Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014
O Berlusconi de Portugal

Em varias ocasiões neste blogue, apelidei Sócrates "o Berlusconi Português".

Sem saber se o ex-PM será condenado ou não, vale a pena, ainda assim, reflectir sobre o significado dos acontecimentos do ultimo fim-de-semana.

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 Muitas almas caridosas insistem em lembrar que há casos de corrupção tanto à esquerda como à direita. Sendo verdade, eu penso que a situação é muito diferente para a esquerda e explico porquê:

 

1. Tanto o PS como o PSD têm políticos sobre os quais muitas suspeitas recaem. Mas por vezes os nossos instintos servem-nos bem e tal como outros políticos - lembro-me por exemplo do Major Valentim - Sócrates nunca inspirou confiança em ninguém. Em 2009, houve varias sondagens antes das eleições nacionais e Sócrates liderava todas nas intenções de voto. Havia, no entanto, uma em que MFL lhe ganhava: honestidade. Os Portugueses sabiam bem que lhes mentia e quem lhes falava verdade... 

Ora a diferença é que o PSD não elegeu um 'destes' políticos líder do partido e PM.

 

2. Logo vale a pena perguntar o porquê do PS ter tido necessidade de o fazer. Escrevi aqui aquando da revelação da fraude que era Artur Baptista da Silva (ABS), que o caso não era apenas acidental para a esquerda, o caso era sintomático. Basicamente porque a sofreguidão por alguém de autoridade que pudesse criticar a austeridade era tanta, que muitos deixaram-se levar na cantiga de ABS.
Pois bem, Sócrates pode e deve ser visto, também, a esta luz. Muitos se queixam que os quadros competentes dos principais partidos não se dão ao trabalho de ir a eleições. Isto é verdade e é verdade nos três partidos do arco da governação. No entanto, o facto de o PS ter permitido que um destes quadros ...não competentes, de moralidade dúbia, um autêntico populista... chegasse tão longe politicamente, reflecte, na minha opinião, mais do que apenas um erro acidental.

O dilema do PS - e sobretudo dos seus notáveis - consistia em como fazer face à evidencia de que políticas socialistas não funcionavam, mas continuar a prometer os mundos e fundos que o socialismo promete; como continuar a ser socialista, já depois de ter perdido a fé...

Para esta aristocracia socialista, a solução apresentou-se na pessoa de José Sócrates: alguém de pouco escrúpulos, capaz de discursar slogans socialistas enquanto corta na segurança social (à socapa), capaz de arruinar as finanças nacionais tacticamente, para poder ganhar uma eleição (2009).

A falência ideológica do PS alimentou criaturas de mentalidade chico-esperto como Sócrates; a falência ideológica da esquerda alimentou burlões como ABS.

 

A lição de moral para o país em 2014, deveria ser a mesma de 2009: aprender com o passado. Em 2009, semanas depois de Ferreira Leite perder as eleições com o seu discurso da austeridade, a Grécia falia e pouco depois Portugal iniciava os seus PECs e era expulso dos mercados de financiamento. Em 2014, semanas depois de António Costa ser eleito reabilitando o legado de Sócrates no PS, o ultimo cai em desgraça.

A lição é simples: quando os Portugueses votam pelo sonho, as coisas correm mal.

Mais realidade Portugueses, mais realidade.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 12:47
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Quinta-feira, 21 de Março de 2013
OI?! - parte Sócrates
Sou toda a favor da liberdade de expressão e informação. Se o Sócrates é contratado para comentar e dar a sua opinião, não tenho nada contra. Posso não gostar dele, ou concordar com a sua governação, mas cabe-me a mim decidir se ouço ou não o comentário.
Agora, coisa que NÃO ACEITO, é que ALGUÉM QUE CONTRIBUIU PARA A FALÊNCIA DE UM PAÍS, seja contratado pela TELEVISÃO PÚBLICA que todos nós pagamos, em impostos e em contribuições áudio-visuais e afins.

Não basta o que ele ganhou e ganha, ainda temos todos de pagar por ouvir as suas opiniões?????
Se isto é interesse público, vou ali e já venho. Ou então emigro mesmo e paro de pagar impostos para sustentar estes parasitas...

(Desculpem o CAPS LOCK mas houve qualquer coisa em mim que implodiu!)

uma psicose de Essi Silva às 20:07
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011
Mérito Aonde Ele é Devido

Luís Amado é infelizmente um dos rostos dos governos Sócrates. Um dos ministros mais populares, um dos poucos resistentes às remodelações e um dos que desempenhou bem o seu cargo, mas um ministro Sócrates.

Não se pode dizer que Luís Amado foi um Ministro da Defesa ou um Ministro dos Negócios Estrangeiros extraordinário mas certamente que esteve à altura do cargo.

 

Aquilo que mais o distingue dos seus vários colegas no Conselho de Ministros foi a sua recusa em deixar-se levar pela deriva populista de Sócrates e restantes correligionários. Este seu sentido de Estado revelou-se quando decidiu avançar com o dossier dos submarinos por exemplo. Ainda que a táctica de usar as práticas obscuras do processo de aquisição como contra-peso retórico contra a direita tenha sido eleitoralista – quer tenha sido ideia de Sócrates ou Amado – a verdade é que resultou em prol do país.

 

Amado, não seguindo o exemplo do seu superior hierárquico, teve a coragem para enfrentar crises e polémicas sem recorrer à mentira ou à demagogia. Assim procedeu no caso dos voos da CIA e mais recentemente aquando do início da dita ‘primavera Árabe’ – quando sozinho apareceu diante das câmaras para defender uma posição de cautela e anti-voluntarista Europeia para com os levantamentos no mundo Árabe.

Referir as cimeiras UE-África, UE-Brasil, Tratado de Lisboa, Cimeira da NATO ou eleição para o Conselho de Segurança como mérito seu seria ir longe demais. Como MNE, estes eventos foram circunstanciais. E não nos podemos esquecer que os MNEs são geralmente personalidades populares devido à sua imunidade natural a controvérsias e politiquices nacionais.

 

Há ainda um outro aspecto a referir: a sua independência do PM Sócrates que o levou a fazer declarações contraditórias com a linha oficial e fraudulenta da máquina de propaganda Socialista.

 

Amado seria excelente se tivesse implementado uma doutrina operacional e estratégica, tanto para a Defesa como para os Negócios Estrangeiros. Cabe respectivamente às chefias militares e aos diplomatas obedecer a ordens, cabe aos políticos justificá-las no longo prazo. Ora ainda que Amado não tenha cometido um qualquer erro gravoso, a verdade é que a prossecução da diplomacia económica de Portugal foi feita por todas as embaixadas, sem grandes critérios ou prioridades visíveis. A verdade é que a mesma falta de prioridades garantiu aquisições desnecessárias de equipamento para o Exército. Mas nestes pontos, Amado não foge à regra de todos os demais MNEs e MdDs.

 

Apesar de tudo, seria sensato que um novo governo inclusivo e de união nacional ponderasse seriamente manter Amado no governo. Seria um gesto magnânimo em relação a uma esquerda debilitada e condenada a longos anos de oposição e revelaria o sentido de Estado de alguém que aprecia a continuidade daqueles que puseram o interesse nacional acima de tudo. Se não como MNE por ser um cargo de demasiado valor político, porque não novamente na Defesa?



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 22:17
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Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Horizontes Reformistas

  

Com o dealbar da década de 90, a exaustão normativa resultante da fricção da Guerra Fria e o triunfo dos regimes centristas no conflito bipolar, levou à emergência de alternativas híbridas nos espectros políticos da maioria dos regimes democráticos.

Nos espectros mais à esquerda – sobretudo na Europa – a “terceira via” providenciou fôlego para mais uma década de governação esquerdista e nos espectros mais à direita – América – o neoconservadorismo logrou oferecer um modelo tradicionalista que combinado com caracsterísticas estatizantes de esquerda, manteve intacta a evolução açambarcadora do aparelho Estado.

 

Assim, no rescaldo da crise financeira internacional uma das ideologias que sobreviveu foi a do Libertarismo – também apelidada erroneamente de neoliberalismo. Os conservadores mais puros foram forçados a recorrer a uma corrente ideológica alternativa tanto ao conservadorismo tradicional como ao neoconservadorismo.

 

Com o vazio ideológico que a terceira via deixou à esquerda e com a inspiração libertária a ganhar força por outras paragens, há quem agora defenda soluções libertárias para Portugal. Isto no entanto, não toma em conta as particularidades culturais e geográficas do nosso país.

  

A minarquia ou presença mínima do Estado na sociedade, só é justificada em sociedades aonde a sociedade civil é forte o suficiente para se reger sem auxílio central. Este não é o caso de Portugal. Portugal é um país relativamente periférico e pobre.

Em Portugal, o fraco sentido de responsabilidade individual exige instituições que se ocupem de incutir no indivíduo, deveres e obrigações.

 

 

Um outro problema com uma teórica implementação de políticas libertárias em Portugal seria o domínio político da classe média e 

  

classe média baixa. Nas sociedades formais e racionais do norte, o sentido de civismo garante que os recursos do aparelho estado são alocados consensualmente aos segmentos da população que mais deles necessitam.

 

Em Portugal, apesar da ética católica não ser dada ao informalismo caótico extremo de sociedades tropicais, ela é ainda assim pouco responsabilizadora do indivíduo, e como tal o fenómeno do assalto ao aparelho estado enquanto unidade distribuidora de rendas revela a tendência mediterrânica para a tirania da maioria.

Por outras palavras, o Estado em Portugal só dificilmente poderia contrair-se de modo a limitar-se a programas sociais para os mais necessitados, porque a classe média e média baixa colonizou o aparelho Estado e canaliza a sua redistribuição central de recursos para si mesma.

E a melhor prova disto mesmo foram os governos José Sócrates.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 11:54
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Sábado, 28 de Maio de 2011
Duelo de Credibilidade: Pinto da Costa Vs José Sócrates (2)

Lembram-se do Post Original, de 10 de Março?

 

Pois bem, o Porto está agora a lançar obrigações a 8%, a 3 anos.

O Estado já não emite, simplesmente anda à esmola ao MEEF (ou seja, Europa - porque tem de ser - e Asiáticos - porque querem ganhar peso político). A dívida ainda em circulação caiu tanto em valor que quem a comprar hoje obtém rentabilidades de 9,887% a 10 anos e 11,804% a 3 anos.

 

É esta a situação que Sócrates nos deixa.

Dizem que PPC não dá garantias. Bem, Sócrates dá. E mostra serviço. Resta ver que serviço ele deixa.

E o serviço da dívida é já maior do que a despesa em educação e aproxima-se do valor da despesa em saúde...

Socialismo nos lábios, Favoritismo na prática: de uns o voto pelo engano, de outros o voto pelo clientelismo. E assim ele pensa ganhar as eleições.

 

E para quem ache que o Passos vai conseguir livrar-se do FMI em 3 anos, leiam isto.

Como já disse, Portugal só se livra quando mudar de política e centenas de milhares ou mesmo milhões deixarem de viver à custa do estado.

Até lá, vamos viver do dinheiro de usuários. E isto nem a malta do Rossio pode evitar (aliás, até agravam, pois produzir é coisa que não lhes vejo e eles alguma coisa têm de consumir...)

 

Não sei se foi uma opção de vida correcta conhecer a política económica e as suas consequências. Se calhar devia concentrar-me mais nos mercados financeiros...



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 09:00
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Sábado, 21 de Maio de 2011
Esclarecedor


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:39
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Quinta-feira, 10 de Março de 2011
Duelo de Credibilidade: Pinto da Costa Vs José Sócrates

Obrigações do FCP rendem a 2 anos pouco mais de 6%

http://www.euronext.com/trader/factsheet/factsheet-4412-EN-PTFCPDOM0009.html?selectedMep=5

 

Obrigações do Tesouro rendem a 2 anos 6.37%

http://aeiou.expresso.pt/divida-juros-a-2-e-3-anos-disparam=f636884

 

A quem vocês emprestavam mais depressa dinheiro?

Quem vocês acham mais credível?

 

Pois, os investidores internacionais também andam indecisos.

Neste momento, Pinto da Costa é mais credível.

Mas será que na próxima semana Sócrates contará com Merkel para recuperar a liderança?



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 21:02
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011
O Sócrates vai ter que começar a dar Cavaco!

 

 



uma psicose de Rui C Pinto às 20:13
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Prioridades...

Portugal NÃO ESTÁ disponível para integrar uma missão internacional de estabilização na Guiné-Bissau. Porquê? Não se sabe, o MNE não foi muito eloquente em explicações.

 

 

 

 

 

 

 

Mas Portugal JÁ ESTÁ disponível para reforçar o contingente que tem no Afeganistão.

 

Ora, se o que está em causa não é a disponibilidade financeira, então eu gostava de saber de que modo o Afeganistão constitui para Portugal uma maior prioridade que a Guiné...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:56
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010
José Sócrates é um Criminoso de Guerra

O que é um criminoso de guerra? Alguém, normalmente numa posição de liderança, que viola de forma gravosa e intencionalmente, leis nacionais ou internacionais, fazendo uso de uma conjuntura de conflito para facilitar os seus actos ou mesmo encobri-los.

 

 

No geral, os criminosos de guerra incorrem em crimes perseguindo objectivos outros que não a vitória militar. Em certos países a motivação por detrás dos ‘crimes’ até é laudável, sendo que limpezas étnicas ou genocídios, por mais horrendas e abjectas são acções cuja lógica distorcida é a de servir um objectivo ‘patriótico’ ou ‘nacional’. Mas há também crimes de guerra que são pura e simplesmente actos de rapina e de ganância pessoal, sociopaticamente desprovidos de qualquer noção de empatia como é o caso das cleptocracias do terceiro-mundo.

 

No ‘combate ao défice’ na ‘luta pelo futuro’, no ‘combate à crise’ Sócrates sagrou-se um criminoso de guerra, e um da segunda vertente que referi. Faço-me explicar: ao abrigo da narrativa da crise internacional, José Sócrates, Primeiro-Ministro de Portugal, faliu o país cuja soberania jurou assegurar.

Em 2008 e 2009, Sócrates e o PS fizeram uso da crise internacional para implementarem um plano insidioso de deslumbramento do eleitorado: aumentos de salários, baixa de impostos, grandes obras públicas, aumentos das prestações sociais. Assim, a subida do salário mínimo, TGVs e cheques-bébé, retoricamente justificados como neo-Keynesianismo para reacender a chama-piloto do crescimento económico nacional, fizeram aquilo que serviu os propósitos do PS e de JS: comprar a reeleição ao Partido Socialista.

 

Claro que então, a economia Americana sofria com uma bolha imobiliária, com desregulação financeira, e com despesa militar galopante, tudo problemas estranhos a Portugal, facto confirmado pelo PM que tão insistentemente gabou o sistema bancário Português de não padecer das mesmas maleitas do Americano. Isto no entanto, não o impediu de aplicar o mesmo remédio de Obama… curioso.

 

Foi um desempenho consequente, premeditado e metódico. O único imprevisto foi a falta de escrúpulos ainda maior de um outro senhor da guerra – Grego – uma guerra suja económico-eleitoralista que acabou por expor os crimes de todos os senhores da guerra e pô-los a todos no banco dos réus dos tribunais – financeiros – internacionais.

 

Sócrates e a liderança do PS tinham bem ciente o endividamento galopante a que tinham sujeitado o país desde a era Guterres mas estes senhores da guerra calculavam que as valas comuns só seriam descobertas décadas mais tarde e que usufruiriam do fechar-de-olhos das grandes potências – da zona euro – enquanto o cão de água Português se aninhasse aos pés da poltrona Alemã e ladrasse no timbre de Bruxelas.

 

Pergunta: se Oliveira e Costa foi posto em tribunal por ter arruinado o próprio banco com negócios indevidos, se a sociedade não lhe reconheceu credibilidade na sua culpabilização dos sócios e da crise internacional, porque não fazer o mesmo a José Sócrates?


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uma psicose de Miguel Nunes Silva às 00:00
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
O Senhor que se Segue

Em 2005, quando o governo Sócrates chegou ao poder, eu previ que não teria segundo mandato. Ignorante em relação à astuta manipulação dos media de que JS era capaz, subestimei as suas hipóteses, as hipóteses de um líder que eu na altura via como destituído de carisma, pouco eloquente e demasiado apparatchik para algum dia poder exercer grande apelo nas massas.

 

Enganei-me: tal como os Portugueses aderem a qualquer vulgar e estupidificante programa de TV desde que devidamente publicitado, também o fazem com o governo. Mas a chico-esperteza do Ministro júnior de Guterres não deverá ser suficiente para chegar ao fim do seu segundo mandato.

 

Quem é nesse caso o senhor que se segue?

 

TEIXEIRA DOS SANTOS - Na hipótese de vermos uma demissão do governo, o actual Ministro das Finanças seria uma boa escolha para um governo de gestão. Trágica que baste a sua lealdade às prerrogativas políticas de Sócrates, Teixeira dos Santos é ainda assim respeitado pelo espectro político e mais que nenhum acólito socrático, penosamente ciente dos desafios financeiros nacionais que pela sua inconveniência foram ignorados pelos governos Sócrates até agora.

 

ANTÓNIO COSTA - Delfim da liderança socialista Sócrates, o actual Presidente da Câmara de Lisboa tem vindo a ser preparado para liderar o PS. Mas Costa é um trunfo que o PS não quererá porventura gastar em caso de queda do governo. Pessoalmente penso que Costa simboliza toda a direcção do PS que foi conivente no desgoverno populista que Sócrates causou ao país. Tal como personalidades como Maria de Belém ou Ana Gomes, Costa fez questão de escudar o PM no seu falso álibi de culpar os problemas nacionais na crise internacional, o que o torna muito pouco recomendável para liderar o país.

 

MANUEL MARIA CARRILHO - Carrilho pode ter ou não sido expulso do seu cargo de embaixador na UNESCO mas a verdade é que a sua recente proeminência mediática deixa antever futuros 'voos'. É bem possível que Carrilho seja autorizado pela über-centralizada-e-infectada-por-group-think direcção PS, a avançar para a liderança para aguentar o duro período de oposição que se avizinha. Um sacrifício conveniente para dar tempo à caminhada triunfal de um peso politico socialista mais pesado.

 

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO - Menos provável mas ainda assim um possível. O mal de António José Seguro é estar alinhado com Manuel Alegre e encabeçar a massa crítica de Alegristas que até agora não pôde ser esvaziada, uma vez que não houve possibilidade de os encaminhar nem para cargos na Europa, nem para a Presidência, nem tão pouco para o poder autárquico.

Seguro simbolizaria uma liderança de esquerda no PS e não conseguiria muito facilmente competir pelo centro.

 

Claro que todos estes nomes são hipóteses num universo sem José Sócrates. Resta então saber que trilho político Sócrates tenciona escolher. Tenderá ele a aguardar nas sombras por uma oportunidade de regresso como Paulo Portas? Resignar-se-á ele a uma saída definitiva da política saindo para uma grande empresa ou organismo internacional (com considerável desprestígio para Portugal tendo em conta as suas pobres faculdades linguísticas)?...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 16:12
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
PM - Um Exemplo de Democracia (II)

 

 

QUEREMOS SUBIDA DO SALÁRIO MINIMO

 

 

 

 

QUEREMOS TGV

 

QUEREMOS NOVO AEROPORTO

 

 

Este país está a cair vítima da direita fascista!

Os Portugueses votaram há um ano atrás por um programa político claro e detalhado e devem ter aquilo por que votaram.

 

Toda a oposição de direita tem claramente um défice democrático e uma nítida veia autoritária ao defender que o governo TRAIA os seus eleitores e ponha em prática o oposto do que prometeu.

Que direita vergonhosa e 'salazarenta' nós temos neste país...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 01:00
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
A Envergonhada Neutralidade

 

O governo e a oposição têm que se entender e têm que o fazer rapidamente.

 

 

 

Como Português e como apoiante do PSD no entanto, não posso deixar de notar que muitos dos intervenientes que a público vêm opinar, o fazem sempre com um certo distanciamento que passa como objectividade, mas não é. Vêm a público falar da necessidade de 'resolver os problemas do país', sempre sem irem ao busílis e admitirem os gravosos erros do governo na matéria. Cavaco Silva, Jorge Sampaio, a liderança do PS e mesmo Passos Coelho, todos têm - apesar dos seus atributos e conquistas - a mácula de num momento ou outro terem colaborado com José Sócrates mais do que necessário, mais do que requerido pelo quadro institucional. Não vou entrar em pormenores porque estes são conhecimento público.

 

A verdade é que agora temos uma crise profunda alicerçada na irresponsabilidade que os entendimentos pontuais e auxílios circunstanciais com Sócrates acabaram por incentivar. José Sócrates não foi um líder que subiu a pulso, não foi um intelectual que tivesse sido proposto para liderar pelos seus atributos superiores, não, ele é sim um animal político para quem qualquer jogo circunstancial e respectivas manobras políticas de bastidores são o oxigénio do qual ele se alimenta. Infelizmente para as personalidades que eu já citei, ninguém foi capaz de antever - ou não foi capaz de se importar - com as consequências de beneficiar e facilitar a ascenção de alguém sem sentido de estado, para o cargo mais importante na gestão do país.

 

Peço apenas que tenham isto em mente quando finalmente sentarem governo e oposição sob o mesmo tecto na discussão do orçamento. Isto porque todos já sabemos que a queda deste PM está fora de causa devido à crise - entre outros motivos...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:27
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010
PM - Um Exemplo de Democracia

 

 

Mérito aonde é devido, venho por este meio congratular os Portugueses pela excelente escolha que fizeram há um ano na reeleição do PM José Sócrates e na recondução do governo PS.

 

Muitas polémicas e controvérsias se têm desenvolvido desde então mas o balanço geral é francamente positivo para a democracia Portuguesa. Bem sei que este fórum aonde escrevo sofre de considerável preconceito anti PM e anti governo PS mas não posso deixar de reconhecer que José Sócrates se revelou uma verdadeira mais-valia para a democracia Portuguesa.

 

As eleições legislativas de 2009 ficarão para a história desta humilde república determinado e esperançoso país como um marco do advir da genuina democracia representativa.

 

Setembro de 2009 viu os eleitores Portugueses dividirem-se entre duas alternativas de governo: uma não prometia nada, invocava sacrifícios e divorciava-se de uma visão e de um projecto para o futuro do país, abdicava também de incutir no espírito dos Portugueses a inspiração necessária à alavancagem colectiva para um futuro melhor. A outra era o seu oposto na clara visão e pormenorizado projecto para os destinos nacionais, na coragem e optimismo do seu jovem e enérgico líder, o qual prometia aos Portugueses que quaisquer que fossem as circunstâncias os Portugueses podiam confiar na determinação do governo em não ceder a pressões derrotistas, em resistir aos lobbies do capitalismo selvagem e a não abdicar das conquistas de Abril.

 

Um ano depois, José Sócrates cumpriu com a sua palavra e serviu os Portugueses honradamente. Hoje mais do que nunca o Choque Tecnológico faz sentir o seu impacto: as crianças Portuguesas entram desde tenra idade na era da informação com a tecnologia dos computadores Magalhães e os lares Portugueses pagam menos pela energia que consomem pois esta provém de fontes renováveis. Estas últimas também possibilitam que o país corte no seu défice da balança comercial pois já não tem de importar energia. As 'novas oportunidades' possibilitam que todos os Portugueses tenham acesso à educação em condições iguais e o investimento no emprego compensou os despedimentos ilegais do patronato ganancioso.

 

Mas sobretudo, este governo e o PM Sócrates, no meio de uma crise imposta à nossa república por inconsequentes manobras de capitalismo de casino vindas da América, conseguiu preservar o estado social face ao assalto dos abutres da finança mundial.

Aumentando os impostos aos privilegiados - cidadãos de segunda que vivem às custas dos honestos e honrados trabalhadores Portugueses - e recusando cortar na despesa e mutilar o estado-social violando a Constituição que mantém os valores da revolução dos cravos, o PM Sócrates corajosamente enfrentou as pressões da direita cúmplice do patronato e as imposições de Bruxelas, para conseguir preservar os nossos direitos.

 

Contra tudo e contra todos José Sócrates preferiu manter-se fiel ao seu eleitorado: o sonho vingou, os direitos foram salvaguardados.

 

Sócrates é sim um ícone da democracia, um exemplo a seguir para as gerações vindouras em termos de integridade democrática e um franco símbolo da vontade do povo plebiscitado na condução dos destinos nacionais. A sua idoneidade e sentido de serviço deixarão a sua marca na história de Portugal e atrevo-me mesmo a dizer que ele terá sozinho concretizado o dealbar de uma era de governos consequentes com a vontade do seu eleitorado.

 

O próximo governo não mais terá um cheque em branco dos Portugueses para não cumprir com as suas promessas. A partir de agora o povo chama os seus governantes á responsabilidade.

Malogrado líder de oposição que não queira honestamente servir os Portugueses e concretizar os seus sonhos!

Bem vindos à nova era, à nova república, bem vindos à democracia.

 

 

 

 

 

 

 

Francamente custa a crer que alguém tenha escolhido votar de todo por quem não queria fazer cumprir a vontade dos Portugueses...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 23:57
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
Um Apelo à Razão

 

À medida que a crise perdura e se alastra, governos por toda a Europa apressam-se a cortar nas despesas. Que o leitor não tenha ilusões que os cortes vão afectar os sectores verdadeiramente responsáveis pelo despesismo irresponsável. Não, não são as gratificações sociais insustentáveis que nos endividaram que vão ser afectadas. Como já tive oportunidade de criticar, o PS foi eleito para fazer o trabalho que a direita ‘neoliberal’ não pode fazer por falta de credenciais socialistas mas o populismo socrático – incontestado pela estrutura PS – nem o sentido de estado necessário à sustentabilidade do país, tem.

 

Não, por toda a Europa a tendência é a mesma, os cortes vão afectar sectores que em nada contribuem para o despesismo imparável mas que eleitoralmente são menos ‘problemáticos’. Um deles é a defesa. Por muito que admire Merkel e Cameron, a decisão de reduzir dramaticamente o orçamento da defesa é uma medida de puro eleitoralismo. A Europa já está em termos mundiais abaixo da média de gastos em defesa e os novos cortes revelam desprezo por um sector que é estratégico para a soberania e continuidade do Estado. O termo ‘estratégico’ deveria ser apreendido pelos políticos como exigência de coerência e planeamento de longo prazo e não como sacrificável a curto prazo.

Gastos relacionados com o sector da Defesa são um investimento nacional. A diplomacia Portuguesa foi crucial para a independência de Timor-Leste mas se a marinha e o exército para lá não tivessem sido mobilizados será que Portugal teria a presença económica que tem actualmente? Provavelmente não.

 

 

O que Portugal precisa

 

 

Se houver uma crise na Guiné-Bissau e Portugal não puder enviar uma fragata como aconteceu nos anos 90, será que a UE concorda em deixar a Portugal a organização das cimeiras UE-África?

 

Portugal precisa de mais investimento em Defesa. Precisamos de um terceiro submarino de modo a preservarmos a nossa dissuasão militar – se não tivermos um submarino em permanente actividade, esta praticamente não existe – precisamos de uma fragata adicional para garantir a permanência de duas em alto mar em simultâneo – relembro que temos a 11ª maior ZEE do mundo – e precisamos de um navio multi-funções para podermos intervir com meios logísticos em caso de catástrofes naturais ou situações de emergência nas nossas áreas de interesse nacional.

Escrevo sobre esta matéria porque já conheço o nosso PM assim como o nosso Ministro da Defesa. O primeiro sempre se apressa a repetir as tácticas políticas de outros países, o segundo deve ao primeiro o seu cargo.

 

Já aqui tive a oportunidade de expressar o meu cepticismo – para usar um eufemismo – nesta equipa. Resta-me apelar à razão para que numa altura crítica o governo – e a oposição… – não cedam a pressões eleitoralistas e compreendam que tal como demora uma década a adquirir um vaso de guerra, também demora uma década penar sem um.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 00:26
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010
É justa a comparação?

 

 

Ambos estão à esquerda dos respectivos espectros políticos, ambos fundamentaram a sua política económica em teses Keynesianas.

Ambos sofrem os efeitos dos grandes estímulos e subvenções que puseram em prática e ambos vêem a promessa de mais empregos desvanecer-se entre as brumas da crise sem fim.

 

É justa a comparação?



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:39
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Reflectindo sobre a Psico-refeição com MFL

O privilégio de poder conversar abertamente com figuras políticas como Manuela Ferreira Leite é a possibilidade de se poder vislumbrar o seu pensamento. Ferreira Leite é uma figura muito lúcida no seu pensamento político, e como poucos em Portugal, a sua integridade ideológica passou quase incólume durante as últimas décadas de evolução política em Portugal.


No centro dos seus ideais está a classe média. Sem uma classe média, a Drª Ferreira Leite não acredita que um estado possa prosperar. A social-democracia para si exige um estado, e um estado forte mas não um estado morbidamente abrangente e centralizador. A experiência dos regimes socialistas demonstra que o aparelho estado é eficaz na diminuição do abismo social, mas nunca para cima. O aparelho estado consegue uniformizar por decreto as diferenças sócio-económicas mas é pouco eficaz na potenciação da sociedade para a prosperidade. Ou seja, o estado é desejável enquanto regulador mas não enquanto produtor. 

 

Para a ex-líder do PSD, a protecção sócio-económica do estado justifica-se apenas para as classes mais desfavorecidas. O estado social deve, para si, ser um estado social mínimo.

 

O período da liderança Ferreirista no PSD caracterizou-se por uma profunda divisão ideológica entre a oposição e o governo. Esta divisão não era apenas política mas também pessoal pois o perfil de José Sócrates e o de Ferreira Leite não poderiam ser mais diferentes. As medidas anti-crise e as medidas pós-crise que os governos Sócrates tomaram contaram sempre com a oposição acérrima de Manuela Ferreira Leite porque elas se destinavam a beneficiar camadas da população dependentes do governo e a taxar as camadas da população que sendo mais independentes, perdiam a capacidade de suportar qualquer retoma económica. Este modelo perdedor persiste hoje: o governo expande a abrangência fiscal para fazer face ao endividamento que foi liderado pelo sector público nas últimas décadas – responsabilidade primária dos governos PS.

 

A dicotomia dos governos gastadores e dos governos de poupança é velha mas o pecado das últimas décadas socialistas foi terem-se demitido da responsabilidade de fazer reformas que implicassem a contenção do sector-estado.

Na III República enquanto porta-estandarte da esquerda e dos ‘trabalhadores’ – justamente ou não – e enquanto parte do arco da governabilidade e detentor de sentido de estado, o PS tem tido a missão de fazer as reformas difíceis, as reformas defendidas ...pelo PSD. O PSD tem ao longo do tempo sido esvaziado da sua legitimidade de representante dos ‘trabalhadores’ e dos ‘pobres’ pela esquerda Portuguesa pelo que quando uma reforma particularmente difícil se apresenta, a norma e a tradição – em quase todos os países aonde o espectro político pende para a esquerda – ditam que o PSD pressione a partir da oposição e que um governo PS as leva a cabo, por ser insuspeito de defender o ‘patronato’.

 

A maior vergonha não é que o governo populista de Sócrates não tenha tido a coragem ou a responsabilidade de as fazer. A maior vergonha é que o PS centralizado, estagnado e podre não tenha deixado de apoiar incondicionalmente os governos Sócrates, sabendo ainda melhor que o PSD, da irresponsabilidade com que o país tem sido governado.

 

Manuela Ferreira Leite foi há poucos dias comparada a Francisco Sá Carneiro pela sua integridade e visão … e justamente!



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 21:34
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Sábado, 28 de Novembro de 2009
A Ética Católica e o Desequilíbrio Normativo

 

Há algum tempo atrás, vi uma palestra de Ayn Rand, proferida nos anos 60, em que ela explicava a dicotomia Capitalismo Comunismo ironizando que a “moral mística do altruísmo” é nefasta não só para a economia mas também para as liberdades individuais.

 

A ideia que Rand tenta fazer passar é que a moralidade não é um bom guia para a economia, que é uma ciência. A economia é amoral e enquanto ciência tenta apenas optimizar a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Nada impede que façamos o nosso melhor para ajudar os demais na nossa vida privada mas sacrificarmos a nossa performance económica em nome de princípios metafísicos é derradeiramente contra-producente para todos.

 

Nos países protestantes, a ética e a moral incutem isto mesmo na sociedade e o equilíbrio entre meritocracia e solidariedade é deixado ao governo bem como às IPSS.

 

 

O problema dos países de ética católica está em que existe um claro desequilíbrio filosófico pois tanto o governo como a sociedade professam o altruísmo moralizador. A doutrina social da Igreja inocula-o há milénios e o socialismo moderno pratica-o no executivo.

 

A consequência directa deste facto é que os valores levam a uma desresponsabilização geral da sociedade. Em Portugal não há condenados em grandes processos judiciais porque o direito português é excessivamente garantista. Também as carreiras políticas são longas já que todos têm direito a uma segunda oportunidade. Finalmente, a competitividade é fraca porque o empreendedorismo e o risco são vistos com maus olhos e como tal as universidades produzem empregados em vez de investidores, o processo legislativo produz rigidez (para protecção) laboral em vez de flexibilidade de mercado (leia-se investimento).

A quintessência deste desequilíbrio é o Partido Socialista. O partido que lutou pelas liberdades cívicas contra o Estado Novo e em cujos ideais a actual constituição mais se inspirou. O partido que se bate pelas causas progressivas mas cujos líderes são católicos. O partido que promete o modelo económico sueco mas cujos militantes privam com Chavez e Castro.

 

Na verdade, o socialismo é forte em países latinos precisamente porque a ética social deriva da matriz cristã-católica que prolonga valores medievais como a nobreza ou o auto-sacrifício em prol do colectivo.

 

A mentalidade cívica é incipiente no nosso país que em vez de pragmaticamente escolher o menor dos males na urna, prefere esperar pelo estadista carismático providencial, abstendo-se ou votando em branco. Ela é incipiente pois sistematicamente escolhe o sonho dos “Estados Gerais” ou do “Choque Tecnológico” – na vertente do “New Deal”, “Great Society” ou “New Frontier” – em detrimento da realidade.

 

Manuela Ferreira Leite disse “Prometemos apenas aquilo que sabemos poder cumprir”, Cavaco que “Portugal não pode continuar (…) a endividar-se (…) ao ritmo dos últimos anos”. No lado do PS, Jorge Sampaio afirmou que havia vida para além do défice e Sócrates que tínhamos que ser positivos.

 

O PSD falava para os cidadãos responsáveis, o PS falou para os Portugueses…

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 08:41
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Uma no Cravinho, outra na ferradura...

 

 

Em 2006, João Cravinho apresentava na AR um pacote de medidas de combate á corrupção, que foram á data rejeitadas pelo PS e que motivou a saída do deputado da AR.

 

A proposta mais polémica do “pacote Cravinho” passava pela criação do crime de enriquecimento ilícito, que face aos mais recentes acontecimentos parece ter ressuscitado. O enriquecimento ilícito, corrijam-me os juristas, tem por principio caber aos suspeitos de corrupção provar a origem do seu património.

Na altura, o “pacote Cravinho” nem sequer foi a votos no Parlamento. E quando foi retomado mais tarde pelo PSD, PCP e BE, a maioria Socialista chumbou-o, argumentando José Sócrates que o crime de enriquecimento ilícito invertia o ónus da prova e violava a Constituição.
Nos últimos dias, e em resposta aos desenvolvimentos do caso Face Oculta, ficámos finalmente a perceber o significa a palavra diálogo no seio do Partido Socialista e já agora a máxima “unir esforços em torno de consensos”.
Francisco Assis, actual líder da bancada parlamentar do PS mostrou-se disposto a dialogar com as demais bancadas com o objectivo de encontrar mecanismos mais afinados para travar a corrupção.
Já, José Sócrates, Primeiro-ministro e Secretário-geral do mesmo PS de Francisco Assis, afirma que as medidas existentes são suficientes.
Francisco Assis tem admitido que as medidas contidas no “pacote Cravinho” podem vir a ser reavaliadas, justificando-o com a defesa do Estado de Direito.
José Sócrates a tudo vai respondendo com a necessidade de diálogo. Se não o faz com as oposições, nem no seio do PS, seu Partido, resta saber com quem dialoga, afinal o Primeiro-ministro para governar Portugal.
 


uma psicose de Elsa Picão às 21:25
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Habemus Governo!

 Segundo a SIC, temos fumo branco em S. Bento. Não há grandes alterações...

 

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros 

Luís Filipe Marques Amado 

 

Ministro de Estado e das Finanças 

Fernando Teixeira dos Santos 

 

Ministro da Presidência 

Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira 

 

Ministro da Defesa Nacional 

Doutor Augusto Santos Silva 

 

Ministro da Administração Interna 

Rui Carlos Pereira 

 

Ministro da Justiça 

Alberto de Sousa Martins 

 

Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento 

José António Fonseca Vieira da Silva 

 

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas 

António Manuel Soares Serrano 

 

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações 

António Augusto da Ascenção Mendonça 

 

Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território 

Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro 

 

Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social 

Maria Helena dos Santos André 

 

Ministra da Saúde 

Ana Maria Teodoro Jorge 

 

Ministra da Educação 

Isabel Alçada (Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar) 

 

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior 

José Mariano Rebelo Pires Gago 

 

Ministra da Cultura 

Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas 

 

Ministro dos Assuntos Parlamentares 

Jorge Lacão Costa 

 

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros 

João Tiago Valente Almeida da Silveira 

 

SIC Online

 

Duas notas rápidas:

a) Augusto Santos Silva a Ministro da Defesa!??! É uma piada?

b) Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações é, se a memória não me atraiçoa, o antigo presidente da minha Alma Mater (ISEG) e, segundo sei, um Keynesiano convicto (aka, favoravel a TGVs e obras públicas afins)

 


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uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 18:11
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Fear of the Dark

 

"I am a man who walks alone
And when I'm walking a dark road
At night or strolling through the park
When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when it's dark"



Uma análise dos últimos 3 dias


Perdemos as legislativas. Estou triste e desiludida. Mas cada povo tem o que merece e o nosso vai pagar caro por esta escolha.

Tenho várias coisas a apontar neste post. Vou começar com a que me parece mais óbvia.

Muitos não gostam de vozes críticas. A verdade é que o PSD perdeu estas eleições porque quis. Repudiaram a ideia dos típicos comícios, esquecendo-se que a imagem populista não é a melhor, mas vende. Não quiseram chegar às pessoas e foi com tristeza que vi a comparação entre o encerramento da campanha do PS e o do PSD. Quando a vitória se soube dos socialistas, eles esperaram o seu líder na sede do Partido (e ele carinhosamente, não apareceu). Mas estavam lá a festejar  à espera dele. Nós repudiámos várias vezes as pessoas que nos apoiam e não tivemos atenção a tentar chegar àqueles que nos poderiam apoiar - os indecisos. O partido tem de arrumar a casa, tem de se redefinir e voltar não a meio gás, mas com toda a força que sei que tem!


Estou pessimista em relação ao caminho do meu país. Tenho medo do escuro, do fosso para o qual nos dirigimos. Quem julga que Portugal não está tão mal como parece vive numa ilusão e não conhece a realidade da sociedade portuguesa. A Justiça não funciona, não nos sentimos seguros na rua, empresas estão a falir e o desemprego aumenta a olhos vistos. Os estudantes cada vez mais recorrem às bolsas para poder estudar, isto quando não têm que ir trabalhar para sustentar o resto da família, porque o mercado de trabalho não absorve os pais de 50 anos ,que entretanto estão no desemprego. E outros, vivem às custas de rendimentos sociais de inserção e do subsídio de desemprego, porque compensa mais não trabalhar, que acordar às 7 da manhã para ir para o emprego quando se ganha precisamente o mesmo e não se pode ir para o café beber um fino e ler o desportivo.


E agora eis que nos surge Cavaco Silva a levantar uma questão que já fez correr imensa tinta, que custou sem dúvida votos nas legislativas e que nos demonstra o tipo de Governo com que lidamos. E ainda assim o povo não se enxerga!

Não acredito que Cavaco seja ingénuo. Ele sabia o que fazia e certamente terá muito mais que dizer. Acusações graves foram feitas e foi declarada guerra. Resta saber quem sairá bem. Se o PS que se vitimiza e asfixia tudo e todos, se o PR que merece respeito e que tem sido alvo das mais duras e injustas acusações.


O jogo continua em aberto. Teremos mais um período eleitoral em breve, no qual espero que o PSD calce as botas e parta para a ofensiva a sério. Até porque caso as coisas se mantenham neste rumo, já disse que faço as malas e vou para a Finlândia!

 

 

 


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: Iron Maiden - Fear of the dark

uma psicose de Essi Silva às 22:50
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
SÓCRATES, O TEU FUTURO NÃO É FIXE!

 

                                    

Independentemente do que vai suceder no domingo, há uma derrota que tenho por adquirida: a derrota de Sócrates. Mesmo que o PS ganhe (e estando o cenário de maioria absoluta já afastado), Sócrates será o grande derrotado da noite eleitoral.  Contraditório? Inverosímil esta minha tese? Não - creio que é apenas realista.

 

Com efeito, Sócrates governou durante pouco mais de quatro anos com maioria absoluta, apoiado por um grupo parlamentar e um partido totalmente domesticados e submissos aos ditames superiores do grande Chefe, Assim Sócrates queria, assim o PS fazia. Até correntes teoricamente divergentes da linha da liderança socrática , personificadas em António José Seguro, Manuel Alegre e os que preservam os "restos mortais" do soarismo, eclipsaram-se durante parte significativa da legislatura. É certo que Alegre fazia algum frisson aqui e ali, mas foi sempre sol de pouca dura - Sócrates sabia que tinha Alegre na mão (o sonho de ser Presidente da República fala mais alto que qualquer divergência ideológica ou questão de princípios). Ora, mesmo que Sócrates ganhe com maioria relativa será um líder fraco, frágil - será a negação do estilo que cultivou nos últimos quatro anos. Será uma sombra do Sòcrates que conhecemos. Alguém imagina o animal feroz a negociar, a ceder, a lidar com a contestação social, a não poder acabar com telejornais incómodos, a pressionar directores de jornais? Sócrates não sabe governar dialogando. Precisa do confronto (precisa de inimigo externo, artífices de campanhas negras que possa acusar para manter o partido coeso). E é precisamente aqui que entra o Bloco de Esquerda.

 

Todos já reparámos na inflexão estratégica (e táctica) de Louçã. Inicialmente, atacava governo e PS - agora já não, aposta na oposição entre esquerda e maioria absoluta. Curiosa esta bipolarização: esquerda (ou seja, BE e ala esquerda do PS) contra a maioria absoluta(isto é, PS com Sócrates). Caso  Sócrates ganhe com maioria relativa, os sinos vão soar no Largo do Rato e despertar aquele partido adormecido. Vítor Ramalho, José Seguro e outros, muitos outros vão logo afirmar que se confirma o desagrado dos portugueses com o governo, como é possível perder maioria absoluta em quatro anos, com condições excepcionais. Entretanto, muitos que estão com Sócrates hoje, vão passar imediatamente, assim que sentirem que Sócrates já não é o futuro, para o lado adversário da actual liderança (não é Augusto Santos Silva? não é Vieira da Silva ?). A verdade é que com esta nova linha seguida pelo BE, já se sabe que vai apoiar, fazer tudo para que os socialistas mudem de líder. Ou a coincidência temporal entre o discurso de Soares apelando a coligação com os bloquistas e a intervenção de hoje de Louçã é pura coincidência? Uma convergência objectiva? Não sejamos ingénuos...

 

Em suma, Sócrates está numa encruzilhada. Não se vai aguentar muito tempo, seja qual for o veredicto dos portugueses no domingo. Curiosamente, será o BE, movimento/ semi-partido que Sócrates ora namorava (com as causas "fracturantes") ora elegia seu principal inimigo político,  que irá puxar-lhe o tapete do poder. Através de um conluio, de uma coligação objectiva de interesses entre os bloquistas e a ala esquerda do PS. Quem diria? As voltas que a vida dá, as voltas que a vida dá!



uma psicose de João Lemos Esteves às 04:24
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