Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016
Mariana Mortágua é tudo aquilo que está errado com Portugal

Na sequência do frente a frente de ontem com o deputado António Leitão Amaro, mais uma vez somos recordados que ouvir Mortágua é habilitarmo-nos a ouvir um chorrilho de disparates sem nexo.

Pondo de lado a polémica deste orçamento de estado e de como TUDO e TODOS estão errados desde o Conselho de Finanças até à Comissão Europeia e apenas o governo tem razão (conspiração internacional), ouvir Mortágua é ser-se penosamente recordado de tudo aquilo que levou à bancarrota nacional e ao desastre.

Desde logo, se há algo que fica claro das palavras da deputada é que o herói do Bloco de Esquerda deve ser José Sócrates. Porquê? Porque se alguém lutou contra a necessidade de pagar a dívida e se bateu pelo aumento do despesismo como motor do crescimento económico nacional, esse alguém foi Sócrates.

A deputada do Bloco representa neste momento o que de mais revisionista, retrógrado e senil existe em Portugal. É pena que ninguém confronte Mortágua com o melhor exemplo das políticas que ela advoga: o Portugal dos anos 90 e 2000. Aumentar salários acima da produtividade, carga fiscal nacional elevada para pagar despesas com funcionários públicos que trabalham menos que o sector privado, levar a cabo endividamento público para reavivar o crescimento económico através de um efeito multiplicador foram as políticas das últimas duas décadas. E o resultado, foi bom? 

É precisamente por causa de pessoas como Mariana Mortágua que Portugal está aonde está. Ninguém é capaz de lhe perguntar porque funcionaria hoje uma política que não funcionou no passado?

 

Mortágua tem ainda a indecência de acusar a direita de ter não apenas um modelo económico errado mas de ter empobrecido o país. Segundo a deputada bloquista, Portugal regrediu durante os anos de austeridade, política essa que não leva ao crescimento. Concordo com a primeira afirmação pois de facto perderam-se décadas com a austeridade mas o problema é que acusar a direita de ser a autora da austeridade é o mesmo que o bebé atirar a bolacha ao chão e culpar os pais por não ter bolacha ou que o filho mimado espetar o carro da família e queixar-se que os pais não são “justos” não lhe comprando carro próprio. O cúmulo da dissonância cognitiva desta gente é que na mesma frase em que defendem que a 4ª economia mais endividada do planeta deva gastar mais, se queixem dos cortes que o anterior governo teve que fazer – e, não haja dúvidas, que o próximo terá novamente de fazer.

 

A deputada acha ainda que a austeridade deste governo é melhor porque “é mais justa”. Mortágua queixa-se que a direita cortou nos salários e pensões dos mais pobres e resgatou os banqueiros. Infelizmente esta é uma visão deturpada da realidade e que revela que o Bloco vive na 5ª dimensão. O “governo da austeridade” cortou em tudo e aumentou impostos a todos. Se a deputada queria que os salários e pensões mais baixos ficassem isentos, isso teria implicado mais despedimentos ou mais privatizações mas que o dinheiro tinha de vir de algum lado, isso tinha. Tal como o sector privado se viu sem investimentos públicos e entrou em recessão – sim porque no mundo “neoliberal” da UE e dos governos “ultraneoliberais” de Passos Coelho, metade da economia nacional está dependente do sector estado – também o sector público foi chamado a contribuir. Injusto é que todos os Portugueses sejam chamados a pagar mais impostos duas semanas depois da função pública ver a sua carga horária reduzida a níveis inferiores ao do resto da população – o que não terá nada a ver com o eleitorado e lideranças da extrema-esquerda serem anormalmente constituídos por pessoas dependentes do estado.

 

Quanto aos bancos, eu diria que os banqueiros Portugueses não têm tido tempos fáceis pois os que foram “resgatados” deixaram de existir e alguns banqueiros foram mesmo presos, os que receberam ajudas para a liquidez pagaram a sua dívida ao estado e no caso do BANIF quem tem mais a explicar é mesmo a deputada por não ter querido uma auditoria externa ao caso…

 

Pois bem, fazendo a defesa da austeridade enquanto modelo económico viável, digo que a deputada não tinha melhor remédio do que ir falar os cidadãos da Europa de leste, ou de Cuba, ou da China ou de vários outros regimes que experimentaram economias planeadas, para se educar sobre os resultados de não se estar dependente do FMI ou do BCE, e de se poder gastar à vontade. A “alternativa democrática” que a deputada procura para a austeridade é muito simples: é não se pagar a dívida. E o BE já o reivindicou repetidamente. Não sei quem voltaria a emprestar a Portugal depois disso mas que é uma alternativa é…

 

Mas é sobretudo radicalmente mentecapto dizer que Portugal apenas regrediu durante a austeridade quando o turismo nacional, as exportações e as poupanças das famílias bateram recordes, e o governo Passos Coelho foi o primeiro desde há décadas a conseguir não só parar o crescimento da dívida mas mesmo reverte-lo. Claro que o eleitorado do Bloco não são as pessoas normais e como tal Mortágua não se coíbe de insultar os Portugueses que fizeram esses esforços. Talvez mais óbvio: alguém conhece um único país que não tenha de pagar dívidas ou que não sofra as consequências negativas quando o faz? Porque como a resposta é factualmente negativa, isso implica que necessariamente ninguém veja o dinheiro crescer nas árvores e consequentemente TODOS os países no mundo apliquem austeridade quando necessário.

 

Houve ainda um episódio caricato no debate entre os dois deputados quando Leitão Amaro invocou um estudo que diz que 80% dos economistas validam a austeridade e a deputada Bloquista se insurgiu questionando o estudo. Como já disse antes, não sei em que mundo o BE vive mas no meu basta fazer um tour das faculdades de economia do país e verificar quantas são de direita e quantas são de esquerda…

 

Por último digo ainda que a minha falta de respeito pela Mariana Mortágua advém do desprestígio e traição a que ela sujeita o eleitorado jovem – do qual o Bloco depende e muito. É que são as políticas de endividamento nacional a prazo e facilitismo escolar que lesam mais as oportunidades dos jovens Portugueses, os quais não só estarão pior preparados para entrar no mercado de trabalho mas quando eventualmente o fizerem estarão sobrecarregados de impostos para pagar as dívidas incorridas para sustentar o consumo desenfreado de curto prazo da geração dos pais da Mariana. Claro que depois, ainda há a desfaçatez de acusar a direita de empurrar os jovens Portugueses para a imigração - os quais diga-se, não tendem a imigrar para países com políticas de "efeitos multiplicadores" mas sim com políticas de austeridade... vá-se lá perceber porquê...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 07:14
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2015
Costa, Má Aposta

Existe uma estranha dissonância entre a imagem mediática de António Costa e a realidade. Personalidades como Marcelo Rebelo de Sousa louvam semana após semana os grandes feitos de Costa e admiram-no como um grande político profissional. No entanto, o historial de Costa na liderança do PS quase chega a reflectir o desastre. 

 

Não falo apenas das sondagens. Sim, o PS tem perdido bastante força nas sondagens mas tal também acontece a líderes com mérito. O contrário também se verifica pois já mais do que um líder inepto logrou ser popular e até ganhar eleições...

A surpresa é que no caso de Costa, com maus resultados tanto em sondagens como em políticas, continue a passar a imagem de competência política do mesmo...

Ora vejamos a evolução das sondagens:

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 O Secretário-Geral do PS conseguiu anular uma vantagem de 7 pontos e está agora a lutar para se manter tecnicamente empatado com a coligação governamental - e isto numa altura de profunda crise económica e políticas de austeridade, assim como alguma falta de aptidão política, desgaste e carisma por parte dos líderes de direita.

Mas como serei o primeiro a defender que sondagens não governem políticos, vejamos algumas das apostas de António Costa desde que tomou poder:

1 - Mesmo ainda recém chegado da tomada de poder no partido, António Costa decide construir uma equipa que é vista de fora simultaneamente como uma aproximação à ala Socratista do partido - em contraste com António José Seguro - e adopta uma retórica esquerdista, querida da ala mais radical do PS e conivente com tais fenómenos como o Partido LIVRE.

2 - Costa era em 2013 e 2014 muito crítico da austeridade. Em 2015 também tem sido mas desde o discurso aos empresários Chineses que a crítica soa mais oca...

3 - Apostou em François Hollande em 2012, e em Alexis Tsipras em 2015.

4 - Apostou em António Guterres como candidato, incitando-o a concorrer às presidenciais.

E valeram estas apostas a pena?

1 - Com a recuperação económica, descobriu que afinal terá que concorrer pelo eleitorado ao centro e ficou mal por ter produzido soundbites populistas radicais. Aproximou-se de Sócrates e dos seus acólitos mesmo antes da fatídica prisão deste último, o que mais uma vez o obrigou a dar meia volta e afastar-se. Que Costa quis ignorar a gestão historicamente danosa do país assim como a natureza populista e pouco escrupulosa da criatura, reflecte pouco da sensatez política do líder socialista... pelo menos quando comparado com Seguro.

2 - Não só assumiu que afinal o país está no caminho da recuperação, mas todas as críticas que faz ao governo de falhanço governativo, reverberam ainda pior quando comparadas com a era Sócrates no governo - não que ele o assuma.

3 - Tanto Hollande como Tsipras ou falharam ou foram mesmo obrigados e adoptar políticas de austeridade. Abona pouco a favor de alguém que se quer como alternativa - e ainda por cima alternativazinha...

4 - Guterres era a visão sebastianista do PS - não obstante a forma menos responsável como saiu do governo (e sim, tenho noção que muitos no PSD pedem uma candidatura de Barroso) - mas a recusa de Guterres foi uma dupla desilusão para os socialistas. Porque deixou o PS sem nomes 'notáveis' e porque mostrou aos Portugueses o quanto Guterres dá importância à sua pátria numa altura de dificuldade [not] - again...


Depois de fazer asneira na escolha de facção partidária, plataforma ideológica, referência política internacional e candidato presidencial, depois da queda livre nas sondagens, porque raio é que Costa é considerado competente?...

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:44
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014
O Berlusconi de Portugal

Em varias ocasiões neste blogue, apelidei Sócrates "o Berlusconi Português".

Sem saber se o ex-PM será condenado ou não, vale a pena, ainda assim, reflectir sobre o significado dos acontecimentos do ultimo fim-de-semana.

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 Muitas almas caridosas insistem em lembrar que há casos de corrupção tanto à esquerda como à direita. Sendo verdade, eu penso que a situação é muito diferente para a esquerda e explico porquê:

 

1. Tanto o PS como o PSD têm políticos sobre os quais muitas suspeitas recaem. Mas por vezes os nossos instintos servem-nos bem e tal como outros políticos - lembro-me por exemplo do Major Valentim - Sócrates nunca inspirou confiança em ninguém. Em 2009, houve varias sondagens antes das eleições nacionais e Sócrates liderava todas nas intenções de voto. Havia, no entanto, uma em que MFL lhe ganhava: honestidade. Os Portugueses sabiam bem que lhes mentia e quem lhes falava verdade... 

Ora a diferença é que o PSD não elegeu um 'destes' políticos líder do partido e PM.

 

2. Logo vale a pena perguntar o porquê do PS ter tido necessidade de o fazer. Escrevi aqui aquando da revelação da fraude que era Artur Baptista da Silva (ABS), que o caso não era apenas acidental para a esquerda, o caso era sintomático. Basicamente porque a sofreguidão por alguém de autoridade que pudesse criticar a austeridade era tanta, que muitos deixaram-se levar na cantiga de ABS.
Pois bem, Sócrates pode e deve ser visto, também, a esta luz. Muitos se queixam que os quadros competentes dos principais partidos não se dão ao trabalho de ir a eleições. Isto é verdade e é verdade nos três partidos do arco da governação. No entanto, o facto de o PS ter permitido que um destes quadros ...não competentes, de moralidade dúbia, um autêntico populista... chegasse tão longe politicamente, reflecte, na minha opinião, mais do que apenas um erro acidental.

O dilema do PS - e sobretudo dos seus notáveis - consistia em como fazer face à evidencia de que políticas socialistas não funcionavam, mas continuar a prometer os mundos e fundos que o socialismo promete; como continuar a ser socialista, já depois de ter perdido a fé...

Para esta aristocracia socialista, a solução apresentou-se na pessoa de José Sócrates: alguém de pouco escrúpulos, capaz de discursar slogans socialistas enquanto corta na segurança social (à socapa), capaz de arruinar as finanças nacionais tacticamente, para poder ganhar uma eleição (2009).

A falência ideológica do PS alimentou criaturas de mentalidade chico-esperto como Sócrates; a falência ideológica da esquerda alimentou burlões como ABS.

 

A lição de moral para o país em 2014, deveria ser a mesma de 2009: aprender com o passado. Em 2009, semanas depois de Ferreira Leite perder as eleições com o seu discurso da austeridade, a Grécia falia e pouco depois Portugal iniciava os seus PECs e era expulso dos mercados de financiamento. Em 2014, semanas depois de António Costa ser eleito reabilitando o legado de Sócrates no PS, o ultimo cai em desgraça.

A lição é simples: quando os Portugueses votam pelo sonho, as coisas correm mal.

Mais realidade Portugueses, mais realidade.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 12:47
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Sábado, 22 de Novembro de 2014
O Eurocepticismo do PS Marinho-pintista

Quando em 74 o novo regime chegou ao poder, uma das políticas imediatamente encetadas foi a da descolonização. Aos Portugueses foi-lhes assegurado que Portugal, em versão pequena, podia ainda ser bem sucedido economicamente: através da cópia do modelo escandinavo em Portugal e através da adesão às Comunidades Europeias - assim acedendo a um mercado maior.

Pois bem, de acordo com a nova moção de António Costa ao Congresso do PS, a estagnação da economia nacional deve-se a 3 factores:

 

“(...)a integração da China no comércio internacional; o alargamento da União Europeia a Leste e a criação da moeda única”.

 

 

Ora, isto é gravemente problemático a vários níveis:


- Primeiro porque se algum partido ficou conotado com a descolonização e com a adesão à CEE, esse partido foi o PS. Mas se a moeda única foi nociva a Portugal, aonde fez o PS campanha contra tal medida?
E não estava o PS no governo quando o alargamento a leste foi decidido? O governo porventura deu alguma instrução aos diplomatas Portugueses em Bruxelas para resistirem ou adiarem tal alargamento? E se a justificação é que as decisões agora se fazem por maioria qualificada no Conselho Europeu, aonde se fizeram ouvir as objecções do PS ao fim das decisões por unanimidade?...

Sim, o PSD terá calado, consentido e sido tão seguidista quanto o PS, mas ao contrário do PS o PSD não se atreve a ser incoerente ao ponto de admitir tais erros - sem se desculpar - nos seus congressos... Já para nem falar da conotação federalista que figuras como Mário Soares têm tido.

 

- Segundo porque lá se trai a noção de que Portugal não depende de salários baixos para ser competitivo. A China e a Europa de leste não competem com Portugal na qualidade...

 

- Finalmente, porque a recorrente "alternativa" invocada pelo PS, a contrapor à austeridade, é a 'solução Europa'. Não se preocupem em reduzir a dívida, não se apoquentem com a sustentabilidade do sector social do estado. De onde virá o dinheiro para sustentar o que patentemente não é sustentável? Ora, da Europa, claro está... Daí a posição pro-federalista do PS, o apoio à emissão de títulos do tesouro colectivos por parte da UE (BCE), etc. Porque isso colectivizaria os problemas individuais de países como Portugal ou a Grécia. Que se dane a independência da nação. Que se dane a fraude que é prometer o dinheiro dos outros...

 

Mas esta moção de Costa não é senão um eco daquilo que se tem vindo a ouvir, desde há uns tempos, dos lados do Largo do Rato. As piadas sobre Merkel, a indignação perante a austeridade, a ameaça de romper o acordo com a Troika...
De súbito, é como se o PS já não fosse Europeísta. Nos dias que correm aliás, o PSD e PP até parecem carregar a cruz com mais orgulho do que o PS.

A verdade é que por mais que o PS esteja a ser confrontado com políticas do passado altamente ineficazes, o PS não deixou de ser Europeísta; aquilo que se revela é a incoerência de um partido que tem que fazer oposição com as costas quentes e que acaba por cair no populismo de taberna.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 08:26
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014
Politicamente Correcto - doença (crónica) Portuguesa

Em Portugal é proibido questionar convenções. Quem o faz é imediatamente ostracizado. Se algo ameaça a postura convencional, então é porque é extremista, ou marginal, ou pior.

 

Exemplo: em país católico/socialista (frequentemente os dois vão de mão dada) quem põe em causa que o Estado deve sustentar todos os cidadãos e distribuir benesses até mais não, é alguém que é extremista/neoliberal/insensível. Que nunca ocorra a nenhuma cabecinha que quem vem a público dizer que não há dinheiro para tudo, esteja apenas a constatar a realidade e a chamar governantes e sociedade, à responsabilidade; quais insensíveis, violadores dos valores de Abril, ladrões que de conluio com o 'grande capital' põem o país a saque...

 

Daí que pessoalmente, eu ache vergonhosamente cobarde, que a extrema-esquerda use todos os insultos e mais alguns para atacar a direita no que toca a políticas económicas. Nunca poderia a direita sequer sonhar em chamar as barbaridades à esquerda, de que é chamada por esta. Mas como as Anas Drago e Jerónimos de Sousa estão perfeitamente cientes de que o politicamente correcto e a convenção estão do seu lado - o lado do povo, estão a ver? - nem sequer hesitam em chamar a governantes legítimos 'ladrões', ou de tentar insinuar corrupção e fraude - nunca pagando, claro está, quando se prova estarem errados.

 

Assim, não é de surpreender que - talvez em Portugal mais do que em qualquer outro país - os génios sejam todos póstumos. É biografia recorrente aquela que acaba por concluir que, em vida, a excelsa pessoa nunca foi compreendida ou admirada. Foi preciso morrer na miséria e na amargura para postumamente lhe reconhecerem o devido valor.

 

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Faço esta introdução antes de me lançar no tema: o resultado do recente referendo na Suíça, que foi discutido hoje, no programa 'Opinião Pública' da SIC Notícias.
Eu compreendo quem queira defender a União Europeia e eu próprio não me considero propriamente eurocéptico mas não me conformo com a falta de pensamento crítico ou tolerância de quem o faz. Como já tive oportunidade de escrever, em Portugal o europeísmo é cânone, é dogma, não é juízo lúcido.

A coisa começa logo enviesada: no próprio site da SIC Notícias, a abordagem ao assunto é o ABC de como não fazer jornalismo (eu não me licenciei em Jornalismo mas estudei Sociologia da Informação. Os jornalistas da SICN também?...).

Supostamente o programa tem como objectivo debater temáticas. Para tal tem que dar espaço a opiniões divergentes. Mas veja-se a própria sinopse: 

 

"Queremos saber o que pensa do restabelecimento de quotas para os cidadãos europeus que queiram imigrar para a confederação helvética? "

 

Até aqui tudo bem - salvo a confusão entre afirmação e interrogação - pois estão apenas a solicitar pontos de vista de forma neutral.

 

"Que razões terão levado 50,3 % dos suíços a votarem sim, numa altura em que o desemprego é de apenas de 3,2%

e os empresários dizem que o atual sistema de angariação de mão-de-obra estrangeira beneficia a economia? 
E que reação deverá ter agora a União Europeia,

uma vez que os resultados do referendo vêm pôr em causa os acordos de livre circulação de pessoas e de participação no mercado interno?"

 

Pois é, que tolinhos estes Suíços :D que curioso que tenham sido tão palerminhas...
Ou seja, a coisa descamba completamente. A enunciação é tão claramente parcial que chega a estar perto da desinformação. Um enunciado neutral seria algo que questionasse a decisão dos Suíços e depois desse um argumento a favor da decisão e outro contra. Do género: tendo em conta X esta foi uma boa decisão mas considerando Y não será contra-producente a prazo?

Isto é aliás aquilo que é normalmente feito para espicaçar o debate e pôr as pessoas a falar. Mas não. Aquilo que aqui é feito é 'guiar' o telespectador/internauta: em primeiro lugar solicita-se a opinião mas seguidamente bombardeia-se o leitor com 3 argumentos sucedâneos que fazem a decisão dos Suíços parecer absurda.

 

Pois bem, quem está a ver tem depois o prazer de assistir ao comentário do convidado Miguel Gaspar, Director-Adjunto do Público. Surpresa das surpresas, Miguel Gaspar - como bom intelectual tuga - está ele próprio surpreendido com o resultado!... - ó porque será? - Gaspar interroga-se porque terão os Suíços votado em lei tão irracional e apenas consegue concluir que foi um voto 'emocional'.

 

Estes paladinos da democracia são fabulosos: quando o voto é a seu favor 'o povo é quem mais ordena', quando é contra 'ai coitadinhos, foram iludidos'...

Mas esta cobertura não é exclusiva dos media Portugueses. A Universidade Britânica LSE, conhecida pelas suas simpatias esquerdistas e ultra-europeístas, fazia o mesmo argumento hoje de manhã: se votaram mal, não é porque os Suíços sejam de extrema-direita (já tinham assim classificado o referendo de antemão, de maneira que agora convinha distinguir o partido dos votantes, para não parecer mal) mas sim porque o SVP é muito esperto e é muito bom no marketing........

Mas a cereja no bolo foi quando os telespectadores começaram a telefonar e - ironia das ironias - alguns deles emigrantes Portugueses na Suiça, rapidamente acusam o comentador (Miguel Gaspar) se não fazer ideia do que fala pois a crescente criminalidade e as condições difíceis de empregabilidade amplamente justificam, na opinião deles, a imposição de quotas de imigração.
Ou seja, depois de semanas de cobertura que apelidava a iniciativa de extremista, populista, eurocéptica, com pressão da parte de Bruxelas para que o 'Sim' perdesse, e ainda fazendo passar a imagem de iniciativa danosa para os interesses dos Portugueses que queriam emigrar, vêm depois os Portugueses já na Suíça dar uma visão de perfeita razoabilidade e ainda por cima quebrar a ilusão de que a comunidade Portuguesa é uniforme.

 

Sim, a Suiça não vai ter tantos trabalhadores disponíveis mas agora que quotas são impostas, a via fica aberta para seleccionar aqueles que realmente têm boas hipóteses de ser empregues.

Sim, a iniciativa põe em causa acordos com a UE mas a UE não é a suprema autoridade daquilo que é moral e razoável na Europa. Uma vez que a UE também não ouviu os Suíços quando decidiu abranger a Roménia e a Bulgária com o espaço Schengen, porque não seria aceitável que os Suíços quisessem rever os acordos com a UE - mesmo que seja apenas para negociar meia-dúzia de cláusulas? Será que é eurocéptico discordar da UE ou ter interesses divergentes?

Porque não é concebível para os paladinos do multiculturalismo, que os motins e a violência urbana em Paris, Bruxelas, Roterdão, Londres, Malmo, etc são consequências directas de políticas de acolhimento que se provou deixarem muito a desejar em eficácia?

E sobretudo, porque não é concebível para os jornalistas Portugueses, algo tão simples como a possibilidade de os Suíços estarem a aprender com os maus exemplos de estados-membro da UE?

Não exijo que a cobertura seja favorável ou desfavorável, exijo sim que a cobertura seja imparcial e informada. Mas suponho que é exigir demais de um país que preguiçosamente confia no convencional para a rotina informativa.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 21:36
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014
PS - eternamente do lado errado da História?

 

 

"no actual contexto da crise financeira mundial, "há mais razões económicas" para que todas as obras públicas de modernização das infra-estruturas "se façam", uma vez que "não servirão apenas para melhorar a competitividade do país"" (Sócrates 2008)

 

 

"Lembrou a propósito socialistas que passaram pelo poder: um slogan de Guterres - "uma nação não é só números" - e a frase de Jorge Sampaio "há mais vida para além do défice". " do PEC, acrescentou." (Alegre 2010)

 

'Moody's downgrades Portugal's debt'

 

"Portugal não precisa de aderir a nenhum fundo de resgate" (Sócrates 2011)

 

"Portugal needs cash urgently, and with nowhere else to turn,

it finally requested an embarrassing but unavoidable financial bailout

from its European peers and from the IMF"

 

 

"o Governo não passa de um vendedor de ilusões que visa criar a ideia nas pessoas que o nosso país está a sair da crise mas, infelizmente, não é assim". - (Seguro 2014)

 

'Moody's changed outlook on bond rating of Portugal to stable from negative'

"Recent data releases indicate a stabilization of the economy,

with exports continuing to grow and the unemployment rate declining from its very high level.

The broad structural reforms that the Portuguese authorities have undertaken

in the context of the Troika support programme

should support the country's economic growth in the medium term"



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 01:51
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Casa Pia não "enfraquece a sociedade"...

O senhor Braga da Cruz - ex-reitor da Universidade Católica - está muito preocupado que homossexuais possam legalmente adoptar crianças.

Diz ele que:

 

"A questão da co-adopção e adopção por homossexuais vai muito para além de saber quem pode ou não cuidar de uma criança,

tendo implicações civilizacionais"

 

"Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual.

Isso enfraquece a cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente manipulável por objectivos políticos.

Estamos perante uma questão que altera a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios.

Não é coisa pouca, é uma questão muito importante que não pode ser decidida ligeiramente e apressadamente.”

 

 

Pois, realmente, posta desta maneira, trata-se de uma questão gravíssima...

 

Vamos começar por aqui: não o nego, penso que a adopção por uma família homossexual é menos do que perfeita e se possível preferiria que a adopção fosse feita por famílias heterossexuais com ambos os progenitores.

 

MAS

 

Ao contrário do senhor ex-reitor, eu sou capaz de ver o contexto que está mesmo à minha frente:

 

1 - a homossexualidade é prática proibida? Não. Logo é expectável que as novas gerações de crianças entrem em contacto com esta realidade cada vez mais cedo. Se não tiverem pais homossexuais, terão tios, primos, irmãos, etc. Então e estas práticas? Não mudam milénios de tradição?...;

 

2 - é a adopção por famílias homossexuais penalizada por lei? Não? Então o que o senhor ex-reitor está a dizer é que ele não está verdadeiramente contra a co-adopção per se - porque esta já existe - mas sim contra a co-adopção aberta e legislada...;

 

3 - também não percebo que "a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios" tolere famílias monoparentais, avunculoparentais, fratriparentais, aviparentais, etc. mas não tolere famílias com pais homossexuais... É assim um desvio tão grande?...;

 

(e eis que chegamos ao ponto que mais me dana)

 

4 - Para o senhor ex-reitor, a co-adopção terá consequências civilizacionais mas aparentemente, famílias aonde os filhos levam tareia de meia-noite, são molestados, vivem na pobreza e na ignorância, essas não têm consequências civilizacionais... Não devem ter porque isso já ocorre há milénios e ainda estou para ver as tais consequências...

Para o senhor ex-reitor, é preferível um órfão ser educado em Casas Pias e ser sujeito a tudo o que isso acarreta, que ser educado numa família homossexual, porque afinal... as Casas Pias não enfraquecem a sociedade... e isto tudo, ainda por cima, numa altura de crise e austeridade, conjuntura que não se compadece com grandes gastos orçamentais com programas sociais.

 

 

Senhor ex-reitor, tenho uma palavra para si: 'PRIORIDADES' homem! 'PRIORIDADES'!!



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 01:05
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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014
O Saco de Gatos


Aparte o facciosismo caciquista intra-partidário, o PSD como plataforma macro-agregadora de correntes de pensamento de direita, padece também de rivalidades ideológicas. Tentei neste quadro demonstrá-las partindo do único critério da dimensão do estado em meras três esferas de política governamental: economia e finanças, dirigismo de valores, e política externa.

Identifiquei assim 7 grandes correntes ideológicas dentro da direita Portuguesa:



  • Social-Democratas (Social-Dems) - Escola de pensamento antiga centrista mas de tendência esquerdista. Apenas vigorou no PSD num período mais inicial da fundação do partido tendo depois dado lugar sobretudo a Conservadores e Social-Cristãos. Pautam-se pelo dirigismo estatal na economia e pela solidariedade internacionalista.

  • Conservadores (Cons) - A corrente conservadora é a génese agregadora da direita Portuguesa. Tradicionalistas nos costumes mas conservadores fiscais.

  • Liberais (Libs) - Agora no poder, eles são sobretudo a geração dos 30s e 40s, mas ainda baby-boomers. Regem-se por uma atitude permissiva tanto em costumes como na economia. Favorecem o sector privado e o cosmopolitismo libertino da vida moderna nos valores. Por outro lado, são altamente voluntaristas em política externa, defendendo com unhas e dentes o institucionalismo liberal.

  • Social-Cristãos - Definem-se pela sua ortodoxia nos valores. São aqueles que ainda se batem pela penalização do aborto e pela definição stricto sensu do 'casamento' mas são também grandes proponentes da intervenção social do estado.

  • Libertários - Os anarco-capitalistas fazem jus ao nome. Isolacionistas na esfera internacional e minarquistas na economia. 'Estado para que te quero'.

  • Neoconservadores (neocons) - Corrente de Liberais desiludidos, olham com saudosismo para os anos 50 e querem um certo regresso a esse tempo. Querem famílias estruturadas e o Ocidente como fonte de inspiração libertadora para o resto do mundo.

  • Utilitário-Conservadores (Ucons) - Tendência pragmatista e tecnocrática. O interesse nacional é o ponto de partida para a sua perspectiva política. Socialmente liberais, cépticos de internacionalismos e adeptos da austeridade e responsabilidade financeira. Rejeitam tudo o que seja inspirado em utopias e qualquer forma de engenharia social. Definem o interesse público objectiva e empiricamente.



(Deixei de lado os populistas demagógicos porque esses pululam pela tabela fora, consoante a mudança de direcção da manda de vento da opinião pública).



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 15:40
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Sábado, 30 de Novembro de 2013
Helena Roseta pode dar entrada no mesmo hospício que o Mário Soares...

 

 

A actual situação dos Estaleiros é grave e estes deviam merecer uma atenção especial do governo pela sua importância estratégica. Acho sobretudo vergonhoso que a mesma UE que autoriza excepções para regimes fiscais no Luxemburgo, Holanda e Irlanda, ou que autoriza excepções de subsidiação para a França e Alemanha na Airbus, encontre grande problema nos nossos estaleiros. Há um termo para isto: interdependência assimétrica (Joseph Nye). Já se tinha visto o mesmo no processo da PT.
Acho também grave que as contrapartidas do processo dos submarinos não sejam reivindicadas com coragem por um governo em dificuldades financeiras e economicamente estruturais.
Dito isto, a performance de Helena Roseta é absolutamente patética. Não sabe e não quer saber. É perfeitamente incapaz de aceitar a realidade em que vive. Roseta existe na 5ª dimensão, aonde desejos e ideais não têm que submeter-se aos factos.
PATÉTICO...


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 00:02
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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013
Lunáticos falam mais alto que Irresponsáveis -> Schadenfreude da Direita Bolchevique

Muitos há à direita que revoltados pelas imperfeições da actual conjuntura nacional ainda assim liderada pela direita, buscam soluções puritanas para o status quo. Que se derrube o governo! abaixo o regime! Afinal, aquilo que os neoliberais do governo de coligação estão a fazer vai contra os princípios puros da direita.

 

Assim se explica que democratas-cristãos, monárquicos, o clero, etc se rebelem contra este governo. É afinal TÃO FÁCIL fazê-lo. É afinal politicamente correcto dar-se cacetada no governo, e no Presidente, e nos políticos, etc.

 

Mas tal como a burguesia e a nobreza Moscovitas aplaudiram o derrube de Kerensky, também é perfeitamente absurdo que esta gente aplauda quem apenas iria agir AINDA MAIS contra princípios de direita.

 

Esta atitude cobarde e ridícula não é exclusiva a Portugal. Também no Brasil, muita da direita assiste extasiada à onda de protestos contra o governo Trabalhista. Estes puristas que acham que qualquer infortúnio que o governo de esquerda sofra é algo de intrinsecamente bom, são ideologicamente cegos perante a realidade: os manifestantes nas ruas do Brasil não representam uma alternativa viável a Dilma e ao PT. Muito pelo contrário, representam facções radicais e anarquistas que apenas agravariam os erros da governação esquerdista de Dilma.


O mesmo se pode dizer em Portugal. As manifs e as greves, os protestos mal-criados no Parlamento ou os insultuosos Grândolas Vila Morenas, não vêm de quem oferece uma melhor alternativa ao governo e regime actuais, de acordo com princípios de direita. São sim os gritos da esquerda radical que desespera por saber que não há alternativas esquerdistas ao governo de direita.

Para uma pessoa de direita aderir a esta moda, só com muita cegueira ideológica e irresponsabilidade cívica. Os patetas cá do sítio...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 10:38
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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013
Interesse Público ≠ interesse do público

Portugal é no mínimo uma democracia muito imperfeita. Poder-se-ia dizer que Portugal é uma democracia acívica.

 

A actual crise económica é prova disso pois revela - de acordo com o paradigma do resultado das eleições legislativas de 2009 - que os cidadãos Portugueses não compreendem a essência do sistema democrático liberal no qual vivem:

 

 

 

1. As eleições não servem em Portugal para eleger quem os cidadãos acreditam ser o melhor partidário do interesse nacional mas sim para eleger quem o cidadão acredita beneficiá-lo pessoalmente, governando a curto-prazo. Sócrates não foi mais do que um Valentim Loureiro a nível nacional. Os seus micro-ondas foram os cheques-bébé, o TGV ou os aumentos (tácticos e dolosos) à função pública.

Em 2009, a maioria dos Portugueses tinha mais fé em Manuela Ferreira Leite para ser honesta do que em José Sócrates mas estes mesmos Portugueses não só elegeram como RE-elegeram Sócrates.

 

2. Na democracia Portuguesa, apenas há direitos e não deveres. Manifestações são o pão nosso de cada dia para reivindicar mais benesses governamentais, quer a economia o permita ou não.

 

3. Votar em eleições, um genérico mas talvez o mais importante DEVER cívico, é visto com absoluta indiferença. Metade dos Portugueses não vota ou vota em branco/nulo. Que justificação dá quem falta ao seu dever cívico? "Eles são todos iguais", "Não me revejo em nenhum destes políticos"...

A população Portuguesa é no fundo Sebastianista. Em vez de votarem no menor dos males, ficam à espera da vinda de Cristo à Terra... Os democratas Portugueses ficam escandalizados quando homens providenciais acabam por tomar o poder mas os Marqueses de Pombal e os Oliveiras Salazar não vêm do nada. A hipocrisia da população - e sim, falo da população, das massas, e não das elites, dos políticos ou de qualquer outro bode expiatório frequentemente oferecido para justificar a NOSSA irresponsabilidade como povo - torna-se pateticamente óbvia quando depois de se desresponsabilizar dos seus deveres cívicos, se queixa que os seus direitos cívicos são atropelados pelo governo.

Vejamos o caso do sistema de pensões: milhares reclamam que os cortes nas pensões são ilegais, inconstitucionais e feitos de má fé, porque são retroactivos. Mas quem estava lá para impedir que o governo se sobreendividasse de forma a pôr em perigo o sistema? Ou já agora, quem lá estava para insistir num sistema de poupanças capitalizadas individuais em vez de um sistema de financiamento corrente? Para isso não houve manifs...


Se as pessoas têm ideias diferentes e preferem outro tipo de governação, então é lá com elas pois todos somos livres para pensar pela nossa própria cabeça. Mas então tenham coragem para defender também, os problemas do sistema que advogam! Não pode ser hoje estarmos contra a capitalização porque dá poder aos porcos capitalistas e porque é injusta para quem não poupou, e amanhã estarmos contra o sistema de gestão corrente insustentável para os direitos adquiridos, que antes se havia defendido...

 

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Mas falo nisto tudo porque fiquei abismado com a última emissão do programa do Provedor do Telespectador da RTP.

O tema do último programa era futebol e como tal vários comentadores desportivos - pessoalmente teria vergonha de pôr tal título profissional no meu CV mas enfim - e cidadãos foram entrevistados a fim de perceber os limites exactos do futebol como interesse público.

 

Não fiquei abismado porque os entrevistados não faziam a mais pequena ideia do que significa 'interesse público' - as minhas expectativas em relação à população em geral e aos vultos intelectuais que são os 'comentadores desportivos' ('fofoqueiros da bola' seria um título mais adequado) já são bastante baixas - mas sim porque o próprio Provedor também não compreende algo tão básico para o seu cargo como seja a definição de 'interesse público'.

 

Passo a explicar: as mentes brilhantes que foram opinar - e no caso do Provedor, julgar - o que era interesse público, confundiram 'interesse público' com 'interesse do público'.

Vejamos um exemplo concreto: o serviço de meteorologia é de interesse público porque transmite a 10 milhões de pessoas uma informação importante para poderem gerir as suas vidas nos dias que se seguem. O escrutínio de leis passadas pelo Parlamento serve também o 'interesse público' pois permite aos cidadãos terem acesso a decisões políticas que têm impacto directo nas suas vidas. Todos os telejornais oferecem estes serviços e fazem muito bem.

No entanto, nem a meteorologia nem a política são particularmente do 'interesse do público'. Para isso, os telejornais transformaram-se em programas de entretenimento e transmitem novidades futebolísticas (e não meramente desportivas pois não trazem qualquer utilidade a quem pratica desporto) de cinema ou de música para complementar 'a parte chata' das notícias do dia.


No programa do Provedor, várias pessoas interrogavam-se que tipo de jogos de futebol era digno de ser transmitido pela TV pública: se apenas os jogos da selecção, se apenas os jogos mais importantes das equipas nacionais, etc.


Eu ajudo: NENHUM JOGO É DO INTERESSE PÚBLICO.

Porquê? É muito simples: nenhum cidadão Português tem necessidade de saber seja o que for sobre futebol para levar uma vida absolutamente normal. Nenhum cidadão tem qualquer necessidade de ouvir notícias de futebol para o poder jogar, ele próprio.

O futebol é apenas e somente ENTRETENIMENTO. Nem mais, nem menos.

 

Poderíamos discutir se vale a pena a TV pública transmitir entretenimento mas seria depois complicado justificar que tipo a ser escolhido para exibição.

 

E aqui está uma das causas da esclerose da democracia Portuguesa: os Portugueses não são democratas.

Se interesse público é sinónimo de popularidade, então deveríamos eleger Cristiano Ronaldo nas próximas eleições. Não tenho a menor dúvida de que terá uma muito maior popularidade que Cavaco Silva.

 

Se o Provedor da TV pública não é capaz de discernir entre 'interesse público' e capricho de massas, então porque o haveriam de fazer os políticos?

A função de um estadista não é dar às pessoas o que eles gostam mas sim o que necessitam.

 

Claro que enquanto estádios de futebol forem mais importantes que uma gestão eficaz do sistema de pensões, não sairemos da cepa torta...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 12:10
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013
O 'falhanço' da austeridade...

Parece que as agências de notação que faziam parte da conspiração financeira internacional contra Portugal estão a mudar de táctica. Deve ser para tentar salvar o governo de direita... nada a ver com o que foi feito pelo governo até agora...

 

A Morgan Stanley's ainda avisa para o risco político de Portugal; trocado por miúdos, o Tribunal Constitucional defendendo leis de esquerda, ou a Esquerda Parlamentar ainda podem deitar tudo por água abaixo se os Portugueses deixarem.
E quem vos avisa...


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 20:32
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Sábado, 19 de Outubro de 2013
Guerra dos Tronos (Portugueses)

Casa Stark - CDS/PP

 

 

No CDS tal como na Casa Stark, a honra é algo de importante e as antigas tradições e religião ainda valem muito. É um partido conservador e paternalista que põe valores acima de facilitismo político. Podia provavelmente ter ocupado o Trono Férreo mas ainda que seja um partido de poder, está confortável numa posição secundária. No entanto, ser-se bonzinho paga-se caro e graças ao seu idealismo, tal como a Casa Stark, o CDS passa por dias difíceis, tendo os seus líderes históricos sido afastados e uma geração sedenta de poder traído alguns valores para ter um lugar na corte.

 

 

Casa Lannister - PSD

 

O PSD é como os Lannister, um partido de poder, paciente e altamente pragmático mas também um saco de gatos. Nesta casa nunca há dias monótonos: todos têm uma opinião e nenhum líder é incontestado. Também nunca estão muito afastados das rédeas do poder e quer no governo ou na oposição, estão preparados para lutar pelo seu território. O partido do meio termo, estão próximos da elite mas também procuram o apoio das massas, aderem a modas mas nunca com grande entusiasmo. Ocupam de momento o Trono Férreo mas quem se senta nele não tem grande mão na família...

 

 

Casa Targaryen - PS

 

Ambos vêm do exílio e com ideias revolucionárias mas infelizmente nem sempre estas se adaptam bem à realidade. Obtêm facilmente o apoio das massas mas têm medo de as contrariar. Afirmam-se próximos do mais humildes mas têm fortes raízes aristocráticas. Fãs de obras faraónicas, são fortes em visão mas dependem de outros mais capazes para concretização...

 

 

Casa Baratheon - PCP

 

Os Baratheon são impetuosos e irredutíveis. As suas convicções fortes dão-lhes valor aos olhos do povo, mas a convicção anda perto do fanatismo e por isso ninguém lhes confia o poder. Iconoclastas, são fãs de novas religiões e mitos mas tardam sempre em provar a vantagem de destruir o antigo. Resistentes e perseverantes, há que sempre contar com eles ...desde que a uma certa distância.

 

 

Casa Greyjoy - BE

 

Contra tudo e contra todos, de derrota em derrota, é a luta que é importante e não o resultado. Prosperam em alturas de crise do mesmo modo que o paranóico-esquizofrénico faz um bom teórico da conspiração. É a irreverência que lhes dá cor mas no fundo gostam da vitimização que vem com o ostracismo. Sonhadores e alternativos, têm pouca influência no processo político mas são frequentemente uma chatice de meia-noite.


 

Irmandade sem Estandartes - CGTP

 

Uma mutação genética deixada para trás pelos Baratheon, a irmandade é a 5ª coluna da Casa Baratheon no território inimigo da concertação social. Todos sabem de onde eles vêm mas o véu apartidário permite-lhes agradar aos muitos desiludidos com a guerra.

Nada do que defendem pode ser concretizado mas para já o projecto apenas necessita de 'ser do contra'.

 

 

Rei Alenmuralha - Geração à Rasca

 

O povo livre também pretende ser apartidário mas a verdade é que nunca conseguiram construir fosse o que fosse. A liberdade que defendem anda perto da anarquia e por isso afirmam-se mais pelo que querem, do que por aquilo que oferecem como alternativa. Um zeitgeist que não ficará para a história, são uma pequena voz ingénua de indignação no meio de um turbilhão ensurdecedor de lutas de poder.

 

 

Patrulha da Noite - Troika

 

Batem-se contra os caminhantes brancos, a dívida que apenas a muralha da austeridade consegue manter à distância. Ninguém se quer associar a eles, mas todos reconhecem a sua necessidade. Quando são necessários têm mais influência que o Trono Férreo, quando não são, todos os injuriam. Lá estarão na próxima crise a dizer 'bem vos avisámos'...

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:06
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Novela Machete: Angola tem razão

A novela continua mas desta vez com consequências mais graves.

 

O aproveitamento político de uma simples gafe começa a prejudicar as relações entre Portugal e Angola numa altura em que os mercados dos países em desenvolvimento são cruciais para o nosso país - mais uma política de esquerda que se revela desastrosa.

 

É certo que eleitoralismo e demagogia não são apanágio exclusivo dos Portugueses e o Jornal de Angola como megafone governamental é tudo menos insuspeito de aproveitamento político.

 

O que está verdadeiramente em causa no entanto é a razoabilidade de ambas as partes e aí Portugal foi menos razoável. Luanda sabe perfeitamente que em Portugal a Justiça é independente do poder político - enfim, pelo menos mais independente do que é em Angola - e ninguém em Angola tem ilusões de que o governo possa influenciar a PGR a abandonar as suas investigações.

 

Mas se as pessoas em Portugal esperam que Angola leve em conta o facto de não partilharmos o mesmo tipo de regime, e evite pressionar o governo ou levar a cabo represálias por algo que não está ao seu alcance controlar, então Portugal também tem que fazer a sua parte.

 

As tensões com Angola começam com o aproveitamento cobarde, demagógico e irresponsável que a oposição faz do caso mas o próprio caso começa com as violações do segredo de justiça.

 

Se Portugal se quer queixar que tem um tipo de regime diferente do de Angola, então não pode ter o melhor dos dois mundos. Se a PGR tem a independência e o poder para investigar quem lhe aprouver, também tem responsabilidade por evitar violações do segredo de justiça - as quais se têm tornado uma constante vergonha em todos os casos mediáticos das últimas décadas.

 

Não havia razão para embaraçar altas personalidades do regime Angolano sem que isso fosse absolutamente necessário. A violação do segredo de justiça foi o primeiro acto de falta de razoabilidade. O cancelamento por parte de Luanda da parceria estratégica foi apenas o segundo.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 16:07
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Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013
Fremdschämen


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 08:44
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Terça-feira, 8 de Outubro de 2013
Bloco do Ridículo

Mais uma vez a esquerda, sem soluções para o país, recorre à manipulação de preconceitos, faz uso da ignorância dos Portugueses e limita-se ao assassínio de carácter, culpa por associação e presunção de culpabilidade.

 

Não há vergonha ou honestidade do lado da gentalha que vive para o 'deita-abaixo' e que se recusa a assumir qualquer responsabilidade governativa.

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 20:17
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Sábado, 5 de Outubro de 2013
Demissão para António José Seguro!

Seguro é um execrável líder da oposição.

 

O seu único trunfo até hoje foi ter vencido umas eleições aonde nem sequer a política do partido que lidera ia a votos.
Mas analisemos a sua performance:

 

- Sempre que a imprensa sensacionalista inventa uma novela, Seguro está lá para fazer o reles aproveitamento político oportunista e cobarde;

 

- Faz aproveitamento mesmo quando é paradoxal fazê-lo: não Zézito, o PS não pode criticar o governo por não cumprir o programa da Troika quando a oposição defende incumpri-lo ainda mais;

 

- Seguro é incompetente na oposição que faz pois não só não colabora com o governo mas é hipócrita ao criticar o governo por cumprir o mesmo programa da Troika que o PS havia co-negociado;

 

- Seguro é um embaraço e uma vergonha para o PS em episódios como este em que a sua demagogia choca contra a própria aritmética. Citando: "Proponho que a UE estabeleça como objetivo para o ano 2020 que nenhum país possa ter uma taxa de desemprego superior à média europeia"

(estas barbaridades não fazem a novela da semana mas o MNE ser diplomático já é interessante...)


LOLOLOLOLOLOLOLOL É esta criatura que vai governar um país com uma situação económica delicada? ; 

 

- Seguro fundamenta as suas políticas de 'alternativa' (mais despesismo) na disponibilidade de fundos que ele não controla - assim burlando os Portugueses.

 

 

Esta conduta vergonhosa e medíocre so merece uma palavra dos Portugueses: "DEMITA-SE!"

 

Vai-te embora toino, fazias melhor figura se não abrisses a boca...

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 21:57
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Corja

Esta corja nojenta nem durante o hino nacional se calou.

 

Interessa que tanto o governo como o Presidente sejam líderes legítimos? Não.

 

Interessa que havia Portugueses orgulhosos dos seus líderes que queriam ver uma cerimónia respeitável? Não.

 

Interessa que ninguém desta corja tem alternativas de governação? Claro que não. 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 20:39
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Novela Machete: Diplomacia = Arrogância...

A vergonhosa falta de sentido de estado esquerdazóide revela-se em todas as oportunidades.

Para a moralista esquerda, a diplomacia é sempre negativa se respeitar regimes diferentes do nosso.

 

O MNE tentou pôr água na fervura numa causa de tensão nas relações entre Portugal e Angola mas o que a esquerda queria era ver o Ministro ser arrogante e dizer aos Angolanos para baterem a bolinha baixinha porque o nosso sistema de justiça é melhor que o deles.

 

Afinal, porquê manter boas relações com um dos nossos principais investidores e mercados de exportação, em altura de crise financeira e económica?...

Ou porquê pôr o interesse nacional à frente do aproveitamento político oportunista e cobarde?

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 20:34
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013
Autárquicas: as 'leituras nacionais'

Muito se tem dito sobre o que significam estas autárquicas e em especial do lado da oposição, a narrativa é consensual em fazer leituras anti-governo dos maus resultados locais do PSD.

 

O problema é que como sempre, estas leituras não passam de aproveitamento político e demagogia do mais baixo nível:

 

 

Os Palhaços

 

Veja-se os palhaços do Bloco, que saltam todos contentes para celebrar a derrota do PSD reclamando que os 'eleitores puniram a política de austeridade'.

Mas então e ilações NACIONAIS das derrotas do Bloco de Esquerda? Não há?...

Se não votar no PSD é um voto contra a austeridade, então seguramente e pela mesma lógica não votar no Bloco é um voto a favor da política de austeridade...

Resumindo e concluindo, o Bloco é demagógico e hipócrita, desinforma e burla os Portugueses.

 

 

Os Burlões

 

Depois temos o PS que diz mais ou menos a mesma coisa. Os socialistas sempre têm alguma coerência porque pelo menos podem reclamar uma vitória contra o partido do governo. Mais ainda, no PS há precedentes para a retirada de ilações com base em derrotas autárquicas, como foi o caso do 2º governo Guterres.

Mas se os Portugueses votaram contra a política de austeridade, porque não penalizaram também o CDS-PP, o partido cujo líder está pessoalmente encarregado de negociar com a Troika?...

 

A verdade é um pouco mais complicada.

O PSD perdeu porque foi a eleições dividido. Isto aconteceu no Porto, Gaia, Oeiras e em vários outros municípios. Pior um pouco para a narrativa popularucha do PS, vários dos vencedores ditos 'independentes' eram de direita. Pior ainda é que a eleição de Rui Moreira é precisamente um voto contra o tipo de política de subsídios e despesismo, que Menezes teria trazido para o Porto, e como tal claramente tudo menos uma rejeição da austeridade...

 

Porque ganhou o PS Gaia, Sintra e poderia ter ganho Matosinhos?

Simplesmente porque as cidades dormitório de Lisboa e Porto são precisamente as zonas aonde se acumula a população pendular de trabalhadores das grandes áreas metropolitanas e é o tipo de autarquia que responde bem a promessas de despesismo público. É nestes municípios que o desemprego tem mais impacto e é por consequência aqui que uma política despesista governamental mais seria benéfica.

Claro está que as dificuldades destas cidades são as dificuldades nacionais e que as autarquias podem fazer pouco para dinamizar zonas que estão dependentes do crescimento do país e das áreas metropolitanas aonde se encontram. MAS isto nunca será dito aos eleitores.

 

Aliás, uma das primeiras comunicações do PS Gaia foi bem clara:  a primeira medida será começar a reivindicar mais fundos do governo...
O PS faz a nível local o que faz a nível nacional, fazer promessas com o dinheiro dos outros. Mérito próprio e planos de desenvolvimento local = Zero. 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 15:00
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013
Seguro, o brutal hipócrita!

 

Vem hoje falar a criatura a que chamam líder do PS. Diz a criatura que a razão para o país ainda não ter voltado aos mercados como previsto, se deve ao governo e à sua ineficiência. O PS avisou para tal ineficiência governativa e reclama agora 'razão antes de tempo'.

 

Como sempre, Seguro e o PS são culpados da pior espécie de hipocrisia. Então o partido que queria ter poupado menos e gasto mais, o partido que queria renegociar a dívida - com isso agravando a credibilidade do país nos mercados internacionais - este partido teve razão antes de tempo?!!

 

Se com o PSD/CDS o país está atrasado no regresso aos mercados e o 2º resgate é uma possibilidade, então com o PS o regresso aos mercados já nem estaria na mesa e o país estaria certamente já a negociar um 2º resgate - resgate tal que atrasará durante anos a saída da Troika do país.

 

Mas será que este nível de cara-de-pau existe?! 

Mas será que não há um pingo de vergonha ou seriedade à esquerda?!

 

A pouca-vergonha nunca acaba pelos lados do Partido dos Burlões...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:57
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Wir bleiben Kanzlerin

A vitória de Angela Merkel é uma vitória para Portugal mas a esquerda Portuguesa inquieta-se. Porquê?

1 - Porque é chato para a retórica das promessas de 'políticas de crescimento' que a Chanceler da Austeridade permaneça no cargo.

2 - Porque é inconveniente para quem tem de agradar a sindicatos de interesses dependentes do despesismo governamental, ver quem exige mais responsabilidade dos Portugueses ganhar influência.

 

Uma vitória de Merkel significa uma permanência mais curta da Troika em Portugal. Mas o país ganha também em autonomia no sentido em que ao continuarmos a ser NÓS os responsáveis pelas reformas, deixamos também de estar dependentes de 'resgates' externos e dinheiro estrangeiro.

 

É nestas alturas que se torna muito interessante ver quem se bate pelo interesse nacional e quem põe partidos e lobbies à frente da nação...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 09:55
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Domingo, 22 de Setembro de 2013
Paradoxos do Bloco...



O Bloco traz sempre um sorriso a quem saiba pensar duas vezes.


Já desde há meses que o partido do contra anda a divulgar uma campanha de propaganda baseada no slogan acima mencionado.

Ora, não deixa de ser curioso que o Partido que tanto argumenta contra a propriedade privada (veja-se o caso dos 'latifúndios Alentejanos'), venha depois falar em indemnizações por 'roubo'. Pior um pouco se considerarmos que o Bloco de Esquerda - juntamente com o PCP - é o Partido que acha que o governo gastou 'pouco' em despesas sociais; isto é, com os gastos que nos levaram à bancarrota!!!...

Dirão que o Bloco como partido responsável defende o património nacional acima de tudo, e assim se justifica esta campanha. Mas então que dizer da retórica internacionalista do Bloco? Sendo o Bloco pacifista e humanitarista, e desprezando a defesa do interesse nacional através da manutenção das suas forças armadas e fronteiras soberanas, como pode depois argumentar em prol do mesmo interesse nacional?

Haja pachorra...


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:45
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013
Toma que já almoçaste!

 

Um ministro responde assim a um membro do partido da coligação governamental.
Porque é isto significativo? Porque com as eleições autárquicas no horizonte, a máquina do PSD começa a preocupar-se com a popularidade dos seus candidatos.
Venho escrevendo desde há meses que há uma tensão inerente à composição do governo uma vez que PPC tentou equilibrar a influência dos aparatchiks do PSD (e do CDS) com a influência tecnocrática da Troika.
Em períodos de eleições, a máquina do partido preocupa-se com os efeitos das políticas governamentais porque a máquina está habituada a apregoar seja o que for necessário para iludir os cidadãos.
Tal como Menezes ou Jardim são capazes de adoptar uma face esquerdista auto-proclamando-se como "esquerda radical" ou contrapondo-se ao "grande capital", também a máquina do partido pretende fazer pressão para que na substância ou na aparência, o governo abandone o discurso da austeridade.
Tal como eu avisei durante o verão: 



 

Meu dito, meu feito. Pergunto-me apenas que lado escolherá PPC quando for obrigado a optar por um dos lados; os quais são afinal, fundamentalmente incompatíveis...


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:50
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2013
Factos

Ranking de Portugal em sistemas de saúde na escala da Organização Mundial de Saúde: 12º

 

 

Ranking de Portugal em produto interno bruto na escala do Banco Mundial: 44º





uma psicose de Miguel Nunes Silva às 13:26
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Domingo, 15 de Setembro de 2013
PS - O Partido dos Fundos Europeus...
Chegámos a este absurdo: um partido que faz promessas eleitorais com dinheiro alheio.
O PS e as políticas socialistas (nem sempre implementadas apenas pelo PS) esgotam o país, arruínam o seu sentido de responsabilidade com uma endoutrinação em direitos sem deveres, mandam para as urtigas a razoabilidade de se poupar para um dia mau e incutir nos investidores um sentimento de previsibilidade e confiança no sector público.
Seja para fazer política externa, para lidar com a crise da dívida soberana ou para gerir os problemas locais, o PS tem apenas uma solução: Europa.
Europa, Europa, Europa; é pouco relevante que já tenhamos gasto fundos Europeus anteriormente, que o resto da Europa também esteja em dificuldades ou o simples facto de que não se podem fazer promessas políticas dando como garantia o dinheiro dos outros!!!
Mas o PS e a Esquerda são isto: o partido do esquema de pirâmide, dos vigaristas e dos burlões.
Já não há dinheiro nos nossos cofres para gastar? Não faz mal, o importante não é NÓS corrigirmos os nossos erros. Gaste-se o dinheiro dos outros. E se os outros não quiserem dar dinheiro?... SAFADOS, os mauzões que enfraquecem a Europa, que não acreditam na solidariedade!!
Claro que nada tenho contra que o PS apele a incentivos fiscais para ajudar ao Investimento Directo Estrangeiro no interior. O problema é que tal política está directamente oposta ao que o PS tem praticado e proposto para o país: então mas que aconteceu a não despedir funcionários públicos? Para isto é necessário aumentar impostos... 
Que aconteceu à política neo-keynesiana de investimento público para relançar a economia? Para isso é necessário aumentar impostos...

Em breves palavras, o PS é favorável a tudo que pareça bom aos olhos dos Portugueses, o PS é POPULISTA; desta atitude saem propostas contraditórias. Mais gastos com menos impostos, a Troika e a dependência do estrangeiro são más mas que se prolonguem se Portugal conseguir mais dinheiro...
Já Thatcher dizia:
“The problem with socialism is that you eventually run out of other people's money.” 


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:28
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Domingo, 8 de Setembro de 2013
Ponto final
.

Artigo 308.º do Código Penal - Traição à Pátria


Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania: 
a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro

ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele;

ou b) Ofender ou puser em perigo a independência do País; 
é punido com pena de prisão de dez a vinte anos.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:57
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Sábado, 7 de Setembro de 2013
'Sim' à intervenção unilateral!

O que está em causa:um bombardeamento aéreo limitado contra o regime Sírio.

 

Porquê: como represália ao uso de armas químicas na guerra civil Síria.

 

Com que objectivo: dissuadir futuro uso de tais armas.

 

 

Uma intervenção limitada e racional na Síria não é o mesmo que uma aventura militar ideológica no Iraque. Fui contra a guerra no Iraque e contra a intervenção na Líbia e tenho consciência de que o está em causa não é uma guerra voluntarista mas sim uma necessidade geopolítica de provar que o uso de armas de destruição em massa não pode passar incólume.

 

Todos temos a ganhar com a manutenção do tabu de uso de ADMs.

 

Não estou com este post a defender que Portugal ou a NATO participem mas sim a justificar uma eventual intervenção unilateral Americana.

 

Se tal intervenção dissuadir ou fizer hesitar o uso de tais armas no futuro, então terá atingido o seu objectivo racional e pragmático.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 18:47
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Na nossa 'Guerra dos Tronos', Portas é a melhor coisa que podia ter acontecido a Rui Rio

Os principais partidos do arco do poder estão divididos em facções.

 

No CDS e no PSD, a divisão é entre centristas populistas que defendem posições moderadas na esperança de obter mais votos dos indecisos ao centro, e conservadores ideólogos que preferem pôr valores políticos à frente de considerações eleitoralistas.

Enquanto que tanto no PSD e no CDS os centristas demagógicos são próximos da máquina partidária, no PS a divisão aparenta ser diferente pois António José Seguro mantém-se no poder com a influência dos sindicatos e apesar de António Costa com as Socranettes poderem obter mais votos de popularidade em eleições nacionais.


Enquanto que no PS os lobbies eleitoralistas internos definem de momento a liderança do partido, à direita o lobby eleitoralista externo é mais preponderante.

 

Por conseguinte, se à direita os centristas populistas estão no poder, à esquerda os sindicatos de voto internos empurraram para as margens estes mesmos centristas populistas.

Mas a própria natureza dos constituintes destas facções gera também outras dinâmicas. Aqueles que estão na política pelo amor aos cargos e sem alternativas profissionais que não a política, são por natureza menos dados a levar em conta o interesse nacional e valores ideológicos. O objectivo derradeiro é a progressão na escada do poder e não tanto os interesses do país ou a concretização dos ideais que professam.

 

Devido a esta dinâmica, e contrariamente ao que seria de esperar de radicais, as alas menos centristas são também mais responsáveis na gestão do poder pois as ideologias são concebidas para alcançar objectivos colectivos a longo prazo.

Paulo Portas é um excelente populista mas este é também o seu ponto fraco. A sua recente manobra pode ter trazido mais poder mas trouxe também menos confiança política por parte do PSD. A médio e longo prazo, isto poderá condenar a coligação PSD-CDS à instabilidade e aos golpes de poder. Pela sua natureza, o poder político é um jogo de soma zero pois um dado cargo apenas pode ser ocupado por uma pessoa.

 

Não é claro o que a máquina do PSD pensa da manobra de Portas mas certamente que não estará satisfeita. Quaisquer futuras manobras enfraquecerão ainda mais a imagem dos dois partidos e a credibilidade da liderança do PM.

 

Quem tem a ganhar com tudo isto? O Presidente, a facção mais ideológica do PS e finalmente as alas mais ideológicas da direita: Ribeiro e Castro e Rui Rio.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 18:35
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Sábado, 3 de Agosto de 2013
UV 2013

Está disponível o programa da Universidade de Verão do PSD!

 

 

A mais conceituada escola de formação de todos os partidos políticos, a UV 2013 é uma oportunidade a não perder para quem se interessa por política e possui a determinação para exercer civismo com consciência.

 

Jovens Portugueses, participem!

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 10:39
editado por Essi Silva em 24/08/2013 às 13:06
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Segunda-feira, 8 de Julho de 2013
Sua Majestade, D. Triunvirato

Portugal caiu no domínio do Triunvirato...

Há três entidades que efectivamente controlam a partir de agora o Estado Português e que são por conseguinte responsáveis pelos destinos do país:

 

 

 

1 - Troika = Os senhores de Bruxelas, Frankfurt e Washington continuam a deter a derradeira palavra no que toca a políticas económicas em Portugal. Não há como o evitar até a dívida ser saldada e sustentabilizada, ou até irmos para a bancarrota.

Obrigado Esquerda Portuguesa...

 

2 - Aparelho PSD = Ao contrário da sua predecessora, o líder do PSD está dependente do apoio do aparelho do PSD. Não há convicções ideológicas no aparelho; estes 'centristas' preocupam-se apenas com ganhar eleições e manter os seus cargos partidários. Isto é perigoso pois a sua colaboração com a Troika é puramente instrumental e assim que a puderem descartar e quebrar o ímpeto das reformas estruturantes, que ninguém tenha dúvidas que o farão. 'Popularidade' é mais importante, para estes senhores, que 'responsabilidade', e a ânsia em voltar a cair nas boas graças do eleitorado é urgente.
Não admira portanto que se afirmem como tudo e mais alguma coisa, desde 'esquerda radical' a 'neoliberais'... a facção da manga de vento...

 

3 - CDS-PP = O táctico golpe de Paulo Portas foi de mestre pois o CDS-PP é agora pare inter pares no poder em Portugal e exerce tanta influencia como o PSD. Esta coligação de iguais tornou-se no entanto perigosíssima pois tornou as reformas estruturais em curso mais dependentes dos amigos da onça; de populistas que farão e prometerão tudo para poderem ganhar a próxima eleição - sempre a próxima eleição.


Posto isto, auguram-se tempos difíceis para quem quer seriedade e pensamento estratégico em Portugal. Torço por ti 'responsabilidade', mas vejo-te cada vez mais longe do pódio...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 16:08
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Sábado, 22 de Junho de 2013
Está tudo aqui:

O que o académico Geert Hofstede tem a dizer da cultura da sociedade Portuguesa:


 

Portrait Image of Geert Hofstede (Prof)

 

 


"If we explore the Portuguese culture through the lens of the 5-D Model, we can get a good overview of the deep drivers of Portuguese culture relative to other world cultures.

Power distance
This dimension deals with the fact that all individuals in societies are not equal – it expresses the attitude of the culture towards these inequalities amongst us. 
Power distance is defined as the extent to which the less powerful members of institutions and organisations within a country expect and accept that power is distributed unequally.

Portugal’s score on this dimension (63) reflects that hierarchical distance is accepted and those holding the most powerful positions are admitted to have privileges for their position.
Management controls, i.e. the boss requires information from his subordinates and these expect their boss to control them. A lack of interest towards a subordinate would mean this one is not relevant in the Organization. At the same time, this would make the employee feel unmotivated.
Negative feedback is very distressed so for the employee it is more than difficult to provide his boss with negative information. The boss needs to be conscious of this difficulty and search for little signals in order to discover the real problems and avoid becoming relevant.

Individualism
The fundamental issue addressed by this dimension is the degree of interdependence a society maintains among its members. It has to do with whether people´s self-image is defined in terms of “I” or “We”.
In Individualist societies people are supposed to look after themselves and their direct family only. In Collectivist societies people belong to ‘in groups’ that take care of them in exchange for loyalty.

Portugal, in comparison with the rest of the European countries (except for Spain) is Collectivist (because of its score in this dimension: 27). This is manifest in a close long-term commitment to the member 'group', be that a family, extended family, or extended relationships. Loyalty in a collectivist culture is paramount, and over-rides most other societal rules and regulations. The society fosters strong relationships where everyone takes responsibility for fellow members of their group. In collectivist societies offence leads to shame and loss of face, employer/employee relationships are perceived in moral terms (like a family link), hiring and promotion decisions take account of the employee’s in-group, management is the management of groups.

Masculinity / Femininity
A high score (masculine) on this dimension indicates that the society will be driven by competition, achievement and success, with success being defined by the winner / best in field – a value system that starts in school and continues throughout organisational behaviour.
A low score (feminine) on the dimension means that the dominant values in society are caring for others and quality of life. A feminine society is one where quality of life is the sign of success and standing out from the crowd is not admirable. The fundamental issue here is what motivates people, wanting to be the best (masculine) or liking what you do (feminine).

Portugal scores 31 on this dimension and is a country where the key word is consensus. So polarization is not well considered or excessive competitiveness appreciated.
In feminine countries the focus is on “working in order to live”, managers strive for consensus, people value equality, solidarity and quality in their working lives. Conflicts are resolved by compromise and negotiation. Incentives such as free time and flexibility are favoured. Focus is on well-being, status is not shown. An effective manager is a supportive one, and decision making is achieved through involvement.

Uncertainty avoidance    
The dimension Uncertainty Avoidance has to do with the way that a society deals with the fact that the future can never be known: should we try to control the future or just let it happen? This ambiguity brings with it anxiety and different cultures have learnt to deal with this anxiety in different ways.  The extent to which the members of a culture feel threatened by ambiguous or unknown situations and have created beliefs and institutions that try to avoid these is reflected in the UAI score.

If there is a dimension that defines Portugal very clearly, it is Uncertainty Avoidance. 
Portugal scores 104 on this dimension and thus has a very high preference for avoiding uncertainty. Countries exhibiting high uncertainty avoidance maintain rigid codes of belief and behaviour and are intolerant of unorthodox behaviour and ideas. In these cultures there is an emotional need for rules (even if the rules never seem to work) time is money, people have an inner urge to be busy and work hard, precision and punctuality are the norm, innovation may be resisted, security is an important element in individual motivation.

Long term orientation
The long term orientation dimension is closely related to the teachings of Confucius and can be interpreted as dealing with society’s search for virtue, the extent to which a society shows a pragmatic future-oriented perspective rather than a conventional historical short-term point of view.

The Portuguese score 30, making it a short term orientation culture. Societies with a short-term orientation generally exhibit great respect for traditions, a relatively small propensity to save, strong social pressure to “keep up with the Joneses”, impatience for achieving quick results, and a strong concern with establishing the Truth i.e. normative. Western societies are typically found at the short-term end of this dimension, as are the countries of the Middle East."



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:12
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Sexta-feira, 31 de Maio de 2013
O que têm um Criacionista e um Esquerdista em comum?

Hipocrisia.

 

 

 

Como seres vivos, conscientes e dotados de espírito crítico, todos nós temos ideias sobre o mundo que nos rodeia. No entanto, a coisa torna-se problemática quando alguns de nós se recusam a aceitar factos. A interpretação desses factos pode ser diferente mas os factos não podem.

 

Os criacionistas teimam em negar que existem provas para a teoria da evolução e para a selecção natural. Isto é problemático porque isso significa negar não apenas uma teoria, não só um ramo da ciência, mas toda a ciência; porque mais nenhuma teoria satisfaz as exigências de ramos científicos relacionados.

Mas ainda mais problemático para mim pessoalmente é o facto de que as mesmas pessoas que negam a evolução, não vêem nenhuma contradição em usufruir do labor das ciências que se apoiam na teoria da evolução.

 

Igualmente, os esquerdistas recusam-se a reconhecer o simples facto de que não existe dinheiro suficiente para conceder a todos os seres humanos de um estado providencial, todos os direitos adquiridos que a esquerda reivindica.

Não existe nenhum estado no mundo que seja capaz de doar educação gratuita e universal, saúde gratuita e universal, sustento gratuito e universal, etc; porque nenhum estado no mundo tem a proporcional quantidade de dinheiro para o concretizar - excepções notáveis sendo alguns petro-estados.

 

Longe de tal utopia aliás, muitos dos estados europeus agora em crise, foram levados até a falência pela mesma esquerda que vem defendendo tais ideais.

Mas nem agora, com esses mesmos estados expulsos dos mercados internacionais de financiamento, em severa austeridade, e renegando compromissos sociais assumidos pelos que agora lançam maldições a Angela Merkel...

 

... nem agora estas pessoas são capazes de reconhecer que estavam erradas. Longe disso, continuam a reclamar que se gaste mais dinheiro no sector social. O facto de que tal no passado não levou ao crescimento económico, ou que não existe quem empreste tal quantidade de dinheiro agora, isso não é pertinente, FACTOS não são relevantes, REALIDADE não interessa. E porquê? Porque aquilo que verdadeiramente está em questão é fé...

 

Mas o que é mais asqueroso nestas pessoas de fé, é que não têm a coragem de viver como apregoam que os outros o façam. Alguém já viu Mário Soares ou José Sócrates ou Seguro, ou Costa, endividarem-se ultrapassando todos os limites?
Alguém já os viu quererem viver em países que o fazem?

Certamente que os 'movimentos' de protesto e as pessoas que os lideram teriam exemplos a dar aos Portugueses... Mas para onde imigram estas pessoas que acreditam que despesa social ilimitada é algo viável? Para a Argentina? Cuba? Coreia do Norte talvez?

 

 

 

 

 

Não, para a Alemanha............................

 

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 16:10
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
O Presidente é mesmo um palhaço !


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:48
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
Sobre a mundivisão de António Costa

António Costa fez estrago na última edição da Quadratura. António Costa é um político perigoso porque ao contrário de Sílvio Sócrates, Costa consegue fazer passar a mesma mensagem de forma mais subtil. Costa tem inteligência enquanto que Sócrates apenas tem lábia.


E qual é a mensagem? Que há uma conspiração contra Portugal da parte do mundo exterior que impede que os governos Socialistas direccionem o país na direcção certa.


 

 



Vamos então por partes:



1 - "A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir"


Isto é verdade. Mas vindo de António Costa não é inocente...


(Já por várias vezes eu aqui avisei que Portugal tem pouco a ver com o resto da Europa a nível estrutural, e portanto mantenho que a opção Europa sempre trará problemas tal como traz soluções. Como tal não vou ser eu a defender a UE. Este modelo era errado, porque há diferenças estruturais e culturais que favorecem mais a industrialização do norte que do sul)


1.1 - Sim, a Europa financiou uma reconversão da economia dos países do sul que para controlar preços frequentemente pagava para não se produzir. Mas o que Costa não diz é que a UE também pagou a modernização de grande parte dessa agricultura.


1.2 - A UE também protegeu a produção dos países do sul, ao impor tarifas a produtos agrícolas mais baratos do 3o mundo e impedindo a sua competitividade no mercado único.


1.3 - A UE até pagou fundos de coesão aos países do sul, e fez tudo isto com a convicção de que o sul - desde que ajudado o suficiente - conseguiria atingir os níveis de desenvolvimento do norte.


1.4 - Mas este é o mesmo Costa que defende 'mais Europa' e que esteve nos governos que tomaram essas mesmas opções. Das duas uma: ou ele e o PS são hipócritas ou então sempre defenderam as políticas certas mas não foram capazes de as implementar contra o peso da influencia do norte; por conseguinte isto não é tão pouco, alternativa pois quem nos garante que se o PS ou Costa voltarem ao governo serão - desta vez - capazes de fazer seja o que for?



 

 

2 - "esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável"

 

Não só não é nenhuma mentira como o PS é o melhor exemplo de despesismo consumista baseado em dívida.


2.1 - Ninguém obrigou Portugal a gastar como gastou em infra-estruturas sem plano estratégico de desenvolvimento. Expo98s, Euro2004s, auto-estradas paralelas, TGVs, cheques bébé assim como educação e saúde gratuitas, tudo isto foram escolhas nossas e não dos nossos parceiros da UE.


2.2 - E o erro não foi apenas dos governos mas também da população, a qual fez uma escolha muito clara quando elegeu a banha da cobra socratista em detrimento da responsabilidade do PSD de Manuela Ferreira Leite em 2009. A mesma população que elegeu e reelegeu Valentim Loureiro, Alberto João Jardim e demais pandilhas.

A partir daqui meus amigos, há que arcar  com as consequencias dos nossos actos.


2.3 - Os Portugueses e apenas os Portugueses decidiram aumentar o seu consumo não obstante a estagnação económica. Mais ninguém.





3 - "acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses"



3.1 - As lideranças do norte também fizeram escolhas sensatas em prol do interesse nacional que as lideranças do sul não fizeram como bem explica o Guilherme.





4 - "foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!"

 

Aqui começa em pleno a argumentação populista e berrantemente falaciosa de Costa.


4.1 - Portugal e a Europa no geral não sofreram porque decidiram liberalizar-se mas sim porque a Europa foi sobre-regulada. Os países nórdicos e a Alemanha estão habituados a produzir num ambiente sobre-regulado que também lhes garante produtos mais fiáveis. Nos países do sul a sobre-regulação - desvantagem competitiva do norte, exportada para o sul através da integração Europeia - destrói a indústria residual.

Ao contrario de outros acordos de liberalização económica, a UE não elimina apenas as tarifas mas impõe também padrões de eficiência e qualidade que apenas os países mais industrializados conseguem atingir. Assim, mesmo que acreditemos na mensagem de Adam Smith de que cada região se tem de especializar, nem isso foi atingido pois o plano Europeu era igualizar todos os países em termos de produção. Por conseguinte, ao contrario da NAFTA ou da ASEAN, aonde o comércio é livre e cada país consegue competir com as suas vantagens comparativas - sejam estas preços ou qualidade - na UE a intenção universalista de aplicar o modelo nórdico de eficiência a toda a Europa, acaba por condenar a própria Europa a um modelo de fracasso.


4.2 - Portugal e a Europa no geral não sofreram porque decidiram liberalizar-se mas sim porque a globalização libertou mercados que agora podiam competir connosco.


A vontade dos governos Europeus sempre foi garantir pleno emprego mas isto foi-lhes negado pela realidade das descolonizações e da derrota da URSS e do bloco socialista. O fim dos impérios coloniais - defendido com unhas e dentes pela esquerda e simbolizado em Portugal pelo abandono das colónias em 1975 e a celebre ordem de Mário Soares para se atirar os 'brancos' das colónias aos tubarões - ditou que a economia destes países estaria ela também e a partir de agora, em competição com o mercado Europeu.


Mesmo que os governos Europeus não tivessem liberalizado a economia, o que não foi completamente o caso, os mercados emergentes teriam sempre tido uma vantagem em comparação com a Europa. Mesmo que as empresas Europeias não tivessem ido para leste, o leste teria vindo para ocidente. A partir do momento em que se defende o fim do imperialismo, defende-se também o fim do nosso controlo sobre o mundo e isso, por mais que a esquerda esperneie, foi detrimental para os nossos interesses...




5 - "Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável"


5.1 - Claro que não. Por isso é que Costa defende mais governo e mais regulação. Porque isso sim fará com que a nossa economia seja mais competitiva... - assim retirando a vantagem competitiva dos nossos salários baixos e fornecendo mais achas para a fogueira da corrupção de que ele se queixa. Pondo mais dinheiro nas mãos do governo falhou antes e levou a corrupção, por isso façamos o mesmo outra vez...




6 - "Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma"


6.1 - Mas quem é ele para se armar em autoridade moral?!!! Mas nao fez ele parte de vários governos que resultaram nisto?

E mesmo que ele - a mesma pessoa que fez a defesa semanal de José Sócrates - seja diferente de todos os outros políticos, que tem o PS proposto para acabar com esta cultura? Porque afinal quem defende que despesismo estatal retira países de crises financeiras são os filósofos da esquerda...


6.2 - Mais grave é o que está implícito em declarações destas: que o povinho não tem culpa nenhuma e que deve portanto continuar a ser desresponsabilizado. Responsabilidade individual? Inexistente. O que sim é importante é o comportamento das elites, as mesmas elites estado-sanguesugo-dependentes que o PS e a esquerda criam ao expandirem o controlo do estado sobre a economia.

É assim que a esquerda quer levar Portugal para o futuro: Não incutindo o mínimo sentido de responsabilidade na população. Para quem defende a educação como veículo para a prosperidade, a esquerda é bem hipócrita naquilo que entende como maturidade cívica.





7 - "os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas pública"


7.1 - É a desresponsabilização completa. O país está como está porque conspiraram contra ele. O comportamento das massas em nada contribuiu para isso. Logo, os Portugueses devem poder reclamar ainda mais 'direitos' e mais despesismo estatal. Seguramente isso trará bons resultados porque afinal foi o que andámos a fazer nas últimas décadas e resultou tão bem...





8 - "Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam"


8.1 - Ou seja, os salários dos políticos devem ser cortados e as grandes fortunas taxadas até ao limite. Isto é óptimo: vai ser mesmo assim que se vai conseguir re-atrair investimento estrangeiro - do qual um país periférico necessita - e vai ser mesmo assim que se vai atrair talento para a função pública. Porque realmente, são os salários dos políticos que arruínam o país. Os 80% do orçamento de estado que é gasto na saúde, educação e segurança social, assim como nos juros dos empréstimos que contraímos para sustentar estes programas, isso não interessa nada nem tem nenhum efeito, mesmo com uma população em diminuição.


Afinal, Costa acha que o milagre e bem fácil pois "Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos". Pois é. Se ao menos tivéssemos tido um governo socialista durante as últimas décadas com Costa como Ministro...


8.2 - Como eu já antes avisei, esta é a nova utopia da esquerda: que se pode acabar com a corrupção e ser-se eficaz com os gastos ao ponto de sustentar um sistema que nunca antes foi sustentável - e que agora ameaça o estado Português com a ruína. Mas os cidadãos com empregos de classe média baixa, devem ter as regalias dos povos com uma maioria de empregos de classe média alta, mesmo que sejam os outros países a pagarem os nossos 'direitos'...


Porque ao defender a 'renegociação' da dívida sem penalizar os cidadãos, é precisamente isto que Costa quer. Se ao menos nós Portugueses pudessemos culpar os Alemaes pelos danos infligidos pela 2a Guerra Mundial. Infelizmente, ao contrário dos Gregos, nem este bode expiatório temos... que maçada...




9 - "Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção"


9.1 - Coitadinhos dos cidadãos, que apenas gastaram o que não tinham no banco. Os mauzões dos políticos é que vão ter que sofrer. Afinal acabar com a corrupção - fenómeno cultural e endémico a culturas mediterrânicas - é tão fácil como acabar com o crime. Francamente porque é que nunca ninguém se lembrou de fazer isto?...





9.2 - O problema é que não é direito se não se pode concretizar. Podemos dizer que é um ideal ao qual aspiramos mas não é um direito.

Como sempre, a esquerda nada tem a oferecer senao sonhos e utopias. E quando estas bolhas se rompem, há que inventar bolhas ainda maiores porque as pequenas ja não enganam ninguém.


Esta é a esquerda do poker: quando não se tem trunfos, faz-se bluff...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:12
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Terça-feira, 9 de Abril de 2013
Duplamente a Propósito


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 09:33
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Quinta-feira, 28 de Março de 2013
1995

É a resposta aqueles que perguntam: 'Quando foi que optámos pelo mau caminho?'.

 

Quando o PS assumiu o poder em 1995, o destino do país ficou selado. Demorou mais de uma década mas as consequências acabaram por se fazer sentir.

95 é o ano da mudança pelas seguintes razões:

 

- até a meio da década de 90, a economia Portuguesa estava em crescimento. A partir daqui estagnou. Isto não foi culpa directa do Partido Socialista, claro está mas antes uma consequência do fim da deslocalização e IDE Europeu para Portugal, o qual parou com a abertura dos mercados asiático e do leste Europeu;

 

- até aos anos 90, Portugal, apesar de fortemente esquerdista, estava sob pressão para ser responsável com a sua política fiscal, devido à pressão do FMI e da adesão às Comunidades Europeias. Depois da plena adesão, foi o que foi... ;

 

- até aos anos 90, o Bloco Socialista representava um ideal ao qual a esquerda internacional aspirava. Com o colapso do muro de Berlim e da URSS, a esquerda perdeu a sua ideologia e viu-se forçada a adoptar soluções mais populistas e eleitoralistas, o que deu origem à 3ª via e à política da bugiganga que levou os sucessivos governos a gastarem para consumo e em falsos investimentos como as auto-estradas e sistema de saúde;

 

- até aos anos 90, Portugal tinha a sua própria moeda mas foi nos anos 90 que aderimos ao sistemo monetário Europeu e ao que viria a ser o €uro. Depois disso foi o descalabro total nomeadamente com Portugal fazendo uso da reputação do marco alemão - da qual o euro gozava - para se endividar nos mercados internacionais.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:45
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Domingo, 24 de Março de 2013
Energia das Marés

 

 

Alguém me consegue saber porque é que a costa Portuguesa não está incluída?

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:09
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Gosto deste homem!

  

 

Para quem não percebeu, Amado tenta enviar a mensagem de que o PSD - i.e. Pedro Passos - deve esquecer os aparelhistas e concentrar-se na missão que tem em mãos - a governação responsável do país.
É desta esquerda que gosto, a esquerda credível. Já agora, quando é que os anti-populistas do PS como Amado ou António Vitorino, expulsam os aparelhistas e as Socranettes do partido para fora?


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 13:07
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Sábado, 16 de Março de 2013
O Partido do Restelo

O facilitismo é apanágio da esquerda.

 

Nos dias que correm, a esquerda não é alternativa, resume-se em vez disso a ser a voz dos velhos do restelo. E que oferece o Bloco do Restelo? Uma nova abordagem económica? uma nova abordagem social? Não. Todas as suas fórmulas já foram testadas e falharam.

 

O que oferece é facilitismo e indulgência:

 

  • No norte da Europa as políticas multiculturalistas de imigração resultaram em vagas e vagas de populações migrantes que nunca assimilaram a cultura hospedeira. Mas vamos tomar medidas em relação a isso? Ai não!!! Que isso era muito mau e difícil e controverso para com esses imigrantes;
  • no sul da Europa, o aparelho estado cresceu desmesuradamente com base em dívida. Mas vamos tomar medidas para lidar com esta insustentabilidade suicida? Ai não!!! Que isso seria muito difícil para com as populações que vivem agarradas ao estado.

 

A esquerda é sempre a favor da fuga para a frente, de fingir que os problemas se resolvem por si só. Reformas duras e estruturais? Não. A esquerda de hoje é a esquerda do paradigma Berlusconi-Socrates: falamos em direitos inalienáveis enquanto deixamos a governação do país aos estrangeiros - eles que os resolvam por nós - os quais vamos criticar por fazerem aquilo que nós não temos a coragem de fazer...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 21:41
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