Sábado, 5 de Janeiro de 2013
A Chantagem da Esquerda

Parem com a austeridade, or else...

 

É isto que temos vindo a ouvir da esquerda nas últimas semanas. Cuidado pessoas de direita, olhem que vem aí uma revolução, vejam lá de que lado voçês se querem encontrar quando estalar o caos...

 

 

E como os bons velhos populistas que são, uma vez mais as ovelhinhas da esquerda esperam com isso silenciar quem tem coragem de falar verdade aos Portugueses em vez de lhes prometer mundos e fundos e o pote de ouro no fim do arco-íris.

 

No fundo é a mesma lógica daqueles que defendem ser-se religioso por medo da potencial veracidade do inferno. Por via das dúvidas não vamos arriscar e convertamo-nos.

É isso que a esquerda é: uma religião com Marx como o seu profeta, com dogmas, com ritos, mas sem a mínima centelha de credibilidade ou sustentabilidade.

 

À esquerda gostam de dizer que a culpa da crise é da direita porque foi a direita que defendeu desregulação e liberalismo comercial. Na verdade mesmo sem o impacto de algumas questionáveis políticas neoliberais, a corrida para o fundo que a abertura asiática e do leste Europeu causaram, teriam levado a que o ocidente tivesse adoptado as mesmas medidas para tentar competir.
Aonde está a diferença substancial da governação é no modo como os eleitorados foram tratados: a direita nunca defendeu investir para produzir o que a esquerda fez sem descanso - do mais extremo radical ao mais centrista moderado. A direita nunca defendeu endividamento sem limites e nunca prometeu ao eleitorado que privilégios do desenvolvimento económico eram 'direitos'; a esquerda sim, e com todo o fôlego.
Prosperaram as economias que aplicaram as receitas da esquerda (Argentina, Cuba, etc)? Não.
Prosperaram as economias que aplicaram as receitas da direita (China, Leste Europeu)? Sim. 


uma psicose de Miguel Nunes Silva às 19:27
link directo | psicomentar

2 comentários:
De Pedro Miguel Carvalho a 5 de Janeiro de 2013 às 23:34
A esquerda, a esquerda...

Os exemplos falam por si.


De Hugo a 6 de Janeiro de 2013 às 16:01
Miguel, tens uma ideia um pouco preconceituosa de esquerda, a roçar a intolerância.

Para começar não existe “esquerda”, existem “esquerdas”. Seguramente que acharias absurdo que se metesse no mesmo rótulo o D. Duarte Pio e o Pacheco Pereira, o Paulo Portas e o Victor Gaspar, uma Isabel Jonet e um Nuno Crato, o José Manuel Fernandes e o José Pinto Coelho… e no entanto são todos personagens de Direita.

Nunca ouvi ninguém de esquerda vir com essas ameaças (excepto o camarada Otelo, mas pronto, esse…). De qualquer modo é muito comparável às ameaças da direita “não aumentem os impostos aos ricos, or else…”. O que é verdade é que as pessoas, ricas ou pobres, não gostam que lhes tirem propriedade, seja através de impostos ou de medidas de austeridade, e há sempre o risco de haver uma revolta generalizada, revolta essa que pode tomar várias formas, sendo muito mais provável que essa revolta tome a forma de protestos legais como greves e boicotes (tão legais como transferir sedes fiscais para países mais vantajosos, ou transferir dinheiro para bancos Suiços) do que revoluções e convulsões à la grega.

Achas que a direita não faz promessas vãs? Sigam os nossos modelos económicos de mercado livre (que o próprio FMI às vezes diz que não funcionam) e haverá prosperidade para todos, crescimento económico que chegará a toda a gente e durará para sempre. Isso também me parece um pouco pote de ouro no fim do arco-íris. Quanto a profetas: para o absurdo da inevitabilidade histórica do Marxismo também há o absurdo do fim da história com o liberalismo económico do Fukuyama. Todos temos os nossos profetas em quem incautamente depositamos uma fé. Quanto à economia de direita ser sustentável ainda gostava que me explicassem de forma racional como é que o crescimento económico sem fim (ou pontuado por pequenos ciclos de crise) prometido pelo liberalismo é sustentável num planeta de recursos finitos.

“a direita nunca defendeu investir para produzir”. Já ouviste falar na Madeira? Diz que tem sido governada pelo PSD desde o 25 de Abril e é o exemplo mais flagrante de estatização da economia que consigo pensar, com todo o desenvolvimento económico durante anos sido pago por dinheiros públicos e empregando o máximo número de pessoas possível na função pública. Outro exemplo foi o período de governação do Cavaco Silva e o investimento do estado em obras públicas como forma de “fomentar” a economia.

Quantos às receitas económicas sê menos tendencioso: a Escandinávia usa receitas de esquerda e tem prosperado, a Islândia fez um manguito ao FMI e às suas receitas de direita e recuperou em tempo record duma crise económica, o Brasil usou um misto de fórmulas de esquerda e algumas de direita e tornou-se uma potência económica. O Japão tem usado receitas de direita e mergulhou numa crise económica, idem aspas com uma série de países Africanos e da América do Sul. A verdade é que nem os modelos económicos de direita ou de esquerda devem ser considerados como “receitas” que funcionam sempre. Uns e outros podem funcionar ou não dependendo duma série de circunstâncias históricas e culturais que a ciência económica está longe de conseguir compreender. Mais: o crescimento económico não significa progresso nem prosperidade social (embora ajude).

E já agora não há um modelo económico de “esquerda”. Diferentes fações de esquerda preferem certos modelos económicos. O Clinton e o Blair eram de esquerda e os seus modelos económicos eram muito neo-liberais. O CDS-PP é de direita e frequentemente advoga um proteccionismo aos produtos Portugueses e a protecção do estado a certos sectores (agricultura, militar, manufacturas, etc). Na esquerda Europeia tens desde alguns sociais-democratas Europeus a defender um liberalismo económico com o mínimo de interferência do estado possível (focando-se apenas na taxação mas não na regulação), outros a defender uma maior regulação de certos sectores (como o financeiro), outros ainda a defender uma quase nacionalização da banca e ainda outros (os Green Parties) a defenderem modelos ainda experimentais de “steady-state economics” focando-se mais na estabilidade do que no crescimento.

Como vês, caríssimo, as coisas não são a preto-e-branco… nem os maus da fita são tão claramente maus como nos filmes do Nolan.


Comentar post

Notícias
Psico-Social

Psico-Destaques
Psicóticos
Arquivo

Leituras
tags
Subscrever feeds
Disclaimer
1- As declarações aqui pres-tadas são da exclusiva respon-sabilidade do respectivo autor.
2 - O Psicolaranja não se responsabiliza pelas declarações de terceiros produzidas neste espaço de debate.
3 - Quaisquer declarações produzidas que constituam ou possam constituir crime de qualquer natureza ou que, por qualquer motivo, possam ser consideradas ofensivas ao bom nome ou integridade de alguém pertencente ou não a este Blog são da exclusiva responsabilida-de de quem as produz, reser-vando-se o Conselho Editorial do Psicolaranja o direito de eliminar o comentário no caso de tais declarações se traduzirem por si só ou por indiciação, na prática de um ilícito criminal ou de outra natureza.