Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Social Democracia... à portuguesa?

 

 

Quem é capaz de contestar o seguinte, como principios defendidos por todos os militantes do PPD/PSD: 

 

O homem é explorado quando se sente asfixiado pelo aparelho burocrático do Estado;

O homem é oprimido quando, por qualquer modo, lhe é vedada a liberdade interior, ou a abertura ao transcendente espiritual;

O homem é oprimido quando a sua vida privada não decorre com a necessária intimidade;

O homem é explorado, a qualquer nível, quando é sujeito ao exercício tirânico da autoridade ou a imposições abusivas de minorias activistas;

O homem é explorado quando a sua consciência de pessoa é abafada pelas massas ou é objecto de manipulações da sociedade de consumo.

Contra todas as formas de exploração e de opressão, urge lutar, mobilizando as múltiplas conquistas do progresso, com vista a uma nova ética da vida em colectividade.

 Os mais rápidos dirão que isto é o programa do PSD. Desenganem-se… Os mais atentos identificaram de onde vem a citação acima: são os principios da Democracia Cristã europeia, a base fundadora dos partidos de Direita Liberal na Europa e representada na Europa pelo Partido Popular Europeu, formação onde nos inserimos.

Então e se eu citar o seguinte conjunto de principios:

“De nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital”  (...) ”é inteiramente falso atribuir ou só ao capital ou só ao trabalho o produto do concurso de ambos; e é deveras injusto que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a si todos os frutos.” 

"A liberdade econômica é apenas um elemento da liberdade humana. Quando aquela se torna autônoma, isto é, quando o homem é visto mais como um produtor ou um consumidor de bens do que como um sujeito que produz e consome para viver, então ela perde a sua necessária relação com a pessoa humana e acaba por a alienar e oprimir."

O Estado deve, porém, abster-se de uma intervenção abusiva que possa condicionar indevidamente a ação das forças empresariais. A intervenção pública quando necessária deve ater-se aos critérios de equidade, racionalidade, e eficiência e não deve suprimir a liberdade de iniciativa dos indivíduos.

"Ah sim! Isso é a 'social democracia', Guilherme!". Nop, também não. No caso em mãos, são citações da Doutrina Social da Igreja [Católica]. Encaixam bem no PSD não encaixam? Pois... esse é exactamente o meu ponto: de "Social Democratas", no sentido europeu do termo [cisão na Segunda Internacional Socialista, actualmente representado pelo Partido Socialista Europeu onde nós não estamos!] temos muito pouco. Somos mais parecidos com um Partido de inspirações em correntes como a Democracia Cristã, Liberais e Conservadores. Uma versão portuguesa da CDU/CSU alemã ou do PP espanhol.

O problema? O nosso "trauma da Direita" que dá origem a esta aberração:

Um Partido Socialista que na realidade é Social Democrata, um Partido Social Democrata que é Popular, e um Partido Popular que pouco mais não passa de Populista!

 



uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 15:32
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10 comentários:
De Keine a 9 de Setembro de 2009 às 17:29
Liberal Democrata é que é!!!!!


De Nélson Faria a 9 de Setembro de 2009 às 17:32
A grande discussão interna que merece reflexão. Bom ponto de partida.


De David Soeiro a 9 de Setembro de 2009 às 17:48
Podem-me chamar incoerente mas concordo com quase tudo o que diz o Guilherme.
Parabéns pela posta.


De Miguel N. Silva a 9 de Setembro de 2009 às 19:01
O problema Guilherme, é que eu acho que é a nossa indefinição que constitui a nossa mais importante mais-valia.

Rótulos ideológicos são sempre complicados em partidos moderados e "generalistas".

Por mim, tal como está, serve perfeitamente.


De Firmino Serôdio a 9 de Setembro de 2009 às 21:12
A falta de ideologia muitas vezes tem deixado o PSD sem uma voz mais forte contra os seus adversários...

Na minha opinião este assunto devia ser seriamente debatido dentro do Partido, até que de lá saísse alguma conclusão enquanto a nossa posição.

Porque parecemos algumas vezes se calhar uma "Maria vai com as outras" ou seja somos aquilo que naquele momento achamos mais correcto e não aquilo que a nossa ideologia politica nos diz.

Será por isso que temos sempre tanto problema com as lideranças? ....



De David Soeiro a 9 de Setembro de 2009 às 21:16
Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Postado por PedroSantanaLopes às 23:07

http :/ pedrosantanalopes.blogspot.com /2009/09/vitoria-rotunda.html

Vitória rotunda
O debate de hoje já não pareceu um combate para se ganhar só "aos pontos", como os outros e como vem sendo cada vez mais frequente...Foi mesmo para se decidir por KO . E José Sócrates ganhou bem, tendo conduzido eficientemente o debate e não tendo tido qualquer pejo em continuar a "socar" o seu adversário onde ele se revelou mais frágil.
Foi interessante de ver como o "feitiço foi virado contra o feiticeiro".
Há muito tempo que digo e escrevo isto mesmo. Era preciso perguntar aos que só atacam, por aquilo que verdadeiramente defendem. José Sócrates fê - lo muito bem.


De jfd a 9 de Setembro de 2009 às 22:19
Com todo o respeito meu caro Gui;

blá blá blá
insegurança
quem és tu politicamente?!?
Eu sei quem sou.
E encaixo-me no PSD.
PSD esse que não é perfeito. Mas que tem um montão de gente que admiro e com quem aprendo e com quem choco e com quem cresço.
Gente que fará do meu país aquilo que ele deve ser.
Uns mais que outros.
Umas vezes vou com a corrente, outras contra.
É assim que gosto, é assim que sou.
Rótulos? Coisa de fracos! (acabei de usar um! -> não podemos ser sempre fortes!)


De Essi Silva a 9 de Setembro de 2009 às 22:25
Como disse o Miguel e bem, rotular o nosso partido pode trazer consequências negativas para a forma como as pessoas o analisam e para o próprio voto.

No entanto, a discussão sobre a nossa própria essência enquanto partido é deveras importante porque corremos o risco de não conseguirmos definir-nos.

Acontece-me frequentemente ouvir críticas de amigos meus que me perguntam o que é ser social-democrata e o que é ser PSD. É que há uma diferença entre a mensagem que transmitimos e a social-democracia que escolhemos como título.
Como comentei noutro post, o que se torna mais difícil na nossa definição é a variedade de pessoas que nos compõe. Temos militantes mais liberais, outros menos... enfim, há uma multiplicidade de ideias e opiniões no seio do nosso partido. Por um lado isso é bom, porque cada um tem a liberdade de pensar por si próprio. por outro leva à indefinição sobre o que somos verdadeiramente. É necessário encontrar pontos comuns que nos unam e nos declarem distantes de A ou B.

Somos únicos, disso não há dúvida. Resta é saber onde nos enquadramos.


De Luís Nogueira a 10 de Setembro de 2009 às 11:24
Acredito sinceramente que a aparente indefinição ideológica no PSD não constitui um problema nos dias de hoje para a sociedade portuguesa. Isto porque, os partidos do "arco de governação" estão obrigados perante o eleitorado, a tomar medidas um pouco ao sabor do vento e das vontades da maioria, varrendo um grande espaço do espectro ideológico. Do ponto de vista académico, o rótulo de "Catch-all-party" fica-lhes sempre bem. E como diria um grande Psicótico: "o PSD é um partido semelhante a um chapéu com uma aba muito larga".


De Guilherme Diaz-Bérrio a 10 de Setembro de 2009 às 12:05
Dito como um verdadeiro "pragmático" Miguel LOL

Mas, e aqui já sei que discordamos, valores também se precisam. São as nossas bússolas, para quando estamos perdidos. E ter valores não nos retira o pragmatismo, tempera-o.

Mas numa coisa, aparentemente, estamos de acordo: de "Social Democrata" só temos mesmo o nome!

E antes que se comece com a "social democracia portuguesa" e com a "unicidade do PSD", note-se o seguinte:
Nós já não "emigramos para a Europa". Fazemos parte dela! Demorou umas décadas, mas finalmente enrolamos a cabeça que a Europa não começa "depois de passados os Pirenéus".

O PSD começou "atípico"? Bem sim começou. Até se pode brincar: inventamos a "terceira via" 20 anos antes de Blair ;)

Mais a sério, o PSD não é Social Democracia Europeia. Social Democracia é uma ideologia de esquerda/centro-esquerda, a cisão da 2ª internacional socialista e que ganha muita força com o fim da URSS.

As nossas bases são de direita/centro-direita. Democracia cristã europeia, liberalismo económico e algum grau de conservadorismo. Cada um de nós depois faz o mix que "gosta". Eu por exemplo sou muito liberal económicamente, tendencialmente conservador socialmente. Há pessoas mais "Democrata Cristãos" dentro do Partido, logo menos liberais... mas o fio condutor está cá!

Admitir isto não é acantonar o partido, porque é já o que nós defendemos. Eu perguntei quem contestava o que eu tinha escrito, ninguém o fez. São principios (para os que têm "alergia a valores") que todos defendemos!

E isso define a política do PSD: damos sempre mais peso à liberdade de escolha (o celebre "nós acreditamos nos portugueses"), mais peso ao sector social privado, não nos tentando substituir por mecanismos de Estado.

Mas temos este problema existencial: "não somos de direita/centro-direita". "não somos liberais...somos 'social democratas'". E por ai fora... quantos lideres não vimos já embandeirar em arco assim?

Históricamente percebe-se: o sistema político teve uma criação atipica e enquinada. Mas, por amor da Santa, já se passaram mais de 30 anos, já somos uma geração que não tem nem os traumas do PREC nem do Estado Novo, e está na altura de assumir o que somos: um Partido do centro à direita, com correntes liberais, conservadores e democrata cristãs, não confessional. [Eu e o Diogo Agostinho até costumamos brincar que somos do PPD]. Um partido que tem como "irmãos europeus" a CDU/CSU alemã (União Democrata Cristã), o PP Espanhol (Direita Liberal Espanhola) e, até certo ponto os Conservadores ingleses (não fosse aquele eurocepticismo genético que não partilhamos!).

Obviamente que não o fazer acarreta duas coisas:
Primeiro, somos sempre acusados de não ser nada além dum "partido de poder". A celebre pergunta que todos nós já tivemos de responder [não foste só tu Essi ;)] "O que raio é isso da social democracia do PSD?". Pois, não é nada. É "Direita envergonhada e disfarçada".
Segundo, andamos sempre a reboque dos lideres. Muda o lider, muda o partido e as suas posições. E às vezes acabamos a defender uma coisa e, a seguir com novo lider, o seu contrário!

Eu não quero acantonar o partido, nem acho que isso ocorra. O sistema político português tem de "equilibrar" ao centro, não estar enquinado em 2 partidos radicais à esquerda, um partido socialista que se modernizou e percebeu que é social democrata, e um partido envergonhado com ser "de direita"! Está na altura de normalizar este "espectáculo"...



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