Terça-feira, 7 de Junho de 2011
Mérito Aonde Ele é Devido

Luís Amado é infelizmente um dos rostos dos governos Sócrates. Um dos ministros mais populares, um dos poucos resistentes às remodelações e um dos que desempenhou bem o seu cargo, mas um ministro Sócrates.

Não se pode dizer que Luís Amado foi um Ministro da Defesa ou um Ministro dos Negócios Estrangeiros extraordinário mas certamente que esteve à altura do cargo.

 

Aquilo que mais o distingue dos seus vários colegas no Conselho de Ministros foi a sua recusa em deixar-se levar pela deriva populista de Sócrates e restantes correligionários. Este seu sentido de Estado revelou-se quando decidiu avançar com o dossier dos submarinos por exemplo. Ainda que a táctica de usar as práticas obscuras do processo de aquisição como contra-peso retórico contra a direita tenha sido eleitoralista – quer tenha sido ideia de Sócrates ou Amado – a verdade é que resultou em prol do país.

 

Amado, não seguindo o exemplo do seu superior hierárquico, teve a coragem para enfrentar crises e polémicas sem recorrer à mentira ou à demagogia. Assim procedeu no caso dos voos da CIA e mais recentemente aquando do início da dita ‘primavera Árabe’ – quando sozinho apareceu diante das câmaras para defender uma posição de cautela e anti-voluntarista Europeia para com os levantamentos no mundo Árabe.

Referir as cimeiras UE-África, UE-Brasil, Tratado de Lisboa, Cimeira da NATO ou eleição para o Conselho de Segurança como mérito seu seria ir longe demais. Como MNE, estes eventos foram circunstanciais. E não nos podemos esquecer que os MNEs são geralmente personalidades populares devido à sua imunidade natural a controvérsias e politiquices nacionais.

 

Há ainda um outro aspecto a referir: a sua independência do PM Sócrates que o levou a fazer declarações contraditórias com a linha oficial e fraudulenta da máquina de propaganda Socialista.

 

Amado seria excelente se tivesse implementado uma doutrina operacional e estratégica, tanto para a Defesa como para os Negócios Estrangeiros. Cabe respectivamente às chefias militares e aos diplomatas obedecer a ordens, cabe aos políticos justificá-las no longo prazo. Ora ainda que Amado não tenha cometido um qualquer erro gravoso, a verdade é que a prossecução da diplomacia económica de Portugal foi feita por todas as embaixadas, sem grandes critérios ou prioridades visíveis. A verdade é que a mesma falta de prioridades garantiu aquisições desnecessárias de equipamento para o Exército. Mas nestes pontos, Amado não foge à regra de todos os demais MNEs e MdDs.

 

Apesar de tudo, seria sensato que um novo governo inclusivo e de união nacional ponderasse seriamente manter Amado no governo. Seria um gesto magnânimo em relação a uma esquerda debilitada e condenada a longos anos de oposição e revelaria o sentido de Estado de alguém que aprecia a continuidade daqueles que puseram o interesse nacional acima de tudo. Se não como MNE por ser um cargo de demasiado valor político, porque não novamente na Defesa?



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 22:17
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
E fica tudo dito!

 

 

"Os processos de transição democrática nestes países são muito mais complexos do que uma simples leitura ideológica em torno da democracia e dos direitos humanos: há factores muito mais complexos que devem ser ponderados pela UE. Esta é sem dúvida a situação mais complexa, mais perigosa e mais difícil com que a Europa se confronta desde o fim do império soviético, provavelmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial e não podemos encarar esta situação com ligeireza, e com clichés. Temos que encarar esta situação com muito realismo face à dimensão dos problemas que temos pela frente nos próximos meses e nos próximos anos".



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 13:30
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
Portugal no Conselho de Segurança da ONU

 

Portugal foi ontem eleito membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, depois da desistência do Canadá.

 

Esta é a terceira vez que Portugal tem assento no Conselho de Segurança, depois de ter sido eleito para os biénios de 1979-80 e de 1997-98.

 

A partir de 1 de Janeiro de 2011 o grupo dos dez membros não-permanentes passa a integrar: Brasil, Bósnia-Herzegovina, Gabão, Líbano e Nigéria, eleitos em outubro de 2009, e a África do Sul, Alemanha, Brasil, Índia e Portugal.

 

Está de parabéns a Diplomacia Portuguesa, em especial o ministro Luís Amado!

 

Nota do MNE sobre esta eleição: http://www.mne.gov.pt/mne/pt/noticiaspt/201010121900.htm

 

Esta vitória deveu-se em grande medida ao peso da CPLP, pelo apoio já dado ao Brasil para se tornar membro-permanente do Conselho de Segurança e pela ligação que Portugal tem a África, tendo em conta que a maioria do trabalho feito neste órgão versa sobre este continente. Contou ainda com o apoio da Turquia e de Cuba...

 

Existem discussões sobre a reformulação do Conselho de Segurança, que apresenta um desequilíbrio em seus membros na nova ordem mundial. Há uma corrente forte que pretende a entrada do G-4 - Alemanha, Japão, Brasil e India - como membros permanentes, mas resta uma nação africana. Este G-4 tem forte resitência de dos seus vizinhos: Paquistão (contra a Índia), Coreia do Sul e China (contra o Japão), Itália (contra a Alemanha), Argentina e México (contra o Brasil).

 

É esta a reforma que queremos? O aumento da representatividade no Conselho de Segurança das economias mais poderosas e das mais emergentes?

 



uma psicose de Paulo Pinheiro às 12:20
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Domingo, 26 de Setembro de 2010
Muitos parabéns ao nosso MNE, foi uma semana excelente...

 

O MIL repudia e censura veementemente as recentes declarações do Ministro Português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, segundo as quais “Portugal não vai fazer parte de uma futura força de estabilização caso esta venha a ser criada e enviada para a Guiné-Bissau”. Consideramos incompreensível que Portugal, sempre tão lesto a participar em acções fora do espaço lusófono – ex-Jugoslávia; Iraque; Afeganistão, etc. – recuse à partida o auxílio a um povo irmão como é o guineense.

Por outro lado, o MIL expressa a sua perplexidade por, na mais recente distribuição de pastas no SEAE, Serviço Europeu de Acção Externa, a Portugal ter calhado o Gabão (!), enquanto, por exemplo, Espanha foi presenteada com Pequim (segundo posto), Argentina, Angola, Namíbia e Guiné-Bissau. Sinal bem evidente da importância que nos reconhecem no seio da União Europeia e da falta de empenho e dedicação do Governo e da nossa Diplomacia.

 

 

Não percebo este desinteresse pela Lusofonia. Será que Amado está para sair? Será que simplesmente o país não funciona quando o PM está fora? Terá havido negociações para a atribuição destas pastas de todo? Que tivemos nós a dizer?



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 10:07
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Terça-feira, 27 de Julho de 2010
Realmente!..

 

 

«O ministro dos Negócios Estrangeiros lamentou hoje que “não se dê mais atenção no país ao que se passa no mundo”, considerando que o debate político em Portugal sobre as questões internacionais é de “uma pobreza chocante”.»

 

Lembro-me várias vezes da história daquele senhor que disse "Dêem-me dois anos como Ministro da Educação e eu resolvo-vos o problema da Saúde!"

 

Querem que o país ultrapasse a mentalidade do 'orgulhosamente sós' e de que a Europa é algo que está para lá de Espanha?

Invistam mais em possibilidades de os jovens irem estudar para fora.

 

O exemplo é o das bolsas que os estudantes recebem para fazer Erasmus, que de tão grandes que são só permitem que vá passar uma temporada fora quem delas não precisa.

 

Outro exemplo que me é mais próximo é a nossa fantástica lei eleitoral, que não permite que um estudante que se tenha inscrito por sua própria iniciativa numa escola fora de onde mora vote para eleições (drama comum aos estudantes deslocados no território nacional, sobretudo dos Açores e Madeira).

 

Querem que a malta olhe para fora com outros (mais informados) olhos?

Diz que de pequenino...


:
: Statler Brothers - Flowers On The Wall

uma psicose de José Pedro Salgado às 14:15
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Sábado, 5 de Junho de 2010
Apologia de um tiro no pé

Crise. Luís Amado em vias de abandonar governo de Sócrates

Dizem que o melhor cargo no Governo português é o de Ministro dos Negócios Estrangeiros. Não por uma questão de conforto, pois não se adivinha que seja uma função particularmente propensa ao relaxamento, mas porque é uma que geralmente está escondida do olhar da opinião pública, devido à especificidade da função, e à forma de trabalhar da diplomacia portuguesa. Por outro lado, das poucas vezes que tem algum foco de atenção, costuma ser quando o líder do Governo se associa a uma vitória conseguida, dando um ar positivo às poucas aparições a que tem direito.

 

Pessoalmente, devo dizer que não sei se é por este factor, mas sempre tive uma ideia positiva de Luís Amado como um dos melhores Ministros de José Sócrates, não só pela sua capacidade, mas também pela sua competência e seriedade.

 

Não sei se é sintomático que ele queira agora - como, aparentemente, já quis no passado - sair do Governo, mas devo dizer que é com pena que o vejo partir, se estas notícias se confirmarem.


:
: Hungarian Dance No. 5 - Johannes Brahms

uma psicose de José Pedro Salgado às 13:40
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