Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011
Onde é a Cultura? "Olhe, vire tudo à esquerda e siga pa trás!"

Fui ao Crato, bonita terra do Norte Alentejano, para assistir ao último dia do Festival do Crato que tradicionalmente apresenta um cartaz que chama público de todo o país e fiquei espantada ao saber quais as bandas que tinham actuado em edições anteriores e o que se esperava para essa noite. Não é muito comum que uma vila com 3 mil pessoas apresente Scorpions ou UB40, entre outros cabeças de cartaz que acabam por trazem quase 40 mil pessoas às festas da terra.

 

Em conversa com um autóctone, este disse-me que é o Partido Comunista quem governa os destinos do município desde as últimas eleições autárquicas e que o festival ganhou um pendor mais “alternativo”: Orquestrada, Deolinda, Gotan Project, Gabriel o Pensador, Homens da Luta, Orelha Negra, Amália Hoje, Vitorino…

 

Enfim, isto levou-me a fazer uma viagem mental à minha terra, Almada, onde a Esquerda também faz da Cultura uma coisa sua, mas nem toda a Cultura. Promove-se apenas determinados gostos culturais com os quais nem todos se compatibilizam, uma Cultura supostamente mais “alternativa” ou undergroumd como a própria Esquerda, esquecendo que o fundamental é a oferta variada. O Estado não pode ser dirigista ao ponto de dizer aquilo de que supostamente devemos gostar, mas é sua função proporcionar todo o tipo de ofertas e ensinar às pessoas que podem escolher, que têm essa possibilidade.

 

Dar a cana ou ensinar a pescar?



uma psicose de Beatriz Ferreira às 10:00
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6 comentários:
De Ana Rita Leitão a 31 de Agosto de 2011 às 15:44
Não posso estar mais de acordo com as tuas palavras, Bia.
O PC quer uma cultura para todos mas centra-se apenas num tipo de manifestação cultural só de alguns...além de advogar o monopólio exclusivo desta faceta da cidadania com características marxistas.
Não! A cultura é igualmente um meio de promoção social e económica, motor antropológico passível de gerar riqueza.
Não se trata de mercantilizar mas de liberalizar o meio cultural zelando pela boa formação de quem presta serviços e pela qualidade no seu desempenho. Cabe igualmente ao público a exigência dessa mesma qualidade a qual não passará, certamente, pela gratuidade dos serviços.


De Beatriz Ferreira a 31 de Agosto de 2011 às 17:21
Justamente Rita! Repara que não é proibir a cultura de intervenção ou acabar com a música alternativa só porque a malta que toca quer a liberalização das drogas leves, é mostrar que existe mais do que isso e desmistificar a Cultura. O ser humano é capaz de produzir uma infinidade de produtos culturais e de ganhar intelectualmente com a experiencia de ver todos eles. Este tipo de políticas é de facto muitíssimo redutor


De Bruno Duarte a 31 de Agosto de 2011 às 18:09
Bom post Beatriz, parabéns!

E imagem excelente. De facto, a esquerda em Portugal de tudo fez para deixar o país de rastos a seus pés!

É evidente que se influencia através de tudo.

Burros são os liberais que não o fazem, porque por certo a sociedade seria melhor, mais equilibrada!

Antecipo que os esquerdistas aproveitem a onda das medidas de austeridade para fazer esquecer a loucura dos últimos 15 anos que nos levou a esta situação!


De jfd a 2 de Setembro de 2011 às 15:53
O Estado, tal e qual como aqui descrito não deveria era gastar um cêntimo com esta cultura ponto.
CMs a gastar euros e mais euros com concertos e afins para entreter o povo é um disparate de gasto de dinheiro com benificios duvidosos.


De Ricardo Campelo de Magalhães a 2 de Setembro de 2011 às 21:56
Excelente artigo :)

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De jfd a 2 de Setembro de 2011 às 22:06
Gostas especialmente da parte em que o Estado é que paga por isto tudo claro?

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