Sábado, 12 de Janeiro de 2013
Cortes na Despesa ou Aumentos de Impostos?

Henrique Raposo, no Expresso, põe a nu a infantilidade da Esquerda:

É a coisa mais cansativa do debate em Portugal: a falta de coerência, a falta de coragem para se assumir as consequências da escolha x ou y. As pessoas, organismos e partidos que estão a berrar contra os cortes propostos pelo FMI também gemem contra o aumento de impostos. Gritam contra tudo, querem tudo, querem uma coisa e o seu contrário, querem manter ou aumentar a despesa, mas, ora essa, são contra mais impostos. Vamos lá ver se nos entendemos: esta boa gente pode criticar à vontadinha os cortes, mas, depois da gritaria, tem de ser consequente. Caso contrário, esta turma indignada entra no terreno do populismo. O que é o populismo?É a aldrabice política que diz às pessoas aquilo que elas querem ouvir. E ainda por aí muita aldrabice travestida de “defesa da Constituição”.

Se quiser ter um mínimo de coerência, a tribo do não-me-toques na despesa tem de responder a duas questões. Primeira: se grande parte da despesa do Estado é mantida pela dívida, como é que vamos manter essa despesa num cenário marcado pela escassez ou ausência de crédito para o Estado português? E imaginemos um cenário pós-troika: sem o professor alemão na sala, vamos voltar a emitir dívida como um bulímico? Vamos repetir a receita Sócrates, isto é, aumentar a dívida pública em 93%?
E como é que se governa à esquerda sem um aumento da dívida, isto é, sem uma crescente dependência dos mercados? Até hoje ninguém respondeu a isto.

Segunda questão: é possível manter os níveis de despesa (que aumentam automaticamente devido aos direitos adquiridos) sem um aumento de impostos? Não, não é possível. Lamento, mas a matemática limita o livre-arbítrio nestas matérias chatinhas. Se quiser ser honesta intelectualmente, esta boa gente tem de defender um aumento massivo de impostos para a classe média. Sim, para toda a gente. Não me venham com a história dos ricos: se expropriássemos neste momento as maiores fortunas do país, ficaríamos com dinheiro para pagar, sei lá, o buraco das empresas de transportes públicos de Lisboa e Porto. E o resto? Quem pagava? Depardieu? Portanto, se não quer cortes, se acha que o Estado está ótimo, a tribo da gritaria só tem uma opção política respeitável: afirmar que um aumento brutal de impostos é um bem em si mesmo. Na política, o livre-arbítrio tem limites, porque as escolhas que fazemos têm sempre consequências, mesmo quando as pessoas recusam vê-las. Diz que é a vidinha.

Também já houve uma altura em que eu pensava que era possível debater com a esquerda.
Mas depois aprendi a minha lição. Hoje limito-me a escrever para pessoas que saibam somar.

O que me exaspera nesta questão é que enquanto se perde tempo a falar no bê-á-bá àqueles seres primários de punho no ar, não se debatem temas muito mais relevantes sobre a futura evolução do Estado nos próximos anos. Como:

  • Estamos dispostos a abdicar, como sociedade, de parte da nossa liberdade para ter uma sociedade mais segura e securitária? Até que ponto?
  • Como vamos ultrapassar a completa inversão da pirâmide demográfica ou, caso achemos essa inversão aceitável, como nos vamos adaptar a ela?
  • Sabendo à partida que há cada vez mais consumidores com acesso aos mercados internacionais, como vamos adaptar-nos a um mundo com menos recursos naturais?
  • A Estratégia de Lisboa para a Competitividade falhou. Como vamos nós tornarmo-nos mais competitivos e responder à ameaça económica asiática?

E por agora isso passa completamente ao lado do pensamento do cidadão comum…



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 11:30
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