Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
Nobel da Demagogia
A cerimónia de atribuição do Nobel da Paz à União Europeia em Oslo foi o espelho da classe política Europeia e o reflexo não foi bonito.
Para um prémio atribuído a uma organização internacional, por mais soberania partilhada que a constitua, foi absolutamente ridículo ver todos os chefes de governo presentes para captar o prestígio por associação que a UE estava a receber. 

Dito isto, ao nível institucional o M.O. foi o mesmo de modo que ninguém sai incólume na fotografia de grupo ...e de grupo. Van Rompuy tornou aquilo que se queria como uma cerimónia solene num evento hilariante ao invocar Kennedy com o seu "Ich bin ein Europäer". Solidariedade com um ideal questionável tudo menos consensual não é propriamente o equivalente da Berlim da Guerra Fria...

O aproveitamento político foi óbvio e barato mas o mesmo também se deve dizer infelizmente, de quem faltou pois David Cameron não esteve presente por razões igualmente populistas.
É uma Europa de politiquices e não - como devia ser - uma de estadistas.
Passemos então ao mérito do prémio em si. Aquilo que justificou a atribuição do prémio à UE foram projectos Europeus como o EuropeAid ou a Iniciativa Europeia para a Democracia e Direitos Humanos. No entanto, ao contrário da tradição de promover estadistas que encetavam negociações de paz, estes projectos iniciados por lógicas politicamente correctas de despesa orçamental e fruto do consenso possível - virtude desse mesmo politicamente correcto - entre os estados-membro, também dão azo a um prémio menos merecido; não só a UE nunca foi capaz de pôr travão a uma guerra mas quando tentou - Bósnia, Kosovo - falhou pois as forças internacionais e os projectos de construção de estado continuam ad eternum presentes nos Balcãs - para não mencionar o que o conflito actual no Congo diz de todo o investimento Europeu e da ONU nos esforços de paz.
Assim, premeia-se quanto muito as boas intenções, mas não os resultados. Mas porque a atribuição do Nobel é também política, há um aspecto preocupante que convém salientar: nem sequer na Europa se concorda na definição de democracia e direitos humanos, e é prioridade da UE expandir tais definições opacas ao resto do mundo? A que preço? E se uma outra civilização quisesse promover os seus ideais na Europa? Aceitamo-lo-íamos? 
E que dizer do inevitável problema que a Europa levou séculos a chegar a estes ideais num canto do mundo muito peculiar? É sustentável promover tais valores excepcionais no resto do mundo?

Quem somos nós para dizer aos outros como viver?


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:19
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012
Até só pelos 60 anos de paz

 

 

Sim, eu sei que a Europa está em crise e que muita gente culpa a União Europeia.

 

Mas foi a UE que nos garantiu que, contrariamente ao que seria (historicamente) normal, alemães, franceses e ingleses se degladiem com argumentos e não com armas.

 

Foi (e é) também a UE que inspira países e opiniões públicas a continuar no caminho do 'Modelo Europeu', e que garante, reforça e puxa por reformas em países recentemente saídos de conflitos e ditaduras (como a panela de pressão balcânica).

 

É também na Europa que os níveis de vida e de Direitos Humanos são mais elevados. É também a Europa que garante que a Grécia, depois de 4 anos de recessão, mantém um PIB per capita (baseado em purchasing power parity) superior a qualquer país da América do Sul, de África e de grande parte da Ásia (ver mais aqui).

 

Foi também o esforço de União Europeia que ajudou a que o muro caísse e a que a Alemanha se reunísse (independentemente do que o Hasselhoff diga).

 

É ainda a Europa que, como nos lembrou o Presidente da Comissão, é o maior financiador de ajuda humanitária e ao desenvolvimento, e lidera pelo exemplo a luta contra as alterações climáticas.

Estou muito feliz de ser Europeu!


:
: O Hino à Alegria, claro está

uma psicose de José Pedro Salgado às 14:27
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011
Amanhã, o mundo será português

Parece-me de elementar justiça que António Lobo Antunes veja reconhecido o seu nome entre os maiores da literatura, para que não volte a ser apelidado "o mais importante escritor vivo de que provavelmente nunca ouviu falar". O prémio adivinha-se-lhe há muitos anos a esta parte mas o seu vasto séquito de leitores desespera, ano após ano. Lobo Antunes é, indubitavelmente, o actual embaixador da língua portuguesa no mundo e, por isso mesmo, o adiar do prémio começa a tomar a dimensão da língua. 


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uma psicose de Rui C Pinto às 22:26
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Domingo, 13 de Dezembro de 2009
Paul Samuelson...

 

O economista Paul Samuelson morreu, este domingo, aos 94 anos de idade, na sua casa no Massachusetts, nos EUA, indicou o Massachusetts Institute of Technology (MIT). 

 

Fonte: TSF

 

Para quem estudou economia, a capa do livro que ilustra este post era uma referência na ciência (livro publicado pela primeira vez em 1948). Para quem concordava e para quem discordava.

 

Samuelson foi um dos mais prolíficos economistas do Sec XX. A sua obra foi desde a sistematização das teorias de Keynes (na chamada "Sintese Neo-Clássica") até às bases da teoria de opções financeiras (quando recuperou os escritos do francês Louis Bachelier e os desenvolveu), passado pela Macroeoconomia onde foi pioneiro em novos modelos que hoje temos como geralmente aceites e fundamentais. Foi o Pai do uso da "estática comparada" e do uso dos modelos de "equilibrio geral".

 

Morreu uma das últimas referências da "época de ouro da alta teoria" da ciência. Um dia de luto para a "dismal science".


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uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 23:49
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Nobel da Economia 2009

 

         Elinor Ostrom                                                           

 

"for her analysis of economic governance, especially the commons"

 

                

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

     Oliver E. Williamson

 

"for his analysis of economic governance, especially the boundaries of the firm"

 

Favor ignorar o facto de o autor do post ser um pouco parcial em relação à ciência em questão ;)


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uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 13:21
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