Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
França: Paradoxo da Seriedade

O mundo acabou de ficar mais estranho.


Não há como negar que nas eleições presidenciais em França, Nicolas Sarkozy era mais populista que François Hollande. Mas desta feita o cenário - de uma perspectiva Portuguesa - está invertido. É o candidato mais sério que mais irresponsabilidade governativa representa. 

 

Nas míticas eleições legislativas de 2009 em Portugal, a escolha era clara: Sócrates representava a irresponsabilidade despesista e demagógica em toda a linha, Ferreira Leite simbolizava a seriedade da clareza ideológica e honestidade governativa. Mas na terra da tricolor as coisas são menos claras. 

 

Sarkozy foi a face de escândalos de corrupção, de favoritismo e de casos de imprensa cor-de-rosa. Hollande pelo contrário apresentou-se como o candidato sério e fiel às suas raízes ideológicas.

 

Mas no bizarro mundo da política é pelo contrário Sarkozy que representa a austeridade em França, a preocupação saudável de equilibrar as contas Francesas e defender o interesse nacional, e é Hollande que representa o sonho, a emoção ideológica com um passado hoje desadequado às necessidades de um mundo que não se compadece com saudosismos.

Hollande por sinal, tem sido tudo menos vago: desde taxar os mais abastados a 75% - o que causaria uma fuga massiva de capitais - a BAIXAR a idade de reforma de volta para os 60 anos - sim, porque se os países escandinavos e as suas economias invejáveis são obrigados a ir acima dos 65 serão certamente os Franceses e a sua ética de trabalho que poderão afirmar-se como a excepção na Europa..............

 

O que é preocupante é que a minha fé nas pessoas diminui um pouco com cada eleição que observo em que tais diferenças existem. Parece-me que os eleitores, estejam aonde estiverem, já nem querem saber de personalidade e estilo, mas antes sim preocupam-se com a substância das políticas; infelizmente fazem sempre a escolha mais errada: a de curto prazo, a de evitar a responsabilidade para com as gerações que se seguem, fazem a escolha mais irresponsável e esperam pelo melhor...  Afinal, quem gosta de austeridade?

 

O problema é que nos dias de hoje já não podemos encolher os ombros e dizer 'isso é lá com os Franceses, eles é que sabem'. Não, é com todos nós porque Portugal e a Europa dependem da França.

 

Ironicamente, neste momento o futuro da República Francesa assenta assim na esperança de que o candidato sério tenha feito promessas desonestas...



uma psicose de Miguel Nunes Silva às 12:33
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18 comentários:
De ogrilofalante a 7 de Maio de 2012 às 23:26
"Parece-me que os eleitores, estejam aonde estiverem, já nem querem saber de personalidade e estilo, mas antes sim preocupam-se com a substância das políticas; infelizmente fazem sempre a escolha mais errada:"

-Esta frase assenta como uma luva. No fundo, a atual política é fruto dessa escolha.


"Hollande por sinal, tem sido tudo menos vago: desde taxar os mais abastados a 75% "

-Em Portugal, é o oposto. Quem paga impostos, ou é funcionário público ou trabalha por conta de outrem. Os que mais possibilidades têm, ou são aliviados da carga fiscal limitam-se a fintar o fisco e pouco ou nada pagarem ou até mudarem de país a sua sede social .
A isto, chama este governo justiça!



De Bruno Duarte a 8 de Maio de 2012 às 12:01
"A missão dos Governantes é de garantir que cada cêntimo arrecadado nos impostos é dispendido com ponderação, protegendo as carteiras dos contribuintes e garantir o serviço público (e não simplesmente as despesas públicas)."


De Bruno Duarte a 8 de Maio de 2012 às 12:04
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade."

So quem nao percebe nada de nada e que pode pensar o contrario!


De ogrilofalante a 8 de Maio de 2012 às 19:55
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade"

De onde vem essa prosperidade? Eu explico! muitas vezes vem de legislações que punem ou escravizam os explorados. E isto está a acontecer graças aos mediocres que estão a governar este país.
Já agora que anda pelos bastidores do poder, diga só para nós que ninguém nos ouve: para quando está agendada a assinatura do segundo resgate da troika?


De Bruno Duarte a 9 de Maio de 2012 às 00:52
"É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."


De ogrilofalante a 9 de Maio de 2012 às 08:51
Mas é facílimo multiplicar pobreza!


De Bruno Duarte a 9 de Maio de 2012 às 11:02
"Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa estara a trabalhar sem receber."


De ogrilofalante a 9 de Maio de 2012 às 11:43
Este assunto dava pano para mangas. Há quem receba sem trabalhar mas já trabalhou. Há quem receba sem trabalhar e pouco ou nada fez. Há quem esteja na político doze anos e muitos tiveram um trabalho duvidoso e que recebem muito mais do que muitos que passaram uma vida inteira a trabalhar. Há também aqueles que estiveram em empresas públicas pouco tempo e de lá saem milionários ou com reformas milionárias enquanto essas empresas ou pouco lucro davam ou davam prejuízos. E neste ultimo caso, os beneficiários ou eram (são) do PS ou do PSD e alguns do CDS.


De Bruno Duarte a 9 de Maio de 2012 às 13:17
"O governo não pode dar a uns se não tirar a outros. Quando metade da população entende que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entender que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação."


De ogrilofalante a 9 de Maio de 2012 às 14:48
"...metade entender que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação."

Isto não passa de uma falácia! Efetivamente haverá uma parte que pensa dessa forma mas quer-se fazer crer que anda meio mundo a viver à custa do outro meio. Há muitas pessoas que querem trabalhar e não conseguem um posto de trabalho. Conheço bastantes que já são "velhas" para trabalhar (pessoas de mais de 45 anos). Conheço ex-empresários (patrões) que encerraram as sua empresas e não estão na fila da sopa da Caritas e aparentemente continuam a fazer a vida que faziam antes. Férias no Brasil, no Algarve, países exóticos, bons restaurantes etc. As empresas faliram e os empregados ficaram na penúria, mas eles ainda não faliram. O dinheiro não desapareceu meu caro. Simplesmente mudou de mãos. Infelizmente, saiu dos bolsos de quem pouco tinha foi para os bolsos daqueles que os tinham bem recheados.Como diziz o Raul Solnado: é a lei das compensações! Uns ficaram com os bolsos vazios e em compensação outros ficaram com eles a rebentar pelas costuras



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