Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Mais um euro, mais uma Cimeira...

 

Hoje levanto-me, vou beber um café e ler as "parangonas" dos jornais. Parece que a Alemanha declarou guerra à Grécia à porta de uma cimeira europeia, Belém fez o mesmo a São Bento, os investidores acham que Portugal está a caminho da "reestruturação da dívida" - nome pomposo para falência - fazendo com que largar dívida pública portuguesa no mercado secundário se torne no "preto desta temporada" - leia-se, a cor que dá com tudo -  e, segundo consta, o F.C.Porto perdeu...

 

Decorre hoje uma cimeira europeia. A Alemanha entrou a "pés juntos" com uma proposta de "retirada de soberania fiscal" a países que levem segundo pacote de ajudas financeiras - estou a olhar para Atenas, com o canto do olho em Lisboa. Antes que os suspeitos do costume gritem "Vem ai o 4º Reich" - deixo isso para os jornalistas que fazem headlines com "Berlim planeia ocupar Atenas", limito-me a comentar o óbvio: O eleitorado alemão sente que está a largar dinheiro para um buraco negro, não quer dar mais um centimo. A "Chancelarina" está em ciclo eleitoral, logo decidiu usar a tática mais antiga do livro, nomeadamente, exigir concessões que ninguém pode fazer, de modo a poder dizer "não nos podem acusar de não tentarmos... 'eles' é que não quiseram". Brinkmanship no seu melhor e decerto que terá resposta há altura dos parceiros negociais.

 

E a discussão vai ficar a circular entre estas propostas, eurobonds, unidade fiscal, e no final sairá um documento cheio de boas intenções. E o povo é sábio, na sua opinião das boas intenções. E assim iremos, de Cimeira em Cimeira, enquanto as economias da UE se ajustam, tal como o Japão, de 1990 a 2001.



uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 17:22
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15 comentários:
De Guillaume Tell a 30 de Janeiro de 2012 às 22:55
Se calhar isto tem mesmo de ir ao fundo para que eles percebam de vez o problema. Será preciso a Alemanha perder o triplo A para que toda a gente começa a cortar a sério na despesa pública e eliminar todas as rigidezes e entraves da economia europeia?

(Pelos vistos não, já começam a falar de "políticas de crescimento e emprego")

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De Ricardo Campelo de Magalhães a 31 de Janeiro de 2012 às 11:10
Tipicamente é assim: só se introduzem políticas liberais quando a coisa está a correr muito mal.
Reagan, Thatcher e Cavaco só chegaram ao poder e adoptaram políticas contrárias ao "free riding" quando as situações nos respectivos países chegaram a situações insustentáveis.
Seria um bom tema para uma tese, houvesse alguém interessado e que percebesse os conceitos envolvidos.

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De Rui C Pinto a 31 de Janeiro de 2012 às 11:01
Concordo contigo. A Europa está consciente de que o seu problema é de resolução prolongada. Mais, julgo que já todos perceberam que no momento já não está em cima da mesa a resolução da crise, mas a minimização dos seus impactos. (pelo menos enquanto os alemães não sofrerem na pele alguns danos colaterais provocados pela contração de consumo do Sul... O que não parece muito evidente, dado o excelente desempenho da economia alemã).

Ora, dado que o plano económico e financeiro está atado que nem uma camisa de forças, seria interessante que a Europa se preocupasse com a política... É que eu acredito, como tu, que a proposta dos alemães é uma entrada de carrinho pré-negocial. Mas é preciso ter cuidado com o que se diz... A economia dá a volta. É uma questão de tempo. O problema são os ressentimentos que ficam, e acima de tudo, as desconfianças... A Alemanha, com esta sugestão, conseguiu dar substância a muitas teorias conspirativas que já circulam desde que tomou as rédeas do barco. Aquelas declarações são um insulto aos gregos.

Vale a pena ler o Vanizelos: http://www.minfin.gr/portal/en/resource/contentObject/id/614dc602-4d71-45df-9bf9-a6cb85c13940


De Guilherme Diaz-Bérrio a 31 de Janeiro de 2012 às 11:25
@Ricardo:

Reagan, Tatcher e Cavaco na mesma frase? ;)


De ogrilofalante a 31 de Janeiro de 2012 às 11:27
"Será preciso a Alemanha perder o triplo A para que toda a gente começa a cortar a sério na despesa pública e eliminar todas as rigidezes e entraves da economia europeia?"


Ontem já era tarde!
A crise que há dois anos atrás muitos diziam que era só de Portugal, está à vista de todos.


De Guilherme Diaz-Bérrio a 31 de Janeiro de 2012 às 11:30
A Crise é culpa de Portugal.

Países como a Holanda, ou os nórdicos, não estão em apuros. Países que andaram a brincar - Lisboa, Atenas e Madrid em particular - estão a caminho da falência.

Esse argumento é muito giro, mas os factos não o corroboram.


De k. a 31 de Janeiro de 2012 às 11:40
Porque nem a belgica nem a dinamarca estão em recessão..

e espanha gastava tanto à tripa forra, que até tinha excedentes orçamentais

e tudo isto no meio de uma excelente arquitectura da zona euro!

o.od right on!

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De Guilherme Diaz-Bérrio a 31 de Janeiro de 2012 às 11:48
E uma bolha de construção e dívida e um defice de balança comercial, tal como portugal.


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De k. a 31 de Janeiro de 2012 às 11:54
"E uma bolha de construção e dívida e um defice de balança comercial, tal como portugal. "


Exacto, excelente arquitectura do euro - one size fits all para a politica monetaria, nada de regras em termos de excedentes na balança comercial que teriam punido os "trabalhadores alemães" tanto com "os preguiçosos portugueses" (regras essas necessarias se nao queriam ter uma uniao de transferencias)

OOOPS
IVE SAID IT
TRANSFER UNION!


De Guilherme Diaz-Bérrio a 31 de Janeiro de 2012 às 12:08
Vira o disco e toca o mesmo, não paras de bater na mesma tecla.

Por essa ordem de ideias, os Nórdicos também sofrem com os excedentes alemães. Estão até nos mesmos sectores de actividade.

Mas claro, a culpa é dos alemães...


De k. a 31 de Janeiro de 2012 às 12:23
Os Nordicos beneficiaram tanto com os alemães - o sucesso das economias destes foi baseado nas suas exportações, mas para poderem exportar (ter excedentes na balança comercial, pronto), os restantes paises (os preguiçosos) tiveram de ter grandes defices na balança comercial. Porque tinham a mesma moeda - se isso nao sucedesse, o euro ter-se-ia valorizado muito, e a performance nordica (+alemã) ter-se-ia esfumado.

Uma taxa de juro unica e muito baixa para nós, estabelecida pela alemanha (pelo peso que tem na economia europeia), assegurou os nossos défices

beggar thy neighbour! eu bato sempre nas mesmas teclas, mas tu preferes defender os alemães aos portugueses

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De Guilherme Diaz-Bérrio a 31 de Janeiro de 2012 às 13:01
Comercio internacional não é um jogo de soma nula, onde para alguém ganhar alguém tem de perder.

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De k. a 31 de Janeiro de 2012 às 13:26
"Comercio internacional não é um jogo de soma nula, onde para alguém ganhar alguém tem de perder."

Sim, comercio é bom tralalalala, não é por ai.
Mas a não ser que exportemos para marte, o saldo da balança comercial do planeta terra é zero.

Se existirem desiquilibrios, as taxas de cambio corrigem esses desiquilibrios - no planeta "Euro-Zone", como isso nao é possivel, ou financias as áreas deficitarias (el transfer union) com os excedentes das areas uh excedentarias, ou promoves uniformização (el federalismo)


Os tugas nao sao santos, mas nao me fodas, os problemas que temos nao são so nossa culpa







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