Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012
Porque vale a pena lembrar


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 22:45
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011
Mérito Aonde Ele é Devido

Luís Amado é infelizmente um dos rostos dos governos Sócrates. Um dos ministros mais populares, um dos poucos resistentes às remodelações e um dos que desempenhou bem o seu cargo, mas um ministro Sócrates.

Não se pode dizer que Luís Amado foi um Ministro da Defesa ou um Ministro dos Negócios Estrangeiros extraordinário mas certamente que esteve à altura do cargo.

 

Aquilo que mais o distingue dos seus vários colegas no Conselho de Ministros foi a sua recusa em deixar-se levar pela deriva populista de Sócrates e restantes correligionários. Este seu sentido de Estado revelou-se quando decidiu avançar com o dossier dos submarinos por exemplo. Ainda que a táctica de usar as práticas obscuras do processo de aquisição como contra-peso retórico contra a direita tenha sido eleitoralista – quer tenha sido ideia de Sócrates ou Amado – a verdade é que resultou em prol do país.

 

Amado, não seguindo o exemplo do seu superior hierárquico, teve a coragem para enfrentar crises e polémicas sem recorrer à mentira ou à demagogia. Assim procedeu no caso dos voos da CIA e mais recentemente aquando do início da dita ‘primavera Árabe’ – quando sozinho apareceu diante das câmaras para defender uma posição de cautela e anti-voluntarista Europeia para com os levantamentos no mundo Árabe.

Referir as cimeiras UE-África, UE-Brasil, Tratado de Lisboa, Cimeira da NATO ou eleição para o Conselho de Segurança como mérito seu seria ir longe demais. Como MNE, estes eventos foram circunstanciais. E não nos podemos esquecer que os MNEs são geralmente personalidades populares devido à sua imunidade natural a controvérsias e politiquices nacionais.

 

Há ainda um outro aspecto a referir: a sua independência do PM Sócrates que o levou a fazer declarações contraditórias com a linha oficial e fraudulenta da máquina de propaganda Socialista.

 

Amado seria excelente se tivesse implementado uma doutrina operacional e estratégica, tanto para a Defesa como para os Negócios Estrangeiros. Cabe respectivamente às chefias militares e aos diplomatas obedecer a ordens, cabe aos políticos justificá-las no longo prazo. Ora ainda que Amado não tenha cometido um qualquer erro gravoso, a verdade é que a prossecução da diplomacia económica de Portugal foi feita por todas as embaixadas, sem grandes critérios ou prioridades visíveis. A verdade é que a mesma falta de prioridades garantiu aquisições desnecessárias de equipamento para o Exército. Mas nestes pontos, Amado não foge à regra de todos os demais MNEs e MdDs.

 

Apesar de tudo, seria sensato que um novo governo inclusivo e de união nacional ponderasse seriamente manter Amado no governo. Seria um gesto magnânimo em relação a uma esquerda debilitada e condenada a longos anos de oposição e revelaria o sentido de Estado de alguém que aprecia a continuidade daqueles que puseram o interesse nacional acima de tudo. Se não como MNE por ser um cargo de demasiado valor político, porque não novamente na Defesa?



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 22:17
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011
Wikileaks - Portugal

 

 

Os telegramas do Expresso eram suposto cair como uma bomba na sociedade Portuguesa. Mas isso não aconteceu apesar da grande cobertura que mereceram por parte dos telejornais. Talvez porque os Portugueses estão fartos de escândalos, talvez porque o conteúdo não era propriamente bombástico – pena que os que em Portugal deram grande atenção aos 'escândalos' prévios da wikileaks tenham agora acordado para a realidade de que eles transmitem opiniões e impressões, e não factos. Vamos a esses:

 

1 – Demasiadas altas patentes – Isto é indiscutível. Sendo um país pequeno e em paz, a quantidade de generais e almirantes é de facto demasiada. Consequência inevitável de um Ministério da Defesa gerido à la função pública.


2 – Os oficiais gostam de ter 'brinquedos caros' – Sim e não. O Sr. Embaixador norte-Americano deve estar familiarizado com o provérbio inglês 'Those under glass roofs, shouldn't throw stones'. Pois, é que os EUA quererem passar lições de moral a outros países por gastarem demais em defesa é no mínimo bizarro.


2.1 – Mas será então que os nossos gastos são mal aplicados? Aqui já concordo mais com o embaixador. Um excelente exemplo de aquisições feitas exclusivamente para agradar a chefias, foram os blindados Leopard 2 comprados em segunda mão à Alemanha. Bons tanques de batalha mas inúteis a Portugal. Não só não teriam hipótese de sobrevivência num qualquer eventual conflito na península como não temos nem navios nem aeronaves para os transportar para qualquer outro teatro de guerra – não que o quiséssemos fazer pois intervenções a grande distância exigem unidades altamente móveis e ligeiras, e não tanques de batalha pesados. E igual pertinência teria tido o projecto de trazer helicópteros de ataque para o Exército.


2.2 - Mas não são sempre os EUA que se queixam que os Europeus contribuem pouco para a NATO? Se calhar estavam à espera que os países apenas adquirissem aquilo que fosse complementar às forças armadas Americanas...
Não vi o embaixador a queixar-se de Portugal gastar dinheiro em mobilizações que em nada estão relacionadas com o seu interesse nacional: Que foram F-16 Portugueses fazer para a Lituânia? Ou para a Guerra do Kosovo antes disso? GNR no Iraque? Tropas no Kosovo?
Pois, esses gastos já não são supérfluos...


3 – Fragatas Americanas eram mais baratas – Pois eram, mas como o conhecido blogue de pessoal da marinha diz e bem, também exigiriam tripulações mais numerosas que as holandesas. Depois há sempre o pequeno pormenor de que as aquisições militares também incluem uma componente política e em nome da redundância, Portugal não considera sensato estar dependente exclusivamente de um país para o fornecimento de armamento – sendo que a Força Aérea já depende quase exclusivamente de material Americano e boa parte do exército.


4 – Submarinos eram supérfluos – Interessante como havia duas entidades a desencorajar Portugal de adquirir os submarinos: o Bloco de Esquerda e Washington...
A marinha não podia ter sido mais clara: os submarinos são a principal arma de dissuasão de que Portugal dispõe. O processo de aquisição pode ter sido oneroso e mal conduzido mas a necessidade de Portugal poder operar submarinos quando tem interesses a defender por todo o Atlântico e a maior ZEE da Europa, está para além de qualquer crítica.

 

Finalmente, durante as últimas décadas Portugal tem sempre contado com armamento antiquado, pelo que modernizações e actualizações tecnológicas são tão mais prementes quanto são raras. É pena que tenhamos que gastar tanto dinheiro em submarinos numa altura de crise, é ainda pior que não se tenha feito antes.

A única justificação para Portugal não ter melhores meios é a sua estagnação económica. Gastamos apenas 2% do PIB em Defesa, muito abaixo das nossas necessidades, bem abaixo dos outros países da NATO e apenas acima dos países de leste – os quais não investem na sua maioria em meios navais. Esta é a realidade.

 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 01:14
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
Um Apelo à Razão

 

À medida que a crise perdura e se alastra, governos por toda a Europa apressam-se a cortar nas despesas. Que o leitor não tenha ilusões que os cortes vão afectar os sectores verdadeiramente responsáveis pelo despesismo irresponsável. Não, não são as gratificações sociais insustentáveis que nos endividaram que vão ser afectadas. Como já tive oportunidade de criticar, o PS foi eleito para fazer o trabalho que a direita ‘neoliberal’ não pode fazer por falta de credenciais socialistas mas o populismo socrático – incontestado pela estrutura PS – nem o sentido de estado necessário à sustentabilidade do país, tem.

 

Não, por toda a Europa a tendência é a mesma, os cortes vão afectar sectores que em nada contribuem para o despesismo imparável mas que eleitoralmente são menos ‘problemáticos’. Um deles é a defesa. Por muito que admire Merkel e Cameron, a decisão de reduzir dramaticamente o orçamento da defesa é uma medida de puro eleitoralismo. A Europa já está em termos mundiais abaixo da média de gastos em defesa e os novos cortes revelam desprezo por um sector que é estratégico para a soberania e continuidade do Estado. O termo ‘estratégico’ deveria ser apreendido pelos políticos como exigência de coerência e planeamento de longo prazo e não como sacrificável a curto prazo.

Gastos relacionados com o sector da Defesa são um investimento nacional. A diplomacia Portuguesa foi crucial para a independência de Timor-Leste mas se a marinha e o exército para lá não tivessem sido mobilizados será que Portugal teria a presença económica que tem actualmente? Provavelmente não.

 

 

O que Portugal precisa

 

 

Se houver uma crise na Guiné-Bissau e Portugal não puder enviar uma fragata como aconteceu nos anos 90, será que a UE concorda em deixar a Portugal a organização das cimeiras UE-África?

 

Portugal precisa de mais investimento em Defesa. Precisamos de um terceiro submarino de modo a preservarmos a nossa dissuasão militar – se não tivermos um submarino em permanente actividade, esta praticamente não existe – precisamos de uma fragata adicional para garantir a permanência de duas em alto mar em simultâneo – relembro que temos a 11ª maior ZEE do mundo – e precisamos de um navio multi-funções para podermos intervir com meios logísticos em caso de catástrofes naturais ou situações de emergência nas nossas áreas de interesse nacional.

Escrevo sobre esta matéria porque já conheço o nosso PM assim como o nosso Ministro da Defesa. O primeiro sempre se apressa a repetir as tácticas políticas de outros países, o segundo deve ao primeiro o seu cargo.

 

Já aqui tive a oportunidade de expressar o meu cepticismo – para usar um eufemismo – nesta equipa. Resta-me apelar à razão para que numa altura crítica o governo – e a oposição… – não cedam a pressões eleitoralistas e compreendam que tal como demora uma década a adquirir um vaso de guerra, também demora uma década penar sem um.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 00:26
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