Domingo, 15 de Agosto de 2010
Cultura Portuguesa = Vantagem Competitiva

 

Portugal não tem muitas vantagens competitivas. Os nossos solos não são particularmente férteis, temos uma topografia acidentada, país pequeno e condição geográfica periférica.


Recentemente temos potenciado o nosso clima através do investimento nas energias renováveis mas há um outro factor que faz de nós competitivos: a nossa cultura.


Eu que passo a vida a pregar que Portugal não possui a mentalidade escandinava e a respectiva ética protestante, e que portanto é excusado manter-se a esperança na industrialização do país ou na inovação tecnológica massiva como bases de construção da economia, eu venho agora dizer que nem tudo na nossa cultura é negativo.

De facto a nossa coesão nacional e as nossas tradições, ainda que frequentemente ignoradas pelos especialistas e pelos deputados no parlamento - que anuem a toda a legislação oriunda de Bruxelas sem qualquer objecção - é e continuará a ser uma discreta vantagem do nosso país.

 

Se nós nos queixamos da permissividade e do relativismo excessivos em Portugal, devemos ter em mente as consequências que o ultra-liberalismo está a ter na Escandinávia: a sociedade nórdica tem vindo a diluir-se cada vez mais. Para os amantes da cultura Americana, a Europa nórdica é o sítio a visitar. Os desportos americanos, as marcas, os hábitos, a comida, tudo tem vindo a introduzir-se progressiva e rapidamente nos países escandinavos, e a tal ponto que qualquer visitante já não sabe aonde acaba a cultura escandinava e aonde começa a Americana.

Outro lado menos agradável ainda, é a imigração muçulmana que já domina cidades inteiras como Malmö na Suécia, e aonde o crime disparou, a intolerância domina e aonde a comunidade Judaica foi expulsa.

 

Em contraste, Portugal e os Portugueses recomendam-se. Talvez a nossa performance económica deixe muito a desejar mas a nossa cultura permanece coesa e tão única que surpreende todos os estrangeiros que nos visitam.

E é aqui que Portugal se distingue de Espanha. Se é verdade que Espanha se industrializou e segue à nossa frente nos rankings da UE, também é verdade que se massificou e perdeu parte do seu encanto - e aqueles que já tiveram de se resignar à comida industrial nos hotéis Espanhóis sabem do que falo.

 

É a nossa gente, a nossa afabilidade, a nossa cultura que encanta os visitantes, mas é ela também que nos garante um oásis social e tolerante.

Em tempos de crise, vale a pena valorizar aquilo que nos distingue dos demais.



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 21:54
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27 comentários:
De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 11:30
Outro lado menos agradável ainda, é a imigração muçulmana que já domina cidades inteiras como Malmö na Suécia, e aonde o crime disparou, a intolerância domina e aonde a comunidade Judaica foi expulsa.

Enfim!
A fonte desta informação é? Já agora só naquela. Gostava de me informar melhor.

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De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 12:45
Li o segundo o primeiro não consigo aceder.
Epá...
Só me recorda uma coisa que ontem ouvia da BBC...

Depois de ouvir o segundo e último Usefull Idiots da BBC passei para o novo podcast desta feita sobre a a Mossad e os seus feitos por esse mundo fora desde a sua criação. E recordo as declarações da primeira ministra de Israel aquando dos acontecimentos de Munique em que em público declarou que não poderia ver impune o que tinha acontecido e em privado lançou a operação Fúria de Deus (se bem me recordo); era a altura do olho por olho, dente por dente.

Ora, o tal olho por olho dente por dente é unidireccional? É justa esta minha questão?

É que se tu ao menos pedisses ao tal mayor de Malmo que fosse equidistante tanto de muçulmanos como de judeus....

Mas pronto não querendo esgotar aqui o sumo do teu post, é um bom ponto de vista que levantas, estranha é a forma de lá chegar :P

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De Miguel Nunes Silva a 16 de Agosto de 2010 às 12:54
- 'Ora, o tal olho por olho dente por dente é unidireccional? É justa esta minha questão?'

Hã?!!!...

Não percebi.


- 'É que se tu ao menos pedisses ao tal mayor de Malmo que fosse equidistante tanto de muçulmanos como de judeus'.

Mas é isso que se pede...




Não percebi nada deste teu comentário...

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De Tiago Sousa Dias a 16 de Agosto de 2010 às 12:22
Ora aqui está um post com o qual não concordo quase 100%!

Não sou agricultor nem tenho nenhum agronegócio, mas conheço muito poucos espaços rurais não cultiváveis em Portugal...

Por outro lado também não é verdade que Portugal sofra de uma condição geográfica periférica. É puro erro. Portugal é o país ideal, central na Europa, se considerarmos o espaço marítimo, para os não europeus entrarem na Europa e para os Europeus dela saírem. Temos facilidade de relações diplomáticas com a América (Norte e Sul) com África norte por motivos geográficos e com África sul pela lingua e história. Não temos fronteira terrestre tão próxima com países centrais na Europa? É um facto... que cada vez conta menos. Temos o 11º maior espaço maritimo do mundo. Ficamos à frente de países como a China ou a India e países como a França só nos ultrapassam devido aos territórios ultramarinos.

Quanto à cultura e à invasão cultural, não conheço o caso dos escandinavos. Conheço o português. Nós não estamos invadidos por estrangeiros. Temos vários... não temos muitos. Experimenta ir à zona norte de Bruxelas e tenta não encontrar um turco; ou a Paris e tenta não encontrar um argelino. Na Alemanha os muçulmanos são mais que imensos. É um fenómeno global que simplesmente AINDA não nos afectou tanto quanto isso porque não representamos uma atracção suficiente para outros povos e culturas. Mas trata-se de €€€ não de cultura.

Por fim, eu acho precisamente que a nossa cultura se está a esvair porque num espaço global em que o conhecimento voa de um continente para o outro, os focos de admiração são apontados para outros países. Não temos muito que admirar em Portugal e cada vez somos mais tentados pelo sucesso dos outros. Daí que não pare de aumentar a exportação de inteligência. Nota: no eurobarómetro do Outono de 2009 (o último a que acedi) Portugal é dos países da UE com menores laços culturais de identidade. Há mais portugueses a dizerem-se portugueses e europeus do que noruegueses ou alemães ou franceses... Porquê? Conveniência. Mas até do ponto de vista da "imagem" é fácil perceberes que a nossa cultura se está a dissipar muito mais rápidamente do que outras. Ou as monarquias não preservam muito mais a tradição e cultura?

E o nosso espaço (fisico) cultural? Qual é? Discordo quase em absoluto do teu post e só não digo em absoluto porque desconheço quase em absoluto a cultura nórdica. A única coisa que te posso dizer é que eu e o meu sóice de Bruxelas conhecemos gente da Noruega que nos explicou qualquer coisa de os nomes serem dados em função das terras onde nasceram e familias (mais ou menos) nobres. hehe Os nomes em Portugal nascem de discussões entre o pai e a sogra porque a filha quer fazer a vontade ao sogro. hihihihi

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De Miguel Nunes Silva a 16 de Agosto de 2010 às 12:51
Tiago,

Enfim, nós discordamos em muita coisa mas começo a ver de onde vêm as tuas opiniões.
Perdoa-me o comentário mas tens que começar a questionar mais o politicamente correcto.


1 - 'conheço muito poucos espaços rurais não cultiváveis'

Não se trata de serem cultiváveis ou não, trata-se de serem particularmente férteis ou não.

Os solos aonde tens vinhas são óptimos para vinhas, os olivais são óptimos para olivais, mas como Salazar descobriu, se tentares fazer alguma coisa para além disso com eles, é um desastre porque os nossos solos não aguentam culturas intensivas.

2 - PORTUGAL É PERIFÉRICO !!!
Pelo amor de Deus metam isto na cabeça.
Nós estamos a milhares de quilómetros de distância de qualquer grande mercado na orla do Atlântico.
A capital mais próxima de Portugal é Rabat Tiago.

Essa história de que Portugal é central no Atlântico é treta porque se fosse esse o critério, Cabo Verde seria muito desenvolvido...

Sim, como em tudo na vida, há vantagens e desvantagens mas não esperem um grande desenvolvimento económico em Portugal quando não só não somos fiscalmente atractivos como ainda estamos longe e temos poucas qualificações.

2 - Em relação à cultura, eu não estou a falar (pelo menos não ainda) dos problemas de coexistência, mas sim da coesão cultural.

Os Franceses não deixaram de ser Franceses por terem McDonald's ou Kebabs em França.

Os escandinavos por outro lado estão a perder toda a sua tradição...

3 - Antes de mais hás-de me explicar que pesquisa científica é que te diz que a forma de regime afecta a mudança cultural.

Mas eu não digo que nós sejamos imutáveis. É claro que a globalização nos afecta. A nossa vantagem é que sabemos manter o nosso espírito e adaptar-nos.

Outros povos não.

4 - Enfim, essa coisa dos nomes não tem nada a ver com isto.

Deixa-me explicar simplisticamente: até podíamos todos converter-nos ao budismo. Em Portugal continuar-se-ia a comer soupa, na Noruega passavam a comer com pauzinhos.

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De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 12:46
E eis que chega o Tiago com a crueza dos dados PPP


De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 13:01
E pronto, levou forte e feio.

Miguel não sei como me explicar melhor.

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De Miguel Nunes Silva a 16 de Agosto de 2010 às 13:08
Jorge,

Num post sobre diferenças culturais, tu vens-me falar em vingança e neutralidade...

Não percebo do que estás a falar quanto mais se estás a favor ou contra...

O que é que a Golda Meir tem a ver com os imigrantes muçulmanos na Escandinávia?

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Quanto a levar forte e feio, não estou a tentar ofender o Tiago mas preocupa-me muito o ultra-relativismo dele.

Se ele acha que estaríamos melhor se não houvesse fronteiras nem estados nem identidades, então eu não posso discordar mais (ele deveria integrar o Partido Humanista).

Um tal mundo seria o caos e geraria violência em massa. A globalização não é um fenómeno novo e não é 'o fim da história'. A história continuará, identidades continuarão mas SOBRETUDO a necessidade de ordem permanece um valor intemporal e uma necessidade indiscutivel.

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De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 13:13
Miguel,

Fiz o destaque do post que achei que deveria fazer.
Pedi a fonte da informação, consultei e comentei como achei que deveria comentar.


Malmo's Jews, however, do not just point the finger at bigoted Muslims and their fellow racists in the country's Neo-Nazi fringe. They also accuse Ilmar Reepalu, the Left-wing mayor who has been in power for 15 years, of failing to protect them

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De Miguel Nunes Silva a 16 de Agosto de 2010 às 13:17
Sim... e então?...

Eu não percebo o que é que a comunidade Judaica reclamar que tanto os muçulmanos como a esquerda os discriminam, tem a ver com as represálias de Israel aos atentados em Munique.

Não te estou a tentar chatear Jorge, realmente não percebo a analogia.

Os judeus de Malmö fizeram alguma coisa aos muçulmanos que justifique o ódio, o preconceito ou a violência contra eles?...

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De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 13:22
Nada fizeram.
Simplesmente uns são judeus e outros muçulmanos. Sempre assim foi e sempre assim será. Apenas recordo Munique pois ontem aprendi que foi depois desses acontecimentos que voltou a política do olho por olho, dente por dente.
Se estão em guerra no Médio Oriente são fanáticos o suficiente para a levaram para o resto do mundo.

São farinha do mesmo saco. Querem é guerra, conflito. Desde os tempos biblicos e até muito depois de eu morrer. Infelizmente.

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De Miguel Nunes Silva a 16 de Agosto de 2010 às 13:27
Ah!

Pois mas o problema é que supostamente, na Suécia eles não deveriam estar em conflicto. Na Suécia eles são todos Suecos independentemente da religião.

Claro que uns adaptam-se e assimilam a cultura, outros ...

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De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 13:24
Interessante o contraste entre os Judeus de Malmo e os Muçulmanos!
Diria eu que se poderia tirar daí que distinguirias os Judeus na terra-mãe e os ex-pat , sabendo tu muito bem a dose de patriotismo que tem essa nação. Já os muçulmanos não são de Malmo, são muçulmanos. ;)


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De Miguel Nunes Silva a 16 de Agosto de 2010 às 13:28
Mas olha que eu penso que a comunidade judaica de Malmö já existe há muito tempo.

Enquanto que os muçulmanos são imigrantes...

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De jfd a 16 de Agosto de 2010 às 13:32
AHahahahahahah interessante distinção!

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De Tiago Sousa Dias a 17 de Agosto de 2010 às 12:04
Miguel,

1 - O teu argumento de que não existe vantagem competitiva faliu. O que tu dizes é que seria porreiro os produtores produzirem outras matérias se quisessem, mas não podem. Mas no que nós podemos produzir temos tudo para ser bom e até do melhor (vinho e água somos os melhores do mundo).

2 - Quanto a ser periférico desculpa mas não tens razão e basta estudares Ratzel, Mahan e Mackinder, perceberes o conceito de raum, lage, raumsin e lebensraum (adoro dizer estes nomes) e ficas a perceber que 1 - o espaço já não é o que era 2 - que os EUA têm olho em terra de cegos ao fazerem tudo pela base das lages 3 - que a nossa ideia de proximidade é completamente errada. A capital mais próxima não é a que estiver mais próxima em Kms meu caro. É aquela com a qual tiveres melhores relações. "A Grécia está mais perto de Portugal do que Marrocos".

3 - Frederik von Hayek, Law, Legislation and Liberty (Cosmos and Taxis).

4 - A etimologia é cultura. A lingua é cultura. A forma da lingua e a sua composição são construções sociais que ninguém domina. Daí a minha critica ao acordo ortográfico que pretende impôr por decreto o que as pessoas não querem auto-construir. A forma como se constroem os nomes é apenas uma gota num mar de palavras, mas é apenas um exemplo que eu usei porque será eventualmente o único que conheço.

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De Miguel Nunes Silva a 17 de Agosto de 2010 às 15:25
1 - Não percebeste.
A vantagem competitiva está em que não temos que nos distrair com problemas internos de tenções sociais, ao contrário de outros países.

Assim, ainda que pouco produtivos, podemos ter confiança na nossa capacidade para projectar o pouco que temos - sem temer uma quinta coluna na nossa sociedade.


2 - Não percebi bem mas acho que tu também não.
Primeiro referes-me a escola geopolítica e os Açores, depois dizes-me que o mundo hoje já não está limitado pela geografia... whatever...

Tiago deixa-me dizer-te que - e estou seriamente a tentar não ser condescendente - tu baseias toda a tua visão político-sociológica na globalização.

Já não é a primeira vez que te aviso Tiago que a globalização não é 'o fim da história'.

Tu incorres no mesmo erro de muita gente - sobretudo ocidentais - que acreditam piamente que a história apenas pode ser progressiva e que no topo da evolução humana está o paradigma democratico-liberal do ocidente.

Desculpa ser desmancha prazeres mas estás gravemente iludido. A geografia continua a ser relevante, E MUITO. Não acredites em mim, ouve o regente do departamento de R.I. da LSE:
http://www.youtube.com/watch?v=r17yal51Y70&p=E8A2E3FE0656DC81&playnext=1&index=45
http://www.youtube.com/watch?v=v0NEprGr5F0

Tu que personificas a quintessência do europeu federalista devias-te perguntar o porquê de a UE ainda não ter autonomia geopolítica. De seguida devias-te aperceber do jogo de divisão e conquista que os EUA e a Rússia têm jogado nos últimos anos - na Europa - e porquê. Derradeiramente serás obrigado a concluir que os imperativos estratégicos que actualmente definem o equilibrio geopolitico na Europa, que a dividem e que impedem a sua união - aliás os mesmos imperativos que sempre a impediram no passado - são na sua maioria fundamentados na geografia.

O futuro utópico dos espaços supranacionais de liberdade e prosperidade - eu lamento informar-te - permanece isso mesmo, uma utopia.

Em relação aos Açores, basta-te falar com algum militar para ficares a saber que a base já não é hoje em dia essencial para os EUA. Era-o na 2ªGM quando os aviões Americanos tinham pouca autonomia de voo. Durante a Guerra Fria perdeu importância e apenas foi significativa na Guerra do Yom Kippur por causa do abastecimento logistico a Israel. No entanto, apenas como rota logistica entre os EUA e o próximo oriente.
Hoje em dia, quase todos os aviões Americanos podem fazer a travessia atlântica e ainda que a base continue relevante ao nível logistico, não é fulcral, tal como se pode comprovar pelo valor do seu arrendamento - baixo - quando comparado com outros hubs da rede logistica global das forças Americanas.

'melhores relações' - Ó homem, até podemos ter excelentes relações com a Malásia mas é mais barato importar gás natural da Argélia...

3 - Para que é o Hayek?
Segundo o que eu percebo da economia liberalizada, cada região se especializa num produto específico, de maneira a aumentar o grau de eficácia do sistema de trocas.

Segundo a tua visão no entanto, parece que o espaço e a distância já não interessam. O que me leva a supor que penses poder importar independentemente de preços, interesses, equilíbrios, etc...

4 - Sim, não discordo. Mas se já estudaste etnologia saberás que a cultura - e a língua - são construções culturais unicamente moldadas pelo espaço aonde evoluem.

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De Tiago Sousa Dias a 18 de Agosto de 2010 às 16:23
(este comment vai dividido pelo menos nuns 4 textos seguidos)

Antes dos tópicos deixa-me fazer um pequeno comentário. Creio que é a primeira vez que discuto um tema contigo e não te conhecendo, não faço muitos comentários acerca do que tu percebes ou não percebes. Acho interessante discutir contigo e parto do pressuposto que me faço explicar bem. Se não me conseguir explicar, prefiro que me digas que não me consegui explicar do que digas que eu não percebo ou não sei alguma coisa por dois motivos. Por um lado, por reciprocidade. Por outro porque quando a opinião é minha eu digo, quando não é minha eu não tenho o contacto dos autores para tu lhes ires dizer a eles que não perceberam.

Bom, ao concreto da discussão e esquecendo esses comentários.

1 – Podemos discutir sobre isto o tempo que tu quiseres. Nenhum de nós está no sector (creio) e por isso só estaremos a dar opiniões de café. A verdade é que tu começaste por dizer que Portugal não tem vantagem competitiva e eu disse que sim. Agora já estás a dizer que temos vantagem competitiva? Pedia-te que explicasses melhor a tua posição.

Ao explicares a tua posição, dizes que somos pouco produtivos. Pedia-te que me desses alguns links ou referências com base nas quais dizes que somos pouco produtivos. É que não é nada a imagem que eu tenho do sector. Mas repito, não conheço suficiente para dizer o contrário. Apesar de tudo tenho interesse em saber umas coisas.

2 – Em relação ao ponto 2, sugiro que leias novamente o meu comentário porque eu nunca disse que a geografia não limita o mundo de hoje. Pelo contrário. Dei-te 4 conceitos que se leres rapidamente percebes que é exactamente o contrário que te estou a dizer.

Repara: a geopolítica já estudou isto tudo e como tal dei-te a opinião dos autores mais autorizados. Algures pela net podes encontrar um texto do comandante Duarte Rebelo que explica muito bem o conceito de espaço nos dias de hoje. Tens Ratzel, Mahan e MacKinder e os quatro conceitos que te referi: raum, lage, raumsin e lebensraum. Procura umas cenas sobre isto. Tenho a certeza que vais gostar.

Em meia dúzia de palavras, o que eu disse e repito, o conceito de espaço hoje não é o mesmo que há 300, 100, 50 ou 15 anos. O conceito de espaço (já o disse neste e noutro post) está intimamente ligado ao conceito de tempo. Está e cada vez mais. A Internet veio dar uma ajuda, a União Europeia outra as relações internacionais outra e os meios de transporte e comunicação outra. É importante a geografia? Claro que é! Mas a geografia política é um conceito em profunda mutação e já não interessa que Barrancos seja mais perto fisicamente de Lisboa. Tu de Lisboa a Bruxelas demoras menos tempo. Em termos comerciais e em termos militares, é menos difícil Portugal Bombardear Bruxelas ou exportar produtos para lá; do que bombardear Elvas ou mandar peixe fresco para lá. Básico. Os autores explicam melhor.

E quanto aos teus avisos… Miguel o que queres que eu diga a uma pessoa que não me conhece e me diz “Não é a primeira vez que te aviso!”?

Bom, a globalização é uma palavra muito gira que toda gente conhece mas ninguém quer saber o que significa. Eu quando falo da União Europeia falo de integração perfeita, não falo de globalização. Quando falo do Mundo falo, aí sim, de globalização.

A seguir ao teu derrame verbal sobre a condescendência fizeste um comentário interessante. Dizes que eu baseio toda a minha visão político-sociológica na globalização. Apesar de quase me apetecer dizer que sim, não. A globalização enquanto conceito é uma coisa gira de ser estudada. Mas não é por aqueles janados que vão para a Rua mandar cocktails Molotov à polícia contra a globalização esquecendo-se de tudo de bom que este fenómeno trouxe. É que cada um deles tem um telemóvel no bolso e um piercing sabe-se lá onde (desculpa lá o estereótipo mas é só para se perceber a ideia). A globalização, porém, não é um processo em curso. Esquece essa ideia. A globalização são os efeitos do processo. É por isso que no que toca à U.E. não falo de globalização mas de integração perfeita (perfeita não é qualidade mas característica). À escala global eu tenho pontos de vista ainda muito inacabados porque ainda preciso de muita literatura para poder dizer duas ou três coisas interessantes da minha

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De Miguel Nunes Silva a 18 de Agosto de 2010 às 18:05
Tiago, não é a primeira vez que debatemos. A primeira vez foi num post sobre a UE, daí que eu me arrogue ALGUM direito de te dizer que começo a perceber de onde vêm as tuas ideias.


1 - Não percebo a tua confusão: então se o título do post é 'Cultura Portuguesa = Vantagem Competitiva', aonde está a dúvida?...
Eu tenho estado a tentar argumentar que a cultura da sociedade Portuguesa é competitiva apesar de - obviamente - também ter alguns problemas.

Em relação à agricultura, é algo que para mim é evidente porque o aprendi no liceu. Portugal tem solos pobres, não apropriados a culturas intensivas. A mesma coisa se aplica a ambientes tropicais e as zonas de clima continental são geralmente as mais férteis, devido à pluviosidade. A excepção na Europa é a Escandinávia, por causa da falta de exposição solar.
http://www.pvoss.de/Agro/globalfertility.jpg

2 - Tiago, estás a falar com alguém que se especializou em segurança dentro da área de Relações Internacionais. Acredita em mim quando te digo que eu conheço Ratzel, Mahan ou Mckinder.

Aquilo que é importante compreender antes de mais é que as suas visões são interpretações estratégicas do espaço. Elas não são sequer compativeis pois como sabes eles discordam todos em relação à região centrípeta de poder estratégico.

Agora aquilo que me deixa boquiaberto é como tu possas concluir a partir de qualquer estudo de geopolítica que ' Em termos comerciais e em termos militares, é menos difícil Portugal Bombardear Bruxelas ou exportar produtos para lá; do que bombardear Elvas ou mandar peixe fresco para lá' ...............................

Sim Tiago o espaço mudou e a evolução é continua durante a história.
Mas para ti esta conclusão parece querer dizer que tudo é possivel.

NÃO Tiago, não é mais fácil bombardear ou comerciar com Bruxelas, porque precisas de ter aeroportos, pilotos e aviões para o fazeres. O facto de Elvas só estar acessivel por estrada não impede que o custo de comerciar com Elvas não seja mais baixo do que com Bruxelas.
Se quiseres bombardear Elvas, apenas precisas de artilharia e de um mísero curso de artilheiro. Para bombardeares Bruxelas tens que importar alta tecnologia, construir aeroportos e investir anos num curso de piloto.

Os imperativos geográficos podem ter mudado mas a importância relativa da geografia não.

Que integração perfeita podes ter na UE quando as mentalidades e culturas de trabalho não poderiam ser mais diferentes?

O facto de o continente nunca ter estado unido não te diz nada? O facto de o conceito estado-nação aqui ter surgido não te diz nada?
Como poderá a UE algum dia ser o exemplo da integração perfeita quando as montanhas, as penínsulas, as ilhas, as amplitudes climáticas não mudaram um milímetro?

Portugal já tem laços comerciais com Bruxelas - ou com a China! - há já vários séculos. A única coisa que mudou com a nova tecnologia foi a facilidade de comunicação. No entanto, a importação de bens manufacturados da Alemanha e a nossa dependência dos centros industriais centro-Europeus não mudou. Sempre lá esteve. Temos mais mercados para os nossos produtos ? Óptimo! Mas os nossos clientes continuam a ser os mesmos também.

Essa tua visão de um mundo sem fronteiras é pura ficção.

A Europa continua dividida e continuará. na verdade a integração 'perfeita' de que falas é muito mais antiga do que imaginas, pois a imigração no passado não era restrita, não havia alfândegas nem um estado burocrático moderno para as vigiar na idade média.

O conceito de soberania é moderno e com a globalização a soberania é mais necessária que nunca.

O problema como eu já disse e repito é tu imaginares que a globalização e a integração socio-economica são fenómenos excepcionais que irão radicalmente mudar o mundo.

No fundo são apenas a continuação de processos muito antigos.

A tradução da bíblia impressa para alemão demorou três séculos a unir a Alemanha. Mas há que relembrar que a Alemanha já antes tinha estado unida.
A internet permitirá a união de muitas regiões, sem dúvida. Mas para eu acreditar que isto se adapta à Europa implicaria muito tempo e precedentes históricos.
A UE é um conceito artificial e produto de uma geração idealista que julgava que a história iria acabar com o fim do comunismo.
Há benefícios, mas também há muita ficção..

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De Tiago Sousa Dias a 18 de Agosto de 2010 às 16:24
autoria. O que te posso dizer é que eu não te digo que a minha visão político-sociológica não é baseada na globalização precisamente porque eu inverto a pirâmide do conhecimento para o perceber. Ou seja, em vez de pegares no conceito genérico de sociedade global ou outro que queiras estudar, pega em cada um dos povos, percebe-os e decifra os denominadores comuns. EUA, U.E. e China estão a ser os focos da minha atenção. O que te posso dizer para já é que azeite e vinagre não temperam água. Chama o que quiseres aos americanos, aos europeus e aos chineses. São todos diferentes e não se servem uns aos outros.

Ora, perante isto eu não te vou dar uma visão político-sociológica do mundo senão tinha que escrever um comment de 20 páginas só com tópicos. Mas num tópico suficientemente genérico, cada povo tem alguma coisa que eu admiro e que os demais não têm ou não têm tanto. A diversidade do mundo é uma coisa linda e se Lisboa fosse igual a NY eu não queria gastar 1000€ a ir lá visitá-la. Claro que podemos usar o que de melhor cada um dá. Mas isso não impele ao cruzamento de culturas. Fundamental: acho lindo as “trocas culturais” e sociais. Mas não é esse o motor da civilização. Pelo contrário Miguel. Precisamente a evolução dos princípios básicos da humanidade entre os quais um que é muito caro aos economistas e cujo termo técnico não me lembro mas que se prende com a vontade de acumulação de capital (vez isso muito bem em 2001 Odisseia no Espaço quando os dois grupos começam à pancada, depois há um que apanha um osso e percebe que com o osso tem maior capacidade destrutiva, pega no osso, mata o outro macaco e o grupo afasta-se). Esta necessidade intrínseca ao Homem é um móbil do individualismo; individualismo este que é cada vez mais incentivado pelo isolacionismo. Para combater isto, acredito piamente que os processos de interacção (outra coisa que é muitas vezes confundida com globalização…) são extremamente eficazes. Concluindo, o conceito de interacção (política, económica ou sociológica, enfim o que quiseres) aliados aos processos de integração (preferencialmente perfeitos) são boas armas para se atingir aquele que eu penso que é um dos principais objectivos do Homem (a par da evolução) a estabilidade. Só depende da forma como é aproveitada a evolução. Se para vencer, ou para promover a solidariedade. Bom, continuava a falar-te sobre isto durante duas horas, mas iria perder o interesse.

Ah e quanto ao paradigma democrático-(e não sei porque razão acrescentas o)liberal do ocidente… dizeres isso a falar comigo é marcares um penalti e a bola sair pela linha lateral. Não fazes ideia do que dizes quando falas de mim. Antes de mais porque não há “o” ou “um” paradigma democrático(-nem mais coisa nenhuma) ocidental. Existem vários. Eventualmente ao que tu te estarias a tentar referir seria aos valores políticos de liberdade e a sua influência nos sistemas políticos (a democracia não é o único garante da liberdade). Mas independentemente do que querias dizer, não me conheces e não sabes que eu sou um apaixonado pela sociologia oriental. Já lá estive e um pedacinho de mim ficou lá.

Mas se o cerne do que estavas a dizer é que eu não acredito no retrocesso, então aí dou-te toda a razão. Ser progressivo é acreditar que o sentido é avançar, progredir. 2 frases chave: A) (Ernâni Lopes – eventualmente citando alguém, não sei) “A história não conhece impasses” B) (Tiago Dias hehe) não conheço nenhum povo na história que tenha perdido conhecimento. Talvez me queiras dar um exemplo de uma civilização regressiva. Eu não conheço.


Quanto à quintessência do europeu federalista. Eu não represento, alguém representa por mim porque eu sou cada vez mais federalista. Mas isto é só para me meter contigo porque mais uma vez estás enganado. Questão 1 – A União Europeia já tem autonomia geopolítica. Tanto tem que a Turquia adora-nos, Marrocos já tentou, o Leste europeu deseja-nos, a Islândia precisa e Israel lá vai tendo uns clubes na UEFA para tentar novamente a sorte. Se não chamas a isto capital geopolítico, não sei qual é. By the way, sabes qual é o Lebensraum (o espaço vital)? Procura no Google e diz-me quem está mais próximo dele (quer em termos geofísicos quer em termos de estreitas relações políticas ou facilidade de relações

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De Miguel Nunes Silva a 18 de Agosto de 2010 às 18:24
Apenas posso dizer que a tua visão não é empírica e que discordo profundamente.

O próprio facto de dares uma tal importância ao individualismo quando sociedades tão menos individualistas como a Chinesa são possivelmente mais consumistas e capitalistas que a ocidental, demonstra aquilo que eu já temia e de que te tinha correctamente acusado: eurocentrismo.

Tiago o mundo é muito diverso, mas se acreditas mesmo que a cultura ocidental está na vanguarda do desenvolvimento civilizacional, apenas posso dizer: 'goodnight and goodluck' porque não acredito que o ocidente ganhe necessariamente a competição de valores.

De resto eu concordo com o que disseste. A estabilidade é de facto o obejctivo primordial. Eu no entanto tenho muito mais fé em modelos de estado empiricamente testados pela história do que em 'nation-buildings' pós-modernos artificialmente fabricados pelas mesmas elites que nos deram o estado social insustentável ou a fé no fim da história geopolítica.

Se não acreditas no paradigma liberal democrático, pelo menos disfarças muito bem. Essa tua fé no institucionalismo inter/supranacionalista, na paz democrática e no triunfo do individualismo, é o que me faz suspeitar.

Lá está, ao te proclamares um fervoroso crente na linearidade da história demonstras mais uma vez que acreditas no excepcionalismo pós-moderno e na superioridade ocidental.

Sim, a tecnologia no geral vai evoluindo. Mas se olhares para a história, é-te muito mais complicado justificares as tuas crenças pois elas são baseadas em fé.

Federalismo: Todos esses países nos desejam integrar por ambição económica, não política!

Quando eu falo de geopolítica refiro-me a autonomia política, militar etc.
A UE não as tem e mesmo quando são partilhadas, podemos aprender muito sobre o equilibrio de poderes na Europa pela forma como são partilhadas e por quem.
Mas se achas que a Europa se define como entidade política pelos laços económicos e culturais que vai integrando, aquilo que eu posso comentar é: 'olha que grande novidade'?..

Mas desde quando é que a partilha civilizacional levou à união política?


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De Miguel Nunes Silva a 18 de Agosto de 2010 às 18:26
* correcção = 'Todos esses países nos desejam integrar por ambição económica, não por subordinação política!

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De Tiago Sousa Dias a 18 de Agosto de 2010 às 16:25
políticas), se a U.E. ou os EUA ou a China ou o Brasil ou o Japão ou quem tu quiseres excepto o Casaquistão, o Quirguistão e outros ões para ali para aquela zona.

Explica-me lá essa da divisão na Europa que eu não percebi.

E quanto às tuas conclusões da geografia como limite à União não percebi. Tu dizes questiona isto e aquilo e vais ver que… não percebi essa indução não-argumentativa e não-factual. Pedia-te que tentasses explicar melhor please. E de preferência que considerasses que a Europa sempre foi o terreno ideal para os combates e que a única limitação física que se lhe conhece é a da EDF que não conseguiu vender electricidade para Espanha.

Quanto à utopia dos espaços supranacionais voltas a chutar para fora. Ainda no outro dia escrevi aqui no Psico a metáfora da mulher e da amante precisamente para dizer que a União Europeia depois de casada com os Estados, apresentaria os mesmos vícios que qualquer esposa. Vai lá ler.
Em relação aos açores eu não preciso de falar com nenhum militar porque desde Fevereiro que venho ouvindo 2 militares a falar sobre isso e o que dizes não é verdade. Houve tempos em que criticava malta que fazia pesquisas no google para comentar tudo e mais alguma coisa. O que tu estás a dizer não é verdade e se falares com o Carlos Coelho ele explica-te isso bem explicadinho. Ou então vai ver os documentos da comissão sobre os voos da CIA.

3 – Miguel, dizer “não sei” é uma atitude que eu admiro muito. Eu vou-te dizer isso no ponto 4, neste devias ter dito tu. É que perguntares “para que é Hayek” é o mesmo que me dizeres “estou a fazer birra porque sim”. Bom, mas eu digo-te para quê Hayek. Hayek no Capítulo II de Law, Legislation and Liberty, num texto que tem o título “Cosmos and Taxis” descreve a sociedade a partir do conceito de “Ordem” (ordem enquanto instituição). Assim, existiriam 2 tipos de ordem “grown order” e “made order”. Grown seria aquela que fosse auto-construída e “made” a que fosse por decisão deliberada. Uma ditadura seria a tentativa de impor uma “made order”, uma democracia vinculada à auto-determinação… uma grown order. Este processo evolutivo da formação da vontade até ao estabelecimento político representa a vontade de um povo arquitectada sob a cultura desse povo e engenhada pela expressão desse povo. Quanto mais diferente a cultura, mais diferente o resultado desse “growing process”. Mas o modelo de “made order” é o exemplo maior de como é possível impor uma cultura através do sistema político. Mais ou menos duradouro, ele vinga aqui e ali. Exemplo: China. Tens lá uma made order; tens lá uma oportunidade de “grown order”.

Em última análise, a doutrina de Hayek explica os processos revolucionários como uma forma de resposta ao “estado” de coisas. Estando bem crias o sentimento de passividade; estando mal crias vontade de mudança. Circunstancialismos podia dizer-se… Não, de povo para povo a capacidade de resposta é maior ou menor consoante a maior ou menor capacidade de autodeterminação e/ou o espírito de necessidade dessa liberdade. É um facto indesmentível que os sistemas políticos influenciam a cultura da mesma forma que a cultura influencia os sistemas políticos.

4 – Não sei. Hehe Não estudei etnologia. Estudei dois capítulos sobre “exportação cultural” e tive ontem uma conversa sobre religião com a pessoa que mais gosto de ouvir falar sobre religião e creio que isso é mais do que suficiente para te dar 2 exemplos: exportação cultural para os Estados Unidos – levou-se a língua e a religião; eliminou-se a raiz cultural, religiosa e linguistica americana. Segundo exemplo, América Latina. Totalmente eliminada a génese cultural, sociológica, linguística e religiosa. E já agora um terceiro exemplo, as duas Igrejas Católicas na China uma das quais sob a tutela do poder central (esta soube ontem). Talvez o Bush não tenha sido tão parvo quanto isso quando cumprimentou os amigos católicos na China… Mas como te digo, são matérias que ainda não estudei o suficiente e prefiro não perguntar “Para quê a etnologia?” hihihi

Espero ter sido suficientemente provocador!

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De Miguel Nunes Silva a 18 de Agosto de 2010 às 18:47
Não percebi o que querias dizer com aquilo do lebensraum...

Divisão: A Europa de hoje é fruto de um equilíbrio de poderes. O problema é que supostamente as nações existem devido a identidade cultural e não equilibrio de poderes.
Exemplo: o Iraque não existe porque lá o voto é sectário. Em Portugal no entanto, o voto é ideológico.

A Europa de hoje consiste num equilíbrio de poderes entre as suas potências regionais e actores exteriores como os EUA e Rússia.
Assim se explica que a Europa central e ocidental não tenha alinhado com os EUA na Guerra do Iraque mas a europa de leste sim.
Assim se explica que em Berlim e Paris se tente acomodar a Rússia e que em Varsóvia e Washington se defenda a sua ostracização por violações de direitos humanos.
Claro que as teias de interesses são muito mais complexas que isto. O RU e a França foram favoráveis á entrada da Alemanha no Conselho de Segurança como membro permanente, a Itália e a Polónia foram contra.
Curioso que vejas um futuro tão risonho para a autonomia política da 'nação' europa quando as suas principais componentes nem conseguem cooperar numa instância política que daria á Europa como um todo, um voto adicional no conselho planetário...

Açores: Pois, eu não te percebo.
As rendas têm aumentado? Os autonomia de voo dos aviões diminuiu? O tráfego nos Açores tem vindo a aumentar?...
Eu tenho o livro do Carlos Coelho e não percebo o que ele possa explicar em relação á importância estratégica dos Açores.
Já agora, os aviões da CIA eram pequenos jactos, não eram grandes aviões de transporte militar. Não sei se isso te ajuda a explicar alguma confusão ?...

3 - A questão é que se tu acreditas realmente em Hayek, então para ti todas as 'orders' foram 'made' até ao século XVIII.
Para mim, quer um estado seja democrático ou não, a sua sustentabilidade está baseada em muitos factores, dos quais o regime é um dos menos importantes.
Tu estás - tal como a esquerda ou como os neoconservadores - a dar mais importância ao regime do que ao estado.
Que interessa que Portugal já exista há quase 900 anos, o único período que interessa da sua história são a 1ª e 3ª repúblicas.
Mas o país não resultou fora desse período?

Quantos exemplos de estabilidade não tens em regimes não-democráticos?
E quantos regimes democráticos pós-89 não se foram abaixo social e economicamente?...

4 - Pois, e o que é que imposição forçada e genocídio têm a ver com evolução natural?...

Ou estás porventura a defender que a 'cultura europeia' deve ser posta em prática com os mesmos métodos com que foi colonizada a América?..................................

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De Tiago Sousa Dias a 18 de Agosto de 2010 às 16:26
(afinal foram só 3)


De Tiago Sousa Dias a 19 de Agosto de 2010 às 11:42
Tens aí muita coisa interessante para comentar. Vou tentar comentar ainda hoje. Entretanto acho que este tema dava para uma conferência do Psico :) Fica a sugestão


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