Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013
Interesse Público ≠ interesse do público

Portugal é no mínimo uma democracia muito imperfeita. Poder-se-ia dizer que Portugal é uma democracia acívica.

 

A actual crise económica é prova disso pois revela - de acordo com o paradigma do resultado das eleições legislativas de 2009 - que os cidadãos Portugueses não compreendem a essência do sistema democrático liberal no qual vivem:

 

 

 

1. As eleições não servem em Portugal para eleger quem os cidadãos acreditam ser o melhor partidário do interesse nacional mas sim para eleger quem o cidadão acredita beneficiá-lo pessoalmente, governando a curto-prazo. Sócrates não foi mais do que um Valentim Loureiro a nível nacional. Os seus micro-ondas foram os cheques-bébé, o TGV ou os aumentos (tácticos e dolosos) à função pública.

Em 2009, a maioria dos Portugueses tinha mais fé em Manuela Ferreira Leite para ser honesta do que em José Sócrates mas estes mesmos Portugueses não só elegeram como RE-elegeram Sócrates.

 

2. Na democracia Portuguesa, apenas há direitos e não deveres. Manifestações são o pão nosso de cada dia para reivindicar mais benesses governamentais, quer a economia o permita ou não.

 

3. Votar em eleições, um genérico mas talvez o mais importante DEVER cívico, é visto com absoluta indiferença. Metade dos Portugueses não vota ou vota em branco/nulo. Que justificação dá quem falta ao seu dever cívico? "Eles são todos iguais", "Não me revejo em nenhum destes políticos"...

A população Portuguesa é no fundo Sebastianista. Em vez de votarem no menor dos males, ficam à espera da vinda de Cristo à Terra... Os democratas Portugueses ficam escandalizados quando homens providenciais acabam por tomar o poder mas os Marqueses de Pombal e os Oliveiras Salazar não vêm do nada. A hipocrisia da população - e sim, falo da população, das massas, e não das elites, dos políticos ou de qualquer outro bode expiatório frequentemente oferecido para justificar a NOSSA irresponsabilidade como povo - torna-se pateticamente óbvia quando depois de se desresponsabilizar dos seus deveres cívicos, se queixa que os seus direitos cívicos são atropelados pelo governo.

Vejamos o caso do sistema de pensões: milhares reclamam que os cortes nas pensões são ilegais, inconstitucionais e feitos de má fé, porque são retroactivos. Mas quem estava lá para impedir que o governo se sobreendividasse de forma a pôr em perigo o sistema? Ou já agora, quem lá estava para insistir num sistema de poupanças capitalizadas individuais em vez de um sistema de financiamento corrente? Para isso não houve manifs...


Se as pessoas têm ideias diferentes e preferem outro tipo de governação, então é lá com elas pois todos somos livres para pensar pela nossa própria cabeça. Mas então tenham coragem para defender também, os problemas do sistema que advogam! Não pode ser hoje estarmos contra a capitalização porque dá poder aos porcos capitalistas e porque é injusta para quem não poupou, e amanhã estarmos contra o sistema de gestão corrente insustentável para os direitos adquiridos, que antes se havia defendido...

 

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Mas falo nisto tudo porque fiquei abismado com a última emissão do programa do Provedor do Telespectador da RTP.

O tema do último programa era futebol e como tal vários comentadores desportivos - pessoalmente teria vergonha de pôr tal título profissional no meu CV mas enfim - e cidadãos foram entrevistados a fim de perceber os limites exactos do futebol como interesse público.

 

Não fiquei abismado porque os entrevistados não faziam a mais pequena ideia do que significa 'interesse público' - as minhas expectativas em relação à população em geral e aos vultos intelectuais que são os 'comentadores desportivos' ('fofoqueiros da bola' seria um título mais adequado) já são bastante baixas - mas sim porque o próprio Provedor também não compreende algo tão básico para o seu cargo como seja a definição de 'interesse público'.

 

Passo a explicar: as mentes brilhantes que foram opinar - e no caso do Provedor, julgar - o que era interesse público, confundiram 'interesse público' com 'interesse do público'.

Vejamos um exemplo concreto: o serviço de meteorologia é de interesse público porque transmite a 10 milhões de pessoas uma informação importante para poderem gerir as suas vidas nos dias que se seguem. O escrutínio de leis passadas pelo Parlamento serve também o 'interesse público' pois permite aos cidadãos terem acesso a decisões políticas que têm impacto directo nas suas vidas. Todos os telejornais oferecem estes serviços e fazem muito bem.

No entanto, nem a meteorologia nem a política são particularmente do 'interesse do público'. Para isso, os telejornais transformaram-se em programas de entretenimento e transmitem novidades futebolísticas (e não meramente desportivas pois não trazem qualquer utilidade a quem pratica desporto) de cinema ou de música para complementar 'a parte chata' das notícias do dia.


No programa do Provedor, várias pessoas interrogavam-se que tipo de jogos de futebol era digno de ser transmitido pela TV pública: se apenas os jogos da selecção, se apenas os jogos mais importantes das equipas nacionais, etc.


Eu ajudo: NENHUM JOGO É DO INTERESSE PÚBLICO.

Porquê? É muito simples: nenhum cidadão Português tem necessidade de saber seja o que for sobre futebol para levar uma vida absolutamente normal. Nenhum cidadão tem qualquer necessidade de ouvir notícias de futebol para o poder jogar, ele próprio.

O futebol é apenas e somente ENTRETENIMENTO. Nem mais, nem menos.

 

Poderíamos discutir se vale a pena a TV pública transmitir entretenimento mas seria depois complicado justificar que tipo a ser escolhido para exibição.

 

E aqui está uma das causas da esclerose da democracia Portuguesa: os Portugueses não são democratas.

Se interesse público é sinónimo de popularidade, então deveríamos eleger Cristiano Ronaldo nas próximas eleições. Não tenho a menor dúvida de que terá uma muito maior popularidade que Cavaco Silva.

 

Se o Provedor da TV pública não é capaz de discernir entre 'interesse público' e capricho de massas, então porque o haveriam de fazer os políticos?

A função de um estadista não é dar às pessoas o que eles gostam mas sim o que necessitam.

 

Claro que enquanto estádios de futebol forem mais importantes que uma gestão eficaz do sistema de pensões, não sairemos da cepa torta...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 12:10
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013
Gosto da 'Grândola Vila Morena'; venha daí mais!

Em conversa com um amigo de direita, ele declara o seu pouco apreço pela canção revolucionária. Penso que é este o resultado inevitável de politicizar um património que deveria ser comum: quanto mais o facciosismo esquerdista se apodera arrogantemente de símbolos nacionais, na sua batalha supérflua contra a força da aritmética, mais o país se divide perante a validade desse mesmo património - o que é lamentável.

 

 

Mas o que este Bravo Bravíssimo dos tristes prova é afinal a falta de respeito ou sentido de estado de que a esquerda padece. É na rua que a esquerda se sente bem, é enxovalhando os outros, impedindo-os de falar; é no conforto do assassinato de carácter que se faz 'política' à esquerda.

 

Nunca defendi Miguel Relvas porque acho que quem é apanhado a mentir aos cidadãos que o elegeram devia ter a sensatez de se demitir. Mas esta é uma questão de ética, não de direito. Tecnicamente ele tem todo o direito a permanecer no cargo e a ver respeitado o seu direito a falar.

 

Curiosamente esta Chuva de Estrelinhas pequeninas é podre pois quanto mais ouvirmos a Grândola soar, mais saberemos o que a esquerda oferece como alternativa: nada.

Tal como o PCP, a esquerda em geral vomita a cassete da imoralidade da austeridade mas nada oferecem como alternativa.

 

Logo, pessoalmente eu disfruto imenso em ouvir a Grândola ou mesmo slogans que pedem a demissão do governo; aprecio especialmente a falta de respeito de acusações preconceituosas como 'gatunos'. Enquanto o nível for baixo e a substância das críticas inexistente, agradecerei a Zeca Afonso - viva o lindíssimo lamento Alentejano!



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:34
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Domingo, 27 de Janeiro de 2013
Adeus às armas

 

Morreu Jaime Neves.

Se a tristeza matasse, eu estava pronto para ir com ele.

O Psicolaranja orgulha-se de ter organizado um debate muito animado e simbólico com o "nosso" comandante.



uma psicose de Paulo Colaço às 16:12
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013
Uma verdade

"To whom it may concern: ao contrário do que os anónimos do costume puseram a circular: 1) não saio da CGD com qualquer reforma; 2) despedi-me do grupo Mello em 2011 e não vou regressar. É por estas e por outras que qualquer dia não há ninguém capaz disponível para funções executivas no sector público" (António Nogueira Leite, Facebook)

 

Não vem ao caso o que eu penso de Nogueira Leite ou da sua recente actividade "opinativa".

O que neste post quero vincar é a última frase desta sua publicação na rede social do momento.

Sou dos que acha que há duas coisas más na política: os maus políticos e os maus cidadãos.

Os maus políticos compromentem a evolução social, cultural e económica de um povo; os maus cidadãos comprometem a vontade de os bons cidadãos quererem ir para a política.

A opinião fácil, a crítica rasteira, o comentário desinformado, a preguiça, o laxismo, a má educação são tão nefastas quanto a incompetência.

Desprezo, em igual medida, tanto os maus políticos quanto os maus cidadãos.



uma psicose de Paulo Colaço às 11:33
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
Nobel da Demagogia
A cerimónia de atribuição do Nobel da Paz à União Europeia em Oslo foi o espelho da classe política Europeia e o reflexo não foi bonito.
Para um prémio atribuído a uma organização internacional, por mais soberania partilhada que a constitua, foi absolutamente ridículo ver todos os chefes de governo presentes para captar o prestígio por associação que a UE estava a receber. 

Dito isto, ao nível institucional o M.O. foi o mesmo de modo que ninguém sai incólume na fotografia de grupo ...e de grupo. Van Rompuy tornou aquilo que se queria como uma cerimónia solene num evento hilariante ao invocar Kennedy com o seu "Ich bin ein Europäer". Solidariedade com um ideal questionável tudo menos consensual não é propriamente o equivalente da Berlim da Guerra Fria...

O aproveitamento político foi óbvio e barato mas o mesmo também se deve dizer infelizmente, de quem faltou pois David Cameron não esteve presente por razões igualmente populistas.
É uma Europa de politiquices e não - como devia ser - uma de estadistas.
Passemos então ao mérito do prémio em si. Aquilo que justificou a atribuição do prémio à UE foram projectos Europeus como o EuropeAid ou a Iniciativa Europeia para a Democracia e Direitos Humanos. No entanto, ao contrário da tradição de promover estadistas que encetavam negociações de paz, estes projectos iniciados por lógicas politicamente correctas de despesa orçamental e fruto do consenso possível - virtude desse mesmo politicamente correcto - entre os estados-membro, também dão azo a um prémio menos merecido; não só a UE nunca foi capaz de pôr travão a uma guerra mas quando tentou - Bósnia, Kosovo - falhou pois as forças internacionais e os projectos de construção de estado continuam ad eternum presentes nos Balcãs - para não mencionar o que o conflito actual no Congo diz de todo o investimento Europeu e da ONU nos esforços de paz.
Assim, premeia-se quanto muito as boas intenções, mas não os resultados. Mas porque a atribuição do Nobel é também política, há um aspecto preocupante que convém salientar: nem sequer na Europa se concorda na definição de democracia e direitos humanos, e é prioridade da UE expandir tais definições opacas ao resto do mundo? A que preço? E se uma outra civilização quisesse promover os seus ideais na Europa? Aceitamo-lo-íamos? 
E que dizer do inevitável problema que a Europa levou séculos a chegar a estes ideais num canto do mundo muito peculiar? É sustentável promover tais valores excepcionais no resto do mundo?

Quem somos nós para dizer aos outros como viver?


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:19
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012
Viva a Liberdade II

Este é um post dedicado a certos ex-Psicóticos...

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 14:38
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Domingo, 21 de Outubro de 2012
A democracia no PSD/Porto... que futuro?

 

Para que percebam como as coisas andam no PSD/Porto, esta semana decorreu um plenário de militantes do maior núcleo da cidade - Paranhos. Num plenário onde cada militante de base, com as mais variadas origens e correntes de pensamento, foi confrontado com a votação de uma moção, não discutida, no final dessa assembleia. A votação de uma moção de apoio a um nome de um militante do PSD para a Câmara Municipal do Porto.

 

Ensinam os almanaques clássicos da democracia e da ciência política que a votação de um nome deve ser sempre realizada por voto secreto. E assim deve ser, ainda que seja uma moção que complete um apoio com um sem número de outros considerandos adicionais.

 

Para que percebam o estado da democracia interna do partido no Porto, não foi assim no Núcleo de Paranhos. Os militantes foram sujeitos em 5 segundos à votação de um nome de braço no ar, ao velho estilo do Estado estalinista.

 

Eu abstive-me, conforme podem observar pela notícia publicada "a correr" no JN. Abstive-me, porque discordando do timing político da questão autárquica no Porto e o processo em que está enquistado, a minha consciência e convicção assim determinaram. 

 

Observem, agora, com esta votação de um nome de braço no ar, o critério jornalístico usado. São referidas seis abstenções, mas apenas um nome é usado. Um objectivo presidiu à publicação do artigo desta forma, a tentativa de instrumentalizar um militante do PSD, que exercendo a função de adjunto do Presidente da CMP, justificaria a argumentação facciosa de alguns de que o processo político em curso no Porto nasce numa guerra Rio-Menezes. 

 

Não podia ter sido mais falhada a tentativa do jornal e de quem promoveu "a correr" a notícia. A abstenção de Hugo Carneiro não foi um voto contra um candidato, porque ele até se absteve.

 

Em Janeiro de 2012 avisei publicamente que o caminho que o PSD/Porto levava conduziria à redução ou eliminação do Porto como espaço livre de militância.


O tempo dá-me agora razão.

Este plenário era de militantes e à porta fechada; a moção não foi distribuída.

 

 

Votarei contra o perfil proposto pela Concelhia do PSD/Porto, que pretendem fazer aprovar na continuação do plenário esta quinta-feira, conforme referi já publicamente e com as razões estritas aduzidas em tempo.

 

Fica uma questão: Que PSD querem os militantes quando os nomes são votados de braço no ar e se assiste a um dos maiores condicionamentos da liberdade de expressão alguma vez visto no Porto?

 



uma psicose de Hugo Carneiro às 15:35
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Group Think

 

 

O termo em título refere-se a uma tendência identificada por sociólogos que consiste na uniformização de ideias no contexto de uma dinâmica de grupo. 

Esta tendência é hoje em dia perfeitamente identificável nos ditos media mainstream pelo que é sempre arriscadíssimo confiar na narrativa preponderante pois ela não é necessariamente factual. Os media tendem a seguir narrativas mediáticas que suscitam interesse à sua audiência. Precisamente porque os media são inerentemente sensacionalistas, a sua narrativa deve sempre ser vista com algum distanciamento.

 

Hoje em dia vemos bem as consequências deste fenómeno no evento da Primavera Árabe. Para traçar uma analogia com que todos nos podemos identificar, durante os anos 70 era previsão estabelecida tanto na Europa como nos EUA que Portugal se tornaria comunista depois da revolução dos cravos. Washington chegou a planear isolar Portugal de forma semelhante ao embargo a Cuba para mais uma vez apresentar um exemplo negativo a não seguir por outros aliados.

As previsões falharam e no fim Portugal esteve perto mas não chegou a tornar-se comunista. De facto as eleições provaram depressa que o apoio eleitoral do PCP era bastante limitado e tirando os governos de salvação nacional, o PCP nunca sequer chegou a governar.

 

Podemos observar um tal paralelo hoje no Egipto e noutros países Árabes: a revolução era democrática e liberal, mas afinal parece que os secularistas são uma minoria e que não só os militares vão preservar uma porção do poder mas os islamistas serão aqueles catapultados para o poder e procederão assim à revogação de grande parte das reformas liberais de Hosni e Gamal Mubarak.


Há quem diga que as revoluções provam o falhanço das políticas de parceria com regimes autoritários mas nesse caso as contra-revoluções provam diametralmente o seu sucesso, e dado que tanto nas revoluções coloridas do leste da Europa como agora durante a Primavera Árabe existem importantes movimentos de resistência à mudança, então os ocidentais até têm sido relativamente bem-sucedidos. 

O politicamente correcto impede-nos de observar simples dilemas: ditaduras liberais Vs. democracias integristas.

 

Está na hora de abandonar a nossa mentalidade de rebanho e abrirmos os olhos.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 09:34
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011
4o lugar!! - Portugal era o 4o maior exportador de armamento para a Líbia

Em resposta a uma pergunta de um deputado da Assembleia Nacional, o PM Francês François Fillon anunciou que a França era apenas o terceiro maior fornecedor de armamento à Líbia antes da guerra, um lugar acima de Portugal, que arrecadou 11 milhões de euros no ano prévio à intervenção aliada.

 

 

Repito: Declaramo-nos hostis a um bom cliente e apoiamos agora os rebeldes porque ...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 09:21
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
Líbia: Portugal na carneirada

Quando a guerra civil se instalou, Portugal prestou-se a ser indigitado mediador na crise e num primeiro momento a sua neutralidade era séria mas à medida que o conflicto se pronlongou, a independência de Portugal foi-se esfumando: em Março já presidia ao Comité de Sanções à Líbia das Nações Unidas (que no momento em que Tripoli dominava a maior parte do país era claramente parcial contra o regime) e poucas semanas depois, aquilo que era uma operação ad hoc por parte de países que apenas também eram membros da NATO, acabou envolvendo toda a Aliança Atlântica – alguém ouviu um pio da parte das Necessidades?

A semana passada Lisboa foi mais longe e transferiu o seu reconhecimento diplomático de Tripoli para Benghazi.

 

Eu compreendo que tenhamos aliados com pouca sensatez mas não posso compreender que nós próprios nos demos ao luxo de conduzir a nossa diplomacia ao sabor do vento.

Portugal tem interesses na Líbia! Se o regime de Tripoli sobreviver, os países beneficiados serão aqueles que apoiaram o regime ou se mostraram neutrais. Portugal está a tomar partido num disputa que não só não está resolvida mas na qual tem também muito a perder.

 

Que ganhamos nós em apoiar os rebeldes? Sim, a narrativa dos rebeldes é a da democracia liberal mas mesmo que eles pratiquem no futuro aquilo que pregam hoje, isso não é desculpa para arriscar tudo aquilo que tem sido construído com Tripoli até agora, em nome de ideais que a nós em nada irão beneficiar.

 

A verdade por detrás da posição de Portugal é infelizmente que o governo tem cedido recorrentemente à pressão de “aliados” que têm outros interesses no conflicto...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 12:59
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
‘Going Native’

 

Esta expressão inglesa é oriunda da antropologia. Ela descreve o modo como os cientistas a fazerem trabalho de campo correm o risco de experimentarem empatia com os povos estudados e sucumbirem à socialização com nativos. É um risco real mas mais um limite à velha máxima científica de ‘observação sem interferência’. Em Portugal Venceslau de Morais é um bom exemplo deste problema e uma das principais razões por detrás da obrigação de rotatividade dos cargos diplomáticos.

 

Hollywood e várias correntes liberais têm-se mostrado muito nostálgicas por povos não ocidentais e pré-modernos. Em películas como ‘A Missão’, ‘Danças com Lobos’, ‘O Último Samurai’, ‘Avatar’ ou ‘Rabbit-Proof Fence’, os povos nativos são mostrados como indivíduos oprimidos e inocentes face à barbárie coercivamente modernizadora dos povos ocidentais. É no fundo o velho símbolo do ‘bom selvagem’.

 

É também graças a esta perspectiva que uma boa parte das nossas sociedades olham para as revoltas pelo mundo fora como algo a celebrar. Representam um pós-modernismo saudosista da era pré-industrialização, uma possibilidade de catarse pelo colonialismo esclavagista ocidental e derradeiramente uma promessa de união fraternal global guiada por valores universais, i.e. liberdade – e unilateralmente para o ocidente – individual e jusnaturalista.

 

Claro que se há algo que une a espécie humana é a sua dualidade ética: em ‘Danças com Lobos’ é o homem branco que chacina os búfalos da América do norte mas mostrar todas as espécies erradicadas pelos ameríndios ou as florestas queimadas pelo Aborígenes já não interessa, muito tem o homem branco a aprender com as culturas rurais e espirituais (vínculo claro mas contraditório entre o abstraccionismo das práticas religiosas animistas e o do New Age anti-vitoriano e anti-patriarcal) mas nunca mostrar os aspectos mais reprováveis do feudalismo japonês retrógrado.

 

Se estes filmes ajudam à melhor compreensão de acontecimentos e sociedades que escapam à narrativa superficial dos nossos dias, eles também possuem um lado detrimental. Afinal não é como se a História possa ser alterada e apreender os acontecimentos actuais como uma oportunidade de redenção nada mais é que ingenuidade. É de espantar o quanto o discurso anti-ocidental do chamado ‘sul’ tem eco nas sociedades europeias. Mas é contra-producente aceitar culpa por eventos históricos fruto de gerações anteriores ou iludirmo-nos com a tola esperança de que só nós fomos responsáveis por fenómenos negativos e que a nossa culpabilização levará à coexistência pacífica com estes povos.

 

Quer seja Lula a propósito das mudanças climáticas, Erdogan em relação à Palestina ou Joaquim Chissano falando de colonialismo, é importante aceitarmos que a História continuará. Ela continuará apesar da preeminência Americana mas também apesar do passado Europeu – dificilmente todo ele negativo.

 

Compreendamos assim que a solidariedade com outros povos não deve ser um bem intrínseco mas sim uma prerrogativa baseada nos méritos e interesses de cada circunstância. 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 16:12
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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011
E Tudo o Vento Levou

 

 

 

Se há algo que esta crise no mundo Árabe prova, é que decididamente muito de aquilo que os media apelidam de ‘comunidade internacional’ é na verdade ‘comunidade ocidental’. A cobertura tem sido lamentável com uma clara parcialidade por parte dos jornalistas ocidentais e mesmo dos Árabes, que oriundos das classes altas e médias altas, educados em universidades ocidentais – ou com currículos ocidentais – tomam claramente o partido dos manifestantes.

 

 

Mas não nos enganemos, se as revoluções são muito populares no mundo árabe, isso deve-se não só às elites mas também aos preconceitos da dita ‘rua Árabe’. A rua Árabe é anti-americana, terceiro-mundista em política externa e mesmo antisemita. A irem em frente estas revoluções trarão regimes muito ambíguos em relação ao ocidente se não mesmo antagonistas.

 

No caso do Egipto por exemplo, as elites capitalistas que defendem a revolução fazem-no por interesse próprio pois querem que a economia Egípcia seja menos aberta. As empresas nacionais que o regime favoreceu e cultivou durante muito tempo cresceram ao ponto em que o investimento directo estrangeiro se tornou uma ameaça para o corporativismo doméstico.

Igualmente importante: as elites ‘liberais’ que neste momento apelam ao derrube dos regimes são as mesmas que se aliam aos Europeus de esquerda no anti-americanismo anti-globalização. São os descendentes dos Nasseritas que impulsionaram o Movimento dos Não-Alinhados ou a Liga Árabe – instituições que toleraram os maiores massacres da Guerra Fria mas sobretudo os maiores ataques aos interesses e valores do Ocidente. Afinal, não é a Al-Jazeera anti-Israel e anti-EUA?

 

Quem olhar para o mapa político da Europa observará que os governos de esquerda se acumulam no sul da Europa (Portugal, Espanha, Grécia). Isto não é aleatório já que o espectro político pende mais para a esquerda nos países mediterrânicos. Pessoalmente já pude observar o horror nos olhos dos estrangeiros a quem conto que comunistas e trotskistas dominam 1/5 do parlamento. Se no sul da Europa isto é tão patente, que dizer do sul do Mediterrâneo?

Evidentemente cada caso é um caso: se a revolução resultasse na Líbia, provavelmente o novo regime seria muito mais favorável ao ocidente, a crise na Jordânia não estará tão relacionada com as elites capitalistas.

 

Mas aquilo que é crucial compreender é que os regimes que resultarão destas revoluções serão muito menos favoráveis ao ocidente. Tal como as independências Árabes do pós-guerra nacionalizaram o petróleo e levaram o mundo Árabe para uma maior proximidade com o bloco soviético, também agora os Iranianos esfregam as mãos por verem os regimes que mantinham uma estabilidade pró Ocidental caírem. Não quer dizer que amanhã haja regimes islâmicos favoráveis a Teerão no poder. Mas significa sim que serão mais compreensíveis para com a República Islâmica. É muito claro que com os ditadores irá também o paradigma estratégico que nos favorecia até agora.

 

As alternativas estão a oriente. A Rússia tenta há uma década influenciar o abastecimento energético da Europa. Fê-lo a leste – mérito de Putin – e as companhias Russas persistem em continuar a mesma política no norte de África (ver Gazprom na Argélia por exemplo).

Ora é espectável que as elites terceiro-mundistas, isolacionistas e anti-Americanas prossigam as boas relações comerciais com os interesses Americanos e Europeus? É óbvio que não. E que dizer dos contractos das indústrias de defesa ou da preferência financeira das elites? Será de esperar que estas elites privilegiem ou tratem justamente os países que apoiaram os regimes prévios? A alternativa em matéria de armamento continua a ser a Ásia. O mesmo se pode dizer da moeda de referência.

 

A Turquia é um bom exemplo – até porque a sua população é mais educada e menos vulnerável ao populismo. Mesmo a Turquia, com um governo islâmico acabou por cair numa ambiguidade ocidentofóbica. É membro da NATO mas mantém exercícios militares com a China. Quer entrar para a UE mas oferece apoio à Líbia e ao Irão. Permite o projecto Europeu de pipeline Nabucco mas também o South-Stream Russo – em concorrência um com o outro.

 

Quando será que o Ocidente compreenderá que num mundo cada vez mais competitivo e multipolar não se pode dar ao luxo de perder aliados e que a democracia não traz compatibilidade estratégica mas sim frequentemente o contrário? Quando nos deixaremos do ridículo de servirmos de claque a eventos que beneficiarão todos menos nós?

 

Fechem o guarda-chuva - não dêem cobertura aos nossos rivais - ou deixem-se levar pelo temporal…



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 15:51
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
Democracias no Médio Oriente (2)

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 00:15
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
E fica tudo dito!

 

 

"Os processos de transição democrática nestes países são muito mais complexos do que uma simples leitura ideológica em torno da democracia e dos direitos humanos: há factores muito mais complexos que devem ser ponderados pela UE. Esta é sem dúvida a situação mais complexa, mais perigosa e mais difícil com que a Europa se confronta desde o fim do império soviético, provavelmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial e não podemos encarar esta situação com ligeireza, e com clichés. Temos que encarar esta situação com muito realismo face à dimensão dos problemas que temos pela frente nos próximos meses e nos próximos anos".



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 13:30
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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
Egipto: a Apologia do Silêncio

(Traduzido daqui)

 

por Patrick Porter

 

Política externa trata de valores? de fazer aquilo que é bom? Devemos simplesmente pôr de lado as nossas cautelas e apoiar a revolução democrática do Egito? Andrew Rawnsley pensa assim. E ele despreza os "realistas" nesta questão.

Esta não é a primeira vez esta semana que idealistas liberais expressam satisfação pelos acontecimentos no Norte de África, de modo a procurar a validação de que, mesmo depois dos ‘triunfos’ da sua política externa no Iraque ou com a expansão da NATO - directamente atribuíveis às suas ideias - eles realmente é que têm razão .

 

Mas eu não tenho a certeza de que política externa é a arte de se ser bom. Trata-se sim de ser prudente. Se política externa é simplesmente celebrar a nossa própria moralidade, espalhando-a pelo mundo fora, qualquer um poderia fazê-lo.

Historicamente, e agora, impõe-se um equilíbrio entre as nossas crenças e os nossos interesses. Eles muitas vezes divergem. Chama-se dilema: a tensão entre dois princípios divergentes. É de tirar o fôlego que esta distinção ainda não seja conhecida.

 

Mais concretamente: se a solidariedade com os movimentos democráticos for o nosso objectivo primordial, teríamos logicamente de apoiar a independência de Taiwan e do Tibete, abraçando o movimento democrático chinês e, automaticamente, destruindo a nossa relação com Pequim.

Se o princípio da democracia é o nosso lema, como justificar então a nossa aliança com o Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, o qual absorveu a maior parte das vítimas da Wehrmacht?

O nosso petróleo barato e seguro (que presumivelmente Andrew Rawnsley usa no seu carro) vem como resultado de relações estreitas com alguns regimes no Golfo, decididamente pouco éticos.

 

Andrew Rawnsley diz:

Estou a ser generoso ao dizer que Barack Obama, David Cameron, Nicolas Sarkozy, e o resto dos soi-disant "líderes do mundo livre" têm muitas vezes dificuldades para articular uma resposta coerente com princípios e as revoltas populares que se espalharam a partir de Tunis para o Cairo.

 

Têm e por boas razões: Abertamente abraçar uma oposição democrática noutro estado pode ter consequências muito más. Em primeiro lugar, como vimos no Irão, décadas de apoio aberto e claro aos dissidentes iranianos tem sido politicamente tóxico para aquelas pessoas valentes, pois fere-os com a acusação de que eles são uma quinta-coluna Americana. Um dos motivos pelos quais os dissidentes no Egipto conseguem legitimidade é o facto de não serem conotados como os "nossos rapazes".

Em segundo lugar, temos grandes interesses na região que seria moralmente irresponsável ignorar, como a continuação do acordo entre o Egipto e Israel, o chokepoint Suez, e um medo da anarquia muitas vezes na esteira de novas democracias. Não é frívolo parar para pensar, neste momento histórico.

Em terceiro lugar, o governo de Barack Obama nos bastidores tem actuado muito responsavelmente, usando a influência que tem para conter qualquer violenta retaliação ou represália, e tentar incentivar as reformas.

 

... o MNE  britânico deve ter uma opinião sobre se o governo democrático é sempre preferível à ditadura.

 

... e depois de pensar sobre como e que dizer, o que serão as consequências e se podemos aplicar este princípio de forma consistente. Chama-se ‘sentido de estado’ e está muito longe dos debates das salas de aula no Liceu. É suposto o MNE pronunciar-se também sobre a necessidade de democracia e direitos humanos na China, e os nossos interesses que vão para as urtigas?

 

O presidente Bush II há alguns anos atrás, insistiu em eleições livres e numa democracia na Palestina e presenteou-nos com um governo violento e anti-semita – o Hamas. A Austrália insistiu num referendo sobre a independência de Timor Leste, o que resultou em 1400 mortos, centenas de milhares de deslocados, a destruição das infra-estruturas do país, e uma orgia de violência na televisão e mutilações pelas milícias.

 

Foi só quando Hosni Mubarak começou a recuar que os líderes ocidentais começaram a sugerir que deveria haver uma transição para a democracia.

 

Demonstrando que o movimento democrático Egípcio é muito eficaz sem o nosso apoio retórico. Porque é que tudo tem a ver connosco?

 

Esta escola "realista" da política externa sempre foi um pouco absurda com a sua alegação de que as ditaduras oferecem estabilidade, um argumento especialmente difícil de sustentar numa região tão dilacerada por conflitos como é o Oriente Médio.

 

Na verdade, os realistas mais astutos estão bem cientes dos problemas que os ditadores podem trazer, mas também conseguem discernir que as alternativas podem ser o caos. Incrivel sobretudo depois do Iraque: alguns idealistas liberais precisam de ser relembrados de que a alternativa à ditadura pode ser uma anarquia muito mais brutal. Eu prefiro viver na Arábia Saudita do que na Somália. O melhor realismo no entanto, vê o contexto e defende uma nova grande estratégia que nos livre da região no longo prazo, justamente para que não estejamos implicados nessas crises e forçados a fazer escolhas difíceis sobre elas.

 

Concedendo isso aos "realistas", devemos então fazer-lhes uma pergunta: Estão eles a dizer que os Árabes não são permitidos aspirar à democracia, temendo que a revolução possa resvalar (como se fosse o mesmo país, mesma cultura e tempo) do mesmo modo que o Irão em 1979?

 

Não, nós (ou pelo menos eu) não dizemos isso. A democracia liberal é uma grande coisa. Estamos apenas cépticos sobre a nossa capacidade de projectar noutras sociedades a nossa via, nos nossos prazos. Levar liberdade ao Egipto cabe aos egípcios. Se houver a possibilidade de uma primavera árabe, o mais sensato é não intervirmos.

Qualquer pessoa com algum sentido de história sabe que o caminho para a democracia liberal pode ser instável e sangrento. A Grã-Bretanha levou séculos para progredir desde os reis tirano como Henry VIII, até ao governo parlamentar representativo. Os americanos mataram-se uns aos outros numa guerra civil que causou mais mortos entre eles do que qualquer outro conflito. O Reino Unido e os EUA ainda têm que alcançar um estado de perfeição democrática. Mas também sabemos algo sobre a democracia, algo que foi bem expresso por Winston Churchill: é a pior forma de governo - com excepção de todos os outros.

 

De facto a Grã-Bretanha e os Estados Unidos tiveram as suas guerras civis, o que acabou por produzir um governo constitucional. No entanto, de acordo com a mundivisão de Rawnsley a comunidade internacional não deve pactuar com atrozes guerras civis, mas sim intervir com a sua benevolência muscular e salvar os inocentes. Nesta perspectiva, à América teria sido negada a sua União, e à Grã-Bretanha o seu sistema parlamentar de governo; se os estados não devem ser autorizados a ter as suas guerras civis então devem ser abortadas as evoluções políticas que daí resultam.


Democracia é o melhor regime na construção de sociedades estáveis, prósperas, duradouras e tolerantes a longo prazo. Nunca houve um conflito armado entre duas democracias verdadeiramente estabelecidas.

 

Sim, houve. Na Guerra Civil dos EUA mencionada antes, entre a União democrática e a Confederação. No nosso tempo, Israel democrático travou uma guerra em Gaza, contra o Hamas democraticamente eleito. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha e seus aliados declararam guerra à Finlândia democrática devido à sua invasão do nosso aliado autocrático  União Soviética. Na Antiguidade, Atenas democrática não hesitou em combater  outras democracias durante a guerra do Peloponeso. E ainda há a guerra Anglo-Boer.

Assim, "nunca" parece-se muito mais com "algo frequentemente". Os EUA e a Grã-Bretanha democráticos no século postbellum XIX chegaram muito perto, e ter um tipo de regime semelhante não os impediu de fazer planos de guerra um contra o outro.


É tempo de os líderes do "mundo livre" desatarem o nó na sua garganta e afirmarem-no com clareza cristalina.

 

Como alternativa, talvez seja tempo de os espectadores idealistas abandonarem o seu conceito amador de diplomacia, as suas teorias a-históricas de "paz democrática", e seu moralismo adolescente, e reconhecer que por vezes é mais sensato ficar calado.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:10
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011
Médio Oriente: Democracia e um castelo de cartas

 

 

 

 

Desde as revoltas na Tunisia e no Egipto que andamos a discutir acantonados em dois cantos: os "Pró-Democracia" porque é o melhor e resolve instantaneamente todos os problemas do Médio Oriente como uma panaceia milagrosa e os "Pró-realismo" porque se mantém o status quo, porque os árabes são incapazes de ser democráticos (a "excepção árabe").

 

Honestamente, esta discussão está me a cansar porque, na minha opinião, estão a escapar a ambos os lados alguns pontos.

 

Somos etnocentricos. É normal: qualquer povo acha que a sua cultura é melhor que a do vizinho. É natural, é uma consequência do sentimento de pertença a um grupo. E no nosso etnocentrismo europeu já nos esquecemos do tempo que demorou a tornar a democracia estavel na Europa.

 

A democracia, enquanto regime, existem desde 500 A.C. Agora pensem bem quanto tempo demorou até que os regimes da Europa Ocidental deixassem de oscilar entre Democracias frágeis, Regimes Populistas e Ditaduras? Até aos anos 70 a Peninsula Ibérica e a Europa de Leste não viviam em Democracia. O Muro de Berlim cai em 1989... D.C! Quase 2500 anos para termos uma Europa Democraticamente estável e, mesmo assim, há sempre dúvidas em relação a dois ou três países.

 

A lição é que a democracia não se faz da noite para o dia. Não estou a dizer que outras regiões vão demorar 2500 anos a chegar lá. Fizemos muitos erros de percurso. Estou a constatar um facto que nos esquecemos e tomamos por adquiridos: há requisitos institucionais, culturais e económicas para a implantação duma democracia.

 

Uma classe média forte e maioritária, instituições naturalmente fortes e ancoras (e pró-democráticas) e uma cultura propicia a isso. Na Europa, a cultura Judaico-Cristã é propicia à democracia. Na consolidação da Democracia, um grande factor foi que o Vaticano deixou de fazer contra-corrente à democracia. Uma instituição ancora deu assim um dos amparos necessários. E tivemos de esperar até ao pós-2ª Guerra Mundial para termos classes médias dominantes.

 

Democracia é um regime curioso. É o regime mais suicida que existe, extremamente vulnerável a populismos e manipulações por dentro do sistema se não correctamente ancorado. É frágil.

 

Existem estas condições no mundo árabe? Pode a democracia prosperar, por exemplo no Egipto? Se calhar é melhor não embandeirar já em arco, porque não é liquido que assim o seja. Para mim, é um bom sinal que a revolução seja promovida pelos próprios egípcios. Democracias não se fazem por "decreto" (Bushistas, é favor olhar para o Iraque, sff). Mas, um pouco de calma e sangue frio na "panaceia milagrosa": Um país com 40% de pobreza, fortes instituições religiosas que, naquela religião, não são pró-democráticas. Acreditam na Sharia, não na auto-determinação e comando de um povo e grupos cuja a principal aspiração é o nacionalismo árabe, dão bases muito frágeis. A revolução Iraniana também começou bem: expulsar o Sha, reduzir a Pobreza de um povo face a uma elite. Já vimos como acabou esse filme: substituíram um ditador por um "profeta de Deus".

 

A segunda fonte de etnocentrismo nesta discussão é o facto de, aqui na Europa, e no Ocidente em geral, já não temos o habito de interferir com os nossos vizinhos. Sim, a Real Politik e esferas de influência existem, mas depois de duas Guerras Mundiais aprendemos que há coisas que é melhor não fazer. Ninguém contesta, por exemplo, as fronteiras actuais (não, não estou a referir-me a Olivença ;)). Portugal e Espanha não têm despiques navais sobre a soberania das ilhas desertas (embora tenhamos despiques nos livros de geografia). Não nos passa pela cabeça.

 

E, logo, achamos que no Médio Oriente há-de ser igual. O que não é. O Médio Oriente está mais proximo da Europa entre a Paz de Westefalia e o Congresso de Viena. Há fronteiras, mas nada é escrito em Pedra. Há Direito mas, vale tudo. Todos contra todos a lutar pela Hegemonia. E neste clima, a paz faz-se à base de equilíbrios regionais. É um processo evolutivo: não é amanhã que eles vão acordar e pensar "Bem, não preciso de tentar ser hegemónico no meu cantinho". Vai demorar, vai exigir conversações, progresso gradual, transições e sim, eventualmente Democracia e auto determinação do Povo. Nenhum regime é estável com mais de um quarto do povo a passar fome. Tal como exigiu na Europa. Foram precisas duas Guerras Mundiais fratricidas para a França e a Alemanha se entenderem, por exemplo.

 

O Médio Oriente é um castelo de cartas! O Irão luta, como sempre lutou em toda a sua história, pela Hegemonia da Região, e hoje fa-lo com motivações militares e religiosas. Normalmente a forma de o conter é deter o Iraque. Bem, Bush tratou de lhes dar o Iraque numa bandeja de prata. Siria e Libano são fantoches. Um continuo até ao Mediterrâneo. Do outro lado, Arábia Saudita, os pequenos reinos árabes na Peninsula, e a Jordânia a contrabalançar. Ninguém quer um Irão Hegemónico. Israel é, e sempre o foi historicamente, o ponto contacto e confronto, aquele pedaço de terra chave. O Egipto faz de arbrito e fiel da Balança. E é estratégico: Canal do Suez! A Turquia passa de pró-Ocidental para tentar ser o "Líder dos Arabes", o que implica que quanto mais caótico o Egipto estiver melhor. E nenhum destes senhores têm qualquer problema em interferir, directa e indirectamente, nos assuntos do vizinho. Seja porque meios for: e para alguém a passar fome, a religião é uma arma quase letal.

 

Gostava de ver regimes democráticos naquela região. Gosto de ver os povos a quererem mais. Mas temo que as bases não sejam fortes o suficiente para que os regimes prosperem e não termos regimes pseudo-democráticos. Como a Russia, Venezuela, Balcãs! E, se a Venezuela é chata, imaginem várias "Venezuelas Árabes" com 70 por cento de todas as reservas de Petróleo e Gás Natural e uma das maiores vias portuárias do mundo (em especial, para a Europa), com entrada para o Mediterrâneo, motivada militar e religiosamente. Algum realismo para temperar os ânimos exige-se.

 

Estamos a falar de coisas muito sérias aqui com consequências potencialmente graves. Que o Médio Oriente vai mudar, vai. Agora, para onde, ninguém pode saber, e os riscos são elevados.

 



uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 11:29
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011
A Tragédia de Gamal Mubarak

 

O herdeiro aparente ao trono do Faraó, parece ter sido posto de lado definitivamente. Esta é uma perda importante para o Egipto pois Gamal era a mais forte esperança para a modernização do Egipto, desde Sadat.

 

Esta modernização começou com o golpe dos ‘oficiais livres’ contra o rei Faruk, liderado por Gamal Nasser. Nos anos 50 no entanto, a realidade era outra: ainda que os Europeus perdessem o Egipto, os Americanos podiam tomar o seu lugar, Israel não era ainda uma potência e tanto a Turquia como o Irão eram aliados do ocidente. Mas Nasser acabou por alinhar com a URSS, a única potência que apoiava a sua reivindicação ao canal do Suez. Ainda que o canal tivesse sido construído por Ingleses e Franceses, a sua administração fosse internacional, e a sua utilização fosse livre, Nasser fez do Suez uma bandeira nacional e viria a apropriar-se dele coercivamente – seguindo as pisadas aliás de muitos outros países do 3º mundo, como por exemplo os fundadores da OPEP. Nasser foi um líder carismático mas não eficiente. A nacionalização do Suez valeu-lhe uma guerra e uma humilhação. O seu belicismo para com Israel valeu-lhe uma segunda dose, para não falar da intervenção no Yemen. Economicamente, o seu historial também não é digno de apreço ao ter deixado a economia em pior estado do que a tinha encontrado.

 

O sucessor Anwar Sadat foi uma mudança diametral para o Egipto: fez-se a paz com Israel, o Egipto garantiu o Sinai e o Suez, e a economia prosperou. Infelizmente para Sadat, os grandes reformadores são frequentemente vítimas dos ‘velhos do Restelo’ e no seu caso, a sua coragem valer-lhe-ia a morte por assassinato. Apesar da maior estabilidade e crescimento económico que Sadat trouxe, o seu governo sofria de impopularidade devido à paz com Israel – algo que a sociedade Egípcia antisemita e anti-ocidental rejeitava – e à situação económica. Apesar da prosperidade, a sociedade Egípcia permaneceu pobre e cresceu a desigualdade. Mas esta evolução não pode ser atribuída a Sadat e ao seu governo pois todos os países mediterrânicos sofrem da mesma tendência para o abismo social. Se no sul da Europa a protecção económica da Europa do norte tem ajudado a minorar o problema, o médio oriente não tem tanta sorte e todas as sociedades Árabes padecem da desigualdade social. Certamente que esta desigualdade é incrementada pela corrupção e pelo centralismo mas ela é ainda assim endémica.

 

Mubarak continuou as políticas de Sadat e conseguiu manter a influência geopolítica do Egipto assim como a estabilidade e o crescimento económico. É importante compreender que nenhum governo é capaz de lidar com um crescimento demográfico explosivo como aquele que tem vivido o Egipto – e que é prova da sociedade próspera que é a república árabe. Este crescimento assim como a crise financeira, contribuíram em muito para o aumento do desemprego. Juntando a isto o desgaste temporal do regime (sublinho que é o regime militar e não Mubarak, pois durante a ditadura de Nasser, as multidões nas ruas aclamavam este último; não exigiam a sua saída) e a inspiração da revolução Jasmim era uma questão de tempo.

 

A acontecer, a queda do regime de Mubarak será uma tragédia para o Egipto, uma sociedade em muitos aspectos livre, tolerante e próspera. Durante os anos 90 e 00, o filho do ditador, Gamal Mubarak e a sua equipa conseguiram reformar a administração e a política económica do Egipto e levaram o país aos mais altos índices de crescimento económico da região, um feito notável se atendermos à máquina burocrática do Cairo e ao peso do regime.

 

É preciso manter em perspectiva todos os factos. El-Baradei não é um homem carismático e mal se faz ouvir quando se dirige à multidão manifestante. Ele seria uma má aposta para liderar um executivo de coligação e manter fora da ribalta os extremistas da Irmandade Muçulmana – assumidamente anti-ocidental, à excepção da sua paixão pela democracia, que sabe lhe garantirá o governo em caso de eleições livres. Ainda que toda a sociedade esteja cansada do regime, muitos dos que se manifestam no Cairo e em Alexandria são as elites urbanas com qualificações e não a plebe mais empobrecida, pois essa sentiu bem o efeito das reformas do governo de Mubarak – quanto mais não seja na prole mais numerosa que se dá ao luxo de sustentar.

 

Como seria um Egipto sem regime militar e com governos liberais e islamitas no governo? Seria um país instável, ambíguo e em dificuldades económicas. Certamente que tanto liberais como islamitas tentariam exacerbar programas sociais para agradar às camadas mais pobres – se por mais nenhuma razão para legitimar o novo regime e condenar o predecessor. Sem a supervisão presidencialista no entanto, isso rapidamente levaria o Egipto ao endividamento. Se é certo que a corrupção diminuiria, também é verdade que o aparelho estado cresceria a olhos vistos. Uma justiça mais garantista e menos arbitrária traria mais equidade legal mas também uma maior lentidão e menos atracção de investimento directo estrangeiro. Sem a confiança de Washington, o Egipto veria também a sua influência regional diminuir. A presença da Irmandade Muçulmana et al no governo suscitaria a desconfiança de regimes outrora aliados e se o Cairo se quisesse distanciar dos EUA teria apenas a Turquia, o Irão e a Rússia para onde se virar. Todos cobrariam caro o apoio, não teriam tanta capacidade de investimento ou de apoio militar e todos significariam uma ‘partilha’ do poder geopolítico do Egipto no médio oriente.

 

Isto não partindo da possibilidade de que a Irmandade torne o Egipto numa nova Líbia…

 

Gamal Mubarak representava uma possibilidade pequena de que o Egipto pudesse continuar a prosperar e a liberalizar. Talvez até maior respeito pelos direitos humanos e uma contribuição para a resolução definitiva do processo de paz. Esta revolução, a surtir efeito, trará apenas mais governo e mais irresponsabilidade no executivo.

 

Teremos que assistir a mais um ciclo Nasser antes que os governantes populistas do Cairo se apercebam que as políticas do anterior regime eram afinal sensatas…



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:57
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
Viva a Liberdade...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 20:37
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010
PM - Um Exemplo de Democracia

 

 

Mérito aonde é devido, venho por este meio congratular os Portugueses pela excelente escolha que fizeram há um ano na reeleição do PM José Sócrates e na recondução do governo PS.

 

Muitas polémicas e controvérsias se têm desenvolvido desde então mas o balanço geral é francamente positivo para a democracia Portuguesa. Bem sei que este fórum aonde escrevo sofre de considerável preconceito anti PM e anti governo PS mas não posso deixar de reconhecer que José Sócrates se revelou uma verdadeira mais-valia para a democracia Portuguesa.

 

As eleições legislativas de 2009 ficarão para a história desta humilde república determinado e esperançoso país como um marco do advir da genuina democracia representativa.

 

Setembro de 2009 viu os eleitores Portugueses dividirem-se entre duas alternativas de governo: uma não prometia nada, invocava sacrifícios e divorciava-se de uma visão e de um projecto para o futuro do país, abdicava também de incutir no espírito dos Portugueses a inspiração necessária à alavancagem colectiva para um futuro melhor. A outra era o seu oposto na clara visão e pormenorizado projecto para os destinos nacionais, na coragem e optimismo do seu jovem e enérgico líder, o qual prometia aos Portugueses que quaisquer que fossem as circunstâncias os Portugueses podiam confiar na determinação do governo em não ceder a pressões derrotistas, em resistir aos lobbies do capitalismo selvagem e a não abdicar das conquistas de Abril.

 

Um ano depois, José Sócrates cumpriu com a sua palavra e serviu os Portugueses honradamente. Hoje mais do que nunca o Choque Tecnológico faz sentir o seu impacto: as crianças Portuguesas entram desde tenra idade na era da informação com a tecnologia dos computadores Magalhães e os lares Portugueses pagam menos pela energia que consomem pois esta provém de fontes renováveis. Estas últimas também possibilitam que o país corte no seu défice da balança comercial pois já não tem de importar energia. As 'novas oportunidades' possibilitam que todos os Portugueses tenham acesso à educação em condições iguais e o investimento no emprego compensou os despedimentos ilegais do patronato ganancioso.

 

Mas sobretudo, este governo e o PM Sócrates, no meio de uma crise imposta à nossa república por inconsequentes manobras de capitalismo de casino vindas da América, conseguiu preservar o estado social face ao assalto dos abutres da finança mundial.

Aumentando os impostos aos privilegiados - cidadãos de segunda que vivem às custas dos honestos e honrados trabalhadores Portugueses - e recusando cortar na despesa e mutilar o estado-social violando a Constituição que mantém os valores da revolução dos cravos, o PM Sócrates corajosamente enfrentou as pressões da direita cúmplice do patronato e as imposições de Bruxelas, para conseguir preservar os nossos direitos.

 

Contra tudo e contra todos José Sócrates preferiu manter-se fiel ao seu eleitorado: o sonho vingou, os direitos foram salvaguardados.

 

Sócrates é sim um ícone da democracia, um exemplo a seguir para as gerações vindouras em termos de integridade democrática e um franco símbolo da vontade do povo plebiscitado na condução dos destinos nacionais. A sua idoneidade e sentido de serviço deixarão a sua marca na história de Portugal e atrevo-me mesmo a dizer que ele terá sozinho concretizado o dealbar de uma era de governos consequentes com a vontade do seu eleitorado.

 

O próximo governo não mais terá um cheque em branco dos Portugueses para não cumprir com as suas promessas. A partir de agora o povo chama os seus governantes á responsabilidade.

Malogrado líder de oposição que não queira honestamente servir os Portugueses e concretizar os seus sonhos!

Bem vindos à nova era, à nova república, bem vindos à democracia.

 

 

 

 

 

 

 

Francamente custa a crer que alguém tenha escolhido votar de todo por quem não queria fazer cumprir a vontade dos Portugueses...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 23:57
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
É urgente a restaurar a Democracia

 

Em tom de brincadeira, escrevi há poucos dias no facebook este desabafo:
“Resta saber se o Jornal Sol continuará a ser publicado nos próximos tempos. Espero que não seja mais um problema a ser resolvido.”
Uma notícia de última hora dá conta que uma Providência cautelar tenta impedir publicação de mais escutas no semanário "Sol".
O que mais se seguirá? Não terão estes senhores vergonha na cara? Achar-nos-ão estúpidos? Basta!

 



uma psicose de Margarida Balseiro Lopes às 14:07
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Perigoso demagogo

 

“Queremos que sejam proibidos os despedimentos empresas que têm resultados”, anunciou Louçã, depois de lembrar que o desemprego pode chegar aos dez por cento este ano e de criticar atitudes de empresários como a que atribuiu a Américo Amorim que, segundo Louçã, teve “dez milhões de euros de lucro” e pretende despedir 193 trabalhadores “preventivamente”. Louçã considerou que o país faria “melhor em despedir estes patrões”e defendeu que “o capital nada faz, é o trabalho que faz”, rematando: “Tiveram resultados? Tiveram lucros? Foi o trabalho. É tempo de devolverem.”
Estas declarações foram proferidas na Convenção do Bloco de Esquerda que decorre este fim-de-semana em Lisboa.
Aprendemos a viver em liberdade e muitos de nós não assistimos às atrocidades cometidas no PREC, como o estrangulamento da iniciativa privada e uma crescente “obesidade” do Estado na economia.
E, de Louçã já ouvimos muitas tontearias e demagogias. Porém, numa altura em que vivemos uma grande crise económica que se tende a tornar numa profunda crise social é preocupante e confrangedor assistir a este tipo de discurso.
Há muito que vejo em Louçã um perigo para a democracia.

 



uma psicose de Margarida Balseiro Lopes às 22:19
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