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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Austeridade não é só uma palavra

Rui C Pinto, 14.10.11

Ouvia na segunda feira uma jovem da minha idade queixar-se no Prós e Contras da negatividade do discurso da crise. Dizia ela que a palavra austeridade tinha uma carga negativa muito forte e que contribuia para o mal estar generalizado na sociedade portuguesa. 

 

Ontem, ao ouvir a comunicação do Primeiro-Ministro lembrei-me instintivamente daquela jovem e da enorme surpresa que deve ter sentido. Aquela jovem, bem pode representar cerca de 2 ou 3 milhões de portugueses que receberam ontem, com espantosa violência, a confirmação da tão anunciada austeridade. 

 

Até aqui, a austeridade não tinha passado de uma palavra vaga. Agora, todos sabemos o custo da palavra. É caso para reflectir. A melhor consequência desta crise seria uma profunda reflexão do que falhou nos últimos 30 anos. Temos, enquanto sociedade, de fazer um balanço para que possamos corrigir a tragetória. Mas isto não pode tornar-se em mais uma discussão entre economistas. Isto tem de traduzir-se numa discussão política. Não vale a pena continuar com discursos tecnocratas. O Presidente da República prova a cada discurso a ineficácia do mesmo. É preciso falar às pessoas, explicar-lhes o que significam os números da tecnocracia na sua vida real. Ninguém, salvo os detentores de licenciaturas em ciências económicas, percebeu peva do discurso sobre a TSU. Ontem, todos ficaram a perceber o "valor" concreto da TSU, com o aumento do horário laboral para compensar a não descida da taxa. É presico explicar aos funcionários públicos que o subsídio de férias e o 13º mês que lhes foi retirado foi uma solução transitória que visou apenas evitar o despedimento numa altura em que o desemprego vai aumentar. Mas a verdade é que vai ser preciso cortar no número de funcionários públicos. Sim, isto significa despedimentos. 

 

É preciso que todos percebam que os cortes na despesa (que todos aplaudem e reclamam) significam necessariamente despedimentos. Sejamos racionais. Se considerarmos que a Fundação X presta um serviço supérfluo - não basta extingui-la! - os seus funcionários são um custo imoral para o Estado. 

 

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