Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013
Empréstimos Técnicos

A banca hoje não quer emprestar. Tem medo de arriscar. Mesmo empresários de sucesso são hoje autênticos bonecos voodoo capazes de assustar o bancário mais temerário. Então e os meus ex-colegas da banca como conseguem ainda conceder empréstimos? Apresento-vos: os empréstimos técnicos.

Imaginem que são um empresário proprietário de uma PME. Cansados de pagar impostos, pagam a vocês próprios um salário mínimo e retiram a liquidez da empresa das mais diversas formas. Agora imaginem que querem comprar um carro ou uma casa. Querem um carro ou uma casa de acordo com o vosso nível de vida anterior à crise da dívida “soberana”, mas trocar de carro é difícil pois qualquer carro dos que vocês querem é impossível de ser adquirido por um receptor de uma salário mínimo. Se comprarem um carro de 10.000 contos / 50.000 Euros, o fisco detectará o “sinal exterior de riqueza” e irá sobre o triplo imposto sobre automóveis e cobrar-vos-á mais 40%, chamando-lhe “IRS que você, se comprou este carro, deveria ter pago”.

Como ultrapassar este problema: simples, vai ter com um amigo meu bancário e deposita o dinheiro do carro. Pede depois um empréstimo para, vá lá, 10 anos no valor do carro, dando como colateral não o carro mas sim o património – investido num produto de capital e rendimento garantidos.

Vamos lá ver como agem os agentes económicos:

  1. Estado – um pobretanas comprou um carro com dinheiro emprestado. É um estúpido, mas ok.
  2. Banco – ganha comissão no produto estruturado onde colocou o dinheiro do investidos e empresta dinheiro a uma taxa superior àquela a que obteve o dinheiro do BCE: ok.
  3. Empresário – compra o carro sem chatices com o fisco. Esperançosamente vai ganhar ainda algum dinheiro com a operação, dependendo da taxa de juro. Evitou a extorsão: ok.
  4. Sociedade – tantas horas perdidas por membros dos mais preparados da sociedade para no fim se fazer uma compra básica de um carro por quem tinha dinheiro para o pagar: bem-vindos ao sistema Português.

Quando é que os que fazem a legislação aprendem que as pessoas não vão ficar paradas quando as tentam extorquir?



uma psicose de Ricardo Campelo de Magalhães às 16:37
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2 comentários:
De Hugo a 1 de Janeiro de 2013 às 20:23
A moralidade da acção do empresário, a falta de ética do bancário, o vulgar e quase insultuoso desejo de ostentação dum carro de luxo num momento de crise... tudo isso é irrelevante.

É engraçado ver como a direita adora falar em responsabilidade individual e abusos de direitos só no que toca às pessoas que auferem de RSIs e protecção social e aos trabalhadores que fazem greves. A responsabilidade individual de empresários e o abuso das suas liberdades é virtual e qualquer tentativa de trazer isso à baila equivale a uma "caça ao rico". Claramente a ubber-beata Santa Isabel Jonet não pensou neste exemplo que mencionas quando se refere aos "Portugueses terem de deixar de viver acima das suas possibilidades". Só aos que não usam copos para lavar dentes ou vão a concertos de rock.

Mas o mau da fita é sempre, claramente, o Estado.


De Hugo a 1 de Janeiro de 2013 às 20:27
Seria bom que os que fazem a legislação aprendessem de facto que as pessoas não vão ficar paradas quando as tentam extorquir, quer seja o estado a extorquir empresários... quer sejam empresários a extorquir o resto da população.


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