Sábado, 2 de Março de 2013
Infantilidades no 2 de Março

Reivindicações dos dias de hoje – Simultaneamente:

  • Menos impostos – São muito altos, matam a Economia e provocam desemprego.
  • Mais despesa – Há que manter o Estado Social. E o estímulo à Economia. E a cultura. E…
  • Não paguem aos usuários – Mas eles que continuem a financiar o Estado Português.
  • A mim não – Se há que fazer cortes, cortem noutro sector. No meu não dá jeito.
  • A festa é fixe pá – Não há uma alternativa clara e logo não haverá consequências políticas. Mas ao menos a malta juntou-se e esteve junta.

Já agora, ficam aqui o artigo do João Cortez sobre as “propostas” do PS.



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 18:17
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1 comentário:
De Hugo a 3 de Março de 2013 às 10:29
Acho que os manifestantes de ontem são uma massa bastante heterogénea que não se reduz à simplicidade com que tu os caracterizas. Mas aqui vão alguns esclarecimentos sobre o que defendem muitas das pessoas que estavam ontem na manif:

1) não é tanto o ser contra os impostos, é pôr quem mais tem (muitos dos quais foram responsáveis pela crise, aka banqueiros, etc) a pagar proporcionalmente mais impostos.

2) Onde tu vês despesa muitos economistas (e não apenas os manifestantes) vêem investimento. Investimento esse que promove o crescimento e pode permitir pagar a dívida. Funcionará? Quem sabe? Mas esta fórmula parece claramente não estar a funcionar (a menos para os bolsos de alguns) e ninguém sabe se funcionará no futuro.

3) Sim, não paguem os usurários. Quando um negócio é mau e uma das partes é humilhada e deixada ainda mais endividada o melhor é mesmo não o fazer.

4) Acho que a maior parte das pessoas na manifestação não estavam afailiadas a nenhum sector. Muitos eram desempregados e trabalhadores do sector privado. Algo que o governo (e a direita em geral) devia perceber é que esta não é mais uma manif organizada pelos mesmos do costume (CGTP, PCP, etc). Está muito para lá disso.

5) Neste ponto tens razão. Claro que há alternativas, e são bem claras. Lá que não estejam de acordo com os modelos económicos neo-liberais que se tornaram ortodoxia não as invalida. Mas o facto é o de que estas manifs funcionam como catárse para o descontentamento, impedindo que a revolta se torne mais séria. O governo e a Troika devem agradecer aos deuses todos estas manifs. E assim os Ulrichs e dos Santos deste país vão poder continuar a lutar pelo seu objectivo de aparecer na lista dos 500+ da Forbes e a continuar a dormir descansadinhos à noite. E a única fuga de capital que haverá de Portugal é a de capital humano e científico. Mas uma economia baseada em empresas de distribuição alimentar, construção civil, têxtil baratusco e pasta de eucalipto não preciso de capital humano, apenas de mão de obra barata.

Acrescentaria que o que muita gente quis dizer ontem (mas que provavlemente não cabe na cabeça de alguém de direita) é que se não há alternativa e temos todos que empobrecer então que sejamos TODOS. O que revolta ás pessoas não é tanto o ficarem desempregadas, verem os filhos licenciados e capazes a terem de emigrar, não terem dinheiro para as coisas mais básicas, terem de pagar mais impostos... o que as revolta é o em cima disso tudo verem António Borges, Van Zeller, Ricardo Salgado, Soares dos Santos, etc, a enriquecerem cada vez mais, a ostentarem essa riqueza e volta e meia a gozarem com o povo com tiradas tipo "Aguentam, aguentam!". Seria bom que a direita compreendesse esta sede de justiça social e, ao nível individual, este sentimento de "Eu não me importo de ser pobre, só não quero que gozem com a minha cara nem que façam de mim parvo", este patriotismo de dizer "eu não me importo de dar o litro por Portugal, mas então temos todos que dar o litro, a doer", este desejo de "Ok, eu deixei de ter dinheiro para pagar a casa, para fazer férias, mal tenho para pagar comida... no mínimo quero que os ricaços também parem de andar por aí de Lexus e iates". Porque são estas injustiças e esta falta gritante de solidariedade por parte da classe alta, mais do que impostos e perda de poder de compra, que levam uma população á revolta. E quando isso acontece então aí sim, as massas tornam-se irracionais e descontroladas. E ninguém, da esquerda à direita, gostaria que isso acontecesse.


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