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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

A mulher de César, senhores, a mulher de César!

Guilherme Diaz-Bérrio, 24.11.11

Se há Partido, em Portugal, que devia ser um case study de comunicação, é o PSD. Não nos está nos genes. A postura sempre foi "primeiro faz-se, depois explica-se", e mantêm-se inalterada. Arrisco-me mesmo a dizer que somos, na ausência de "corpo ideológico", um Partido eminentemente Tecnocrata. E por muito que goste de técnicos - dos bons pelo menos - liderança política faz falta.

 

E o PSD tem bons técnicos. Tem bons avaliadores, bons economistas, até temos boas equipas de comunicação. Paradoxal, não? Falta é um toque de "Bom Senso Político". 

 

Vou dar um exemplo, prático. Estamos a apresentar um dos Orçamentos mais duros dos últimos anos. A realidade assim nos obriga. E, por muito que não goste de ver parte do meu subsidio de Natal a voar para os cofres do Estado, tenho de admitir que é um Orçamento equilibrado, dadas as exigências da Troika e da situação financeira do País. Resta saber se vai ser executado como previsto, mas essa é a conclusão que terá de ser tirada à posteriori. Como documento "fundador de intenções políticas", está bom. 

 

E, a equipa de comunicação do PSD, até fez um bonito video a explicar alguns pontos. Está bem feito. Curto. Ao ponto. Como mandam as regras. 

 

 

Bem conseguido, com bons técnicos. Mas há um problema com os "bons técnicos", e governos "tecnocráticos": Falta de bom senso e sensibilidade políticas!

 

Se há verdade em Política que aprendi, essa foi, "lidera pelo exemplo, pois assim nunca corres o risco de ser apanhado em contra-mão com o que dizes e fazes!".  Não há melhor forma de "Comunicação". As acções falam sempre mais alto que as palavras. Demonstram compromisso, e compreensão. (E, para os mais "técnicos" da nobre arte da Comunicação, 90 por cento das mensagens são lidas pela parte não verbal).

 

Há um ditado muito antigo em Portugal: "À mulher de César, não basta ser séria. É preciso parecer séria!". ´Por parecer, não se leia "hipócrita". Leia-se, com acções congruentes com o que se diz e se está a tentar exigir de outros.

 

Exemplo prático?

 

A decisão foi tomada pelo primeiro-ministro Passos Coelho a 11 de Novembro, já depois da polémica em torno da atribuição de subsídios em tempos de crise.

O secretário de Estado da Economia e Desenvolvimento Regional, Almeida Henriques, e o secretário de Estado do Empreendedorismo, Carlos Oliveira, são dois dos contemplados, ambos do ‘superministério’ de Santos Pereira. O secretário de Estado da Defesa, Paulo Braga Lino, também tem subsídio.

 

(...)

 

No total, são dez governantes com subsídio, atribuído a quem tenha residência fixa a mais de 100 km de Lisboa. Em Outubro, os ministros Miguel Macedo e Aguiar-Branco e o secretário de Estado José Cesário renunciaram ao subsídio. Já os governantes Juvenal Peneda, Paulo Júlio, Cecília Meireles, Daniel Campelo, Marco António e Vânia Barros mantêm a ajuda.

Correio da Manhã

 

 É ilegal? Não. Não é. E vou mais longe. Podiam cortar os salários todos de Ministros e Deputados, e respectivos subsídios, e não se solucionava o Défice. É uma gota num imenso Oceano. Mas demonstra uma enorme falta de bom senso político.

 

Liderar pelo Exemplo: Sim, estamos a exigir sacrifícios de todos. O ano de 2011 foi duro, o de 2012 vai ser mais. É necessário. É o caminho correcto. E, damos o exemplo. Em 2012, não há destes subsídios para nenhum governante. 

 

Custava muito? Vão me dizer que alguns dos subsidiados não conseguem pagar uma renda? Volto a repetir: Bom senso político na transmissão da mensagem! Ninguém, seja numa empresa, repartição, autarquia, clube local de berlinde ou <inserir aqui uma organização há vossa escolha> está disposto a aceitar, a bem, sacrifícios, se não vir que quem os pede também os faz. Tecnicamente resolve algo? Não. Mas Politicamente, é uma transmissão de mensagem muito forte. Dá o "Moral High Ground" a quem lidera. E mostra também força de quem está no topo. 

 

Cada vez mais sou alérgico aos chamados "Governos Tecnocráticos". Falta-lhes este bom senso, e sensibilidade. Senhor Dr. Passos Coelho, até está a ir bem. Importa-se de não fazer estes erros estúpidos e não transformar o Governo de Portugal num bando de tecnocratas que falam línguas estranhas? "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço" é um ditado muito giro, mas não é uma maneira inteligente de se gerir em Política! 

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