Terça-feira, 31 de Julho de 2012
De vitória em vitória, até à derrota...

É típico estes dias vermos muito encorajamento à derrota de Bashar al-Assad na Síria. Vale a pena recordar a esses 'peritos' que Israel - provavelmente a nação mais paranóica à face da Terra - não segue a linha da Europa ou de Washington nesse encorajamento. Os Israelitas sabem bem que os montes Golã foram a fronteira mais estável que tiveram nas últimas décadas e sabem também que Assad é, ao contrário dos ayatollahs de Teerão, um estadista racional. NÓS sabemos que Israel foi um dos poucos aliados Americanos que teve a coragem de alertar contra a invasão do Iraque.

 

Neste artigo de Richard Haass os factos são mais claramente expostos:

 

"(...) os apelos aos Estados Unidos e a outros países, que têm interesse e influência na região, em defenderem a democracia e os direitos humanos colidiram com as preocupações relacionadas com o queos interesses da segurança nacional irão sofrer, caso os regimes autoritários pró-ocidentais sejam expulsos."

 

"(...) armar a oposição não está isento de desvantagens. Correm o risco de alimentar uma guerra civil e de encorajar os regimes leais a firmarem-se. Além disso, as armas fornecidas para lutar contra o regime serão utilizadas nos tumultos, para combaterem uns contra os outros, se e quando o regime for removido, tornando o rescaldo na Síria muito mais violento."


Anseio pelo dia em que as nossas elites decidam fazer dos interesses do Estado e dos Portugueses uma prioridade maior que os seus precoceitos ideológicos.

Os nossos aliados...

Não se pode dizer que a Síria seja um regime aliado do ocidente que valha a pena salvar, mas tal como no caso da Líbia, pergunto-me se a mísera Síria vale a pena como centro das atenções do ocidente quando parece ser bem mais vital para a Rússia e China, quando o Irão é a principal preocupação do ocidente e quando todos nós estamos em dificuldades económicas.
E estes são os nossos aliados... 



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 17:43
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CGTP defende Desemprego de 20%

CGTP defende salário mínimo de 515 euros ainda em 2012.

Piada tem o erro do jornalista que motivou a correcção:

"Notícia corrigida às 22h13: a CGTP defende subida do salário mínimo para 515 euros e não 500 como estava escrito".

Até o jornalista ficou surpreendido.

 

A mim, o que me surpreende, é porquê um salário mínimo inferior ao de "nuestros hermanos". Somos menos que eles?
Os Portugueses por acaso serão Ibéricos de 2ª?!? Em Espanha ganham 641,4 Euros!
Igualdade, já!

 

Ficávamos todos com desemprego de 25% e depois era fácil: os 3 com salário contribuíam para o 4º!

Porquê 515 Euros e 20% de Desemprego?!? Este engravatadinho já aprendia alguma coisa sobre Igualdade e Fraternidade...

 



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 16:58
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Aos que resistem!

Na Síria, onde o povo está a ser massacrado por quem o devia proteger, há quem não desista de nos fazer chegar a verdade. Os novos meios de comunicação são a arma dos resistentes. Em sua homenagem, e realçando a importância das “novas tecnologias”, regresso ao Psico com um dos mais fortes poemas portugueses. Porventura o meu preferido.

 

 

Notícias do Bloqueio, de Egito Gonçalves

 

Aproveito a tua neutralidade,

o teu rosto oval, a tua beleza clara,

para enviar notícias do bloqueio

aos que no continente esperam ansiosos.

 

Tu lhes dirás do coração o que sofremos

nos dias que embranquecem os cabelos…

tu lhes dirás a comoção e as palavras

que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

 

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,

sustentando a defesa à nossa volta

- único acolchoado para a noite

florescida de fome e de tristezas.

 

Tua neutralidade passará

por sobre a barreira alfandegária

e a tua mala levará fotografias,

um mapa, duas cartas, uma lágrima…

 

Dirás como trabalhamos em silêncio,

como comemos silêncio, bebemos

silêncio, nadamos e morremos

feridos de silêncio duro e violento.

 

Vai pois e noticia com um archote

aos que encontrares de fora das muralhas

o mundo em que nos vemos, poesia

massacrada e medos à ilharga.

 

Vai pois e conta nos jornais diários

ou escreve com ácido nas paredes

o que viste, o que sabes, o que eu disse

entre dois bombardeamentos já esperados.

 

Mas diz-lhes que se mantém indevassável

o segredo das torres que nos erguem,

e suspensa delas uma flor em lume

grita o seu nome incandescente e puro.

 

Diz-lhes que se resiste na cidade

desfigurada por feridas de granadas

e, enquanto a água e os víveres escasseiam,

aumenta a raiva

                        e a esperança reproduz-se.



uma psicose de Paulo Colaço às 16:16
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aos Insurgentes

Há um blog, em Portugal, que tem liderado a campanha anti-Climate of fear, difundida vastamente nos US of A, mas com pouca expressão cá no burgo: o Insurgente. As razões que levam o libertário a combater ferozmente as teses científicas que alertam para as consequências de uma intervenção humana insustentável no consumo de recursos e na poluição dos ecossistemas não é muito lógica, a não ser na intransigente rejeição a eventuais soluções que resultem em aumentos de impostos ou legislação federal/estatal. 

 

O debate político travado, actualmente, entre activistas "verdes" e activistas capitalistas (chamo aqui desde os anarco-capitalistas aos Tea Party, ou aos 99 percent, o leque é vasto) pouco, aliás nada!, tem de científico. Os primeiros limitam-se a fazer previsões baseadas em modelos pouco rigorosos que preveem aumentos de temperatura exponenciais. Os segundos, dedicam-se a defender estudos de credibilidade nula desenvolvidos por instituições com agenda política, financiados por interesses que vão da abastada Koch Foundation à indústria petrolífera. A agenda destes últimos visa criar, na opinião pública, a confusão de que a comunidade científica que investiga os fenómenos naturais associados ao aquecimento do planeta e os activistas da Greenpeace são uma e a mesma coisa. Não são. Essa distinção fica para outras núpcias. 

 

O que me faz hoje escrever é o artigo publicado por Richard Muller no The New York Times, denominado "The conversion of a climate-change skeptic". O título é elucidativo. Ainda que do ponto de vista científico, Richard Muller (anteriormente avençado pela Koch Foundation) acrescente pouco ao debate, há trechos do seu artigo de opinião que vale a pena difundir, porque são elucidativos da distância que separa o debate ideológico entre os extremos do espectro político norte-americano e a ciência. 

 

(...)

"It’s a scientist’s duty to be properly skeptical. I still find that much, if not most, of what is attributed to climate change is speculative, exaggerated or just plain wrong. I’ve analyzed some of the most alarmist claims, and my skepticism about them hasn’t changed."

(...)

"Science is that narrow realm of knowledge that, in principle, is universally accepted. I embarked on this analysis to answer questions that, to my mind, had not been answered. I hope that the Berkeley Earth analysis will help settle the scientific debate regarding global warming and its human causes. Then comes the difficult part: agreeing across the political and diplomatic spectrum about what can and should be done."



uma psicose de Rui C Pinto às 14:10
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Utoya. Um ano depois.


uma psicose de Rui C Pinto às 21:21
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
Sobre o anedotário nacional du jour

O pagode continua. E continuará. Como continua sempre quando se perde o respeito. 

Desta vez, Relvas chegou ao Tour de France, como mostra o vídeo em baixo. Estou certo de que chegará ainda mais longe.

 

Os cães vão ladrando, enquanto a caravana passa. E a caravana que passa é naturalmente a ridicularização do ministro. O que me preocupa, em toda esta história é a profunda falta de dignidade de toda esta situação. É um desaire tremendo para todos aqueles que depositaram esperança num novo ciclo político em Portugal.

 

Importa recordar Manuel Pinho e o episódio dos chifres na Assembleia da República. Importa recordar Martins da Cruz e o seu pedido de demissão a propósito das insinuações de favorecimento da sua filha numa Universidade Pública. Indivíduos que compreendem que a política só se exerce com autoridade. Miguel Relvas é, nesta altura, um claríssimo embaraço para todo o governo e, em especial, para o Primeiro-Ministro que já teve que lhe reafirmar a sua confiança política por 3 vezes, mas parece estar disposto a comprometer todos em prol da sua sobrevivência no exercício de funções. Resta saber se Passos Coelho está disposto a comprometer alguma da sua base de apoio para evitar a remodelação. Passos Coelho fará os possíveis por manter o ministro e a razão não é a RTP ou a reforma autárquica. Não somos ingénuos... A razão são as eleições autárquicas de 2013.

 

Resta-me citar o meu companheiro apache, José Meireles Graça: "Quanto ao bom do Relvas, é claro que se devia ter demitido há muito, no interesse próprio, no do Governo e no do País. Se o tivesse feito a tempo, perderia a auctoritas mas não a dignitas."


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uma psicose de Rui C Pinto às 19:21
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Terça-feira, 17 de Julho de 2012
Boas novas dos nossos estudantes

Raramente merece destaque, mas fica aqui a referência à vitória dos nossos jovens lusos nas Olimpíadas Internacionais de Matemática. Vencemos uma medalha de Ouro, uma de Prata, duas de Bronze e ainda uma Menção Honrosa. Foi o melhor resultado português alguma vez conquistado.

 

Parabéns aos concorrentes. Temos Cristianos Ronaldos nas mais diferentes áreas e sectores. Ainda há esperança nos nossos jovens. Que se mantenham assim e estudem muito! 



uma psicose de Diogo Agostinho às 13:04
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Mudam-se os tempos...

...mudam-se as opiniões. Há mais de um ano tínhamos no poder um tipo que por tudo o que se falava do seu passado era visto como um percurso a correr e de favores. 

 

Um homem que tirou um curso de forma "estranha", que nos projectos como "engenheiro" existiam suspeitas, que tinha o caso Freeport. Tinha, pois esta semana lá conseguiu uma enorme vitória! Depois de 6 anos chegamos aqui. Não dignifica em nada a justiça portuguesa. 

 

Ora, hoje já não há Sócrates e por isso a política em Portugal desanuviou. Os senhores que se lhe seguiram, como Primeiro-Ministro e Secretário Geral do PS, são dois tipos mais calmos e ponderados e o degelo aconteceu, numa altura em que o país precisa é de tranquilidade e consensos. 

 

A atenção e a anedota nacional de há uns tempos para cá são más notícias. Vejo pouco a discussão centrada na possibilidade de alguém com equivalências despachar-se a correr para ter um Dr. antes do nome. Está centrado apenas e só em Relvas. É verdade. É o país que temos e como tal não há volta a dar. 

 

Hoje é claro que Relvas é um peso pesado para Passos Coelho. Sabemos que a ligação e cumplicidade é grande entre ambos. Sabemos também que a amizade vem de trás. Uma coisa é certa, quando olhamos para a função que hoje Miguel Relvas ocupa e que Jorge Moreira da Silva ocupa, percebemos logo que existe ali uma troca mal feita. Que pela personalidade e perfil de cada um, estão com as posições trocadas. 

 

Mas, importa aqui também destacar a posição da JSD. Não consigo compreender como não agarrou a JSD este tema logo que saiu, exigindo explicações e sobretudo dizendo que um curso é para ser frequentado. No minímo mais de metade das cadeiras. 

 

A JSD foi tão critica com Sócrates, a cada discurso de um dirigente vinha a piada, e bem, de se referir ao Engenheiro Sócrates, não sabendo se era Engenheiro. Nesta fase, era crucial pedir explicações e não pactuar com facilitismos. É disso mesmo que se trata o espírito de Bolonha. Facilitar de acordo com a experiência. Dir-me-ão que Relvas saberá mais de Ciência Política que todos os estudantes do curso, para mim é claro, sabe mais de vida partidária e de política no dia-a-dia. Não precisava em nada de um Dr. antes do nome para mostrar valor ou ser Ministro...

 



uma psicose de Diogo Agostinho às 07:27
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
De Relvas às Juventudes partidárias

Chegam-me imagens de uma manifestação pedindo a demissão de Miguel Relvas. Uma manifestação absurda, mas que contribui para mais uma humilhação pública do ministro. Horas depois de ser ridicularizado por Alberto João Jardim. Uma conclusão salta à vista de todos: os longos anos de experiência na vida política e partidária ensinaram pouco a Miguel Relvas e as equivalências foram-lhe creditadas erradamente. Um ministro que se permite chegar a um ponto de desautorização, que assume carácter de humilhação pública, não pode perceber nada de política. A sua resistência foi, no início da semana passada, um sinal de imprudência. Hoje, já nada lhe resta senão resistir porque já não há uma saída digna da situação. 

 

Esta é uma daquelas situações, para usar da metáfora de Pedro Passos Coelho, em que se atira porcaria na ventoinha... O resultado é evidente. Surpreendeu-me, por isso, que o Duarte Marques, presidente da JSD, e o Pedro Alves, secretário geral da JS, se lançassem tão prontamente para a frente da ventoinha. O primeiro conseguiu chamar a si, no dia informativo de ontem, a precariedade política do ministro com uma tentativa de defesa tão arrojada que soa a desespero. O segundo, respondeu hoje ao arrojo do Duarte, comprometendo-se mais do que se estivesse calado. Ao fim do dia, ninguém ficou bem na fotografia, porque, como dizia, quem passa em frente a esta ventoinha... 


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uma psicose de Rui C Pinto às 19:41
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Domingo, 15 de Julho de 2012
Detroit - O Plano Democrata para a América

Onde haja políticos que, para serem eleitos prometem "algo por nada", acabamos com uma sociedade viciada em receber sem trabalhar e, inevitavelmente, com uma cidade como Detroit...



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 01:50
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Sábado, 14 de Julho de 2012
um documentário a ver e a reflectir



Grande Reportagem SIC - Profissão: Ex-Ministro - 08 / 07 / 2012




uma psicose de Miguel Nunes Silva às 23:39
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012
A política.

Nos últimos dias/semanas fui frequentemente abordado com piadas sobre o Relvas, insinuações sobre o Relvas, ou simplesmente um "Então o Relvas, hã?". Quem interpela espera naturalmente a defesa da dama. Afinal, somos todos do mesmo clube. Somos da mesma trupe. A surpresa é geral quando me ouvem denunciar o caso.

 

A minha história será, certamente, replicada por centenas por esse país fora, já que há, como eu, muito militante do PSD que não vê a sua militância como uma fé. Ontem, lia um outro militante dizer no Facebook que tinha vergonha de não ter nos órgãos de direcção do PSD quem denunciasse Relvas e "os casos" que o envolvem. Há, felizmente, quem o faça. Firmino Pereira, vice-presidente do PSD/Porto faz o favor de me representar a mim e a tantos outros militantes do PSD que não aceitam que a mediocridade se perpetue em cargos de responsabilidade política. 

 

Sou militante do PSD. Mas não sofro de partidarite nem defendo clientelas. Muito menos coloco o partido acima da minha dignidade pessoal. E um indivíduo que depois de fazer uma licenciatura nas circunstâncias em que fez vir dizer-me que sempre levou uma vida na procura do conhecimento está, no mínimo, a insultar a minha inteligência. 


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uma psicose de Rui C Pinto às 20:28
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
O ministro da piada ou uma piada de ministro?

Entrei, hoje, por uns breves minutos, numa pastelaria. Um episódio que não terá excedido 5 minutos. Foi o suficiente para ouvir duas anedotas contadas por clientes diferentes: 

 

"Diz o Relvas para o Reitor:

- Sr. Reitor, dá licença?

- Está licenciado!"

 

"O Relvas perdeu a virgindade aos 12 anos. Praticou masturbação, mas deram-lhe equivalência."

 

Dada a manifesta piada em que se tornou um ministro cuja responsabilidade governativa incide sobre a coordenação política do executivo, começo a temer pela autoridade do governo e, em particular, do próprio Primeiro-Ministro.

 

Eu sou do tempo em que os ministros se demitiam, por forma a preservar a dignidade das instituições que representavam. Homens como Relvas não temem o prejuízo que lhes causam, porque apostam na curta memória do eleitorado. Infelizmente para ele, já foi inscrito na mais duradoura forma de memória colectiva do povo português: a anedota. 



uma psicose de Rui C Pinto às 20:17
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O ajustamento em curso

 

 

Hoje, ao dar a volta à imprensa, deparo-me com a seguinte noticia:

"Entre 1941 e 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, Portugal neutral conseguiu vender mais ao exterior do que importava, graças às exportações de volfrâmio para as potências beligerantes. Desde então Portugal comprou sempre mais ao exterior do que vendeu – neste ano e no próximo, contudo, será diferente, prevê o Banco de Portugal (BdP)."

 

iOnline

 

À primeira vista, é um facto extraordinário. No entanto é expectável, necessário, mas tem uma componente negativa, em especial no campo das finanças públicas. Economics 101: desde 1995 que Portugal tem vivido bem acima das suas posses, em especial desde a nossa entrada no Euro, com dívida financiada no estrangeiro, excesso de procura interna, desniveis entre a produtividade e salários, vis a vi os nossos concorrentes externos, o que gerou defices comerciais sucessivos e altos. Esta história é conhecida. Ad Nauseum.

 

O que parece que não é conhecido, pelo menos na imprensa, é que o caminho óbvio do ajustamento num regime de câmbios fixos, como é o caso do Euro, é exactamente a balança comercial ficar positiva no meio de uma recessão grave. Isto deveria ser por demais evidente: Se uma economia cresceu por excesso de procura interna alimentado por dívida, procura interna essa que foi dirigida à compra de bens e serviços produzidos no exterior, então o fim do financiamento (o que nos levou a "falir") leva à compressão dessa procura. Em português: Pessoas vão para o desemprego, empresas fecham, e as importações param, e em casos graves, começam a decrescer. 

 

"Desde 1943 já tivemos outras recessões, e isto não aconteceu... porquê agora?", ouço alguns leitores a inquirir. Simples, porque esta é a primeira recessão grave que temos, onde não temos o Escudo como moeda. Normalmente a receita é "chapa cinco": desvaloriza-se a moeda, e o ajuste é feito (desvalorizar a moeda equivale a tornar importações mais caras, exportações mais baratas e o valor da dívida, a haver, menos penoso de suportar). Mas essa solução não existe. Não há moeda para desvalorizar, pelo que o ajuste é feito internamente, e é forçosamente estrutural: Desemprego sobe em flecha, a Economia Interna contrai, salários descem e, a parte importante do ajuste, o desiquilibrio interno entre sector de bens transaccionáveis (os que exportam) e o sector de bens não-transaccionáveis (os que importam) é corrigido. 

 

Isto é, já agora, independente do Primeiro Ministro ser Social Democrata, Socialista ou o Rato Mickey. É mera constatação de factos óbvios. O que não é independente do Primeiro Ministro é como enfrentar o ajuste. Este é penoso. Tem de o ser, depois de anos de excessos. E tem de seguir o seu curso. A opção, reincentivar a Procura Interna com gastos públicos, é mera cosmética. Mesmo que resultasse, apenas nos dava mais uns anos.

 

Isto coloca o actual governo num melimdre Político e Financeiro. O Político é óbvio. Depois de passar a euforia dos jornais, alguém se vai aperceber de onde vem a Balança Comercial positiva e associar tal facto ao aparente colapso da procura interna portuguesa. O melindre está em convencer os Portugueses na necessidade de aceitar isso e aguentar um pouco mais este ajuste. Em pré-estágio para um ano de eleições autarquicas acrescente-se. O segundo problema é financeiro, e dúvido que o Terreiro do Paço não se tenha já apercebido dele: Este ajuste implica um colapso nas receitas fiscais. Vai demorar algum tempo - assumindo que continuamos neste rumo, e incentivamos ao ajuste - até o sector exportador compensar o sector importador, e a economia portuguesa voltar a encarreirar. 

 

Ou, colocando isto de outra forma: O Estado Português tem neste momento um problema grave em mão, recebe a 90 dias mas paga de imediato. Não há liquidez para aguentar a queda das receitas fiscais. Isto já se está a verificar - alias, esta noticia apenas vem reforçar que o defice de 2012 vai derrapar por duas rubricas, impostos cobrados e juros pagos por pagamento de dívida pública a vencer (e não, em nada tem a ver com os "juros da Troika", mas sim com dívida pública emitida anteriormente, e não por este Governo). E isto pode revelar-se uma combinação muito forte para mais austeridade em 2012. 



uma psicose de Guilherme Diaz-Bérrio às 12:59
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Domingo, 8 de Julho de 2012
Alberto João Jardim, o Estimulador

Jardim diz que é tempo de Portugal dar "um murro" na mesa de negociações da União Europeia:

Ao discursar na cerimónia de abertura da XXIX Expomadeira, Alberto João  Jardim referiu haver "caminhos para solucionar" o problema das dívidas dos  Estados soberanos. "É preciso que o Estado português, membro da União Europeia, com os  mesmos direitos dos outros da União Europeia, dê um murro na mesa e consiga  uma reunião mínima de países que proponha um alargamento dos prazos de pagamento  da dívida soberana e uma redução dos juros", defendeu. 

Para João Jardim, os juros teriam "como limite não prejudicar os depósitos que os aforradores têm na banca". O governante madeirense elencou, em seguida, uma série de medidas que, no seu entender, resolveriam a situação económico-financeira da União Europeia.

Essas medidas incluiriam a subordinação dos interesses financeiros aos interesses públicos e do Estado, a emissão de mais moeda pelo Banco Central Europeu para investimento e para fazer a economia crescer e gerar mais receita  fiscalmas com inflação controlada, o protecionismo extracomunitário, ou  a realização de uma "profunda reforma" em Portugal, da Justiça à Administração  Pública, no sentido da sua desburocratização. 

O presidente do governo regional defendeu igualmente a manutenção do  Estado social e a revisão do sistema de greves, bem como a descentralização e o reforço e alargamento das competências da autonomia política, porque "até agora foi um logro". Recusou ainda a ideia de o Estado dar prioridade à satisfação dos interesses  do sistema bancário em detrimento dos produtores de riqueza: "O meu Governo não aceita a estratégia de pagar primeiro à banca e à alta finança e só depois pensar na economia e naqueles que produzem riqueza, nem está para  ser colaboracionista neste caminho", frisou. 

Alberto João Jardim recordou que, entre 2007 e 2012, o Governo Regional  apoiou 2.600 empresas madeirenses, num total de 143 milhões de Euros. Salientou ainda que, desde janeiro, "o Instituto de Desenvolvimento Empresarial apoiou o mercado das empresas com mais 10 milhões de Euros". "Este apoio conseguiu, nesta fase social difícil, garantir a estabilidade  de 11.000 a 12.000 postos de trabalho", disse. 

Revelou ainda que, na Madeira, em 2010 foram constituídas 1.149 empresas  e dissolvidas 641, que em 2011 foram criadas 1.297 empresas e extintas 645  e que "até ao dia 15 de maio deste foram constituídas 446 novas empresas  e extintas 217". "A partir de fevereiro, e com o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro,  o governo já injetou 140 milhões de euros no mercado regional para pagamento  de dívidas deste ano e de anos anteriores", acrescentou.  

O presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF),  Duarte Rodrigues, chamou a atenção para o "enquadramento macroeconómico particularmente difícil" para as empresas madeirenses, mas frisou que, mesmo  assim, 79 aderiram à mostra das atividades económicas deste ano, agradecendo o empenho e a atenção dada pelo governo regional ao tecido empresarial.

Só cá faltava mais este a dizer disparates. Aqui ficam algumas ideias de perguntas para jornalistas "cubanos" que eu gostava de ver respondidas:

  1. Está a dizer que as dívidas dos Estados são diferentes das demais? Isso significa que quem quer que compre dívida estatal não deve esperar que esta seja paga?
  2. Portugal deve pedir mais anos para pagar... Isso significa que devemos estar mais anos em austeridade?
  3. A Finlândia já disse que talvez seja melhor sair do Euro do que andar a pagar países caloteiros... Acha mesmo que esses murros na mesa vão resultar? Com que base diz isso?
  4. Falou em "não prejudicar os depósitos que os aforradores têm na banca". Quer dizer que caso a Europa não altere as condições do empréstimo a Portugal as pessoas devem temer pelas suas poupanças em bancos Portugueses?
  5. Ao falar em "não prejudicar os depósitos que os aforradores têm na banca" não acha que isso é uma forma de chantagem?
  6. E ao falar em não pagar à "alta finança", não está a pôr em causa esses mesmos depósitos desses mesmos aforradores?
  7. Não acha que uma "emissão de mais moeda pelo Banco Central Europeu" e ter "inflação controlada" são objectivos mutuamente exclusivos?
  8. Como pensa resolver problemas regionais com medidas Europeias? Como vai justificar aos outros Europeus que devem pagar pelos excessos da Madeira? Está a implicar que os Madeirenses não têm a capacidade de pagar as suas dívidas e que por isso tem de ser impressa moeda para ajudar?
  9.  Se até hoje défice atrás de défice para financiar estímulo atrás de estímulo resultou na situação actual, porque acha que a solução é mais dívida e mais estímulo?
  10. Com o défice o número de empresas criadas foi superior às que fecharam. E quando tiver de pagar essa dívida, não vão fechar mais do que abrir? Se com a situação actual - com as contas ainda deficitárias - o desemprego já está a aumentar, como acha que vai ser o saldo no final?

Para quando perguntas como estas?



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 01:23
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012
Memória ou...falta dela...

O País anda entretido com diversos casos e polémicas. Para os mais cépticos, basta dizer: “É Portugal”. Ora, não deixa de ser interessante ler quem por aí anda a opinar e criar notícias. Uma dessas personagens que marcam a opinião públicas e as redes sociais é uma Jornalista que pela sua escrita e postura irreverente cria sempre bastante polémica.

 

Ora, considero que polémica é sempre interessante para um bom debate de ideias. O problema é quando passamos da polémica para o sensacionalismo e a tentativa de juntar o que não tem razão de ser.

 

O que diz então a Jornalista Fernanda Câncio: “É assim que podemos assistir, boquiabertos - como anteontem - a um Santana Lopes, na TVI24, a perorar, a propósito do curso de Relvas, sobre deverem ser os políticos julgados pelos seus atos em funções e não por episódios do seu percurso privado (cito de memória), sem que algum dos presentes, de Constança Cunha e Sá a Assis e Rosas, pigarreasse sequer.”

 

Sem tirar nem pôr foi isto com que a senhora nos brindou na sua coluna de opinião. O que dizer deste factor: cito de memória.

 

Mas, que diabo, então eu que até vi o programa em directo não me lembro do raio da frase e da consideração que a Senhora faz? As tecnologias hoje permitem claro está rever o programa. O link é este:  http://www.tvi24.iol.pt/programa/4209/62. Podem ouvir o programa todo. Mas a partir do minuto 32 têm o tema. O que observamos nós? Que de facto, existe uma citação mas bem diferente e sobretudo bem mais certeira! Chama-se a atenção para a situação que em Portugal apenas nos preocupamos com as questões depois dos casos pessoais. Discutir Bolonha? Discutir as PPP? Não. Isso só depois do escândalo, da notícia sensacionalista.

 

Foi isto que entendi... Mas mais à frente refere-se que seria bem mais grave se na altura Relvas tivesse em funções executivas. Lá está outra verdade simples para todos.

 

É triste ver esta Senhora nesta sede de, quiçá, vingança atacar assim. Não sei se é das companhias, mas o estilo enfim, faz-me lembrar alguém em que como alguém fazia em debates o que interessa é continuar a agarrar “ideias” para discutir o acessório e não a discussão saudável do tema.

 

Quer falar mal do Mundo? Que fale. Mas pelo menos cite correctamente. Cuidado com essa memória!



uma psicose de Diogo Agostinho às 08:40
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
Cinismos

A polémica em torno da licenciatura de Miguel Relvas promete durar por muitas semanas. Há muitos portugueses indignados. A típica inveja portuguesa, já se sabe... Um indivíduo (com um cv invejável) consegue negociar condições bestiais para ver reconhecidas as suas competências por uma instituição de ensino superior. Perante o sucesso inusitado do seu espírito empreendedor, surge um coro de críticos embriagados no profundo ressentimento das suas parcas qualificações. Nada de novo. Repete-se o efeito que consumiu Sócrates e o seu notável sucesso académico e a sua evidente fluência em Inglês.

 

Os portugueses devem ultrapassar o seu cinismo e ver nestes casos de sucesso uma janela de oportunidade. Quantas mulheres portuguesas, cuja vida foi dedicada aos cuidados dos filhos e à gestão do orçamento familiar, mereceriam ver as suas competências reconhecidas ao nível de uma licenciatura em Ciências da Educação e um mestrado em Gestão e Finanças?

 

Quanto trolha não veria o seu mérito reconhecido em Engenharia Civil; quanto electricista veria a sua mestria certificada com um diploma em Engenharia Electrotécnica? Se é o seu caso, enderece a sua candidatura à Universidade Lusófona. Negoceie uma Licenciatura num ano, ou um mestrado num semestre. Se não lhe for dada a oportunidade, então sim!, estaremos perante um escândalo que nos merecerá a indignação a todos. 

 

Publicado, em simultâneo, aqui



uma psicose de Rui C Pinto às 21:21
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