Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
A tal da 'Diplomacia Económica'...

 

Esta quarta-feira foi a vez de Paulo Portas se revelar enquanto ministro do novo governo. Depois de Assunção Cristas foi a vez de o MNE vir a público tentar melhorar a imagem do governo com mais uma reforma inovadora e um Ministro dinâmico jovem e energético - aonde é que já vimos isto? Ah pois...

Pelo menos foi essa a intenção ao se criar uma oportunidade mediática com Portas e o corpo diplomático que obteve ampla difusão - em directo em vários canais de televisão por cabo.

 

Enquanto internacionalista residente, este Psicótico vê a responsabilidade de comentar o espectáculo como implícita. Mais importante ainda, vejo esta análise como a mim consignada porque durante a era Socrática fiz questão de comentar a actuação do governo em política externa e tenho agora que ser consequente com o meu percurso.

 

Infelizmente, por muito que eu gostasse de poder afirmar que uma nova era se apresenta na condução da política externa do nosso país, as minhas conclusões são na sua maioria negativas. No entanto, por muito que me custe observar os mesmos erros de sempre a serem cometidos (e custa, acreditem), posso pelo menos orgulhar-me de ser consequente com opiniões que tenho expressado ao longo dos anos.

 

O Ministro Portas fez um discurso longo em prol da diplomacia económica mas enganem-se aqueles que pretendam elogiar uma nova abordagem à diplomacia pois não só não é a diplomacia económica algo de novo - o termo já nos é transmitido bem gasto, pelos sectores económicos Americano e asiático - mas não é tão pouco algo de novo em Portugal. Os governos Sócrates sempre pugnaram pela abordagem económica à política externa e só quem não recorda os périplos de Sócrates e Amado pelo mundo Árabe, pela América Latina e pela China é que poderia sequer sonhar em atribuir a Portas e ao XIX Governo Constitucional o mérito do conceito.

 

Pois bem, nenhuma novidade mas se o conceito é bom aonde está motivo para crítica? O conceito é desde logo problemático porque eu comento de acordo com uma perspectiva política e o termo é técnico. Há uma grande diferença entre diplomacia e política externa: a primeira é táctica e técnica, a segunda é (ou deveria ser) estratégica e política. Mas deixando a semântica de lado, o problema que se põe de imediato é saber qual a estratégia por detrás desta política e a minha análise é negativa sobretudo devido ao facto de o discurso do governo não ter deixado antever qualquer estratégia - muito pelo contrário, parece não querer dar importância à necessidade de uma.

A intenção é simples: fazer negócio o mais possível. Mas o Estado Português não é uma empresa, é uma entidade política. Não sou contra abrir oportunidades ao empreendedorismo e facilitá-lo mas essa é a função do Ministério da Economia. Os diplomatas Portugueses podem ajudar mas não são treinados (nem devem) para ser gestores.

Passo a explicar: que aconteceria se empresas Chinesas e Americanas estivessem ambas interessadas na aquisição da EDP? Aparentemente, de acordo com o paradigma aestratégico do governo, o critério seria 'first come, first served'. Ora isto é ausência de visão. Isto é imediatismo irresponsável e desprezo para com o interesse nacional - o qual é intrinsecamente de longo prazo. Isto é diplomacia de manga de vento pois significa governar ao sabor do vento.

 

Um dos pontos que foi corajosa e orgulhosamente avançado foi o de que a avaliação das missões diplomáticas de Portugal seria agora regido pelo critério das relações comerciais. Uma vez mais isto revela a total ausência de visão ou planeamento estratégico pois vejamos o exemplo do massacre de Santa Cruz: se fosse hoje, Portugal não se bateria pela independência de Timor-leste pois o volume de negócios com a Indonésia é e será sempre superior ao das trocas comerciais com o pequeno Timor.

 

Tudo isto resulta claro da falta de um Conceito Estratégico Nacional. Claro que quando se decide ser escravo da narrativa politicamente correcta de fim-de-História demo-liberal, percebe-se que haja alguma ...'hesitação' em definir ameaças, imperativos estratégicos e critérios de política externa; é chato fazer escolhas pois escolhas implicam decisões, decisões implicam riscos e tomar riscos exige coragem. É tão mais confortável andar ao sabor da maré e esperar pelo melhor...

Mas a outra principal razão não é estrutural e sim de liderança: como avisei ao longo dos últimos anos, o percurso de alguns dos líderes deste governo nunca me inspirou esperança em ver grandes estadistas dali emergir. Detesto dizê-lo mas ...'eu avisei'.

 

Confesso que durante algum tempo mantive alguma esperança de que este governo pudesse ser diferente quando ao apresentar os seus planos de governo decidiu pôr o vector da Lusofonia à frente de o do Atlantismo e de o da Europa. Gostaria que quem quer que seja que tenha sido pro-activo o suficiente para argumentar a favor de uma hierarquia estratégica diferente para a nossa política externa, fosse agora coerentemente mantido à frente de uma reforma do MNE. Gostaria...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 16:04
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11 comentários:
De ogrilofalante a 6 de Janeiro de 2012 às 08:47
Falando em português, quase diria, vernáculo e em poucas palavras: muita "dor de corno"

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De Miguel Nunes Silva a 6 de Janeiro de 2012 às 08:49
Porquê?

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De ogrilofalante a 6 de Janeiro de 2012 às 09:34
O azedume dos comentários dizem tudo. Ciúme!


De Miguel Nunes Silva a 6 de Janeiro de 2012 às 09:49
Mas ciúme do quê? Não é como se eu pudesse ter sido MNE...... LOLOLOL


De Anónimo a 6 de Janeiro de 2012 às 23:12
E de repente quando um palhaço se arrepende da merda que escreve entra o lapis azul. parabéns psicolaranja. cada dia a chegar mais baixo e mais fundo!
http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Censura_em_Portugal

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De Miguel Nunes Silva a 6 de Janeiro de 2012 às 23:23
Lixo varre-se.

Quando quiseres debater sem insultos e sem enxovalhares tudo e todos e com argumentos sérios, então terás o respeito que estupidamente esperas de quem ofendes.

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De jfd a 9 de Janeiro de 2012 às 11:46
O anónimo fui eu que comentei do telele.
fizeste bem em varrer o lixo que foi a merda da tua resposta que é sempre de baixo nível quando eu venho aqui gozar com a porcaria de posts que fazes com a mania das grandezas de do conhecimento dos assuntos.
A mim dá-me graça.
A ti tanto te incomoda que até tens vergonha das tuas palavras e as mandas retirar.


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De Miguel Nunes Silva a 11 de Janeiro de 2012 às 11:39
Eu varri o teu lixo - que não passa de insultos e tem ZERO de conteúdo ou argumentos - ao eliminar toda a conversa.
(O que já agora acontecerá de novo se insistires numa conversa que se resume a ataques pessoais - na tua característica falta de nível e cobardia).

Ao contrário de ti, o grilo falante criticou mas não foi ordinário. Mas não vou tolerar quem não tem mais nada para dizer que não insultos. Enquanto continuares a fazer isto não passarás de uma criatura degradante para a política política e a cara dos bloggers que dão mau nome à blogosfera.

Se te desses ao respeito e se tudo isto não fosse ENORME dor de c* por teres sido expulso e uma tentativa de vingança através do enxovalhamento do blogue, as pessoas ainda te poderiam dar o benefício da dúvida.
Infelizmente o que é patético nisto tudo é tu não compreenderes o ridículo a que te sujeitas ao vir para aqui todo ressentido, disparando insultos a tudo e todos que nem um puto de 3 anos sem chupeta.



Aliás só 1 autêntico idiota é que não se apercebe da vergonha a que se expõe ao acusar os comentários do seu interlocutor de serem lixo, quando estupidamente assume vir apenas 'gozar', utilizando termos de alto nível como 'conversa de merda'.

A tua falta de educação e ordinarice sem conteúdo revela-se sempre que escreves no teu teclado.

(quanto ao anónimo seres tu, nunca ninguém imaginou outra coisa: a tua reputação de ordinário e mal-criado, precede-te)

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De Miguel Nunes Silva a 11 de Janeiro de 2012 às 11:47
Esqueci-me ainda de apontar que ao contrário de parvalhões sem ética como tu, eu ao apagar todos os comentários de uma conversa estava a ser justo.

Mas claro que alguém que faz questão de andar pela blogosfera a lançar insultos e a tentar descredibilizar blogues porque não tem nem coragem nem inteligência para discutir os tópicos que lhe desagradam (did I strike a nerve?) nunca poderia dar-se como agradecido pela coerência dos outros.

Mas não seja por isso. Da próxima vez, apago só os teus e deixo os meus. Se é isso que preferes...

Deus do Céu, brutinho que nem uma porta...

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De jfd a 11 de Janeiro de 2012 às 13:59
É bom ser apreciado!
Sempre ás ordens!

Eta recalcadinho!

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De jfd a 14 de Janeiro de 2012 às 18:11
e confirmo sou o único, há muito que animo esta merda de posts!


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