Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
"Subitamente, a Europa fala alemão"

Disse-o Volker Kauder, líder parlamentar da CDU. Kauder sintetiza, assim, a posição europeia em relação à crise. A causa da crise europeia foi a indisciplina orçamental e, portanto, a solução é a austeridade. Que subitamente a Europa fala alemão não tenho dúvida, mas se a Europa pensa alemão já não tenho tanta certeza...  

 

Mas a Europa ainda não é unilingue. E por isso, o Reino Unido merece a atenção dos alemães: como membro da UE o Reino Unido "também carrega a responsabilidade para o sucesso da Europa", diz Kauder. "Olhando apenas aos seus interesses e não estarem preparados para contribuir é uma menssagem que não podemos aceitar dos britânicos." Estas palavras são provocadas pela oposição de Londres à taxa sobre transacções financeiras proposta por Berlim. Kauder afirma mesmo que percebe que um país como o Reino Unido cuja economia depende em 30% do centro financeiro londrino esteja relutante em aceitar tal taxa, mas que mesmo que continuem a resistir os 17 estados membros do Euro a introduzirão. O discurso começa a endurecer na União. 

 

O populismo destas palavras deve preocupar-nos, sobretudo no momento em que a Alemanha vem engrossando a voz à medida que a crise lhe dá poder sobre a economia europeia. Não há qualquer surpresa no facto de o Reino Unido defender a sua praça financeira, tal como não há qualquer surpresa na estratégia alemã para a resolução da crise na perifeira do euro. A economia alemã está com saúde e recomenda-se. Cresce mais que o esperado, cria emprego e aumenta salários. A contracção económica por via da austeridade na periferia europeia cria oportunidades à Alemanha que não só estará disponível para aquisições a preço de saldo em importantes sectores estratégicos como a energia como já se despunha, em Janeiro deste ano, a receber os jovens qualificados dos países em difculdade para alimentar o seu mercado de trabalho expansionista... Não sejamos ingénuos. A Alemanha está, tal como o Reino Unido, a zelar pelos seus interesses. 

 

É por isso que, nesta altura em particular, o preço que Van Rompuy afirma ser necessário pagar para estabilizar a zona euro me parece muito caro... Diz Rompuy que o preço a pagar é a concentração de soberania em Bruxelas. Ora, se a transferência de soberania for transversal aos estados membros e implicar o escrutínio democrático do exercício dessa soberania por todos os europeus eu aplaudo de pé. Mas para isso, Van Rompuy terá sobretudo de convencer os 80 milhões de alemães que vêm a sua economia crescer no meio de uma profunda crise europeia que precisam transferir soberania da sua amada constituição para Bruxelas... Bonne chance, Rompuy!

 

(publicado em simultâneo no Forte Apache)



uma psicose de Rui C Pinto às 11:15
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