito convidativos (quando comparados com as propinas das instituições no “Top 10”...).

O artigo é excepcional (e verdadeiro!) no enaltecimento que faz da qualidade de vida em Portugal. É certo que os “salários se situam abaixo da média europeia”, mas no Porto – “one of Europe’s coolest, most affordable and safest cities” – o custo de vida situa-se “entre os €450 e os €600 por mês” e, quanto a Lisboa, “if you like to surf at weekends, it’s even better”. Verdade.

Paralelamente à publicação do ranking do FT, e talvez por mera coincidência, o Economist lançou um debate on-line colocando a surpreendente questão: estaria a economia melhor sem os alunos de MBA? Resumindo, a primeira conclusão do debate foi a de que é muito difícil quantificar a contribuição para a economia dos detentores de um MBA. Depois, de entre os vários argumentos esgrimidos, pode dizer-se que, se por um lado os MBAs são uma “via-verde” para o topo da carreira e óptimos ordenados, por outro lado a gestão é, em grande medida, baseada na experiência (quer profissional, quer de vida), algo que dificilmente se transmite num ano de aulas.

A importância dada ao ranking em Portugal, contrastada com o debate do Economist, provocou em mim uma psicose patriótica: até quando é que em Portugal será possível arriscar a qualidade do ensino, em prol da sua “gratuitidade constitucional”? Será possível racionalizar, num sistema único, as quatro redes de ensino superior de Portugal (privada, pública, católica/concordatária, e, militar)? Em que medida é que apostar em pós-graduações e MBAs de milhares de euros é (ainda) uma solução para um jovem Português? E quais as consequências e os riscos desta escolha para, p. ex., uma família de classe média portuguesa? Em que medida é que uma tal aposta permite escapar à espiral de estágios não-remunerados (“unpaid internship” para os “sortudos” que conseguirem a oportunidade “lá fora”)? E, por fim: em Portugal, qual o momento da vida de um jovem em que estudar deixa de ter valor acrescentado?

O resultado da votação no fim do debate do Economist? O “sim” ganhou com 51% dos votos.

Links:
O ranking
O debate
Curiosidades sobre "B-School rankings"

Psico-convidado

Bruno Sousa

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