Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014
Casa Pia não "enfraquece a sociedade"...

O senhor Braga da Cruz - ex-reitor da Universidade Católica - está muito preocupado que homossexuais possam legalmente adoptar crianças.

Diz ele que:

 

"A questão da co-adopção e adopção por homossexuais vai muito para além de saber quem pode ou não cuidar de uma criança,

tendo implicações civilizacionais"

 

"Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual.

Isso enfraquece a cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente manipulável por objectivos políticos.

Estamos perante uma questão que altera a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios.

Não é coisa pouca, é uma questão muito importante que não pode ser decidida ligeiramente e apressadamente.”

 

 

Pois, realmente, posta desta maneira, trata-se de uma questão gravíssima...

 

Vamos começar por aqui: não o nego, penso que a adopção por uma família homossexual é menos do que perfeita e se possível preferiria que a adopção fosse feita por famílias heterossexuais com ambos os progenitores.

 

MAS

 

Ao contrário do senhor ex-reitor, eu sou capaz de ver o contexto que está mesmo à minha frente:

 

1 - a homossexualidade é prática proibida? Não. Logo é expectável que as novas gerações de crianças entrem em contacto com esta realidade cada vez mais cedo. Se não tiverem pais homossexuais, terão tios, primos, irmãos, etc. Então e estas práticas? Não mudam milénios de tradição?...;

 

2 - é a adopção por famílias homossexuais penalizada por lei? Não? Então o que o senhor ex-reitor está a dizer é que ele não está verdadeiramente contra a co-adopção per se - porque esta já existe - mas sim contra a co-adopção aberta e legislada...;

 

3 - também não percebo que "a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios" tolere famílias monoparentais, avunculoparentais, fratriparentais, aviparentais, etc. mas não tolere famílias com pais homossexuais... É assim um desvio tão grande?...;

 

(e eis que chegamos ao ponto que mais me dana)

 

4 - Para o senhor ex-reitor, a co-adopção terá consequências civilizacionais mas aparentemente, famílias aonde os filhos levam tareia de meia-noite, são molestados, vivem na pobreza e na ignorância, essas não têm consequências civilizacionais... Não devem ter porque isso já ocorre há milénios e ainda estou para ver as tais consequências...

Para o senhor ex-reitor, é preferível um órfão ser educado em Casas Pias e ser sujeito a tudo o que isso acarreta, que ser educado numa família homossexual, porque afinal... as Casas Pias não enfraquecem a sociedade... e isto tudo, ainda por cima, numa altura de crise e austeridade, conjuntura que não se compadece com grandes gastos orçamentais com programas sociais.

 

 

Senhor ex-reitor, tenho uma palavra para si: 'PRIORIDADES' homem! 'PRIORIDADES'!!



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 01:05
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Aprendi uma palavra nova hoje

 

 

 

A discussão sobre se se deve dizer "casamento gay" ou "casamento entre pessoas do mesmo sexo" nunca teve muito eco na sociedade, excepto para alguns dos interessados, conservadores mais ferverosos, ou para aqueles que, como eu, acham que o princípio popular de chamar os bois pelos nomes revela, de facto, uma preocupação legítima com a preocupação de utilizar os termos correctos para classificar diferentes realidades.

 

Não me recordo quem foi que disse, por ocasião de um debate na Assembleia da República há uns anos, que homossexuais já se podiam casar, até uns com os outros, só as pessoas do mesmo sexo é que não. Ora, tirando a esta afirmação o óbvio duplo significado que lhe dá uma carga retórica apreciável, não deixava de ser verdade.

 

Assim, cada vez que se discutia a questão, eu tentava defender a minha posição utilizando a terminologia correcta, não só por uma questão de princípio, mas para evitar armadilhas retóricas que se referissem à supra citada expressão.

 

A preocupação com esta correcção de termos, por pouco saliente que fosse, fez, ainda assim, um percurso assinalável desde a inexistência até algo com que alguns se preocupam. Mais. Este género de preocupações em utilizar (e utilizar correctamente) expressões que até então se desconhecia é o sinal da emergência dos conceitos que elas descrevem como relevantes na discussão política e social. Por outro lado, numa perspectiva de ovo/galinha, quanto mais se fala da questão, mais a linguagem se vulgariza, e quanto mais a liguagem se vulgariza, mais se fala da questão.

 

Assim, parafrasiando o (à altura) Chancellor Palpatine, tenciono observar a evolução do termo 'homoparentalidade' com grande interesse.

 

"Be careful of your thoughts, for your thoughts become your words.

Be careful of your words, for your words become your actions.

Be careful of your actions, for your actions become your habits.

Be careful of your habits, for your habits become your character.

Be careful of your character, for your character becomes your destiny."

- Autor desconhecido (diz o Guilherme que é do Ghandi)

 

"The only thing worse than being talked about is not being talked about." - Oscar Wilde 


:
: We've only just begun - The Carpenters

uma psicose de José Pedro Salgado às 13:56
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