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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

França: Paradoxo da Seriedade

Miguel Nunes Silva, 07.05.12

O mundo acabou de ficar mais estranho.


Não há como negar que nas eleições presidenciais em França, Nicolas Sarkozy era mais populista que François Hollande. Mas desta feita o cenário - de uma perspectiva Portuguesa - está invertido. É o candidato mais sério que mais irresponsabilidade governativa representa. 

 

Nas míticas eleições legislativas de 2009 em Portugal, a escolha era clara: Sócrates representava a irresponsabilidade despesista e demagógica em toda a linha, Ferreira Leite simbolizava a seriedade da clareza ideológica e honestidade governativa. Mas na terra da tricolor as coisas são menos claras. 

 

Sarkozy foi a face de escândalos de corrupção, de favoritismo e de casos de imprensa cor-de-rosa. Hollande pelo contrário apresentou-se como o candidato sério e fiel às suas raízes ideológicas.

 

Mas no bizarro mundo da política é pelo contrário Sarkozy que representa a austeridade em França, a preocupação saudável de equilibrar as contas Francesas e defender o interesse nacional, e é Hollande que representa o sonho, a emoção ideológica com um passado hoje desadequado às necessidades de um mundo que não se compadece com saudosismos.

Hollande por sinal, tem sido tudo menos vago: desde taxar os mais abastados a 75% - o que causaria uma fuga massiva de capitais - a BAIXAR a idade de reforma de volta para os 60 anos - sim, porque se os países escandinavos e as suas economias invejáveis são obrigados a ir acima dos 65 serão certamente os Franceses e a sua ética de trabalho que poderão afirmar-se como a excepção na Europa..............

 

O que é preocupante é que a minha fé nas pessoas diminui um pouco com cada eleição que observo em que tais diferenças existem. Parece-me que os eleitores, estejam aonde estiverem, já nem querem saber de personalidade e estilo, mas antes sim preocupam-se com a substância das políticas; infelizmente fazem sempre a escolha mais errada: a de curto prazo, a de evitar a responsabilidade para com as gerações que se seguem, fazem a escolha mais irresponsável e esperam pelo melhor...  Afinal, quem gosta de austeridade?

 

O problema é que nos dias de hoje já não podemos encolher os ombros e dizer 'isso é lá com os Franceses, eles é que sabem'. Não, é com todos nós porque Portugal e a Europa dependem da França.

 

Ironicamente, neste momento o futuro da República Francesa assenta assim na esperança de que o candidato sério tenha feito promessas desonestas...

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